Sindicato dos Trabalhadores em Postos de Combustíveis da Bahia
/ quinta-feira, setembro 20, 2018
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“Não seremos coniventes com nenhum tipo de retirada de direitos dos trabalhadores”, afirmou presidente do Sinposba

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Entrevista ao site da Fenepospetro
“Não seremos coniventes com nenhum tipo de retirada de direitos dos trabalhadores”, afirmou presidente do Sinposba
 
Dando continuidade à série de entrevistas com representantes dos sindicatos filiados à Federação Nacional dos Empregados em Postos de Combustíveis e Derivados de Petróleo (Fenepospetro), entrevistamos nesta semana o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Postos de Combustíveis da Bahia (SINPOSBA), Antônio Lago.
 
Antônio é frentista desde 1988 e, buscando constantemente um ambiente de trabalho saudável aos trabalhadores e trabalhadoras, sempre participou ativamente da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) nas empresas em que atuou. Em entrevista à Fenepospetro, o presidente contou um pouco da história e atuação do SINPOSBA.
 
(Fenepospetro) Quantos anos tem o SINPOSBA? Nesses anos, como foi a atuação e crescimento do sindicato?
 
(Antônio) O SINPOS foi fundado em 16 de novembro de 1991. Nos primeiros dez anos, a direção estava na mão do setor patronal. Ou seja, a entidade não era representada pelos trabalhadores. Somente em 2001, tivemos o processo de retomada do sindicato pela classe trabalhadora e foi a partir daí começamos a ganhar visibilidade. Antes de 2001, pouca gente sabia da existência do sindicato pois não havia muita atuação.
 
Após 2001, começamos a fazer um trabalho forte de consciência, de resgate e de mobilização da categoria. São 27 anos de fundação e 17 de atuação. Com mais presença na base, levando as demandas dos trabalhadores e trabalhadoras para os órgãos fiscalizadores e pautando a questão da saúde dos frentistas.
 
Nós realizamos uma série de ações de vigilância da saúde do trabalhador no âmbito de promoção e prevenção. Essa luta culminou na conquista do anexo 2 da NR-9, que vale para todo o Brasil e nasceu aqui na Bahia. A batalha começou em 2007 e foi uma conquista fundamental para a categoria — já que é de extrema importância uma norma regulamentadora específica para o nosso ramo de atividades. Até para que o Estado possa atuar de forma efetiva, reconhecendo a categoria politicamente e institucionalmente também.
 
(F) Muitos trabalhadores e trabalhadoras são filiados à entidade atualmente?
 
(A) Nós estamos com uma média de 6 mil trabalhadores e trabalhadoras associados.
 
(F) Na atual conjuntura de vigência de reforma trabalhista quais são os principais desafios encontrados pelo SINPOSBA?
 
(A) Com essa reforma aprovada no congresso, que chamamos de CLT patronal já que é benéfica apenas para os empresários, fez com que os patrões se tornassem mais arrogantes. Eles já eram, mas agora se sentem ainda mais legitimados para precarizar e tirar direitos dos trabalhadores.
 
Nossa briga aqui na Bahia é que o setor patronal quer implementar a jornada de 12h de trabalho, e nossa atual jornada é de até 8h com intervalo de 60 minutos. Pode até haver uma conta diferenciada, desde que tenha a participação do sindicato. Mas, agora, o setor patronal não quer a participação do sindicatos dos trabalhadores. Nós não podemos assinar uma negociação excluindo a participação dos trabalhadores. Seria uma CCT que somente convém a eles, que ficariam livres para agir da forma que julgarem mais conveniente.
 
Imagina uma categoria que trabalha em pé laborando por 12h? Isso sem contar a exposição aos agentes químicos. Nossa categoria está em contato com mais de 300 elementos químicos e, dentre eles, benzeno, tolueno e xileno — substâncias tóxicas e nocivas à saúde.
 
(F) Quais são os projetos e ações que o sindicato tem adotado após a reforma trabalhista?
 
(A) Estamos fazendo um trabalho forte de base. O sindicato está brigando para buscar melhorias para a categoria, mas sem abrir mão de algumas conquistas. Negociaremos pontos importantes, mas não vamos abrir mão das nossas conquistas. Essa questão do aumento da jornada, por exemplo, é estratégica. Não vamos abrir brechas para jornada de 12h e a categoria está de acordo conosco. Os trabalhadores em postos de combustíveis da Bahia também estão empenhados em não retroceder.
 
Outra coisa que é importante mencionar sobre a jornada de 12h é a redução da mão de obra. Vai ampliar o caos social do país, vai ampliar o desemprego. Já estamos vivendo essa crise política e institucional com milhões de pessoas desempregadas no país. Nós vamos reforçar isso? O sindicato precisa ter essa visão social.
 
Estamos sempre fazendo mediação com o Ministério Público (MP), Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e quando não há avanço, o caminho é buscar vias judiciais com possível dissídio coletivo. Afinal de contas, não seremos coniventes com nenhum tipo de retirada de direitos de trabalhadores e trabalhadoras.
 
Por fim, acredito que temos que dar o troco nas urnas para virar esse jogo. Nesta eleição, precisamos eleger candidatos e candidatas que tenham compromisso com a classe trabalhadora. Somente assim conseguiremos desfazer todos esses retrocessos que estamos vivenciando atualmente no país.
 
*Assessoria de imprensa Fenepospetro.
 
http://www.fenepospetro.org.br

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