Sindicato dos Trabalhadores em Postos de Combustíveis da Bahia
/ quinta-feira, junho 27, 2019
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Mais de 14 milhões de famílias usam lenha ou carvão para cozinhar, diz IBGE

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De 2016 a 2018, o preço do botijão de gás aumentou 24%, passando a custar até R$ 100,00 em alguns estados. No mesmo período, três milhões de famílias trocaram o gás de cozinha por lenha, carvão e álcool

Marize Muniz e Tatiana Mellim / CUT

Aumentou de 11 milhões para 14 milhões o total de famílias brasileiras que passaram a usar lenha ou carvão para cozinhar nos últimos dois anos, segundo dados da Pnad Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta quarta-freira (22).

A crise econômica prolongada, o aumento do desemprego e a alta do preço do botijão de gás mostram que é impossível negar que o aumento do número de famílias que não conseguem mais usar o gás de cozinha (GLP) está relacionada a falta de dinheiro para comprar um botijão, seja porque estão com os salários defasados ou porque estão desempregados ou fazendo bicos para sobreviver.

De 2016 a 2018, a crise econômica se agravou e as taxas de desemprego batem sucessivos recordes – o país já tem mais de 13 milhões de desempregados. No mesmo período, os preços do botijão de gás aumentaram 24%, passando a custar até R$ 100,00 em alguns estados, o que levou mais de três milhões de famílias a trocarem o gás de cozinha por lenha, carvão e álcool.

“Esse é um claro sinal de que a economia está patinando, de que a renda das famílias está caindo e de que o povo está ficando mais pobre e, pior, correndo mais riscos até para preparar a comida da família”, diz o presidente da CUT, Vagner Freitas.

“Quando aperta no bolso, as pessoas fazem de tudo para economizar. E o governo, ao invés de abandonar a política que só atende aos interesses de quem quer privatizar a Petrobras, continua penalizando o povo com os reajustes abusivos nos preços do gás de cozinha e da gasolina”, completa.

Em sua crítica, o presidente da CUT se refere aos reajustes abusivos nos preços dos derivados do petróleo, como os combustíveis e o GLP, que começaram depois do golpe de 2016, quando o ilegítimo Michel Temer (MDB) adotou uma política para a Petrobras baseada nos preços internacionais dos barris de petróleo e na variação cambial.

Até dezembro de 2017, a Petrobras reajustava os preços do GLP mensalmente. A partir de janeiro de 2018, quando os valores já haviam explodido, os preços passaram a ser reajustados trimestralmente. O último reajuste foi anunciado na primeira semana de maio e foi de 3,4%.

Um ano depois que a política de preços de Temer entrou em vigor, os hospitais especializados alertaram que estava aumentando o número de pessoas queimadas por uso de lenha, carvão e álcool para cozinhar no dia a dia, não apenas para fazer churrasco no fim de semana. A situação não melhorou desde então.

O Nordeste, onde tem mais acidentes, concentra 35% ou 4,8 milhões de famílias que passaram a usar lenha ou carvão. No Sudeste, onde o salto foi o maior entre todas as regiões, no ano passado havia 2,9 milhões de famílias preparando alimentos dessa forma.

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