{"id":10234,"date":"2019-11-20T14:14:40","date_gmt":"2019-11-20T17:14:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=10234"},"modified":"2019-11-20T14:14:40","modified_gmt":"2019-11-20T17:14:40","slug":"capitalistas-usam-racismo-para-ampliar-exploracao-da-classe-trabalhadora-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2019\/11\/20\/capitalistas-usam-racismo-para-ampliar-exploracao-da-classe-trabalhadora-no-brasil\/","title":{"rendered":"Capitalistas usam racismo para ampliar explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o s\u00e3o muitas as raz\u00f5es para comemora\u00e7\u00e3o neste 20 de novembro, \u201cDia da Consci\u00eancia Negra\u201d, em que milhares de trabalhadores e trabalhadoras v\u00e3o \u00e0s ruas do pa\u00eds em manifesta\u00e7\u00f5es contra o racismo e pela igualdade. As mais recentes estat\u00edsticas divulgadas pelo IBGE revelam que o racismo \u00e9 usado em nosso pa\u00eds pelos capitalistas para intensificar a explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>Nada menos do que 65% dos desempregados do pa\u00eds s\u00e3o negros ou pardos e a taxa de desemprego, que em m\u00e9dia est\u00e1 em 11,8%, sobe a 14,9% entre os negros. Na informalidade, onde em m\u00e9dia est\u00e3o situados 41,5% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa, o percentual de negros e pardos \u00e9 de 47,3% contra 34,6% dos brancos.<\/p>\n<p><strong>Ensino superior<\/strong><\/p>\n<p>Um dado positivo \u00e9 que, pela primeira vez na hist\u00f3ria, os negros do Brasil s\u00e3o maioria (50,3%) nos espa\u00e7os de ensino superior p\u00fablico. O maior acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o resulta das pol\u00edticas afirmativas implementadas pelos governos Lula e Dilma, com destaque para as cotas. Todavia, isto n\u00e3o se traduz ainda em melhores empregos, melhores sal\u00e1rios e nem ao menos mais representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para essa popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica) exp\u00f5em o cen\u00e1rio de desigualdades estruturais que o Pa\u00eds enfrenta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s popula\u00e7\u00f5es branca e pretos e pardos.<\/p>\n<p>Por meio de an\u00e1lise de indicadores da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua), o estudo Desigualdades sociais por cor ou ra\u00e7a no Brasil permitiu um mergulho nas taxas que refor\u00e7am as desigualdades entre brancos e pretos ou pardos (99% da popula\u00e7\u00e3o brasileira em 2018) ligadas ao trabalho, \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de renda, \u00e0 moradia, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Veja alguns dos principais \u00edndices expostos pelo relat\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Pela primeira vez, em 2018, a popula\u00e7\u00e3o que se declara preta ou parda representou mais da metade (50,3%) dos estudantes de ensino superior da rede p\u00fablica. No entanto, essa popula\u00e7\u00e3o ainda continua sub-representada nesses espa\u00e7os, j\u00e1 que comp\u00f5em a maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira (55,8%).<\/p>\n<p><strong>Sal\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>A desigualdade de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o superior reflete tamb\u00e9m nos \u00edndices de sal\u00e1rios nacionais. Enquanto o rendimento mensal das pessoas brancas ocupadas era de R$ 2.796, o da popula\u00e7\u00e3o preta ou parda era de R$ 1.608, refor\u00e7ando uma diferen\u00e7a de 73,9% entre os sal\u00e1rios. Isto significa que a taxa de explora\u00e7\u00e3o (ou de mais-valia, segundo Karl Marx) da popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 significativamente maior, numa evid\u00eancia de que o racismo \u00e9 usado pelos capitalistas para ampliar seus lucros.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres pretas ou pardas, quando comparadas com homens brancos, elas receberam menos da metade do sal\u00e1rio deles (44%), o que faz com que elas continuem na base da desigualdade de renda no Brasil.<\/p>\n<p>Outro dado que refor\u00e7a o gap estrutural no Pa\u00eds \u00e9 o fato de que os brancos com n\u00edvel superior completo tamb\u00e9m ganham cerca de 45% a mais por hora comparado aos pretos ou pardos com o mesmo n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Mercado de trabalho<\/strong><\/p>\n<p>Os dados do IBGE demonstram ainda que os pretos ou pardos representavam 64,2% da popula\u00e7\u00e3o desocupada e 66,1% da popula\u00e7\u00e3o subutilizada em 2018. E, enquanto 34,6% dos trabalhadores brancos estavam em ocupa\u00e7\u00f5es informais, entre os pretos ou pardos esse percentual era de 47,3%.<\/p>\n<p>Do ponto de vista de carreira, a desigualdade tamb\u00e9m \u00e9 enorme. Somente 29,9% dos cargos gerenciais do Brasil s\u00e3o exercidos por pessoas pretas ou pardas. J\u00e1 os cargos de chefia, que consequentemente t\u00eam a maior renda, s\u00e3o amplamente ocupados por pessoas brancas (85,9%).<\/p>\n<p><strong>Distribui\u00e7\u00e3o de renda<\/strong><\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de renda, os pretos ou pardos representavam 75,2% do grupo formado pelos 10% da popula\u00e7\u00e3o com os menores rendimentos do Pa\u00eds. Entre os 10% mais ricos, apenas 27,7% n\u00e3o s\u00e3o brancos.<\/p>\n<p><strong>Viol\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s taxas de viol\u00eancia no Brasil, a de homic\u00eddios dos pretos ou pardos segue superior a dos brancos.<\/p>\n<p>Enquanto o indicador de homic\u00eddios manteve-se est\u00e1vel na popula\u00e7\u00e3o branca entre 2012 e 2017, o assassinato de pretos ou pardos subiu mais de 6 pontos: passou de 37,2 para 43,4 homic\u00eddios por 100 mil habitantes.<\/p>\n<p>O \u00edndice \u00e9 maior entre os jovens homens negros. A taxa de homic\u00eddios entre a popula\u00e7\u00e3o de pretos ou pardos de 15 a 29 anos do sexo masculino foi de 185,0 por 100 mil habitantes.<\/p>\n<p><strong>Representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p>A tend\u00eancia de desigualdade \u00e9 refletida nos n\u00edveis de representa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Apenas 24,4% dos deputados federais e 28,9% dos deputados estaduais s\u00e3o pretos ou pardos. Para mulheres negras, o cen\u00e1rio \u00e9 ainda pior. Elas comp\u00f5em\u00a0 apenas 2,5% dos deputados federais e 4,8% dos deputados.<\/p>\n<p>www.ctb.org.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o s\u00e3o muitas as raz\u00f5es para comemora\u00e7\u00e3o neste 20 de novembro, \u201cDia da Consci\u00eancia Negra\u201d, em que milhares de trabalhadores e trabalhadoras v\u00e3o \u00e0s ruas do pa\u00eds em manifesta\u00e7\u00f5es contra o racismo e pela igualdade. 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