{"id":10309,"date":"2019-11-25T14:28:13","date_gmt":"2019-11-25T17:28:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=10309"},"modified":"2019-11-25T14:28:13","modified_gmt":"2019-11-25T17:28:13","slug":"luta-pelo-fim-da-violencia-contra-a-mulher-e-fortalecida-neste-25-de-novembro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2019\/11\/25\/luta-pelo-fim-da-violencia-contra-a-mulher-e-fortalecida-neste-25-de-novembro\/","title":{"rendered":"Luta pelo fim da viol\u00eancia contra a mulher \u00e9 fortalecida neste 25 de novembro"},"content":{"rendered":"<p><strong>O Dia Internacional pela Elimina\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia contra as Mulheres marca tamb\u00e9m o inicio dos 16 dias de ativismo no mundo. No Brasil, s\u00e3o 21 dias de luta<\/strong><\/p>\n<p>Come\u00e7ou nesta segunda-feira (25) em todo o mundo os 16 dias de ativismo pelo fim da viol\u00eancia contra as mulheres, \u00a0campanha que tem como objetivo mobilizar pessoas e organiza\u00e7\u00f5es para o engajamento na preven\u00e7\u00e3o e no fim da viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/p>\n<p>O \u201cDia Internacional pela Elimina\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia Contra as Mulheres\u201d \u00e9 25 de novembro, mas a campanha vai at\u00e9 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos. No Brasil, s\u00e3o 21 dias de ativismo, de 20 de novembro a 10 de dezembro.<\/p>\n<p>As pesquisas sobre o aumento no n\u00famero de agress\u00f5es, viol\u00eancia e assassinatos de mulheres mostram que a data fica cada vez mais importante em todo o mundo, especialmente no Brasil, onde desde o golpe de 2016, quando a presidenta eleita Dilma Rousseff foi impedida de continuar governando e o golpista Michel Temer (MDB-SP) assumiu, as taxas de viol\u00eancia contra as mulheres explodiram.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias do golpe associadas \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de um presidente mis\u00f3gino, racista e homof\u00f3bico, como Jair Bolsonaro, pioraram ainda mais a situa\u00e7\u00e3o das mulheres, secret\u00e1ria da Mulher Trabalhadora da CUT, Juneia Batista. De acordo com ela, Bolsonaro diminuiu os recursos para o programa de promo\u00e7\u00e3o da autonomia e enfrentamento da viol\u00eancia contra a mulher no Or\u00e7amento da Uni\u00e3o de 2019, j\u00e1 considerado o menor valor desde o in\u00edcio do projeto, em 2012.<\/p>\n<p>A secretaria afirma que n\u00e3o tem como pensar que a mulher estar\u00e1 mais segura com Bolsonaro porque o perfil e o comportamento agressivo dele com as mulheres nos 28 anos como deputado e nesses onze meses como presidente mostram que as mulheres ter\u00e3o dias cada vez piores. Pior ainda para as mulheres negras brasileiras.<\/p>\n<p>\u201cVivemos tempos sombrios no Brasil, mas para n\u00f3s mulheres, principalmente as negras, tudo fica muito pior. Est\u00e3o nos agredindo, nos atacando psicologicamente e nos matando cada dia mais. E a pol\u00edtica de Bolsonaro d\u00e1, cada dia mais, esta permiss\u00e3o e a gente n\u00e3o pode assistir tudo isso e n\u00e3o denunciar e n\u00e3o lutar para que isto n\u00e3o continue\u201d, afirmou Juneia.<\/p>\n<p>Em 2018, nove mulheres foram v\u00edtimas de agress\u00e3o e tr\u00eas sofreram espancamento ou tentativa de estrangulamento por minuto; e mais de 12 milh\u00f5es foram v\u00edtimas de ofensa verbal, como insulto, humilha\u00e7\u00e3o ou xingamento.<\/p>\n<p>Por outro lado,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/mais-de-90-das-cidades-brasileiras-nao-tem-delegacia-da-mulher-87da\">m<strong>ais de 90% das cidades brasileiras n\u00e3o t\u00eam delegacia da mulher para dar suporte ou investigar tantos casos de viol\u00eancia.<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Segundo dados do\u00a0<strong>12\u00ba Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/strong>\u00a0divulgados em 2018, 606 v\u00edtimas de viol\u00eancia, em m\u00e9dia, registraram les\u00e3o corporal dolosa, enquadrados na Lei Maria da Penha em 2017. No mesmo per\u00edodo, o estupro aumentou em torno de 8,4 e o feminic\u00eddio tamb\u00e9m cresceu 6,1% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior.\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/no-brasil-a-cada-8-horas-uma-mulher-e-morta-so-por-ser-mulher-aponta-estudo-abd8\">A cada 8 horas uma mulher \u00e9 morta s\u00f3 por ser mulher<\/a>.<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m alto \u00edndice de subnotifica\u00e7\u00e3o, mesmo com a obriga\u00e7\u00e3o legal do registro, o que significa que o n\u00famero de agress\u00f5es pode ser ainda mais alto.<\/p>\n<p>E o pior, segundo a pesquisa Vis\u00edvel e Invis\u00edvel \u2013 \u201cA Vitimiza\u00e7\u00e3o de Mulheres no Brasil\u201d &#8211; a pr\u00f3pria casa ainda \u00e9 o lugar onde as mulheres mais sofrem viol\u00eancia: 42% das entrevistadas apontam a casa como local onde aconteceu a agress\u00e3o, seguida de 29% que alegaram ter sofrido viol\u00eancia na rua.<\/p>\n<p>\u201cO combate \u00e0 viol\u00eancia contra mulher n\u00e3o \u00e9 uma pol\u00edtica de Estado, como uma Lei, e sim de governo. A gente precisa pressionar o governo federal, o estadual e municipal o tempo todo se quiser mudar este quadro. O fim da viol\u00eancia contra mulher \u00e9 urgente\u201d, destacou Juneia.<\/p>\n<p>Este cen\u00e1rio tr\u00e1gico mostra a import\u00e2ncia das mulheres brasileiras se engajarem nos 16 dias de ativismo mundial e nos 21 dias de luta no Brasil, diz a diretora do Sindicato dos Banc\u00e1rios de Curitiba, Marisa St\u00e9dile.<\/p>\n<p>Segundo ela, \u00e9 preciso ir para as ruas, conversar com a popula\u00e7\u00e3o e denunciar o aumento da viol\u00eancia contra mulher no Brasil. S\u00f3 no Paran\u00e1, diz a dirigente, a cada 36 minutos \u00e9 registrado um crime de viol\u00eancia contra a mulher e o feminic\u00eddio \u2013 crime de assassinato de mulheres pelo simples fato de serem mulheres &#8211; aumentou 48% em 2017.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s, mulheres, precisamos ter pol\u00edticas para enfrentar esta viol\u00eancia que nos rodeia e \u00e9 preciso acion\u00e1-las. A Lei Maria da Penha e o Disque 180 s\u00e3o algumas ferramentas com as quais a gente ainda pode contar, mas \u00e9 preciso continuar na luta pelo fim da viol\u00eancia contra mulher\u201d, disse Marisa St\u00e9dile.<\/p>\n<p><strong>No Brasil a campanha \u00e9 de 21 dias de ativismo<\/strong><\/p>\n<p><strong>A campanha pelo fim da viol\u00eancia contra mulher dura 21 dias no Brasil &#8211; come\u00e7ou no dia 20 de novembro, Dia da Consci\u00eancia Negra, e termina no dia 10 de dezembro, mesma data do t\u00e9rmino das mobiliza\u00e7\u00f5es no mundo.<\/strong><\/p>\n<p>As brasileiras come\u00e7aram a tratar do assunto no dia que relembra a morte do l\u00edder negro Zumbi dos Palmares para enfatizar a dupla discrimina\u00e7\u00e3o sofrida pela mulher negra no pa\u00eds.<\/p>\n<p>S\u00e3o elas que trabalham nos empregos mais prec\u00e1rios, s\u00e3o as que mais morrem de feminic\u00eddo, que mais sofrem agress\u00f5es e viol\u00eancia dom\u00e9stica. S\u00e3o as mulheres negras as que ganham menos e s\u00e3o as que menos podem contar com o sistema de sa\u00fade no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A secret\u00e1ria de Combate ao Racismo na CUT, professora Anatalina Louren\u00e7o, e a secret\u00e1ria-adjunta, Rosana Souza, fizeram quest\u00e3o em ilustrar a campanha apontando duas datas dentro deste per\u00edodo de ativismo: 1\u00ba de dezembro, Dia Mundial de Combate \u00e0 AIDS, e 10 de dezembro, Dia Mundial dos Direitos Humanos.<\/p>\n<p>Segundo Anatalina, no caso do HIV\/AIDS, embora n\u00e3o sejam consideradas popula\u00e7\u00f5es-chave para a epidemia, as negras e os negros respondem por estat\u00edsticas preocupantes como as que s\u00e3o feitas sobre mortes em consequ\u00eancia da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Para ela, \u00e9 preciso reconhecer que existe racismo institucional e que a Pol\u00edtica Nacional da Sa\u00fade da Popula\u00e7\u00e3o Negra com todas as suas diretrizes n\u00e3o foi implantada.<\/p>\n<p>\u201cA desigualdade econ\u00f4mica pesa, visto que a popula\u00e7\u00e3o negra tem menos poder financeiro, a mais informalidade no emprego, muitas mulheres negras que trabalham como dom\u00e9sticas sem carteira assinada n\u00e3o conseguem ter acesso \u00e0 sa\u00fade preventiva. A pobreza \u00e9 mais cruel para as negras\u201d, destacou a dirigente.<\/p>\n<p>J\u00e1 Rosana destaca a quest\u00e3o dos Direitos Humanos. Segundo ela, o Brasil est\u00e1 longe de defender a sua popula\u00e7\u00e3o negra, mesmo que no primeiro artigo da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos conste: \u201ctodos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos\u201d e em seu artigo 3\u00ba que \u201ctodo ser humano tem direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade e \u00e0 seguran\u00e7a pessoal\u201d.<\/p>\n<p>\u201cMas n\u00e3o somos e nunca fomos tratados de forma igual. Os dados oficiais sobre a popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil indicam que esta \u00e9 a parcela mais afetada pelos altos \u00edndices de viol\u00eancia da sociedade e a mais sujeita \u00e0 viola\u00e7\u00e3o de direitos\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com Mapa da Viol\u00eancia de 2019, 4936 mulheres foram assassinadas em 2017, maior \u00edndice dos \u00faltimos dez anos. Isso representa 13 v\u00edtimas por dia \u2013 66% delas eram negras. E nos \u00faltimos anos, os assassinatos de brasileiras pretas e pardas s\u00f3 v\u00eam crescendo.<\/p>\n<p>\u201cA luta, para n\u00f3s, mulheres negras, \u00e9 dobrada, contra o racismo e pelo fim da viol\u00eancia, porque precisamos garantir a vida de milhares de mulheres negras\u201d, conclui Rosana.<\/p>\n<p><strong>Agenda de luta<\/strong><\/p>\n<p>As mulheres das CUTs Bras\u00edlia, Piau\u00ed, Rond\u00f4nia e Para\u00edba v\u00e3o se somar as atividades dos estados com a\u00e7\u00f5es e atividades pelo fim da viol\u00eancia contra mulheres. Em Pernambuco ter\u00e1 uma panfletagem e exibi\u00e7\u00e3o de um v\u00eddeo na esta\u00e7\u00e3o central do metr\u00f4 e no Amazonas as mulheres far\u00e3o uma vig\u00edlia feminista na Pra\u00e7a do Congresso. As paranaenses v\u00e3o desenvolver atividades no cal\u00e7ad\u00e3o de Londrina e divulgar diariamente a exist\u00eancia da viol\u00eancia contra mulheres e buscar o envolvimento de todos e todas.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, as mulheres v\u00e3o promover debates e a\u00e7\u00f5es de ruas para dialogar e conscientizar a popula\u00e7\u00e3o e cobrar a responsabilidade pela vida das mulheres do poder p\u00fablico.Muitas delas tamb\u00e9m est\u00e3o produzindo v\u00eddeos sobre o assunto e veiculando em m\u00eddias sindicais. [Veja abaixo um dos v\u00eddeos produzidos pela CUT Bras\u00edlia]<\/p>\n<p>No dia 25 est\u00e3o programados manifesta\u00e7\u00f5es em diversas capitais brasileiras.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4MxPjpqUWsU\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Sobre o dia 25<\/strong><\/p>\n<p>Dia Internacional pela Elimina\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia contra as Mulheres foi criado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) em 1999, em homenagem \u00e0s tr\u00eas irm\u00e3s ativistas pol\u00edticas Minerva, Patria e Mar\u00eda Teresa, assassinadas em 25 de novembro de 1960 pelo ditador Rafael Le\u00f3nidas Trujillo, ent\u00e3o presidente da Rep\u00fablica Dominicana.<\/p>\n<p>As mulheres foram enforcadas e depois espancadas para que quando o ve\u00edculo fosse jogado no precip\u00edcio a morte parecesse resultado de um acidente de carro.<\/p>\n<p>www.cut.org.br\/\u00c9rica Arag\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Dia Internacional pela Elimina\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia contra as Mulheres marca tamb\u00e9m o inicio dos 16 dias de ativismo no mundo. 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