{"id":10395,"date":"2019-11-27T14:18:42","date_gmt":"2019-11-27T17:18:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=10395"},"modified":"2019-11-27T14:18:42","modified_gmt":"2019-11-27T17:18:42","slug":"ubm-nossas-vidas-importam-21-dias-de-ativismo-pelo-fim-da-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2019\/11\/27\/ubm-nossas-vidas-importam-21-dias-de-ativismo-pelo-fim-da-violencia\/","title":{"rendered":"UBM &#8211; Nossas vidas importam. 21 dias de ativismo pelo fim da viol\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><strong>Uni\u00e3o Brasileira de Mulheres (*)<\/strong><\/p>\n<p>Viol\u00eancia contra mulheres \u00e9 uma das principais formas de viola\u00e7\u00e3o dos seus direitos humanos, a viol\u00eancia \u00e9 o elemento patriarcal que sustenta a opress\u00e3o machista. Ela \u00e9 estruturante da desigualdade de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das viola\u00e7\u00f5es aos direitos das mulheres e a sua integridade f\u00edsica e psicol\u00f3gica, a viol\u00eancia impacta tamb\u00e9m no desenvolvimento social e econ\u00f4mico de um pa\u00eds.<\/p>\n<p>Por estes e tantos outros motivos a ONU convoca uma mobiliza\u00e7\u00e3o global da sociedade civil chamada \u201c16 Dias de Ativismo pelo Fim da Viol\u00eancia contra as Mulheres\u201d que, no Brasil, dura 21 dias, pois inicia no dia 20 de novembro, Dia Nacional da Consci\u00eancia Negra, e se encerra no dia 10 de dezembro.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia atinge mulheres e homens de formas distintas. Grande parte das viol\u00eancias cometidas contra as mulheres \u00e9 praticada no \u00e2mbito privado, enquanto que as que atingem homens ocorrem, em sua maioria, nas ruas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_455302\" class=\"wp-caption alignright\" aria-describedby=\"caption-attachment-455302\"><figcaption id=\"caption-attachment-455302\" class=\"wp-caption-text\">Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Um dos principais tipos de viol\u00eancia empregados contra a mulher ocorre dentro do lar praticada por pessoas pr\u00f3ximas \u00e0 sua conviv\u00eancia, por isso garantir autonomia para as mulheres \u00e9 fundamental para reverter esse ciclo, o trabalho tem papel central nessa situa\u00e7\u00e3o ajudando a fortalecer a mulher para sair da situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que quando falamos de viol\u00eancia tendemos a achar que ela se restringe a esse tipo e pensamos logo no principal instrumento de seu enfrentamento que \u00e9 a Lei Maria da penha \u2013 Lei n\u00ba 11.340\/2006. Esta lei, al\u00e9m de definir e tipificar as formas de viol\u00eancia contra as mulheres (f\u00edsica, psicol\u00f3gica, sexual, patrimonial e moral), tamb\u00e9m prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os especializados, como os que integram a Rede de Enfrentamento \u00e0 Viol\u00eancia contra a Mulher, compostos por institui\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a p\u00fablica, justi\u00e7a, sa\u00fade, e de assist\u00eancia social.<\/p>\n<p>Todo este sistema de defesa da mulher v\u00edtima de viol\u00eancia encontra-se amea\u00e7ado pelo desgoverno de Bolsonaro que tem diminu\u00eddo a atua\u00e7\u00e3o do Governo Federal nas pol\u00edticas p\u00fablicas para mulheres.<\/p>\n<p>Bolsonaro \u00e9 inimigo das mulheres e comanda uma onda conservadora e de retirada de direitos que prejudica muito mais \u00e0s mulheres.<\/p>\n<p>PAREM DE NOS MATAR E VIOLENTAR.<\/p>\n<p>\u00c9 longa a caminhada para que o brasil seja um pa\u00eds seguro para as mulheres, o Atlas da Viol\u00eancia analisou a viol\u00eancia letal contra mulheres entre 2007 e 2017 e os dados indicam que houve um crescimento de feminic\u00eddios no Brasil em 2017, com cerca de 13 assassinatos por dia.<\/p>\n<p>Ao todo, 4.936 mulheres foram mortas. Este \u00e9 o maior n\u00famero registrado desde 2007, o crescimento \u00e9 de 30,7% no n\u00famero de homic\u00eddios de mulheres no pa\u00eds durante a d\u00e9cada em an\u00e1lise. 2017 o \u00faltimo ano da s\u00e9rie, registrou aumento de 6,3% em rela\u00e7\u00e3o ao anterior.<\/p>\n<p>A desigualdade racial tamb\u00e9m piora a vida das mulheres, comparando os dados, enquanto a taxa de homic\u00eddios de mulheres n\u00e3o negras cresceu 4,5% entre 2007 e 2017, a taxa de homic\u00eddios de mulheres negras cresceu 29,9%. Em n\u00fameros absolutos a diferen\u00e7a \u00e9 ainda mais brutal, entre n\u00e3o negras o \u00edndice \u00e9 de 1,7% e entre mulheres negras de 60,5%.<\/p>\n<p>Em 2017, a taxa de homic\u00eddios de mulheres n\u00e3o negras foi de 3,2 a cada 100 mil, ao passo que entre as mulheres negras a taxa foi de 5,6 para cada 100 mil mulheres.<\/p>\n<p>Verificando a propor\u00e7\u00e3o de mulheres negras entre as v\u00edtimas da viol\u00eancia letal, veremos que elas somam 66% de todas as mulheres assassinadas no pa\u00eds. Isso evidencia a enorme dificuldade que o Estado brasileiro tem de garantir a universalidade de suas pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Afora isso, segundo dados do IBGE e da OMS, 58% das den\u00fancias de viol\u00eancia encaminhadas pelo ao Disque 180 s\u00e3o de mulheres negras, as negras s\u00e3o as mais afetadas pela mortalidade materna, onde figuram em 56% das mortes, e tamb\u00e9m pela viol\u00eancia obst\u00e9trica, respondendo por alarmantes 65%.<\/p>\n<p>O DATASUS registrou em 2016 que 1 em cada 2 mulheres assassinadas foram mortas por arma de fogo.<\/p>\n<p>Precisamos falar sobre estupro, que \u00e9 uma das manifesta\u00e7\u00f5es mais brutais de viol\u00eancia, humilha\u00e7\u00e3o e controle sobre o corpo principalmente de mulheres, entre os anos de 2017 e 2018 foram registrados pelo conjunto dos estados brasileiros de 127.585 estupros. Em 2018 foram 66 mil casos, o que significa 180 estupros por dia, 7,5 por hora. Entre esses, 63,8% s\u00e3o cometidos contra meninas com menos de 14 anos, destas 26,8% tinham no m\u00e1ximo 9 anos.<\/p>\n<p>Pesquisa do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica em 2016 mostrou que 43% dos brasileiros do sexo masculino com 16 anos ou mais acreditavam que \u201cmulheres que n\u00e3o se d\u00e3o ao respeito s\u00e3o estupradas\u201d.<\/p>\n<p>A \u00faltima pesquisa nacional sobre vitimiza\u00e7\u00e3o estimou que cerca de 7,5% das v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual notificam a pol\u00edcia. Fazendo o recorte racial das v\u00edtimas, as pessoas negras correspondem a 50,9% das v\u00edtimas e as brancas 48,5%. \u00c9 preciso atingir um patamar de produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis que nos ajudem a apontar a redu\u00e7\u00e3o dos estupros, como fazemos com outros crimes pois apesar das altera\u00e7\u00f5es legislativas fundamentais nos \u00faltimos anos, o estupro ainda \u00e9 cercado por um profundo sil\u00eancio institucional e da sociedade.<\/p>\n<p><strong>(*)<\/strong>\u00a0<em>Artigo da UNI\u00c3O BRASILEIRA DE MULHERES.\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uni\u00e3o Brasileira de Mulheres (*) Viol\u00eancia contra mulheres \u00e9 uma das principais formas de viola\u00e7\u00e3o dos seus direitos humanos, a viol\u00eancia \u00e9 o elemento patriarcal que sustenta a opress\u00e3o machista. Ela \u00e9 estruturante da desigualdade de g\u00eanero. 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