{"id":10928,"date":"2019-12-18T11:20:50","date_gmt":"2019-12-18T14:20:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=10928"},"modified":"2019-12-18T11:32:21","modified_gmt":"2019-12-18T14:32:21","slug":"enquanto-a-petrobras-perde-mercado-brasil-importa-mais-combustivel-dos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2019\/12\/18\/enquanto-a-petrobras-perde-mercado-brasil-importa-mais-combustivel-dos-eua\/","title":{"rendered":"Enquanto a Petrobras perde mercado, Brasil importa mais combust\u00edvel dos EUA"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\"><strong>Nenhum pa\u00eds se desenvolveu exportando petr\u00f3leo cru por multinacionais estrangeiras e importando produtos refinados<\/strong><\/p>\n<div class=\"details-bar\">\n<div class=\"author-time\">\n<div class=\"author\">\n<p>O Brasil est\u00e1 sendo submetido \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do tipo colonial, depois dos ciclos do pau-brasil, do a\u00e7\u00facar, do ouro, prata e diamantes, do caf\u00e9, da borracha e do cacau, \u00e9 a vez do ciclo extrativo e prim\u00e1rio exportador do petr\u00f3leo brasileiro.<\/p>\n<p>O petr\u00f3leo do Brasil tem sido exportado em volumes recordes, cerca de 1,2 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo por dia, volume equivalente a 45% da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo cru no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Existe rela\u00e7\u00e3o entre o consumo de energia, o crescimento econ\u00f4mico e o desenvolvimento humano. O consumo per capita de energia no Brasil \u00e9 muito baixo, quase seis vezes menor em rela\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos e quase cinco em rela\u00e7\u00e3o a Noruega. No entanto, quase metade do petr\u00f3leo produzido no Brasil n\u00e3o tem sido consumido no pa\u00eds, est\u00e1 sendo exportado, em grande medida por multinacionais estrangeiras.<\/p>\n<p>Enquanto se exporta o petr\u00f3leo cru do Brasil, o pa\u00eds importa cada vez mais seus produtos refinados. S\u00e3o importados cerca de 500 mil barris de derivados de petr\u00f3leo por dia, a maior parte produzida nos Estados Unidos.<\/p>\n<p><strong>Confira o v\u00eddeo produzido pela\u00a0Associa\u00e7\u00e3o dos Engenheiros da Petrobr\u00e1s (AEPET) com base no texto de Coutinho:<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/y2lIry2MWHM\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>A pol\u00edtica de pre\u00e7os da Petrobr\u00e1s, desde 2016, \u00e9 de paridade em rela\u00e7\u00e3o aos pre\u00e7os dos combust\u00edveis importados. A pr\u00e1tica de pre\u00e7os mais altos que os custos de importa\u00e7\u00e3o tem viabilizado a lucratividade da cadeia de importa\u00e7\u00e3o e a competitividade dos combust\u00edveis importados, em especial dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>O combust\u00edvel brasileiro mais caro perde mercado para o importado, o que resulta na ociosidade das refinarias da Petrobr\u00e1s, em at\u00e9 um quarto da sua capacidade.<\/p>\n<p>O consumidor brasileiro paga pre\u00e7os vinculados ao petr\u00f3leo no mercado internacional e \u00e0 cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar, al\u00e9m dos custos estimados de importa\u00e7\u00e3o, apesar do petr\u00f3leo ser produzido no Brasil e de haver capacidade de refin\u00e1-lo no pa\u00eds, enquanto isso a Petrobr\u00e1s perde mercado.<\/p>\n<p>De janeiro a julho de 2019, 82% do diesel importado pelo Brasil foi produzido nos Estados Unidos. Da gasolina 71% e do etanol \u2013 que ocupa o mercado da gasolina \u2013, 94%.<\/p>\n<p>Nenhum pa\u00eds se desenvolveu exportando petr\u00f3leo cru por multinacionais estrangeiras e importando produtos refinados, \u00e9 preciso estancar as veias dilaceradas do Brasil e interromper este novo ciclo do tipo colonial.<\/p>\n<p><strong>Crescimento econ\u00f4mico depende do aumento do consumo de energia<\/strong><\/p>\n<p>Existe forte correla\u00e7\u00e3o entre o crescimento econ\u00f4mico e o consumo de energia. Para que haja crescimento da economia, do Produto Interno Bruto (PIB), \u00e9 necess\u00e1rio aumentar o consumo de energia.<\/p>\n<p><strong>Melhora do \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) depende da eleva\u00e7\u00e3o do consumo de energia per capita<\/strong><\/p>\n<p>Para a melhora das condi\u00e7\u00f5es de vida \u2013 que podem ser medidas pelo \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) \u2013 \u00e9 necess\u00e1rio o aumento do consumo de energia por pessoa.<\/p>\n<p><strong>Consumo per capita de energia no Brasil \u00e9 muito baixo<\/strong><\/p>\n<p>O consumo brasileiro de energia por pessoa \u00e9 muito baixo. No Brasil se consome cerca de seis vezes menos energia por pessoa em compara\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Austr\u00e1lia cinco vezes menos, e na compara\u00e7\u00e3o com a Noruega o consumo \u00e9 4,5 vezes menor. \u00c9 necess\u00e1rio aumentar muito o consumo da energia no Brasil para que haja crescimento da economia e melhoria nas condi\u00e7\u00f5es de vida e desenvolvimento humano.<\/p>\n<p><strong>Matriz energ\u00e9tica mundial revela a import\u00e2ncia dos f\u00f3sseis<\/strong><\/p>\n<p>As fontes prim\u00e1rias de origem f\u00f3ssil \u2013 carv\u00e3o, petr\u00f3leo e g\u00e1s natural \u2013 responderam por 80,2% da demanda total em 2000. Em 2017, a participa\u00e7\u00e3o dos f\u00f3sseis se elevou para 80,8%. A participa\u00e7\u00e3o das energias de origem f\u00f3ssil na demanda de energia mundial se manteve est\u00e1vel nos \u00faltimos 25 anos. \u00c9 improv\u00e1vel que percam import\u00e2ncia relativa nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, considerando sua qualidade (flexibilidade, facilidade de uso, densidade energ\u00e9tica e confiabilidade) e quantidade (disponibilidade), em compara\u00e7\u00e3o com as demais fontes prim\u00e1rias de energia.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edtica de pre\u00e7os causou ociosidade das refinarias da Petrobr\u00e1s<\/strong><\/p>\n<p>A Petrobr\u00e1s produz e refina o petr\u00f3leo nacional, e, com isso, produz combust\u00edveis de alta qualidade no Brasil. Mas a dire\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s, desde 2016, decidiu adotar pre\u00e7os equivalentes aos da importa\u00e7\u00e3o para os combust\u00edveis produzidos nas suas refinarias. Com pre\u00e7os altos em rela\u00e7\u00e3o ao custo de importa\u00e7\u00e3o, o diesel da Petrobr\u00e1s fica encalhado nas suas refinarias e parte do mercado brasileiro \u00e9 transferido para os importadores.<\/p>\n<p>A ociosidade das refinarias brasileiras aumenta, h\u00e1 redu\u00e7\u00e3o do processamento de petr\u00f3leo e da produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis no Brasil. Aumenta, ainda, a exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo cru. A eleva\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o relativo do diesel aos produtores e importadores no Brasil tornou lucrativa e viabilizou a eleva\u00e7\u00e3o da importa\u00e7\u00e3o do combust\u00edvel, como consequ\u00eancia as refinarias da Petrobr\u00e1s ficaram com um quarto de sua capacidade ociosa.<\/p>\n<p>Em 2018 houve a greve dos caminhoneiros e foi adotada pelo governo a subven\u00e7\u00e3o aos produtores e importadores de diesel de at\u00e9 R$ 0,30 por litro. A limita\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o aos produtores e importadores foi compensada com a subven\u00e7\u00e3o, a ociosidade das refinarias da Petrobr\u00e1s se manteve elevada, em 24%. De janeiro a julho de 2019, o pre\u00e7o m\u00e9dio do diesel aos produtores e importadores no Brasil foi 25% superior ao pre\u00e7o internacional no porto de Nova Iorque. No 2\u00ba trimestre de 2019 a ociosidade das refinarias da Petrobr\u00e1s se manteve alta, em 24%.<\/p>\n<p><strong>Eleva\u00e7\u00e3o da exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo cru e da importa\u00e7\u00e3o de derivados<\/strong><\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o e a exporta\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo cru brasileiro t\u00eam aumentado significativamente. Em 2013, foram produzidos 2,1 milh\u00f5es de barris equivalentes de petr\u00f3leo por dia (bep\/dia), dos quais 19,1% foram destinados \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o. Em 2019, de janeiro a junho, foram produzidos 2,7 milh\u00f5es de bep\/dia e exportados 44,7%.<\/p>\n<p>Em termos l\u00edquidos, a exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo cru descontada da importa\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m tem aumentado muito nos \u00faltimos anos. Em 2013, n\u00e3o houve exporta\u00e7\u00e3o liquida de petr\u00f3leo cru, a importa\u00e7\u00e3o foi residualmente maior que a exporta\u00e7\u00e3o. Em 2019, de janeiro a junho, a exporta\u00e7\u00e3o liquida de petr\u00f3leo superou um milh\u00e3o de barris por dia.<\/p>\n<p>Enquanto a exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo cru dispara, a importa\u00e7\u00e3o dos derivados de petr\u00f3leo tamb\u00e9m aumenta. Em termos l\u00edquidos, a importa\u00e7\u00e3o de produtos refinados do petr\u00f3leo aumentou por tr\u00eas vezes entre 2015 e 2019. Em 2015 foram importados 160 mil, enquanto em 2019 (de janeiro a junho) foram 482 mil bep em derivados.<\/p>\n<p><strong>Eleva\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo por multinacionais estrangeiras<\/strong><\/p>\n<p>A eleva\u00e7\u00e3o da exporta\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo cru brasileiro, com o aumento da importa\u00e7\u00e3o dos produtos refinados e da ociosidade das refinarias da Petrobr\u00e1s, foi acompanhada da eleva\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo do Brasil por multinacionais privadas e estatais estrangeiras. Em maio de 2019, a Petrobr\u00e1s, na condi\u00e7\u00e3o de empresa concession\u00e1ria, foi respons\u00e1vel por 75,15% da produ\u00e7\u00e3o nacional de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural, alcan\u00e7ando 2,61 milh\u00f5es bep\/d.<\/p>\n<p>A Shell\/BG Brasil, com a produ\u00e7\u00e3o de 427 mil bep\/d, que representa 12,29% do total nacional, classificou-se como a 2\u00aa em produ\u00e7\u00e3o. A 3\u00aa empresa concession\u00e1ria com maior produ\u00e7\u00e3o foi a Petrogal Brasil, tendo obtido 3,36% da produ\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds, com m\u00e9dia de 117 mil bep\/d. A Repsol Sinopec foi respons\u00e1vel por 2,62% da produ\u00e7\u00e3o nacional, sendo a 4\u00aa concession\u00e1ria com maior produ\u00e7\u00e3o, obtendo 91 mil bep\/d. A Equinor Energy, como a 5\u00aa maior concession\u00e1ria, produziu 1,47%, com 51 mil bep\/d e a Equinor Brasil, como a 6\u00aa produtora, atingiu 1,15% da produ\u00e7\u00e3o, com 40 mil bep\/d.<\/p>\n<p>As demais concession\u00e1rias alcan\u00e7aram a parcela de 3,96% da produ\u00e7\u00e3o nacional, com o volume de 137,4 mil bep\/d. Em termos absolutos e relativos cresce a desnacionaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo brasileiro.<\/p>\n<p><strong>China e Estados Unidos s\u00e3o os maiores importadores de petr\u00f3leo cru do Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Uma t\u00edpica col\u00f4nia extrativa e prim\u00e1rio exportadora fornece mat\u00e9rias primas a pa\u00edses estrangeiros, sem agregar valor, e importa produtos, tecnologias e servi\u00e7os valorizados. Em maio de 2019, foi exportado petr\u00f3leo cru do Brasil para os seguintes pa\u00edses: China (51%), EUA (21%), Uruguai (6%), Chile (5%), Espanha (4%) e outros (13%).<\/p>\n<p><strong>Eleva\u00e7\u00e3o da importa\u00e7\u00e3o combust\u00edveis produzidos nos Estados Unidos<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto China e Estados Unidos s\u00e3o os principais destinos da exporta\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo cru brasileiro, na importa\u00e7\u00e3o dos combust\u00edveis pelo Brasil a hegemonia \u00e9 dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Em 2015, o diesel produzido nos Estados Unidos representou 41% do total de 16200 toneladas por dia importado pelo Brasil. Em 2019, de janeiro a julho, a fra\u00e7\u00e3o do diesel importado dos Estados Unidos se elevou para 82% do total importado que alcan\u00e7ou 25561 toneladas por dia.<\/p>\n<p>Para a gasolina tamb\u00e9m, tanto a importa\u00e7\u00e3o total, quanto a proveniente dos Estados Unidos dispararam desde 2015. Em 2015, a gasolina produzida nos Estados Unidos representou 23% do total de 5020 toneladas por dia importadas pelo Brasil. Em 2019, de janeiro a julho, a fra\u00e7\u00e3o da gasolina importada dos Estados Unidos se elevou para 71% do total importado que se elevou para 9874 toneladas por dia.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica de pre\u00e7os parit\u00e1rios aos de importa\u00e7\u00e3o (PPI), respons\u00e1vel pela eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos derivados produzidos no Brasil, a redu\u00e7\u00e3o da sua competitividade e a consequente ociosidade das refinarias da Petrobr\u00e1s reduziu tanto a produ\u00e7\u00e3o quanto a competitividade da gasolina em rela\u00e7\u00e3o ao etanol produzido no Brasil e importado.<\/p>\n<p>Entre 2015 e 2019 (de janeiro a julho), a importa\u00e7\u00e3o de etanol se elevou de 1048 para 3693 toneladas por dia. A fra\u00e7\u00e3o importada dos Estados Unidos foi sempre acima dos 94%.<\/p>\n<p>Combust\u00edveis produzidos nos Estados Unidos s\u00e3o trazidos ao Brasil por multinacionais estrangeiras da log\u00edstica e distribu\u00eddos pelos concorrentes da Petrobr\u00e1s.<\/p>\n<p>A Petrobr\u00e1s perde com a redu\u00e7\u00e3o da sua participa\u00e7\u00e3o no mercado. O consumidor paga mais caro, desnecessariamente, com o alinhamento aos pre\u00e7os internacionais do petr\u00f3leo e \u00e0 cota\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio. Em 2014, foram produzidos quase 50 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de diesel no Brasil.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o nacional de diesel foi reduzida em 16%, para menos de 42 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos em 2018. A Petrobr\u00e1s pode praticar pre\u00e7os inferiores aos parit\u00e1rios de importa\u00e7\u00e3o (PPI) e obter melhores resultados empresarias, com a recupera\u00e7\u00e3o da sua participa\u00e7\u00e3o no mercado brasileiro e a maior utiliza\u00e7\u00e3o da sua capacidade instalada de refino.<\/p>\n<p>Somente a Petrobr\u00e1s consegue suprir o mercado dom\u00e9stico de derivados com pre\u00e7os abaixo do parit\u00e1rio de importa\u00e7\u00e3o e, ainda assim, obter resultados compat\u00edveis com a ind\u00fastria internacional e sustentar elevados investimentos que contribuem para o desenvolvimento nacional. No entanto, a pol\u00edtica de pre\u00e7os dos combust\u00edveis e a privatiza\u00e7\u00e3o das refinarias pode impedir que a Petrobr\u00e1s exer\u00e7a seu potencial competitivo para se fortalecer e impulsionar a economia nacional com seu abastecimento aos menores custos poss\u00edveis.<\/p>\n<p><strong>Acelera\u00e7\u00e3o dos leil\u00f5es de petr\u00f3leo promove o ciclo extrativo e prim\u00e1rio exportador do tipo colonial<\/strong><\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o a explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal deve ser considerada a velocidade dos leil\u00f5es sob o regime de partilha e o volume de 5 bilh\u00f5es de barris equivalentes de petr\u00f3leo (bep) no qual a Petrobr\u00e1s opera sob o regime da Cess\u00e3o Onerosa.<\/p>\n<p>No per\u00edodo Dilma Roussef, com o 1\u00ba leil\u00e3o da partilha e a Cess\u00e3o Onerosa, a Petrobr\u00e1s detinha 60% das reservas recuper\u00e1veis sob estes dois regimes. As multinacionais estrangeiras privadas (Shell e Total) alcan\u00e7avam 26,7% e as empresas estatais chinesas 13,3% de um total estimado em 15 bilh\u00f5es de barris equivalentes de petr\u00f3leo (bep).<\/p>\n<p>Nos quatro leil\u00f5es de partilha durante o governo Temer, as multinacionais privadas, International Oil Companies (IOCs), aumentaram significativamente suas reservas no pr\u00e9-sal. Neste per\u00edodo, a Petrobr\u00e1s garantiu acesso \u00e0 apenas 17,4% do volume leiloado. Sendo o restante do volume distribu\u00eddo da seguinte forma: empresas estrangeiras privadas (Shell, BP, Total, ExxonMobil, Chevron e Petrogal) alcan\u00e7aram 54,7%, a estatal norueguesa (Equinor, ex Statoil) ficou com 10,9%, as estatais chinesas com 9,8%, a estatal colombiana 4,1% e a estatal do Catar 3,0% do volume total estimado (e riscado) como recuper\u00e1vel de 12,21 bilh\u00f5es bep.<\/p>\n<p>Considerando os cinco leil\u00f5es e a Cess\u00e3o Onerosa, a Petrobr\u00e1s tem 41%, enquanto as empresas estrangeiras, privadas e estatais, t\u00eam acesso a 59% do total volume recuper\u00e1vel estimado de 27,21 bilh\u00f5es de bep.<\/p>\n<p>O volume recuper\u00e1vel estimado, cedido onerosamente para a Petrobr\u00e1s somado aos concedidos nos cinco primeiros leil\u00f5es de partilha, alcan\u00e7a cerca de 27 bilh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo equivalente. Este volume, comparado com as reservas nacionais provadas, representa a 15\u00aa maior reserva internacional. Mais do que duas vezes maior do que a atual reserva provada do Brasil (13,0 bilh\u00f5es bep) e da Arg\u00e9lia (12,2), mais do que tr\u00eas vezes maior que as reservas de Angola (8,3), Equador (8,3), M\u00e9xico (7,3) e Azerbaij\u00e3o (7,0) e mais do que quatro vezes a reserva provada da Noruega (6,6).<\/p>\n<p><strong>Novos leil\u00f5es de partilha: Excedente da Cess\u00e3o Onerosa e 6\u00aa rodada<\/strong><\/p>\n<p>Apesar do expressivo volume do pr\u00e9-sal j\u00e1 concedido por meio da Cess\u00e3o Onerosa e das cinco primeiras rodadas de partilha, estimado em mais de 27 bilh\u00f5es de barris (bep), e da corrente exporta\u00e7\u00e3o de mais de um milh\u00e3o de barris por dia, o governo federal planeja realizar ainda em 2019 o leil\u00e3o do Excedente da Cess\u00e3o Onerosa e a 6\u00aa rodada de partilha do pr\u00e9-sal. Estima-se que o volume recuper\u00e1vel no Excedente da Cess\u00e3o Onerosa possa alcan\u00e7ar at\u00e9 15 bilh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo equivalente. Estamos diante da acelera\u00e7\u00e3o do ciclo prim\u00e1rio exportador do petr\u00f3leo brasileiro.<\/p>\n<p>Para justificar o ciclo extrativo e prim\u00e1rio exportador do petr\u00f3leo brasileiro foi criado o mito da Petrobr\u00e1s quebrada, a fal\u00e1cia da necessidade da privatiza\u00e7\u00e3o de ativos para redu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida e a lenda do petr\u00f3leo que brevemente se tornaria um mico (sem valor).<\/p>\n<p><strong>Maiores petrol\u00edferas s\u00e3o estatais<\/strong><\/p>\n<p>As estatais j\u00e1 s\u00e3o 19, entre as 25 maiores empresas de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural, controlando 90% das reservas e 75% das produ\u00e7\u00f5es mundiais. As vendas de ativos da Petrobr\u00e1s n\u00e3o se justificam pela redu\u00e7\u00e3o do endividamento e est\u00e3o em contradi\u00e7\u00e3o com o aumento da integra\u00e7\u00e3o vertical e da internacionaliza\u00e7\u00e3o das companhias de petr\u00f3leo, inclusive as estatais.<\/p>\n<p>Nenhum pa\u00eds se desenvolveu exportando petr\u00f3leo cru por multinacionais estrangeiras e importando produtos refinados Ainda sofremos as consequ\u00eancias de nossa heran\u00e7a colonial. As classes dominantes no Brasil s\u00e3o acostumadas a viver em subservi\u00eancia aos interesses da metr\u00f3pole, um dia Portugal, depois a Inglaterra, e agora os Estados Unidos. A cultura desta fra\u00e7\u00e3o da sociedade \u00e9 mim\u00e9tica, se copiam valores e vis\u00f5es de mundo que v\u00eam de fora. Na ind\u00fastria do petr\u00f3leo, na qual o consenso \u00e9 lugar comum, as consequ\u00eancias podem ser ainda mais delet\u00e9rias.<\/p>\n<p>O governo federal n\u00e3o disp\u00f5e de uma pol\u00edtica para o controle da produ\u00e7\u00e3o e da exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. N\u00e3o conhece todo o potencial de reservas do pr\u00e9-sal, mas apressa leil\u00f5es de \u00e1reas que podem conter dezenas de bilh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo, apenas para cobrir d\u00e9ficits fiscais. Esta pol\u00edtica poder\u00e1 levar ao esgotamento prematuro das reservas nacionais. \u00c9 necess\u00e1rio investir na delimita\u00e7\u00e3o de jazidas e na defini\u00e7\u00e3o das reservas do pr\u00e9-sal, como condi\u00e7\u00e3o para definir a extens\u00e3o das concess\u00f5es.<\/p>\n<p>O petr\u00f3leo produzido deve ser direcionado, prioritariamente, para o uso interno e para a produ\u00e7\u00e3o de derivados pelo parque de refino nacional. A exporta\u00e7\u00e3o deve ser residual. O objetivo do planejamento da produ\u00e7\u00e3o deve ser a seguran\u00e7a energ\u00e9tica nacional e o abastecimento aos menores custos poss\u00edveis. A natureza e o trabalho de gera\u00e7\u00f5es de brasileiros nos deram a grande oportunidade que \u00e9 o petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal. Precisamos ser capazes de empreender um projeto soberano para, desta vez, usar as riquezas naturais brasileiras em benef\u00edcio da maioria da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>* Felipe Coutinho \u00e9 presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Engenheiros da Petrobr\u00e1s (AEPET). Texto escrito em setembro de 2019.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"place-and-time\">\n<div class=\"place\">\n<p>www.brasildefato.com.br\/ |Felipe Coutinho*<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nenhum pa\u00eds se desenvolveu exportando petr\u00f3leo cru por multinacionais estrangeiras e importando produtos refinados O Brasil est\u00e1 sendo submetido \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do tipo colonial, depois dos ciclos do pau-brasil, do a\u00e7\u00facar, do ouro, prata e diamantes, do caf\u00e9, da borracha e do cacau, \u00e9 a vez do ciclo extrativo e prim\u00e1rio exportador do petr\u00f3leo brasileiro. 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