{"id":11575,"date":"2020-01-20T14:49:10","date_gmt":"2020-01-20T17:49:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=11575"},"modified":"2020-01-20T14:49:10","modified_gmt":"2020-01-20T17:49:10","slug":"o-racismo-no-futebol-brasileiro-na-visao-de-roger-machado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/01\/20\/o-racismo-no-futebol-brasileiro-na-visao-de-roger-machado\/","title":{"rendered":"O racismo no futebol brasileiro na vis\u00e3o de Roger Machado"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-11576 alignright\" src=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/download-1.jpg\" alt=\"\" width=\"319\" height=\"319\" srcset=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/download-1.jpg 225w, https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/download-1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 319px) 100vw, 319px\" \/>Por Marcos Aur\u00e9lio Ruy<\/p>\n<p>Em entrevista ao UOL, publicada nesta sexta-feira (17), Roger Machado, t\u00e9cnico do Bahia, \u00fanico negro no cargo na S\u00e9rie A do Campeonato Brasileiro de Futebol, afirma que \u201co futebol embranquece o negro\u201d. Porque, diz ele, \u201cem torno dessa habilidade art\u00edstica com a bola nos p\u00e9s, voc\u00ea \u00e9 aceito\u201d em \u201clugares que a maioria de n\u00f3s n\u00e3o consegue frequentar\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo assim, como mostra o Observat\u00f3rio da Discrimina\u00e7\u00e3o Racial no Futebol, foram registrados 59 casos de inj\u00faria racial nos est\u00e1dios brasileiros no ano passado e as manifesta\u00e7\u00f5es racistas v\u00eam crescendo como mostra o gr\u00e1fico abaixo.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-72954\" src=\"https:\/\/ctb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/racismo-no-futebol-brasileiro.jpg\" sizes=\"(max-width: 864px) 100vw, 864px\" srcset=\"https:\/\/ctb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/racismo-no-futebol-brasileiro.jpg 864w, https:\/\/ctb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/racismo-no-futebol-brasileiro-300x166.jpg 300w, https:\/\/ctb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/racismo-no-futebol-brasileiro-768x422.jpg 768w, https:\/\/ctb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/racismo-no-futebol-brasileiro-219x121.jpg 219w\" alt=\"\" \/><figcaption>Casos por ano acontecido nos est\u00e1dios somente<\/figcaption><\/figure>\n<p>Como comprova\u00e7\u00e3o do que afirma Machado, a pesquisadora Roberta Pereira e Silva, professora da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo, conta que a primeira rea\u00e7\u00e3o de atletas jovens que sofrem casos de racismo \u00e9 perguntar: \u201cEu sou negro?\u201d.<\/p>\n<p>Para M\u00f4nica Cust\u00f3dio, secret\u00e1ria de Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), o racismo \u00e9 t\u00e3o profundo no pa\u00eds que \u201cpara justificar o destaque desses atletas negros, t\u00eam de desmantelar a sua identidade, at\u00e9 mesmo para a pr\u00f3pria ascens\u00e3o social deles\u201d.<\/p>\n<p>Afirma\u00e7\u00e3o importante no conturbado mundo do esporte bret\u00e3o, que chegou ao Brasil pelas malas de Charles Miller em fins do s\u00e9culo 19, que voltava ao Brasil ap\u00f3s uma temporada na Inglaterra. O futebol passou a ser difundido aqui como um esporte de elite. Ficou vedado aos negros por muitos anos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-11577 alignleft\" src=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/images.png\" alt=\"\" width=\"348\" height=\"224\" \/>\u201cO racismo foi forjado para justificar a escraviza\u00e7\u00e3o, por 388 anos, dos seres humanos trazidos \u00e0 for\u00e7a da \u00c1frica e permanece at\u00e9 hoje para impedir a ascens\u00e3o da maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira\u201d, acentua M\u00f4nica. Portanto, \u201cn\u00e3o seria diferente no futebol\u201d.<\/p>\n<p>O mulato de olhos verdes, Arthur Friedenreich, autor do gol que daria o primeiro t\u00edtulo \u00e0 Sele\u00e7\u00e3o Brasileira, no Sul-Americano de 1919, era obrigado a esticar o cabelo para entrar em campo. Antes dele, Carlos Alberto, entrava em campo, pelo Fluminense, em 1914, maquiado com p\u00f3 de arroz e cabelo esticado. Durante as partidas a maquiagem ia escorrendo com o suor, o que valeu o apelido aos torcedores do clube carioca, de p\u00f3 de arroz.<\/p>\n<p>Mais grave ainda foi a recomenda\u00e7\u00e3o do presidente Epit\u00e1cio Pessoa, em 1921, para que a sele\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o levasse jogadores negros \u00e0 Argentina para o torneio sul-americano para \u201coutra imagem\u201d do pa\u00eds com o \u201cmelhor de nossa sociedade\u201d.<\/p>\n<p>As coisas mudaram, ent\u00e3o houve a necessidade de mudar de t\u00e1tica tamb\u00e9m, alega M\u00f4nica. \u201cComo impedir Garrincha e Pel\u00e9 de atuar na sele\u00e7\u00e3o?\u201d, questiona. Destaca-se o brilhantismo dos atletas negros nas figuras do zagueiro do Bangu, do Rio de Janeiro, Domingos da Guia e principalmente de Le\u00f4nidas da Silva, o Diamante Negro, atleta do S\u00e3o Paulo, artilheiro da Copa do Mundo de 1938 e criador da bicicleta, quando a bola est\u00e1 muito alta para se alcan\u00e7ar com a cabe\u00e7a, salta-se deitado e imita os movimentos dos pedais da bicicleta.<\/p>\n<p>Os jogadores negros s\u00e3o muitos, a conscientiza\u00e7\u00e3o para atuar contra o racismo \u00e9 pouca e o mundo do futebol, entre clubes, m\u00eddia, empres\u00e1rios e tudo o que cerca o esporte, \u201ctrata de mimetizar o <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-11578 alignright\" src=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/RogerMachado_Observatorio-racismo_tecnicosNegros-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"365\" height=\"243\" srcset=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/RogerMachado_Observatorio-racismo_tecnicosNegros-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/RogerMachado_Observatorio-racismo_tecnicosNegros-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/RogerMachado_Observatorio-racismo_tecnicosNegros-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/RogerMachado_Observatorio-racismo_tecnicosNegros.jpg 1134w\" sizes=\"auto, (max-width: 365px) 100vw, 365px\" \/>atleta negro para difundir o racismo sem parecer racista\u201d, refor\u00e7a M\u00f4nica.<\/p>\n<p>Roger Machado complementa seu pensamento ao afirmar que teve \u201ca janela aberta durante o per\u00edodo como jogador\u201d, mas a janela \u201cquase se fechou depois, quando eu decidi me tornar treinador e fazer faculdade de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica\u201d. A\u00ed ele sentiu que estar \u201cna dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 \u2018lugar de negro\u2019, em todos os setores\u201d, ironiza M\u00f4nica para denunciar o car\u00e1ter hip\u00f3crita do racismo tupiniquim.<\/p>\n<p>www.ctb.org.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marcos Aur\u00e9lio Ruy Em entrevista ao UOL, publicada nesta sexta-feira (17), Roger Machado, t\u00e9cnico do Bahia, \u00fanico negro no cargo na S\u00e9rie A do Campeonato Brasileiro de Futebol, afirma que \u201co futebol embranquece o negro\u201d. 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