{"id":12507,"date":"2020-03-05T19:54:34","date_gmt":"2020-03-05T22:54:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=12507"},"modified":"2020-03-05T19:54:34","modified_gmt":"2020-03-05T22:54:34","slug":"a-mulher-quer-viver-amar-e-ser-respeitada-para-transformar-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/03\/05\/a-mulher-quer-viver-amar-e-ser-respeitada-para-transformar-o-mundo\/","title":{"rendered":"A mulher quer viver, amar e ser respeitada para transformar o mundo"},"content":{"rendered":"<p>Por Marcos Aur\u00e9lio Ruy<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 nenhuma novidade os n\u00fameros aviltantes da viol\u00eancia enfrentada diariamente pelas brasileiras, seja nas ruas, no ambiente de trabalho, no transporte coletivo, em igrejas, em festas e baladas ou em suas pr\u00f3prias casas.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros da viol\u00eancia s\u00e3o aviltantes. Somente em 2018 o Ligue 180 recebeu 92.663 den\u00fancias de agress\u00f5es \u00e0s mulheres, informa o Minist\u00e9rio da Mulher, da Fam\u00edlia e dos Direitos Humanos. Mesmo minist\u00e9rio que n\u00e3o toma as medidas necess\u00e1rias para o combate \u00e0 viol\u00eancia.<\/p>\n<p>E prega abstin\u00eancia sexual para jovens e adolescentes como maneira de coibir a gravidez na adolesc\u00eancia, em vez de \u201celaborar programas para educar a juventude sobre a sexualidade\u201d, questiona Celina Ar\u00eaas, secret\u00e1ria da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).<\/p>\n<p>No Brasil, somente em 2017, de acordo com o Atlas da Viol\u00eancia 2019, do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica em parceria com o Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), foram assassinadas 4.936 mulheres, 13 por dia. A maioria foi morta pelo c\u00f4njuge ou ex-c\u00f4njuge.<\/p>\n<p><strong>Maria da Vila Matilde, de Douglas Germano<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\">\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Elza Soares - Maria da Vila Matilde ( Oficial - Ao Vivo no Audit\u00f3rio do Ibirapuera)\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-m393EagdSk?feature=oembed\" width=\"500\" height=\"281\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/figure>\n<p>O 13\u00ba Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, divulgado no final do ano passado, registrou 66 mil v\u00edtimas de estupro no Brasil em 2018 e para piorar 53,8% das v\u00edtimas foram meninas de at\u00e9 13 anos e dentro de casa, por pessoas conhecidas, que deveriam proteger essas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cA cultura do estupro ainda predomina na sociedade brasileira. Para combat\u00ea-la \u00e9 fundamental termos mais mulheres na pol\u00edtica e nas inst\u00e2ncias de poder\u201d, define Celina.<\/p>\n<p>Levantamento feito pelo Datafolha, em 2018, aponta para a exorbit\u00e2ncia de 16 milh\u00f5es de mulheres acima de 16 anos terem sofrido algum tipo de viol\u00eancia, sendo 3% ao se divertir num bar, 8% no trabalho, 8% na internet, 29% na rua e 42% em casa.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia da gravidade da situa\u00e7\u00e3o, uma pesquisa de 2019 dos institutos Locomotiva e Patr\u00edcia Galv\u00e3o mostra que 97% das mulheres com mais de 18 anos j\u00e1 sofreram ass\u00e9dio sexual no transporte p\u00fablico, por aplicativo ou em t\u00e1xi.<\/p>\n<p><strong>Pagu, de Rita Lee<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\">\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pagu - Rita Lee e Z\u00e9lia Duncan\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0n5M6RF0lDE?feature=oembed\" width=\"500\" height=\"375\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/figure>\n<p>Por isso, neste Dia Internacional da Mulher \u2013 8 de mar\u00e7o \u2013 \u201cas ruas ficar\u00e3o pequenas para tantas mulheres, LGBTs e homens em favor da democracia e dos direitos conquistados a duras penas durantes as \u00faltimas d\u00e9cadas\u201d, diz Maria Aires Oliveira Nascimento, secret\u00e1ria-adjunta da Mulher Trabalhadora da CTB.<\/p>\n<p>Neste ano, \u201ctem o agravante de enfrentarmos um governo fascista tramando contra as institui\u00e7\u00f5es para golpear a democracia e a\u00ed sim enfiar goela abaixo da classe trabalhadora o corte total de direitos com uma economia voltada unicamente para o capital\u201d, acentua V\u00e2nia Marques Pinto, secret\u00e1ria de Pol\u00edticas Sociais da CTB.<\/p>\n<p>J\u00e1 para Sidiana Soares, presidenta do Centro Popula da Mulher e da Uni\u00e3o Brasileira de Mulheres de Goi\u00e1s, \u201c\u00e9 fundamental trazer a luta pela emancipa\u00e7\u00e3o da mulher para o centro do debate pol\u00edtico\u201d.<\/p>\n<p>Por isso, \u201cprecisamos ter como norte a transversalidade das pautas, como a reforma da previd\u00eancia e trabalhista que atingiram de forma particular as mulheres e ter isso como uma luta de toda a sociedade\u201d.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, \u201cas coisas v\u00eam degringolando\u201d, refor\u00e7a Luiza Bezerra, secret\u00e1ria da Juventude Trabalhadora da CTB, \u201co desemprego continua elevado e o trabalho prec\u00e1rio cresce\u201d. Isso, de acordo com ela, faz \u201cpiorar ainda mais a opress\u00e3o sobre as mulheres, sempre as primeiras a serem demitidas e as \u00faltimas a se recolocarem\u201d.<\/p>\n<p><strong>Lei Maria da Penha, de Luana Hansen e Drika Ferreira<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\">\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Luana Hansen &amp; Drika Ferreira - Lei Maria da Penha\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gO2pmqIFVNo?feature=oembed\" width=\"500\" height=\"281\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/figure>\n<p>Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (Pnad Cont\u00ednua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), do quarto trimestre de 2018 mostram que apesar de as mulheres serem 52,4% da popula\u00e7\u00e3o em idade de trabalhar, correspondia a 45,6% da for\u00e7a de trabalho, enquanto os homens, 64,3%.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Pnad de 2019 aponta para uma diferen\u00e7a salarial gritante. As mulheres ganham apenas 76% da remunera\u00e7\u00e3o masculina para mesmas fun\u00e7\u00f5es. As mulheres negras recebem somente o equivalente a 43% dos sal\u00e1rios dos homens brancos.<\/p>\n<p>Raimunda Gomes (Doquinha), secret\u00e1ria de Comunica\u00e7\u00e3o da CTB, afirma que \u201co patriarcado trata as mulheres como seres inferiores, dependentes e fr\u00e1geis, mas o mundo n\u00e3o seria o que \u00e9 n\u00e3o fosse a for\u00e7a da resist\u00eancia das mulheres\u201d.<\/p>\n<p>Com o desemprego elevado e o trabalho informal crescente, \u201cas bandeiras das mulheres emancipacionistas continua sendo contra todo tipo de viol\u00eancia e abuso e tamb\u00e9m pela defesa do emprego\u201d, alega Isis Tavares, presidenta da CTB-AM. \u201cFam\u00edlias inteiras est\u00e3o desempregadas ou no trabalho prec\u00e1rio e isso faz a vida das mulheres piorar imensamente\u201d.<\/p>\n<p>Estudo do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) destaca forte desigualdade inclusive na quest\u00e3o da escolaridade. \u201cMulheres com 12 anos ou mais de estudo ganham, em m\u00e9dia, 68% do que homens com a mesma escolaridade\u201d, afirma Luana Sim\u00f5es Pinheiro, da Coordena\u00e7\u00e3o de G\u00eanero, Ra\u00e7a e Gera\u00e7\u00f5es do Ipea.<\/p>\n<p>Sobre o trabalho dom\u00e9stico e outros servi\u00e7os n\u00e3o remunerados, as mulheres trabalham quase o dobro dos homens. Elas gastam 21 horas semanais nessas atividades, enquanto eles somente 11 horas.<\/p>\n<p>\u201cSomente a unidade das mulheres poder\u00e1 alterar esses n\u00fameros, acabando com tamanha viol\u00eancia que sofremos todos os dias\u201d, assegura Celina. \u201cNestas elei\u00e7\u00f5es, devemos trabalhar para eleger um grande n\u00famero de mulheres com a pauta da emancipa\u00e7\u00e3o feminina e pelo fim da viol\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p><strong>Olhos nos Olhos, de Chico Buarque<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\">\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Chico Buarque - Olhos nos Olhos\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nabstgpcZ5c?feature=oembed\" width=\"500\" height=\"375\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/figure>\n<p>Ela ressalta a import\u00e2ncia de campanhas movidas pela sociedade civil como o N\u00e3o \u00c9 N\u00e3o, por sal\u00e1rios iguais, contra o ass\u00e9dio sexual e pelo fim da cultura do estupro, j\u00e1 que a m\u00eddia e o governo machista n\u00e3o fazem a sua parte\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marcos Aur\u00e9lio Ruy N\u00e3o \u00e9 nenhuma novidade os n\u00fameros aviltantes da viol\u00eancia enfrentada diariamente pelas brasileiras, seja nas ruas, no ambiente de trabalho, no transporte coletivo, em igrejas, em festas e baladas ou em suas pr\u00f3prias casas. Os n\u00fameros da viol\u00eancia s\u00e3o aviltantes. 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