{"id":13755,"date":"2020-04-20T17:27:05","date_gmt":"2020-04-20T20:27:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=13755"},"modified":"2020-04-20T17:27:05","modified_gmt":"2020-04-20T20:27:05","slug":"coronavirus-baiano-que-desenvolve-vacina-passou-infancia-vendendo-frutas-e-geladinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/04\/20\/coronavirus-baiano-que-desenvolve-vacina-passou-infancia-vendendo-frutas-e-geladinho\/","title":{"rendered":"Coronav\u00edrus: Baiano que desenvolve vacina passou inf\u00e2ncia vendendo frutas e geladinho"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nascido em Tucano, imunologista Gustavo Cabral coordena equipe do Incor, em S\u00e3o Paulo<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">V\u00ea esse homem com cara de professor e\u00a0cientista? Pois bem. Ele, de fato, \u00e9 professor e cientista dos bons. Agora, consegue imagin\u00e1-lo na inf\u00e2ncia? \u00c9 dif\u00edcil conceber, mas, aos oito anos, Gustavo Cabral trabalhava em uma feira. Vendia manga, coco e geladinho na\u00a0cidade de Tucano, no nordeste da Bahia, onde nasceu. O m\u00e1ximo que alcan\u00e7ou na \u00e1rea de vendas foram duas bancas de carne, pequenos a\u00e7ougues em outras cidades do interior. Nessa \u00e9poca, n\u00e3o conseguia estudar muito porque tinha que trabalhar.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">De olho nas pessoas que conseguiram crescer na vida, Gustavo chegou \u00e0 conclus\u00e3o que a maioria delas havia se dedicado aos estudos. Foi quando, aos 15 anos, vendeu os dois a\u00e7ougues para se matricular em uma escola particular. Passou a se dedicar exclusivamente aos estudos. A partir de ent\u00e3o foi s\u00f3 meter a cara nos livros, o que lhe credenciou a passar no vestibular do curso de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas da Universidade do Estado da Bahia (Uneb).<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"minhabahia_300x250_01\">De fam\u00edlia humilde, a m\u00e3e ajudante geral de uma escola e o pai agente de sa\u00fade, pen\u00faltimo de quatro filhos, Gustavo foi o primeiro da casa a entrar no ensino superior. Passou parte do curso vivendo com R$ 50 que a fam\u00edlia enviava, o que n\u00e3o o impediu que fizesse um mestrado em imunologia. \u201cA\u00ed dei um pouco de sorte. Por volta de 2004, ocorreu um investimento governamental muito grande em ci\u00eancia e tecnologia nas universidades p\u00fablicas brasileiras\u201d.<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">Agora sim com bolsas de estudo, fez doutorado na Universidade de S\u00e3o Paulo (Usp) e p\u00f3s-doutorado no exterior. Morou em Portugal, estudou tr\u00eas anos e meio na Universidade de Oxford, na Inglaterra, e mais um ano e meio na Su\u00ed\u00e7a. Nas duas \u00faltimas se especializou em vacinologia. Em seus estudos, usou um m\u00e9todo em que desenvolveu a vacina contra o v\u00edrus da zica ainda em modelos animais. Foi capa da prestigiada revista Vaccines.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">H\u00e1 poucos meses, deixou a Europa para levar seus conhecimentos (e o sotaque do interior da Bahia) para o Instituto do Cora\u00e7\u00e3o (Incor), em S\u00e3o Paulo. No primeiro dia do novo trabalho, onde inicialmente daria continuidade \u00e0s suas pesquisas sobre bact\u00e9rias,\u00a0estreptococos e\u00a0uma vacina contra a chikungunya, foi chamado para almo\u00e7ar com o chefe, o cardiologista Jorge Kalil.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Naquele almo\u00e7o veio o convite para coordenar, aos 38 anos, a equipe que passaria a desenvolver no Brasil a vacina contra a Covid-19. Gustavo \u00e9 o mais jovem entre os coordenadores da pesquisa. \u201cEle (o chefe) me deu as boas-vindas e a primeira coisa que falou foi: \u2018ent\u00e3o, vamos desenvolver a vacina do novo coronav\u00edrus\u2019. A partir da\u00ed o tucanense n\u00e3o parou mais de trabalhar, mas arrumou um tempinho na agenda para conversar por telefone com o CORREIO.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>CORREIO:\u00a0<\/strong>Como era sua vida em Tucano e o que voc\u00ea se lembra do trabalho na feira desde os 8 anos de idade?<br \/>\n<strong>Gustavo Cabral:<\/strong>\u00a0Sempre fomos muito humildes. Meu pai era agente de sa\u00fade, hoje aposentado, e minha m\u00e3e ajudante geral em uma escola. Eu passava boa parte do dia na feira para ajudar a fam\u00edlia. Vendia manga e coco. Depois ficava at\u00e9 mais tarde vendendo geladinho. Ia para as feiras de Tucano e Jorro, que \u00e9 vizinha. Aos 15 anos eu fui trabalhar em um a\u00e7ougue em Euclides da Cunha. Cheguei a ter duas bancas de carne, uma em Euclides e outra em Monte Santo. Eu estudava em escola p\u00fablica, mas n\u00e3o conseguia estudar direito por causa do trabalho. Vendi as duas bancas e me matriculei em uma escola particular com um ensino melhor. Aquele dinheiro deu pra pagar o terceiro ano colegial na \u00e9poca.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>O que fez um adolescente que trabalhava desde crian\u00e7a ter a iniciativa de investir tudo nos estudos?<\/strong><br \/>\nInicialmente, eu s\u00f3 queria ter uma vida melhor. Para ser bem sincero, eu pensava em mim, em Gustavo. Da\u00ed eu imaginei: \u2018vou parar com isso daqui porque eu quero ter uma vida melhor\u2019. Eu n\u00e3o quero viver s\u00f3 para trabalhar e me preocupar se vou conseguir comprar minha comida. Foi a\u00ed que eu vi que a maioria das pessoas que estudavam tinha uma condi\u00e7\u00e3o de vida boa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Por que Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas?<\/strong><br \/>\nPrimeiro porque eu n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00e3o nenhuma de me manter financeiramente em Salvador. Tinha que ser um curso em uma cidade mais barata. Tinha o curso de Biologia na Uneb de Senhor de Bonfim. Tamb\u00e9m sempre achei legal as aulas de ci\u00eancias. Achava interessant\u00edssimo. Passei a me imaginar naquilo e acabei passando no vestibular. Minha fam\u00edlia ajudava um pouco, eles conseguiam mandar R$30, R$40, R$ 50 por semana. No segundo ano da Uneb j\u00e1 consegui bolsas de pesquisa. Percebi que meus professores, mestres e doutores, tinham uma vida boa. Pensei: \u2018Oxe, vou fazer mestrado tamb\u00e9m\u2019. Foi quando fui trabalhar com imunologia na Ufba.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Em que p\u00e9 est\u00e1 a pesquisa e porque demora tanto para ter uma vacina?<\/strong><br \/>\nEstamos na fase experimental, as coisas est\u00e3o caminhando bem. N\u00f3s temos um corpo intelectual muito bom, com grandes cientistas. Voc\u00ea imagina como \u00e9 que a gente vai aplicar alguma coisa no ser humano sem ter passado por todos os testes? \u00c9 muito arriscado por duas quest\u00f5es: efeito colateral e simplesmente o fato de n\u00e3o funcionar. Imagina voc\u00ea expor a popula\u00e7\u00e3o a um sentimento de esperan\u00e7a, vacinar todo mundo e simplesmente n\u00e3o funcionar? Ou ter um efeito mal\u00e9fico. Voc\u00ea submeteria um filho seu a uma vacina sem que tenham sido feitos todos os testes? Se tem uma coisa que a ci\u00eancia nos ensina \u00e9 ser humildes. Ci\u00eancia segue rigores. E mesmo assim quando voc\u00ea acha que est\u00e1 no caminho certo, ela te leva para outro lugar.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>A\u00ed voc\u00ea tem que ser humilde para n\u00e3o insistir e voltar atr\u00e1s. Ent\u00e3o, \u00e9 preciso ter o m\u00e1ximo de rigor poss\u00edvel. \u00c9 da\u00ed que vem a confiabilidade. Quando um desafio do tamanho desse v\u00edrus nos pega de surpresa, \u00e9 preciso ter muita calma. Quem disser que est\u00e1 prestes a conseguir uma vacina contra o coronav\u00edrus est\u00e1 fazendo marketing.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Tem muitas empresas fora do Brasil que gostam de fazer marketing em cima disso. J\u00e1 anunciaram que tem vacina testada em animais e que v\u00e3o testar vacinas em seres humanos. Mas n\u00e3o vi ainda nenhuma publica\u00e7\u00e3o sobre essa vacina.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Mas teremos uma vacina produzida pelo Brasil?<\/strong><br \/>\nPara essa pandemia \u00e9 muito dif\u00edcil termos uma vacina, seja l\u00e1 onde ela for produzida. A nossa melhor vacina hoje \u00e9 o isolamento, a participa\u00e7\u00e3o de todos, a informa\u00e7\u00e3o, a solidariedade e o apre\u00e7o \u00e0 vida humana. A ideia \u00e9 que nos pr\u00f3ximos dois anos a vacina esteja pronta para ser usada na popula\u00e7\u00e3o. Outros pa\u00edses tamb\u00e9m est\u00e3o desenvolvendo f\u00f3rmulas, mas \u00e9 importante que o Brasil tenha seus pr\u00f3prios produtos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Ent\u00e3o o senhor\u00a0\u00e9 a favor do isolamento social?<\/strong><br \/>\nSem d\u00favida. Uma doen\u00e7a que em tr\u00eas meses atinge mais de um milh\u00e3o de pessoas e mata mais de 60 mil \u00e9 algo muito grave.[Na sexta-feira (17), j\u00e1 eram 2,2 milh\u00f5es de casos e 153 mil mortes].\u00a0Isso \u00e9 n\u00famero de guerra mundial, cara! Se algu\u00e9m n\u00e3o considera isso letal essa pessoa precisa ser estudada. Isso a gente n\u00e3o t\u00e1 contando as subnotifica\u00e7\u00f5es. O isolamento \u00e9 a \u00fanica forma de se proteger.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Tenho muito receio porque a coisa aqui est\u00e1 no in\u00edcio. Dizer que a gente precisa &#8216;ir pra rua manter a economia funcionando&#8217; \u00e9 fugir da responsabilidade. \u00c9 hora do sistema proporcionar seguran\u00e7a para a sociedade.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">A gente precisa parabenizar os governadores. Tiveram uma postura, al\u00e9m de pol\u00edtica, humana. Eles bateram o p\u00e9 e seguiram as normas da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS). Isso nos deu um certo al\u00edvio. O Governo Federal, o presidente, tem sido irrespons\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>O v\u00edrus te surpreendeu? L\u00e1 no in\u00edcio voc\u00ea esperava que ele se espalhasse dessa forma?<\/strong><br \/>\nFoi uma surpresa muito ruim. A princ\u00edpio achei que seria controlado. Com o conhecimento tecnol\u00f3gico que a gente tem hoje em dia n\u00e3o dava para esperar que se tornasse uma pandemia. Mas o v\u00edrus tem uma particularidade. Transmite muito facilmente. Ele surgiu h\u00e1 pouco mais de tr\u00eas meses. Quando surge algo desse tipo, a ideia \u00e9 que ele fique naquela regi\u00e3o e dali n\u00e3o saia. Mas \u00e9 um v\u00edrus que se espalha muito r\u00e1pido e pode ser letal.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Como se desenvolve uma vacina?<\/strong><br \/>\nA primeira coisa \u00e9 formar um corpo de intelectuais capacitados. Depois a gente vai para o laborat\u00f3rio e faz o trabalho in vitro, fora de qualquer corpo ou organismo, ou seja, trabalha com a c\u00e9lula. S\u00f3 depois de muitos testes a gente vai utilizar, por exemplo, de modelos animais. E mesmo que d\u00ea certo em animais n\u00e3o \u00e9 garantia de nada. Nesse caminho voc\u00ea pode ter que reformular sua teoria inicial diversas vezes. At\u00e9 que voc\u00ea tem uma vacina capaz de proteger contra o v\u00edrus. Mas ainda n\u00e3o \u00e9 o fim. A partir da\u00ed voc\u00ea vai fazer experimentos para saber se a vacina \u00e9 t\u00f3xica para o ser humano. N\u00e3o basta proteger contra o v\u00edrus. N\u00e3o pode ser t\u00f3xica ou causar ainda mais problemas. Porque tem as varia\u00e7\u00f5es de cada v\u00edrus. Se eu for desenvolver vacina contra a dengue, por exemplo, eu tenho que ter o maior cuidado com efeito colateral. A gente sabe que uma pessoa infectada com um tipo de dengue, se eu fizer uma vacina que n\u00e3o abrace todos os tipos da doen\u00e7a, em vez de proteger ela pode induzir a doen\u00e7a ainda mais forte em uma pessoa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>O que o seu m\u00e9todo de desenvolvimento da vacina contra o novo coronav\u00edrus traz de inovador?<\/strong><br \/>\nQuando o v\u00edrus entra no corpo ele \u00e9 reconhecido como algo estranho. O sistema imunol\u00f3gico ataca ele para destru\u00ed-lo. A gente tem que ativar o sistema imunol\u00f3gico, mas n\u00e3o pode utilizar o v\u00edrus. O que a gente faz? A gente cria uma part\u00edcula em laborat\u00f3rio chamada VLT (Virus Like Particle), ou seja, uma part\u00edcula semelhante ao v\u00edrus. Mas sem usar nenhum tipo de material gen\u00e9tico, como faz a maior parte dos estudos. Ele tem a estrutura muito parecida com a do v\u00edrus, mas \u00e9 feita de prote\u00edna. Com essa estrutura eu consigo ativar o sistema imunol\u00f3gico. A\u00ed eu coloco um peda\u00e7o do coronav\u00edrus nessa part\u00edcula, justamente o peda\u00e7o que o v\u00edrus utiliza para entrar na c\u00e9lula, e induzo o sistema imunol\u00f3gico a responder. A\u00ed o corpo vai atacar essa chave que o v\u00edrus utiliza. Sem a chave, ele n\u00e3o abre a porta. Foi com esse m\u00e9todo que cheguei a uma vacina contra o v\u00edrus da zica ainda em modelo animal.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Voc\u00ea disse que a ci\u00eancia nos ensina a ser humildes. O que esse v\u00edrus j\u00e1 nos ensinou e pode nos ensinar?<\/strong><br \/>\nOlha, a ci\u00eancia vinha sendo muito desrespeitada. Espero que esse momento sirva de li\u00e7\u00e3o. A ci\u00eancia precisa de suporte. Se nossos governantes n\u00e3o respeitam os cientistas, quem sofre \u00e9 a sociedade. N\u00e3o existe estabilidade social sem ci\u00eancia. Se a gente quer uma sociedade est\u00e1vel e segura, a gente precisa dessas pessoas. Se a gente quer ter uma sa\u00fade boa para todos, a gente precisa da ci\u00eancia. Produzimos conhecimento. Conhecimento \u00e9 muito caro. Vamos continuar importando esse conhecimento ou vamos desenvolver aqui? Vai ser tudo com a tecnologia dos outros?<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Precisa entender que ci\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 economia, \u00e9 estrat\u00e9gia de sa\u00fade, \u00e9 seguran\u00e7a, \u00e9 muito al\u00e9m. O Brasil tem intelectuais do mais alt\u00edssimo n\u00edvel. E os outros pa\u00edses v\u00e3o continuar importando nossas cabe\u00e7as, como eu mesmo que fui estudar fora? Se tiv\u00e9ssemos incentivo, se a criatividade do brasileiro fosse usada na ci\u00eancia, ser\u00edamos uma pot\u00eancia cient\u00edfica. Ou voc\u00ea acha que meu passado em Tucano, onde eu tinha que me virar como podia, n\u00e3o serviu para mim enquanto pesquisador? Eu tinha que ser h\u00e1bil para vender minha manga, meu geladinho, e ainda estudar.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>A desvaloriza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia \u00e9 um problema ainda maior no Brasil?<\/strong><br \/>\nSim! Quando eu cheguei na Inglaterra para estudar, tive que apresentar meu passaporte a uma policial no aeroporto. Ela perguntou: \u2018qual o motivo da sua vinda ao Reino Unido\u2019. Respondi: \u2018Sou pesquisador e vou trabalhar em Oxford\u2019. A fisionomia dela mudou na hora. Me deu boas vindas e explicou tudo como eu fazia para chegar l\u00e1. Quer dizer, a cultura \u00e9 muito importante. Aprender a valorizar um cientista enquanto agente de estabilidade social \u00e9 muito importante.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>O senhor tamb\u00e9m acredita em uma transforma\u00e7\u00e3o das pessoas ap\u00f3s a pandemia?<\/strong><br \/>\nUma coisa est\u00e1 atrelada a outra. Respeitar a ci\u00eancia \u00e9, antes de tudo, respeitar o ser humano. N\u00f3s vamos ter muitas perdas, mas vamos passar por essa fase e espero que a gente melhore muito enquanto pessoas. Ci\u00eancia \u00e9 vida real, \u00e9 sociedade. Acredito que uma nova sociedade vem por a\u00ed e essa fase de transi\u00e7\u00e3o vai ser dif\u00edcil, mas acho que v\u00e1 valer a pena. A sociedade e a ci\u00eancia t\u00eam muito a ganhar com um mundo em que todos s\u00e3o respeitados.<\/p>\n<p>www.correio24horas.com.br \/\u00a0Alexandre Lyrio<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nascido em Tucano, imunologista Gustavo Cabral coordena equipe do Incor, em S\u00e3o Paulo V\u00ea esse homem com cara de professor e\u00a0cientista? Pois bem. Ele, de fato, \u00e9 professor e cientista dos bons. Agora, consegue imagin\u00e1-lo na inf\u00e2ncia? \u00c9 dif\u00edcil conceber, mas, aos oito anos, Gustavo Cabral trabalhava em uma feira. 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