{"id":13853,"date":"2020-04-24T19:53:37","date_gmt":"2020-04-24T22:53:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=13853"},"modified":"2020-04-24T19:53:37","modified_gmt":"2020-04-24T22:53:37","slug":"brasil-pega-fogo-quando-povo-entender-que-vai-morrer-na-porta-do-hospital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/04\/24\/brasil-pega-fogo-quando-povo-entender-que-vai-morrer-na-porta-do-hospital\/","title":{"rendered":"&#8216;Brasil pega fogo quando povo entender que vai morrer na porta do hospital&#8217;"},"content":{"rendered":"<h3><strong>Coronav\u00edrus nas favelas: como combater a pandemia na periferia<\/strong><\/h3>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mHRJ0WMDpqI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Vale o bike-som informando nas vielas de Recife. Vale meme no\u00a0WhatsApp\u00a0para popula\u00e7\u00e3o dos morros do Rio. Vale tamb\u00e9m bater de porta em porta nas comunidades de S\u00e3o Lu\u00eds. O que importa \u00e9 informar e oferecer alguma prote\u00e7\u00e3o para os 13 milh\u00f5es de brasileiros que vivem em favelas em meio a pandemia, ao descaso hist\u00f3rico dos governantes e a falta de uma comunica\u00e7\u00e3o que enxergue a realidade de popula\u00e7\u00f5es pobres.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ecoa<\/strong>\u00a0reuniu nesta sexta-feira (24) quatro lideran\u00e7as comunit\u00e1rias no debate ao vivo &#8220;Enfrentamento do\u00a0coronav\u00edrus\u00a0nas favelas brasileiras&#8221;, mediado pela escritora e pesquisadora\u00a0Bianca Santana, colunista do canal. Eles deram exemplos de como\u00a0<a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/ecoa\/reportagens-especiais\/a-favela-alerta\/index.htm\">a popula\u00e7\u00e3o de favelas e periferias est\u00e1 se organizando<\/a>, se informando e criando solu\u00e7\u00f5es para poder se alimentar, higienizar e se isolar do coronav\u00edrus, relataram as dificuldades e questionaram as aus\u00eancias do Estado.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje n\u00e3o tem \u00e1gua aqui. Meu baldinho est\u00e1 l\u00e1 na bica para juntar um pouco. Ent\u00e3o,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/ecoa\/ultimas-noticias\/2020\/04\/24\/isolamento-na-comunidade-tem-outra-dinamica-diz-lideranca-do-pe.htm\">n\u00e3o adianta ficar falando na TV<\/a>: &#8216;lave a m\u00e3o toda a hora&#8217;. \u00c1gua aqui \u00e9 um dia sim, no outro n\u00e3o. \u00c1lcool gel \u00e9\u00a0<a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/ecoa\/reportagens-especiais\/coronavirus-desigualdade-do-brasil-pode-piorar-a-situacao-da-pandemia\/index.htm\">artigo de luxo<\/a>&#8220;, contou Christiane Teixeira, idealizadora do projeto Coroadinho Sem Corona, que atua para reduzir o impacto da doen\u00e7a na favela com 100 mil habitantes na capital maranhense.<\/p>\n<p>O fortalecimento de processos comunit\u00e1rios foi destacado pelos entrevistados. &#8220;Se \u00e1lcool gel n\u00e3o \u00e9 uma realidade aqui, ent\u00e3o a gente distribui garrafas pet com \u00e1gua e sab\u00e3o para as pessoas&#8221;, disse Anna Karla Pereira, cofundadora da Frente Favela Brasil, organiza\u00e7\u00e3o com atua\u00e7\u00e3o a partir das favelas do Coque e Ibura, na capital pernambucana.<\/p>\n<p>Se a gente est\u00e1 vivo hoje \u00e9 porque temos la\u00e7os<\/p>\n<p><strong>Anna Karla Pereira, cofundadora da Frente Favela Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Na segunda maior favela de S\u00e3o Paulo n\u00e3o \u00e9 diferente. At\u00e9 tr\u00eas ambul\u00e2ncias foram alugadas (a um custo di\u00e1rio de R$ 5.000) para poder dar conta do que as autoridades eleitas n\u00e3o fazem em Parais\u00f3polis. &#8220;As ambul\u00e2ncias do Samu n\u00e3o entram aqui. Ent\u00e3o, esse \u00e9 o jeito para salvar vidas&#8221;, resumiu Gilson, que \u00e9 tamb\u00e9m coordenador nacional do G10 das Favelas, que re\u00fane algumas das maiores comunidades do pa\u00eds. &#8220;O corona\u00a0<a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/ecoa\/ultimas-noticias\/2020\/04\/24\/para-liderancas-desigualdade-e-obstaculo-a-mais-no-combate-ao-coronavirus.htm\">escancarou os problemas das favelas brasileiras<\/a>.&#8221;<\/p>\n<p>Ele contou que criou a figura do &#8220;presidente de rua&#8221;, volunt\u00e1rio que cuida das 50 casas perto da dele. Com dados das agentes comunit\u00e1rias, ele tem o mapa de onde est\u00e3o os doentes cr\u00f4nicos e os idosos e chama a ambul\u00e2ncia em caso de necessidade. Esse formato j\u00e1 est\u00e1 sendo replicado em 361 favelas pelo pa\u00eds. Al\u00e9m disso, criou-se uma sala de isolamento para tirar os doentes do conv\u00edvio com os familiares, o que tamb\u00e9m existe no morro do Alem\u00e3o, no Rio.<\/p>\n<p>&#8220;Cada um de n\u00f3s tem um presidente com for\u00e7a, com luta, que quer ajudar a sua comunidade a sair desse desafio. Primeira coisa que as pessoas podem fazer \u00e9 n\u00e3o se calarem. \u00c9 inadmiss\u00edvel que milh\u00f5es de pessoas que moram em favela n\u00e3o est\u00e3o tendo as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas para sobreviver&#8221;, sentenciou a lideran\u00e7a de Parais\u00f3polis.<\/p>\n<p>Isabela Souza, nascida e criada na favela da Mar\u00e9 e atualmente diretora do Observat\u00f3rio de Favelas, explica como \u00e9 feita a comunica\u00e7\u00e3o na organiza\u00e7\u00e3o. &#8220;Todo dia conversamos com um especialista e temos o desafio de pensar na perspectiva da periferia. Da\u00ed fazemos e mandamos um meme e um \u00e1udio para explicar a pandemia&#8221;, descreveu.<\/p>\n<p>Pra produzir conte\u00fado pra mototaxista, por exemplo, a gente ligou pro Careca que \u00e9 o mototaxista que mais trabalha com a gente<\/p>\n<p><strong>Isabela Souza, diretora do Observat\u00f3rio de Favelas<\/strong><\/p>\n<p>Foi essa preocupa\u00e7\u00e3o de desviar da desinforma\u00e7\u00e3o fez as favelas de Pernambuco usarem moto-som e bike-som, com seus alfo-falantes geralmente usados pelo com\u00e9rcio, para o servi\u00e7o p\u00fablico de alertar as pessoas sobre a doen\u00e7a. &#8220;Modificamos a linguagem para chegar aos jovens. Tamb\u00e9m espalhamos faixas em pontos de muita aglomera\u00e7\u00e3o&#8221;, disse Anna Karla.<\/p>\n<p>Gilson exemplifica como poderia ser a comunica\u00e7\u00e3o. &#8220;Se voc\u00ea fala &#8216;a sa\u00fade vai colapsar&#8217;, ningu\u00e9m vai entender aqui. Tem que falar que quando eles forem no hospital n\u00e3o vai ter vaga. S\u00f3 assim para entender, porque aqui para muita gente \u00e9 como se coronav\u00edrus fosse algo que s\u00f3 existe na TV, como se n\u00e3o fosse uma realidade&#8221;, desabafou.<\/p>\n<p>Quando popula\u00e7\u00e3o entender que &#8216;colapso&#8217; \u00e9 morrer na porta do hospital, a\u00ed o Brasil pega fogo. Precisamos criar uma pol\u00edtica de comunica\u00e7\u00e3o para a realidade nas favelas<\/p>\n<p><strong>Gilson Rodrigues, coordenador nacional do G10 das Favelas e l\u00edder comunit\u00e1rio em Parais\u00f3polis<\/strong><\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode chegar a p\u00e9. &#8220;N\u00f3s batemos de porta em porta. Tem casa aqui que n\u00e3o tem nem fog\u00e3o. Como vai ter celular com wifi? Quem vive aqui n\u00e3o quer ser visto como v\u00edtima, mas busca uma ajuda. N\u00f3s levamos informa\u00e7\u00e3o e doa\u00e7\u00e3o&#8221;, contou Christiane.<\/p>\n<p>As quatro lideran\u00e7as foram un\u00e2nimes em apontar que as a\u00e7\u00f5es oficiais n\u00e3o chegaram de forma efetiva nas favelas. &#8220;Tem pol\u00edtica para salvar os bancos, salvar o varejo,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/ecoa\/ultimas-noticias\/2020\/04\/24\/como-as-periferias-reagem-economicamente-a-crise-causada-pelo-coronavirus.htm\">mas n\u00e3o para os moradores de favela<\/a>&#8220;, criticou Gilson. Isabela foi ainda mais veemente. &#8220;\u00c9 um pressuposto da democracia, mas o Estado n\u00e3o cumpre seu papel, ficando omisso e c\u00ednico. Por isso, para dar conta desse momento, est\u00e1 acontecendo essa onda linda de fortalecimento dos processos comunit\u00e1rios, pela urg\u00eancia para lidar com a desigualdade.&#8221;<\/p>\n<p>Anna Karla ressalta que no Nordeste a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda pior porque houve muito corte entre os benefici\u00e1rios do programa de transfer\u00eancia de renda do Bolsa Fam\u00edlia na regi\u00e3o. E a isso se somou o desemprego e a pandemia. &#8220;A gente faz a nossa parte porque a gente precisa estar vivo. A sociedade civil \u00e9 muito estigmatizada pelo governo federal, mas as organiza\u00e7\u00f5es sociais est\u00e3o de parab\u00e9ns por darem corpo a esse combate.&#8221;<\/p>\n<p>Para Christiane, os governantes poderiam se inspirar nas favelas para saber o que fazer na sociedade como um todo.<\/p>\n<p>O governo tinha que vir aqui aprender. A gente agiu bem antes do que eles. Porque as pessoas n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 n\u00fameros de CPF, elas t\u00eam fome<\/p>\n<p>Christiane Teixeira, idealizadora do projeto Coroadinho Sem Corona, em S\u00e3o Lu\u00eds<\/p>\n<p>www.uol.com.br \/ Rodrigo Bertolotto\u00a0 De Ecoa, em S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coronav\u00edrus nas favelas: como combater a pandemia na periferia Vale o bike-som informando nas vielas de Recife. Vale meme no\u00a0WhatsApp\u00a0para popula\u00e7\u00e3o dos morros do Rio. Vale tamb\u00e9m bater de porta em porta nas comunidades de S\u00e3o Lu\u00eds. O que importa \u00e9 informar e oferecer alguma prote\u00e7\u00e3o para os 13 milh\u00f5es de brasileiros que vivem em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13854,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[386,377],"class_list":["post-13853","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-medidas-de-combate-ao-coronavirus","tag-pandemia-coronavirus"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13853","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13853"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13853\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13855,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13853\/revisions\/13855"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13854"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13853"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13853"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13853"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}