{"id":14087,"date":"2020-05-06T18:56:33","date_gmt":"2020-05-06T21:56:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=14087"},"modified":"2020-05-06T18:56:33","modified_gmt":"2020-05-06T21:56:33","slug":"mp-936-governo-intransigente-quer-destruir-conquistas-e-direitos-trabalhistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/05\/06\/mp-936-governo-intransigente-quer-destruir-conquistas-e-direitos-trabalhistas\/","title":{"rendered":"MP 936: governo intransigente quer destruir conquistas e direitos trabalhistas"},"content":{"rendered":"<p>A MP 936, que a pretexto de proteger permite ao patr\u00e3o reduzir em at\u00e9 70% o sal\u00e1rio de seus empregados e imp\u00f5e outros retrocessos, pode ir a voto quinta-feira (7) na C\u00e2mara Federal. Dirigentes das centrais sindicais, em parceria com parlamentares sens\u00edveis aos direitos e conquistas da classe trabalhadora e aos preceitos sociais da Constitui\u00e7\u00e3o, batalham para alterar a medida institu\u00edda por Jair Bolsonaro e preservar conquistas, mas enfrentam a intransig\u00eancia da bancada governista, para a qual o presidente est\u00e1 atraindo deputados do chamado Centr\u00e3o com minist\u00e9rios, cargos e outras benesses.<\/p>\n<p>\u201cO movimento sindical est\u00e1 em estado de alerta\u201d, observou o presidente da CTB, Adilson Ara\u00fajo. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio realizar uma ampla vig\u00edlia nacional para preservar minimamente a garantia do emprego\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p><strong>Inconstitucional<\/strong><\/p>\n<p>A medida, que j\u00e1 est\u00e1 em vigor e pode ser transformada em lei pelo Congresso Nacional, \u00e9 notoriamente inconstitucional, conforme denunciaram v\u00e1rios juristas e entidades como a Anamatra (Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Magistrados do Trabalho) e IAB (Instituto dos Advogados Brasileiros).<\/p>\n<p>Al\u00e9m de prever corte de at\u00e9 70% dos sal\u00e1rios, a MP de Bolsonaro permite que isto seja realizado atrav\u00e9s de negocia\u00e7\u00f5es individuais entre patr\u00e3o e assalariado, sem a intermedia\u00e7\u00e3o dos sindicatos. Ocorre que, conforme observou a presidenta da Anamatra, Noemia Porto, em momentos de crise n\u00e3o h\u00e1 negocia\u00e7\u00e3o, mas imposi\u00e7\u00e3o patronal.<\/p>\n<p>O inciso VI do artigo 7\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o s\u00f3 admite a redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, em situa\u00e7\u00f5es anormais, por meio de negocia\u00e7\u00e3o coletiva, com participa\u00e7\u00e3o dos sindicatos, exigindo como contrapartida a \u201cprote\u00e7\u00e3o dos empregados contra dispensa imotivada durante o prazo de vig\u00eancia do instrumento coletivo\u201d, nos termos do \u00a73\u00ba do artigo 611-A da CLT.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o do professor Jeibson dos S. Justiniano e da advogada L\u00edvia Mendes M.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2020-abr-26\/miraglia-justiniano-inconstitucionalidade-mp-936\">Miraglia<\/a>, o governo poderia escolher outro caminho para preservar empregos, se esta realmente fosse a inten\u00e7\u00e3o. \u201cA Holanda, por exemplo, garantiu por tr\u00eas meses o pagamento de 90% do sal\u00e1rio dos trabalhadores de empresas que perderam, pelo menos, 20% da receita, determinando ainda a estabilidade no emprego. Portugal, por sua vez, adotou a suspens\u00e3o de contrato, mas com a manuten\u00e7\u00e3o de 70% do sal\u00e1rio do trabalhador, al\u00e9m da isen\u00e7\u00e3o da contribui\u00e7\u00e3o para seguridade social\u201d.<\/p>\n<p>Mas a real inten\u00e7\u00e3o da dupla Bolsonaro\/Guedes \u00e9 prosseguir com a empreitada de destrui\u00e7\u00e3o do Direito do Trabalho iniciada pelo golpe de 2016 e que compreendeu a reforma trabalhista de Temer, a terceiriza\u00e7\u00e3o irrestrita, a EC 95, a reforma da Previd\u00eancia no atual governo, entre outras medidas. A ret\u00f3rica demag\u00f3gica da preserva\u00e7\u00e3o do emprego \u00e9 t\u00e3o somente um recurso c\u00ednico para reduzir resist\u00eancias na sociedade e engabelar a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Pontos fundamentais<\/strong><\/p>\n<div class=\"wp-block-image\"><\/div>\n<p>Nivaldo Santana (foto), secret\u00e1rio de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da CTB, enfatizou que o movimento sindical luta em torno de cinco pontos fundamentais: garantir a participa\u00e7\u00e3o dos sindicatos nas negocia\u00e7\u00f5es; a ultratividade dos acordos e conven\u00e7\u00f5es coletivas na vig\u00eancia da pandemia; piso de quatro sal\u00e1rios m\u00ednimos nos acordos de redu\u00e7\u00e3o de jornada e sal\u00e1rio; amplia\u00e7\u00e3o do prazo de estabilidade no emprego para 6 meses; aumento do valor do seguro-desemprego.<\/p>\n<p>Por seu turno, o deputado federal Orlando Silva, comprometido com a defesa dos trabalhadores e trabalhadores tamb\u00e9m est\u00e1 negociando garantia de participa\u00e7\u00e3o dos sindicatos; ultratividade e piso em torno de R$ 3.000.<\/p>\n<p>www.ctb.org.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A MP 936, que a pretexto de proteger permite ao patr\u00e3o reduzir em at\u00e9 70% o sal\u00e1rio de seus empregados e imp\u00f5e outros retrocessos, pode ir a voto quinta-feira (7) na C\u00e2mara Federal. 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