{"id":14147,"date":"2020-05-11T16:34:43","date_gmt":"2020-05-11T19:34:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=14147"},"modified":"2020-05-11T18:19:37","modified_gmt":"2020-05-11T21:19:37","slug":"preocupacao-com-a-saude-mental-e-um-dos-principais-reflexos-do-coronavirus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/05\/11\/preocupacao-com-a-saude-mental-e-um-dos-principais-reflexos-do-coronavirus\/","title":{"rendered":"Preocupa\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade mental \u00e9 um dos principais reflexos do coronav\u00edrus"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Ang\u00fastia, inseguran\u00e7a, medo e solid\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o palavras ou emo\u00e7\u00f5es novas no vocabul\u00e1rio humano<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como nomear aquele aperto no peito? Como entender as noites maldormidas? Como explicar o choro fora de hora? Como encaixar esse quebra-cabe\u00e7a de emo\u00e7\u00f5es? Diante da desconhecida covid-19 e dos impactos e desdobramentos da doen\u00e7a que surgem a cada dia, identificar e lidar com os sentimentos tornaram-se demandas coletivas. A preocupa\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade mental est\u00e1 entre os principais reflexos da pandemia do novo coronav\u00edrus e a escuta dessas vozes se faz ainda mais relevante.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"658\" height=\"465\" src=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/CVV2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14157\" srcset=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/CVV2.jpg 658w, https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/CVV2-300x212.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 658px) 100vw, 658px\" \/><figcaption>O CVV foi criado h\u00e1 50 anos e sempre prestou servi\u00e7o gratuito realizado por volunt\u00e1rios\n(foto: CVV\/Divulga\u00e7\u00e3o )<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Criado h\u00e1 mais de 50 anos, o Centro de Valoriza\u00e7\u00e3o da Vida (CVV) presta um servi\u00e7o, volunt\u00e1rio e gratuito, de apoio emocional e preven\u00e7\u00e3o do suic\u00eddio para todas as pessoas que querem e precisam conversar sob total sigilo e anonimato. Ao todo, s\u00e3o 3 milh\u00f5es de atendimentos por ano no Brasil.<br>Porta-voz nacional do centro e volunt\u00e1ria em Bras\u00edlia h\u00e1 nove anos, Leila Her\u00e9dia relata que o n\u00famero de liga\u00e7\u00f5es, neste per\u00edodo de distanciamento social, n\u00e3o variou. \u201cMas as pessoas est\u00e3o falando mais de temas ligados \u00e0 pandemia, como a ang\u00fastia, a solid\u00e3o, o medo da morte, a preocupa\u00e7\u00e3o com pessoas que queria estar perto, mas n\u00e3o se pode estar em contato, o fato de estar privado de determinadas atividades, a pr\u00f3pria tens\u00e3o que vive no dia a dia, a incerteza com o futuro\u201d, detalha.<\/p>\n\n\n\n<p>Na percep\u00e7\u00e3o de Leila, as conversas ficaram mais longas. \u201cMinha impress\u00e3o \u00e9 de que as pessoas sentem mais vontade de falar\u201d, pontua. Apesar de ser uma situa\u00e7\u00e3o coletiva e um problema comum, que o mundo todo enfrenta, o foco do CVV est\u00e1 no sentimento individual. \u201cCada pessoa vai sentir de uma forma. Nosso foco \u00e9 no que a pessoa est\u00e1 vivendo. Est\u00e1 sendo mais dif\u00edcil, por que ela est\u00e1 sentindo medo? O CVV permite o desabafo para que a pessoa consiga lidar melhor com os sentimentos\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>A porta-voz destaca que os atendimentos do centro em momento algum substituem a terapia ou o acompanhamento m\u00e9dico. \u201cN\u00e3o existe nenhum tipo de aconselhamento. \u00c9 uma esp\u00e9cie de pronto-socorro emocional. N\u00e3o vamos substituir m\u00e9dico ou terapeuta, vamos agir no aqui e no agora\u201d, esclarece. Ao falar e conversar, \u00e9 poss\u00edvel reorientar as ideias e perceber, dentro de cada um, como enfrentar as situa\u00e7\u00f5es. \u201c\u00c0 medida que a pessoa vai falando, ela busca recursos internos para passar por uma determinada situa\u00e7\u00e3o, d\u00e1 nome aos sentimentos, ajuda a esvaziar e a liberar aquele efeito de panela de press\u00e3o\u201d, comenta Leila.<\/p>\n\n\n\n<p>Ang\u00fastia, inseguran\u00e7a, medo e solid\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o palavras ou emo\u00e7\u00f5es novas no vocabul\u00e1rio humano. Contudo, a partir do momento que a pessoa est\u00e1 passando por uma situa\u00e7\u00e3o diferente e tendo que lidar com esses sentimentos, \u00e9 tudo novidade. \u201cConversamos do momento atual, do que estamos vivendo. Cada dor \u00e9 \u00fanica\u201d, afirma a volunt\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Adapta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Em todo o Brasil, o CVV atua com mais de 4 mil volunt\u00e1rios distribu\u00eddos em mais de 100 postos. Neste per\u00edodo de enfrentamento ao novo coronav\u00edrus, o servi\u00e7o se organizou tamb\u00e9m para atender aos volunt\u00e1rios e viabilizar outras formas de atendimento, como o remoto, seguindo todas as orienta\u00e7\u00f5es das autoridades internacionais. As palestras presenciais, bem como as capacita\u00e7\u00f5es, foram suspensas.<br>A equipe de volunt\u00e1rios do Distrito Federal promove reuni\u00f5es semanais, agora mantidas de forma virtual, para manter um contato mais pr\u00f3ximo e conseguir sustentar essa forma de cuidado coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;As pessoas est\u00e3o falando mais de temas ligados&nbsp;\u00e0 pandemia, como a ang\u00fastia, a solid\u00e3o,&nbsp;o medo da morte,&nbsp;a preocupa\u00e7\u00e3o com pessoas que queria&nbsp;estar perto, mas&nbsp;n\u00e3o se pode estar&nbsp;em contato\u201d<\/em><br><strong>Leila Her\u00e9dia,&nbsp;<\/strong>porta-voz nacional do CVV<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como ligar<\/strong><br>Chamada gratuita, 24 horas, pelo n\u00famero 188Informa\u00e7\u00f5es no site&nbsp;<strong><a href=\"http:\/\/www.cvv.org.br\/\">www.cvv.org.br<\/a>&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ponto a ponto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Com Guilherme Spadini,&nbsp;<\/strong>psiquiatra da Faculdade de Medicina da USP e professor e l\u00edder da \u00e1rea de terapia da The School of Life<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Comunicar os\u00a0sentimentos<\/strong> &#8211; \u00c0s vezes, a gente subestima o poder que a comunica\u00e7\u00e3o tem. Comunicar tem v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es. Quando a gente tenta comunicar, a gente se obriga a prestar aten\u00e7\u00e3o, \u00e9 um exerc\u00edcio de investiga\u00e7\u00e3o interna. A nossa pr\u00f3pria consci\u00eancia \u00e9 uma forma de conversa com a gente mesmo, \u00e9 o nosso pensamento falando. Vamos passando pela vida, por emo\u00e7\u00f5es, por ideias. Al\u00e9m disso, quando voc\u00ea d\u00e1 nome para as coisas, quando voc\u00ea chama aquela sensa\u00e7\u00e3o de tristeza, de ansiedade, de medo, de preocupa\u00e7\u00e3o, fica mais f\u00e1cil. Ela fica mais familiar e voc\u00ea acessa com mais familiaridade. \u00c9 como nomear um bicho selvagem que voc\u00ea domestica, se apropriando dele. Voc\u00ea est\u00e1 domesticando aquele sentimento.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"652\" height=\"485\" src=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/CVV3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14158\" srcset=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/CVV3.jpg 652w, https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/CVV3-300x223.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 652px) 100vw, 652px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Desenvolver a calma<\/strong> &#8211; Voc\u00ea n\u00e3o tem como mudar o mundo, s\u00f3 tem como mudar a sua atitude. Temos uma ideia, meio inocente, de otimismo. De achar que as coisas v\u00e3o acontecer do jeito que a gente quer. Em uma situa\u00e7\u00e3o como a pandemia, na qual o pessimismo est\u00e1 generalizado, o estranhamento nos libera para olhar para aquilo que a gente pode controlar: as nossas emo\u00e7\u00f5es. \u00c9 o que chamamos de pessimismo universal. O mundo n\u00e3o est\u00e1 a meu favor. Se voc\u00ea tiver isso como expectativa, voc\u00ea sai mais preparado para enfrentar a vida de uma maneira mais calma.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dicas<\/strong> &#8211; Existem muitas t\u00e9cnicas poss\u00edveis e algumas se tem falado em exaust\u00e3o, como meditar, manter a rotina, ter contato com pessoas e n\u00e3o deixar o isolamento te manter realmente isolado. Diria para, regularmente, a pessoa sentar e fazer um download do que est\u00e1 em sua cabe\u00e7a, sem compromisso, sem tema. Pode ser em desenho, m\u00fasica. Do jeito que a pessoa melhor se expressar. \u00c9 um h\u00e1bito com evid\u00eancias cient\u00edficas do quanto acalma.C<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ang\u00fastia coletiva<\/strong> &#8211; O interessante de estar todo mundo falando sobre isso \u00e9 que ajuda a desenvolver t\u00e9cnicas para lidar com a dificuldade. Pessoas muito ansiosas, que j\u00e1 t\u00eam uma tend\u00eancia a lidar de maneira negativa, acham que o mundo \u00e9 uma amea\u00e7a, que est\u00e1 todo mundo contra elas e, por isso, \u00a0sofrem tanto. Agora, todo mundo sofre. Ao viver o sofrimento sozinho, fica mais dif\u00edcil \u00a0enxergar os mecanismos e as raz\u00f5es que levam as pessoas a sofrerem tanto. Elas se projetam no mundo externo. Nesse momento, no qual as coisas externas s\u00e3o comuns, todo mundo est\u00e1 tendo que olhar o seu jeito de lidar com as coisas. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o que tira a nossa ilus\u00e3o de controle.\u00a0 <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/\n<\/div><\/figure>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ang\u00fastia, inseguran\u00e7a, medo e solid\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o palavras ou emo\u00e7\u00f5es novas no vocabul\u00e1rio humano Como nomear aquele aperto no peito? Como entender as noites maldormidas? Como explicar o choro fora de hora? Como encaixar esse quebra-cabe\u00e7a de emo\u00e7\u00f5es? 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