{"id":14221,"date":"2020-05-13T15:18:47","date_gmt":"2020-05-13T18:18:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=14221"},"modified":"2020-05-13T15:23:22","modified_gmt":"2020-05-13T18:23:22","slug":"13-de-maio-os-negros-e-a-pandemia-do-novo-coronavirus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/05\/13\/13-de-maio-os-negros-e-a-pandemia-do-novo-coronavirus\/","title":{"rendered":"13 de Maio: Os negros e a pandemia do novo coronav\u00edrus"},"content":{"rendered":"<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-14223 alignright\" src=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/15869121215e965b796ba1d_1586912121_3x2_md-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"363\" height=\"242\" srcset=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/15869121215e965b796ba1d_1586912121_3x2_md-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/15869121215e965b796ba1d_1586912121_3x2_md.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 363px) 100vw, 363px\" \/>Nesta quarta-feira (13), quando completamos 132 anos da Aboli\u00e7\u00e3o da Escravatura no Brasil, de maneira surpreendente e angustiante podemos conhecer a capacidade de destrui\u00e7\u00e3o provocada pela pandemia do novo coronav\u00edrus. <\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de escancarar nossa rid\u00edcula fragilidade humana, coloca como desafio \u00e0 sociedade a alta capacidade de organizar, coordenar e estruturar recursos e log\u00edstica indispens\u00e1veis para viabilizar a constru\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gia e a\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o da vida, da sa\u00fade e da integridade f\u00edsica e material, assim como planejar a\u00e7\u00f5es de retomada para o futuro.<\/p>\n<p>Seu impacto brutal e a irradia\u00e7\u00e3o de suas consequ\u00eancias catastr\u00f3ficas se sobrepesaram aos demais desafios que j\u00e1 estavam em curso, representados pela grav\u00edssima crise pol\u00edtica, econ\u00f4mica e social e pela dificuldade para a promo\u00e7\u00e3o de reformas inadi\u00e1veis. Essa situa\u00e7\u00e3o extremamente delicada traduzia as graves dificuldades do pa\u00eds e desafiava, da mesma forma, toda a capacidade de gest\u00e3o e resolutividade das for\u00e7as sociais e pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Essa cat\u00e1strofe in\u00e9dita, al\u00e9m de ceifar a vida de milhares de brasileiros e dizimar integralmente setores inteiros do ambiente empresarial e corporativo, em especial micro, pequenas e m\u00e9dias empresas, est\u00e1 produzindo uma conta social in\u00e9dita de quase R$ 800 milh\u00f5es que ir\u00e1 impactar de forma estrondosa a capacidade do Estado de financiar e disponibilizar pol\u00edticas p\u00fablicas e garantir o crescimento econ\u00f4mico, assim como atender adequadamente \u00e0s emerg\u00eancias sanit\u00e1rias.<\/p>\n<p>O caos produzido pela Covid-19 escancarou e iluminou as profundas desigualdades que estruturam a vida da maioria dos brasileiros e de como o esfor\u00e7o para ficar em casa divide de maneira desigual o sofrimento e a priva\u00e7\u00e3o. Principalmente a parte mais vulner\u00e1vel e necessitada dos brasileiros, que ficar\u00e1 sem emprego, sal\u00e1rio e condi\u00e7\u00f5es de garantir a sobreviv\u00eancia de suas fam\u00edlias. Apontou ainda, com mais \u00eanfase e efetividade, a forma como dever\u00e1 aprofundar as dist\u00e2ncias sociais e sacramentar as injusti\u00e7as entre grupos de brasileiros.<\/p>\n<p>O editorial \u201cA cor da renda\u201d, publicado na\u00a0<em>Folha de S.Paulo<\/em>\u00a0no domingo (10), acerta ao chamar aten\u00e7\u00e3o para o grave desequil\u00edbrio que divide os brasileiros negros e brancos. No limiar do s\u00e9culo 21, a diferen\u00e7a de renda entre negros e brancos alcan\u00e7a o patamar de 55,8%; 47,5% deles s\u00e3o trabalhadores informais, e 66% dos homens e mulheres negros comp\u00f5em o grupo dos desocupados e os subutilizados no mercado de trabalho brasileiro.<\/p>\n<p>Heran\u00e7a da longa escravid\u00e3o, parece que os negros s\u00e3o os que mais morrem nessa pandemia, pois s\u00e3o a classe mais empobrecida. Ocupam favelas que muitas vezes n\u00e3o tem \u00e1gua pot\u00e1vel, est\u00e3o expostos a uma mobilidade urbana que aglomera (trens, \u00f4nibus, metr\u00f4) e, ainda por cima, det\u00e9m grande comorbidade, passando longe de assist\u00eancia m\u00e9dica de qualidade. Os negros ser\u00e3o novamente castigados. Inviabilizados no seu trabalho informal e ineleg\u00edveis por todas as car\u00eancias sociais e burocr\u00e1ticas, sofrer\u00e3o impiedosamente para acessar recursos governamentais, retornar ao mercado de trabalho e manter a duras penas sua carteira na universidade.<\/p>\n<p>\u00c9 sob esse aspecto que o pa\u00eds estar\u00e1 desafiado para revisitar e reconstruir seu olhar e sua realiza\u00e7\u00e3o no combate \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o das desigualdades e na constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que possam garantir a participa\u00e7\u00e3o equitativa dos negros brasileiros.<\/p>\n<p>O coronav\u00edrus ir\u00e1 exigir a constru\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds mais respons\u00e1vel, justo e equilibrado. Poder\u00e1 ser tamb\u00e9m uma janela de oportunidades para construirmos uma rela\u00e7\u00e3o racial e social nova e diferente: sem racismo, sem discrimina\u00e7\u00e3o e com oportunidades e possibilidades iguais.<\/p>\n<p>www.ctb.org.br<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta quarta-feira (13), quando completamos 132 anos da Aboli\u00e7\u00e3o da Escravatura no Brasil, de maneira surpreendente e angustiante podemos conhecer a capacidade de destrui\u00e7\u00e3o provocada pela pandemia do novo coronav\u00edrus. 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