{"id":14329,"date":"2020-05-20T15:35:40","date_gmt":"2020-05-20T18:35:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=14329"},"modified":"2020-05-20T15:35:40","modified_gmt":"2020-05-20T18:35:40","slug":"empresa-tera-que-indenizar-empregada-negra-que-foi-amarrada-por-sair-mais-cedo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/05\/20\/empresa-tera-que-indenizar-empregada-negra-que-foi-amarrada-por-sair-mais-cedo\/","title":{"rendered":"Empresa ter\u00e1 que indenizar empregada negra que foi amarrada por sair mais cedo"},"content":{"rendered":"<div class=\"vc_row wpb_row vc_row-fluid eltdf-section eltdf-content-aligment-left\">\n<div class=\"clearfix eltdf-full-section-inner\">\n<div class=\"wpb_text_column wpb_content_element \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong>Mesmo ap\u00f3s o epis\u00f3dio, a empresa Autoliv do Brasil n\u00e3o demitiu os funcion\u00e1rios que cometeram crime de racismo e danos morais<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"vc_empty_space\">A empresa Autoliv do Brasil,\u00a0 que atua no ramo da ind\u00fastria automobil\u00edstica e fica na cidade de Taubat\u00e9 (SP), ter\u00e1 que indenizar uma funcion\u00e1ria em R$ 180 mil por danos morais e racismo. Isso porque a empregada foi amarrada como puni\u00e7\u00e3o por ter sa\u00eddo mais cedo do expediente. A decis\u00e3o da 7\u00aa C\u00e2mara do Tribunal Regional do Trabalho da 15\u00aa Regi\u00e3o foi proferida na ter\u00e7a-feira 12.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O caso aconteceu em 2015. Segundo o processo, a funcion\u00e1ria saiu mais cedo do trabalho e, no dia seguinte, dois superiores\u00a0passaram fita crepe nos pulsos da v\u00edtima e em seus pr\u00f3prios bra\u00e7os, prendendo a funcion\u00e1ria a eles. Em seguida, a mulher de 42 anos foi arrastada pelo galp\u00e3o da empresa para servir de exemplo para outros funcion\u00e1rios n\u00e3o cometerem o mesmo erro. A a\u00e7\u00e3o foi confirmada pelos acusados em depoimento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ter sido agredida fisicamente, a funcion\u00e1ria tamb\u00e9m sofreu um caso de racismo dentro da empresa. De acordo com o processo, um dos chefes parabenizou a mulher pelo seu dia. A v\u00edtima ficou sem entender o que acontecia, pois n\u00e3o era dia de seu anivers\u00e1rio. Ao indagar por que\u00a0estava recebendo parab\u00e9ns, o chefe respondeu: \u201cPor ser o dia do negro, em refer\u00eancia ao Dia da Consci\u00eancia Negra\u201d.<\/p>\n<p>O autor da fala, chamado no processo como \u201cSr. Paulo\u201d, confessou o que tinha dito \u00e0 sua funcion\u00e1ria. No entanto, o\u00a0superior aproveitou para afirmar que conhece pessoas negras em seu \u00e2mbito familiar e social e que elas foram igualmente parabenizadas. Segundo a advogada Shayda Daher de Souza, que defende a funcion\u00e1ria, os superiores que cometeram a a\u00e7\u00e3o continuam trabalhando na empresa at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Ainda segundo a advogada, a empresa Autoliv do Brasil provavelmente n\u00e3o ir\u00e1 recorrer na 3\u00aa inst\u00e2ncia, pois responde a outros v\u00e1rios processos trabalhistas. \u201cQuando acontece esse tipo de coisa no interior, as pessoas ficam com medo de denunciar, principalmente porque o processo precisa de testemunha. O acolhimento que fiz com essa mulher para incentiv\u00e1-la a entrar com uma a\u00e7\u00e3o foi essencial. Precisamos incentivar as pessoas a n\u00e3o se calarem perante a isso\u201d, disse.<\/p>\n<p>Al\u00e9m deste caso, Shayda defende outros clientes contra a Autoliv do Brasil. \u201cIsso vai de encontro com o que est\u00e1 acontecendo no Brasil. A destrui\u00e7\u00e3o dos direitos trabalhistas parece que est\u00e1 tudo bem, mas \u00e9 not\u00f3rio que n\u00e3o est\u00e1, por isso a justi\u00e7a trabalhista \u00e9 t\u00e3o importante\u201d, ressaltou Shayda.<\/p>\n<p>Em primeira inst\u00e2ncia, a ju\u00edza Francina Nunes da Costa, da 1\u00aa Vara do Trabalho de Taubat\u00e9, havia fixado indeniza\u00e7\u00e3o no valor de R$ 620 mil, levando em conta que a empresa \u00e9 de grande porte, mas o valor foi diminu\u00eddo na 2\u00aa inst\u00e2ncia. Para Shayda, mesmo com a diminui\u00e7\u00e3o, a decis\u00e3o \u00e9 muito importante, pois mostra que h\u00e1 empresas que ainda tratam seus empregados com desrespeito e sem nenhuma humanidade.<\/p>\n<p>A reportagem de\u00a0<strong>CartaCapital<\/strong>\u00a0tentou entrar em contato com a Autoliv do Brasil, mas todos os telefones est\u00e3o fora do ar. Procuramos tamb\u00e9m os advogados da empresa, que tamb\u00e9m n\u00e3o atenderam \u00e0s chamadas. Caso haja resposta, ela ser\u00e1\u00a0adicionada \u00e0 esta reportagem.<\/p>\n<p>www.cartacapital.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo ap\u00f3s o epis\u00f3dio, a empresa Autoliv do Brasil n\u00e3o demitiu os funcion\u00e1rios que cometeram crime de racismo e danos morais A empresa Autoliv do Brasil,\u00a0 que atua no ramo da ind\u00fastria automobil\u00edstica e fica na cidade de Taubat\u00e9 (SP), ter\u00e1 que indenizar uma funcion\u00e1ria em R$ 180 mil por danos morais e racismo. 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