{"id":14549,"date":"2020-06-03T11:45:24","date_gmt":"2020-06-03T14:45:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=14549"},"modified":"2020-06-03T11:45:24","modified_gmt":"2020-06-03T14:45:24","slug":"futuro-do-trabalho-deve-mirar-a-criacao-de-empregos-de-qualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/06\/03\/futuro-do-trabalho-deve-mirar-a-criacao-de-empregos-de-qualidade\/","title":{"rendered":"Futuro do trabalho deve mirar a cria\u00e7\u00e3o de empregos de qualidade"},"content":{"rendered":"<p>A Federa\u00e7\u00e3o dos Metal\u00fargicos e Metal\u00fargicas do Brasil (Fitmetal) realizou uma live nesta segunda-feira (1) com o tema o futuro do Trabalho. A iniciativa marca os 10 anos de funda\u00e7\u00e3o da entidade que representa trabalhadores de todas as regi\u00f5es brasileiras. A live reuniu o economista M\u00e1rcio Pochmann, o senador Paulo Paim (PT-RS) e o secret\u00e1rio sindical do PCdoB, Nivaldo Santana. Sob a media\u00e7\u00e3o da metal\u00fargica Andreia Diniz, os palestrantes defenderam que existe, sim, futuro para o trabalho, a despeito do que pregam os setores patronais, e apontam o papel estrat\u00e9gico do movimento sindical para fortalecer essa perspectiva.<\/p>\n<p>\u201cQue este ciclo n\u00e3o sirva para nos desanimar porque a \u00fanica coisa que n\u00e3o pode acontecer com aqueles que transformam a mat\u00e9ria-prima \u00e9 o des\u00e2nimo\u201d, declarou o metal\u00fargico Marcelino da Rocha, presidente da Fitmetal que fez a sauda\u00e7\u00e3o inicial da live que marcou os 10 anos da Fitmetal. Al\u00e9m dos palestrantes, fizeram interven\u00e7\u00f5es ao final da live os presidentes do Sindicato dos Metal\u00fargicos de Cama\u00e7ari (BA), Julio Bonfim; do Sindicato dos Metal\u00fargicos de Betim, Alex Custodio; do sindicato dos Metal\u00fargicos de Caxias do Sul, Assis Melo e o presidente do Sindicato dos Metal\u00fargicos do Rio de Janeiro, Jesus Cardoso.<\/p>\n<p><strong>O trabalho n\u00e3o vai desaparecer\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O economista Marcio Pochmann ressaltou que acredita que o trabalho tem passado, presente e ter\u00e1 futuro. Segundo ele, estudos patrocinados por consultorias patronais, especialmente o F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, \u00e9 que pregam que o progresso t\u00e9cnico vai destruir os empregos. \u201cPregam que estamos diante de uma onda de progresso t\u00e9cnico e que de alguma forma estamos condenados \u00e0 uma forte redu\u00e7\u00e3o dos postos de trabalho\u201d, disse. \u201cO trabalho n\u00e3o vai desaparecer o que precisamos trabalhar aqui \u00e9 qual a melhor forma desse trabalho\u201d.<\/p>\n<p>O economista chamou a aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia do trabalho na atualidade e citou o exemplo \u201cquase que espont\u00e2neo\u201d que a pandemia trouxe \u00e0 tona: \u201cO desespero do patronato e at\u00e9 de gestores p\u00fablicos diante do isolamento social. A defesa de patr\u00f5es, defendendo a necessidade de voltar imediatamente para o trabalho, tendo em vista a defesa do emprego que o presidente Bolsonaro tem feito, junto com outros, que era necess\u00e1rio voltar a atividade econ\u00f4mica, \u00e9 uma revela\u00e7\u00e3o concreta de que o trabalho segue sendo central na gera\u00e7\u00e3o de riqueza. O patr\u00e3o e o Estado n\u00e3o conseguem fazer funcionar a economia\u201d.<\/p>\n<p><strong>Tecnologia e trabalho prec\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>Secret\u00e1rio sindical nacional do PCdoB e dirigente da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nivaldo Santana trouxe para o debate o conceito Marxista, desenvolvido no livro O Capital, de que a marca do capitalismo reside no aumento do incremento do maquin\u00e1rio (capital constante) e \u00e0 medida que isso acontece h\u00e1 a diminui\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho (capital vari\u00e1vel). Marx concluiu que essa situa\u00e7\u00e3o provocaria tamb\u00e9m uma tend\u00eancia de queda no lucro. \u201cA mais-valia, no entanto, vem do capital vari\u00e1vel, da for\u00e7a de trabalho, e a forma que os capitalistas encontraram para n\u00e3o ter seu lucro reduzido foi diminuir o custo do trabalho com o card\u00e1pio de aumentar jornada, reduzir sal\u00e1rio, tirar direitos\u201d, completou Nivaldo.<\/p>\n<p>O dirigente afirmou que o trabalho prec\u00e1rio \u00e9 o principal fen\u00f4meno que surge com o desenvolvimento tecnol\u00f3gico contempor\u00e2neo no Brasil e no mundo. Segundo Nivaldo, o Brasil possui 17 milh\u00f5es de trabalhadores de aplicativos que usam a plataforma digital como fonte de renda e para muitas fam\u00edlias \u00e9 unica renda, especialmente neste tempo de pandemia. \u201cTem quase 4 milh\u00f5es de trabalhadores no setor de transporte e distribui\u00e7\u00e3o, um trabalho prec\u00e1rio, que n\u00e3o tem direito trabalhista, n\u00e3o tem sindicato, n\u00e3o tem justi\u00e7a do trabalho e at\u00e9 hoje n\u00f3s n\u00e3o conseguimos organizar. \u00c9 quest\u00e3o que est\u00e1 na agenda: o tipo de trabalho. Com a pandemia a massa trabalhadora migrou para os aplicativos para sobreviver\u201d.<\/p>\n<p><strong>Desenvolvimento tecnol\u00f3gico a servi\u00e7o da maioria<\/strong><\/p>\n<p>Nivaldo tamb\u00e9m explicou que n\u00e3o \u00e9 a tecnologia que provoca desemprego e reiterou que o movimento sindical deve apoiar a tecnologia e a ci\u00eancia e reverter os resultados deste desenvolvimento para a maioria. \u201cO que acontece \u00e9 que algumas profiss\u00f5es acabam e surgem outras. Estudos apontam que a sensa\u00e7\u00e3o de que os empregos v\u00e3o acabar \u00e9 porque h\u00e1 uma defasagem entre o fim de alguns empregos e a cria\u00e7\u00e3o de outros. Os empregos que acabam sendo extintos desaparecem mais r\u00e1pido do que s\u00e3o criados outros\u201d, esclareceu.<\/p>\n<p>O dirigente lembrou ainda que os tipos de empregos que mais crescem com o incremento tecnol\u00f3gico s\u00e3o aqueles que exigem alta qualifica\u00e7\u00e3o e os de baixa qualidade, como os de aplicativo. \u201cOs que est\u00e3o diminuindo bastante s\u00e3o os postos de m\u00e9dia complexidade onde os trabalhadores tem melhor sal\u00e1rio, capacidade pol\u00edtica de organiza\u00e7\u00e3o sindical\u201d. Nivaldo apontou para a necessidade de se buscar uma nova estrutura pol\u00edtica, econ\u00f4mica e social que compartilhe os benef\u00edcios da tecnologia com a maioria da popula\u00e7\u00e3o. A agenda do momento \u00e9 intensificar a luta pelo fortalecimento de uma legisla\u00e7\u00e3o trabalhista que respeite os direitos do trabalhador, que fortale\u00e7a a Justi\u00e7a do Trabalho assim como impulsione a recria\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Trabalho no pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>D\u00e9cada perdida<\/strong><\/p>\n<p>A precariedade dos trabalhos analisada por Nivaldo foi ilustrada por Pochmann, que usou como exemplo a segunda metade da d\u00e9cada iniciada em 2010, em um cen\u00e1rio de estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. \u201cA d\u00e9cada de 2010 foi perdida do ponto de vista econ\u00f4mico, embora tenha havido crescimento at\u00e9 2014\u201d. Ele lembrou que em janeiro deste ano a economia brasileira era 3% menor que a de 2014. Tamb\u00e9m em janeiro de 2020, a renda dos brasileiros se apresentou 7% menor do que em 2014. O desemprego saltou de 6 milh\u00f5es \u00e0quela \u00e9poca para cerca de 12 milh\u00f5es em 2020. \u201cA segunda metade da d\u00e9cada \u00e9 marcada por decrescimento econ\u00f4mico, exclus\u00e3o social, desemprego, reformas que desregulamentaram o trabalho, e asfixia da democracia com o golpe de 2016\u201d, enumerou Pochmann.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-63372\" src=\"https:\/\/ctb.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/defesadajusticadotrabalho-desmonte-reformatrabalhista.jpg\" sizes=\"(max-width: 790px) 100vw, 790px\" srcset=\"https:\/\/ctb.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/defesadajusticadotrabalho-desmonte-reformatrabalhista.jpg 790w, https:\/\/ctb.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/defesadajusticadotrabalho-desmonte-reformatrabalhista-300x148.jpg 300w, https:\/\/ctb.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/defesadajusticadotrabalho-desmonte-reformatrabalhista-768x379.jpg 768w\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p>Segundo ele, esse cen\u00e1rio de estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica gerou empregos por conta pr\u00f3pria, sem prote\u00e7\u00e3o social. A grande maioria dos brasileiros atualmente trabalha no setor de servi\u00e7os, entre eles os que prestam servi\u00e7os para aplicativos, como citou Nivaldo. Pochmann mencionou atividades como a das trabalhadoras e trabalhadores dom\u00e9sticos e o segmento de vigil\u00e2ncia e seguran\u00e7a como atividades vinculadas \u00e0s rendas das fam\u00edlias ricas e n\u00e3o relacionados \u00e0 atividade econ\u00f4mica. \u201cSe a economia n\u00e3o cresce n\u00e3o tem como gerar emprego. O futuro do trabalho depende do que tipo de projeto voc\u00ea tem para a estrutura econ\u00f4mica e como voc\u00ea garante o crescimento porque \u00e9 isso que vai abrir possibilidade p\u00f3s trabalhos para al\u00e9m da distribui\u00e7\u00e3o dos ganhos de produtividade\u201d.<\/p>\n<p><strong>Mudar os rumos do pa\u00eds\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Pochmann afirmou que tal virada n\u00e3o se dar\u00e1 neste governo. Segundo ele, o momento \u00e9 de \u201cdesist\u00eancia hist\u00f3rica\u201d da elite brasileira, que n\u00e3o acredita no futuro assim como o atual governo. \u201cSomos o maior produtor e exportar de etanol e faltou \u00e1lcool gel nos primeiros meses da pandemia. Se houvesse coordena\u00e7\u00e3o nacional, o governo chamaria os fazendeiros para produzir \u00e1lcool gel e distribuir gratuitamente\u201d, argumentou. A mesma falta de coordena\u00e7\u00e3o se viu em outros segmentos da ind\u00fastria como a do setor automobil\u00edstico, citou Pochmann, que poderiam contribuir com as demandas geradas pela crise, entre elas a fabrica\u00e7\u00e3o de respiradores, por exemplo.<\/p>\n<p>\u201cSer\u00e1 que n\u00e3o temos condi\u00e7\u00f5es de construir uma nova maioria pol\u00edtica para mudar o pa\u00eds? indagou Pochmann. Segundo ele, \u00e9 poss\u00edvel alterar o Brasil agora sem esperar mais tr\u00eas anos. \u201cA pandemia antecipou algo que estava em curso. Talvez tenhamos segmentos da popula\u00e7\u00e3o que est\u00e3o insatisfeitos com o governo e aceitariam fazer parte de um projeto civilizat\u00f3rio de defesa da democracia, de crescimento econ\u00f4mico, de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. Acredito que a possibilidade de fazer pol\u00edtica em novas condi\u00e7\u00f5es \u00e9 algo que tem a ver com a perspectiva que o sindicalismo brasileiro possa oferecer\u201d.<\/p>\n<p><strong>Movimento sindical \u00e9 o equil\u00edbrio da balan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>O Senador Paulo Paim se mostrou muito preocupado com o futuro do trabalho no Brasil e com os Projetos de Lei tramitando no Congresso, de autoria ou apoiados pelo governo, que se aproveitando do momento de pandemia podem agravar ainda mais a desprote\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o brasileira e em especial do trabalhador. Ele criticou a falta de aten\u00e7\u00e3o do governo com aqueles que est\u00e3o na linha de frente do combate ao coronav\u00edrus. \u201cMorrem mais trabalhadores da sa\u00fade no Brasil do que na It\u00e1lia e na Espanha juntos. Faltam equipamentos de prote\u00e7\u00e3o, faltam m\u00e9dicos e aquele que est\u00e1 no poder desorganiza a sociedade e cria uma crise todos os dias\u201d, disse.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-65027\" src=\"https:\/\/ctb.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/centrais-sindicais-baloes.jpg\" sizes=\"(max-width: 790px) 100vw, 790px\" srcset=\"https:\/\/ctb.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/centrais-sindicais-baloes.jpg 790w, https:\/\/ctb.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/centrais-sindicais-baloes-300x148.jpg 300w, https:\/\/ctb.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/centrais-sindicais-baloes-768x379.jpg 768w\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p>O senador sempre atuou na defesa dos trabalhadores e v\u00ea um cen\u00e1rio desfavor\u00e1vel que precisa que as Centrais Sindicais mantenham a press\u00e3o que tem realizado e que ajudou a conquistar a renda m\u00ednima emergencial. \u201cEspecialistas disseram que o desemprego vai para 20 milh\u00f5es e segundo o Sebrae 650 mil pequenas e microempresas fecharam e decretaram fal\u00eancia\u201d. Segundo Paim, o governo continua pressionando para aprovar reformas que desregulamentam o mercado de trabalho.<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e3o reproduzindo a MP 905 na MP 927. Felizmente o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) foi o relator da 936 que ser\u00e1 votada no Senado e estaremos em sintonia com o Orlando\u201d, afirmou. A Medida Provis\u00f3ria 905 que foi revogada porque caducou estabelecia o contrato verde e amarelo, apelidado pelo Dieese de \u201cBolsa-Patr\u00e3o\u201d. A MP 936 que reduz sal\u00e1rios, jornada e suspende contratos foi aprovada na C\u00e2mara com alguns vit\u00f3rias importantes do movimento sindical como a garantia da ultratividade. No entanto, a MP estimula os acordos individuais e permite negocia\u00e7\u00e3o sem a presen\u00e7a dos sindicatos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um equivoco que esse setor atrasado ataque o movimento sindical. O bom sindicalista \u00e9 aquele que avan\u00e7a nas conquistas n\u00e3o pelo n\u00famero de greves mas pelo n\u00famero de acordos positivos que ele fez. Espero que com essa li\u00e7\u00e3o que o mundo est\u00e1 dando de forma muito triste para todos n\u00f3s que esses setores do pa\u00eds entendam que o papel do movimento sindical \u00e9 o equil\u00edbrio da balan\u00e7a\u201d, lembrou Paim.<\/p>\n<p>www.ctb.org.br \/ Rail\u00eddia Carvalho<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Federa\u00e7\u00e3o dos Metal\u00fargicos e Metal\u00fargicas do Brasil (Fitmetal) realizou uma live nesta segunda-feira (1) com o tema o futuro do Trabalho. A iniciativa marca os 10 anos de funda\u00e7\u00e3o da entidade que representa trabalhadores de todas as regi\u00f5es brasileiras. 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