{"id":14875,"date":"2020-06-22T14:06:27","date_gmt":"2020-06-22T17:06:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=14875"},"modified":"2020-06-22T14:07:13","modified_gmt":"2020-06-22T17:07:13","slug":"73-dos-negros-perderam-renda-no-brasil-durante-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/06\/22\/73-dos-negros-perderam-renda-no-brasil-durante-a-pandemia\/","title":{"rendered":"73% dos negros perderam renda no Brasil durante a pandemia"},"content":{"rendered":"<p><strong>Os negros s\u00e3o a maioria da popula\u00e7\u00e3o mas vivem em condi\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas piores. O coronav\u00edrus agravou as coisas. Os efeitos da pandemia s\u00e3o mais perversos para eles, a ponto de um branco ter mais chance de p\u00f4r a m\u00e3o no aux\u00edlio aux\u00edlio emergencial de 600 reais pago pelo governo.<\/strong><\/p>\n<p>Dava para imaginar que seria diferente em uma sociedade que at\u00e9 enxerga a exist\u00eancia do racismo, mas o encara com naturalidade e obra de pessoas, n\u00e3o de um pa\u00eds constru\u00eddo ao longo do tempo para ser assim?<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o algumas das constata\u00e7\u00f5es de quem v\u00ea uma pesquisa sobre racismo que acaba de sair forno do Instituto Locomotiva, feita para a Central \u00danica das Favelas (Cufa).<\/p>\n<p>Entre os negros, 73% perderam renda na pandemia, ante 60% no caso dos brancos, e 49% deixaram de pagar conta, \u00edndice de 32% para os brancos. Claro: ocupam posi\u00e7\u00f5es mais prec\u00e1rias no mercado de trabalho (informalidade, servi\u00e7o dom\u00e9stico, aut\u00f4nomos), da\u00ed que ganham menos por m\u00eas: 1,7 mil reais em m\u00e9dia, enquanto a m\u00e9dia dos brancos \u00e9 de 3,1 mil.<\/p>\n<p>Nas classes D e E, as mais miser\u00e1veis, 74% s\u00e3o negros. Na C, 60%. Na A e B, as mais ricas, 37%.<\/p>\n<p>Por serem a maioria da popula\u00e7\u00e3o e mais pobres, os negros tentaram mais ter acesso ao aux\u00edlio de 600 reais pago na pandemia: 43% no caso deles, 37% no dos brancos. E se deram pior. Entre os negros que pediram, 74% conseguiram. Entre os brancos, 81%.<\/p>\n<p>\u00c9 uma consequ\u00eancia da \u201cbaixa escolaridade\u201d, afirma Renato Meirelles, do Instituto Locomotiva. Os negros t\u00eam mais dificuldade para entender quais s\u00e3o as informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias que precisam apresentar e para repass\u00e1-las corretamente \u00e0 Caixa Econ\u00f4mica Federal.<\/p>\n<p>\u201cOutra quest\u00e3o \u00e9 que o percentual de negros em favela \u00e9 maior e na favela tem muito endere\u00e7o compartilhado, a\u00ed o sistema [da Caixa] diz que \u00e9 fraude\u201d, afirma Meirelles.<\/p>\n<p>Dos 118 milh\u00f5es de negros que, segundo a pesquisa, h\u00e1 no Brasil (56% da popula\u00e7\u00e3o total estimada em 212 milh\u00f5es), a maioria est\u00e1 no Sudeste (43 milh\u00f5es, ou 37%) e no Nordeste (42 milh\u00f5es, ou 36%).<\/p>\n<p>Por serem mais pobres, sofrem mais para tratar do coronav\u00edrus, caso se infectem. S\u00f3 19% deles possuem conv\u00eanio, taxa de 28% entre os brancos. Na rede privada, existem 4,9 leitos para cada 10 mil habitantes, informa a Associa\u00e7\u00e3o de Medicina Intensiva Brasileira (Amib). No SUS, 1,4.<\/p>\n<p>Os negros t\u00eam mais dificuldade tamb\u00e9m para contornar, atrav\u00e9s do ensino \u00e0 dist\u00e2ncia, a suspens\u00e3o das aulas em escolas e universidades. Metade dos brancos (49%) possui computador, conforme a pesquisa. Entre os pretos, s\u00e3o 34%. Entre os pardos, 38%.<\/p>\n<p>\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o que ajuda a reproduzir a desigualdade educacional e, portanto, a social. Entre os homens brancos acima de 25 anos, 23% cursaram faculdade. Entre os negros, 9%, e sua m\u00e9dia salarial \u00e9 32% menor. No caso das mulheres brancas, 27% t\u00eam diploma. No das negras, 13%, com m\u00e9dia salarial 33% inferior.<\/p>\n<p>A cor dos professores \u00e9 uma das m\u00e9tricas do chamado racismo estrutural, aquele que est\u00e1 entranhado na vida brasileira e ajuda a mant\u00ea-lo ao longo do tempo. Entre os entrevistados do levantamento feito para a Cufa, 65% disseram ter tido docentes brancos. Os m\u00e9dicos pelos quais foram atendidos na vida eram 85% brancos. O governantes dessa cor eram 90%.<\/p>\n<p>Outro exemplo do racismo estrutural \u00e9 o tratamento dispensado pela pol\u00edcia e por seguran\u00e7as de lojas.<\/p>\n<p>Para 94% dos entrevistados, um negro tem mais chance de ser alvo de uma abordagem policial violenta e de ser morto pela pol\u00edcia. De cada dez negros, tr\u00eas j\u00e1 foram seguidos por seguran\u00e7as de lojas. No caso dos pretos, o \u00edndice sobe para 50%.<\/p>\n<p>Combater o racismo \u00e9 uma luta de todas as pessoas, inclusive brancas, na opini\u00e3o de 93% dos entrevistados. Isso significa uma consci\u00eancia completa do problema racial no Brasil? Negativo.<\/p>\n<p>A maioria dos entrevistados (62%) acredita que o racismo est\u00e1 \u201cna sociedade brasileira\u201d. Mas outros 38% entendem que est\u00e1 \u201capenas em algumas pessoas\u201d. E, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, 53% acham que brancos \u201ctamb\u00e9m s\u00e3o v\u00edtimas de racismo\u201d.<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o da pesquisa: \u201cApesar de assumir a luta contra o racismo como sendo de todas as pessoas, ainda n\u00e3o h\u00e1 clareza na popula\u00e7\u00e3o sobre o car\u00e1ter estrutural do fen\u00f4meno na sociedade brasileira e nem sobre a impossibilidade de pessoas brancas serem v\u00edtimas de racismo\u201d<\/p>\n<p>www.ctbbahia.org.br \/ Via Carta Capital<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os negros s\u00e3o a maioria da popula\u00e7\u00e3o mas vivem em condi\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas piores. O coronav\u00edrus agravou as coisas. Os efeitos da pandemia s\u00e3o mais perversos para eles, a ponto de um branco ter mais chance de p\u00f4r a m\u00e3o no aux\u00edlio aux\u00edlio emergencial de 600 reais pago pelo governo. 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