{"id":15000,"date":"2020-06-29T15:45:52","date_gmt":"2020-06-29T18:45:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=15000"},"modified":"2020-06-29T15:47:33","modified_gmt":"2020-06-29T18:47:33","slug":"quase-90-das-criancas-que-moram-nas-ruas-no-brasil-sao-negras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/06\/29\/quase-90-das-criancas-que-moram-nas-ruas-no-brasil-sao-negras\/","title":{"rendered":"Quase 90% das crian\u00e7as que moram nas ruas no Brasil s\u00e3o negras."},"content":{"rendered":"<p><strong>Uma pesquisa feita com amostragem e cruzamentos de dados de 17 cidades com mais de 1 milh\u00e3o de habitantes revelou que 86% das crian\u00e7as e adolescentes em situa\u00e7\u00e3o de rua no Brasil s\u00e3o negras. O trabalho, finalizado em maio, mostra tamb\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as e adolescentes nos equipamentos p\u00fablicos e privados de acolhimento.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO racismo e o trabalho infantil est\u00e3o presentes na vida da grande maioria dos meninos de rua. A mendic\u00e2ncia, envolvimento com o tr\u00e1fico ou uso de drogas tamb\u00e9m s\u00e3o fatores que os levam ou os mant\u00eam em situa\u00e7\u00e3o de rua\u201d, diz o advogado Ariel de Castro Alves, especialista em direitos da inf\u00e2ncia e juventude e membro do Conselho Estadual de Direitos Humanos (Condepe).<\/p>\n<div class=\"code-block code-block-1\">\n<div id=\"Texto1\">Entre as crian\u00e7as ouvidas pelo estudo, 85% j\u00e1 sofreram alguma viol\u00eancia. Questionadas sobre as viol\u00eancias sofridas, 42% das crian\u00e7as assinalaram a op\u00e7\u00e3o \u201cte machucaram fisicamente\u201d. Outras 41% assinalaram \u201cgritaram com voc\u00ea\u201d. Somente 12% disseram nunca ter sofrido qualquer tipo de viol\u00eancia.<\/div>\n<\/div>\n<p>O estudo revela ainda que 64% das crian\u00e7as haviam experimentado ou feito uso de drogas, 41% declararam ainda usar e 62% passaram por institui\u00e7\u00f5es de acolhimento. A situa\u00e7\u00e3o pode se agravar ainda mais por conta da pandemia da Covid-19, doen\u00e7a causada pelo novo coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>\u201cA pandemia e as crises social e econ\u00f4mica est\u00e3o gerando desemprego e subemprego dos pais, m\u00e3es e respons\u00e1veis por crian\u00e7as e adolescentes. Al\u00e9m disso, muitas mortes tamb\u00e9m geram \u00f3rf\u00e3os, o que vai ocasionar no aumento de crian\u00e7as e adolescentes nas ruas das grandes cidades brasileiras\u201d, explica Alves.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.criancanaoederua.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Campanha Nacional Crian\u00e7a N\u00e3o \u00e9 de Rua<\/a>, 62% das crian\u00e7as e adolescentes frequentavam a escola, 45% trabalhavam, 48% faziam atividades f\u00edsicas e 62% mantinham contato di\u00e1rio ou semanal com a fam\u00edlia. Ao todo, 96% tinham pelo menos um documento, geralmente a certid\u00e3o de nascimento.<\/p>\n<div class=\"code-block code-block-2\">\n<div id=\"Texto2\">Mais da metade das crian\u00e7as entrevistadas (54%) disse que tinha um relacionamento bom ou muito bom com os pais. Questionadas sobre as viol\u00eancias sofridas nas institui\u00e7\u00f5es de acolhimento, as respostas mais assinaladas foram: \u201cte machucaram fisicamente\u201d (67%) e \u201cgritaram com voc\u00ea\u201d (36%). Apenas 3% dos participantes alegaram nunca ter sofrido nenhum tipo de viol\u00eancia.<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cA maioria dos indicadores apontam que no acolhimento h\u00e1 um agravamento das situa\u00e7\u00f5es de viola\u00e7\u00f5es de direitos em v\u00e1rios sentidos, a come\u00e7ar pela diminui\u00e7\u00e3o do contato que essa crian\u00e7a tem com a fam\u00edlia. Esses espa\u00e7os acabam oferecendo riscos, pois reduzem o acesso a direitos que deveriam ser potencializados\u201d, salienta o educador social Manoel Torquato, coordenador da Campanha Nacional Crian\u00e7a N\u00e3o \u00e9 de Rua, com sede em Fortaleza, no Cear\u00e1.<\/p>\n<p>Para Torquato, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 a melhoria da capacita\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios que atuam no processo de acolhimento das crian\u00e7as em situa\u00e7\u00e3o de rua. \u201cIndicamos que os atendimentos usem uma metodologia especializada, mas a grande maioria dos equipamento n\u00e3o tem pessoal treinado e acabam considerando as crian\u00e7as e os adolescentes em situa\u00e7\u00e3o de rua indesej\u00e1veis nesses servi\u00e7os\u201d, pontua.<\/p>\n<p><strong>Drogas<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m abordou o uso de drogas e o tipo de subst\u00e2ncia consumida pelas crian\u00e7as e adolescentes em situa\u00e7\u00e3o de rua ou em abrigos. Nas ruas, 53% dos participantes afirmaram j\u00e1 terem feito uso de drogas. Nas entrevistas feitas no acolhimento, 74% disseram o mesmo.<\/p>\n<p>Os dados sobre a continua\u00e7\u00e3o do uso de drogas apresentam \u00edndices menores. Nas ruas, 36% afirmaram ainda fazer uso de drogas. No acolhimento, foram 42%. Os tipos de subst\u00e2ncias mais citados pelos usu\u00e1rios foram maconha, cigarro e \u00e1lcool, tanto nas ruas quanto nas institui\u00e7\u00f5es de acolhimento.<\/p>\n<p>\u201cEsse dado serve para desmitificar a ideia de que na rua todos usam droga pesada ou est\u00e3o l\u00e1 por causa do consumo. Normalmente esse dado da droga sempre contribui para discriminar ainda mais quem est\u00e1 na rua. Segundo a pesquisa, o n\u00famero dos que usam drogas pesadas como o crack foi bem baixo, e se manteve no mesmo patamar de outros estudos como o da Fiocruz\u201d, comenta Torquato.<\/p>\n<p>O estudo\u00a0foi feito nas cidades de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, S\u00e3o Lu\u00eds, S\u00e3o Gon\u00e7alo, Bras\u00edlia, Salvador, Fortaleza, Manaus, Curitiba, Recife, Bel\u00e9m, Goi\u00e2nia, Guarulhos, Campinas e Macei\u00f3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>www.diariodocentrodomundo.com.br \/ Juca Guimar\u00e3es<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa feita com amostragem e cruzamentos de dados de 17 cidades com mais de 1 milh\u00e3o de habitantes revelou que 86% das crian\u00e7as e adolescentes em situa\u00e7\u00e3o de rua no Brasil s\u00e3o negras. 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