{"id":15047,"date":"2020-07-01T15:33:56","date_gmt":"2020-07-01T18:33:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=15047"},"modified":"2020-07-01T15:33:56","modified_gmt":"2020-07-01T18:33:56","slug":"mercado-tem-piora-generalizada-e-governo-nao-se-prepara-para-explosao-de-desemprego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/07\/01\/mercado-tem-piora-generalizada-e-governo-nao-se-prepara-para-explosao-de-desemprego\/","title":{"rendered":"Mercado tem piora generalizada e governo n\u00e3o se prepara para explos\u00e3o de desemprego"},"content":{"rendered":"<p><strong>Dieese analisou os dados da PNAD e concluiu: todos os indicadores pioraram e s\u00f3 n\u00e3o explodiu a taxa de desemprego porque os trabalhadores est\u00e3o em isolamento social<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de ser esperada uma piora no mercado de trabalho brasileiro neste per\u00edodo de pandemia do novo coronav\u00edrus, o volume de desestrutura\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos meses foi muito mais acelerado do que os especialistas na \u00e1rea imaginavam. Para piorar, al\u00e9m de insuficientes, as medidas tomadas pelo governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) para manter os empregos n\u00e3o protegeram todos os trabalhadores e trabalhadoras.<\/p>\n<p>Analise feita pelo Dieese com base nos dados do trimestre de mar\u00e7o a maio de 2020 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlio (PNAD Cont\u00ednua), que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) divulgou nesta ter\u00e7a-feira (30), ressalta a piora generalizada do mercado de trabalho brasileiro em todos os indicadores analisados.<\/p>\n<p>Aumentou o desemprego, o desalento e a subutiliza\u00e7\u00e3o; e caiu o n\u00famero de trabalhadores e trabalhadoras ocupados e a for\u00e7a de trabalho. A taxa de desemprego, que ficou em 12,9%, atingindo 12,7 milh\u00f5es de pessoas, s\u00f3 n\u00e3o foi maior porque caiu a for\u00e7a de trabalho, ou seja, o total de pessoas que estavam trabalhando ou \u00e0 procura de um emprego.<\/p>\n<p>Assim que o cen\u00e1rio mudar e acabarem as medidas de isolamento social, as pessoas correr\u00e3o atr\u00e1s de emprego e o pa\u00eds vai registrar uma explos\u00e3o na taxa de desempregado, afirma a t\u00e9cnica da subse\u00e7\u00e3o do Dieese da CUT Nacional. Adriana Marcolino.<\/p>\n<p>\u201cAs autoridades da \u00e1rea econ\u00f4mica deveriam estar olhando para esses n\u00fameros, se preparando com propostas para acolher essas pessoas no mercado de trabalho e em pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o social quando a pandemia acabar\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com a t\u00e9cnica do Dieese, entre as raz\u00f5es para este cen\u00e1rio tr\u00e1gico no mercado de trabalho do pa\u00eds, al\u00e9m da restri\u00e7\u00e3o das atividades econ\u00f4micas em fun\u00e7\u00e3o das medidas necess\u00e1rias de isolamento social para conter a dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, est\u00e1 a inoper\u00e2ncia e incompet\u00eancia do governo Bolsonaro.<\/p>\n<p>\u201cAs medidas tomadas pelo governo para proteger os empregos t\u00eam sido bastante limitadas e n\u00e3o cobrem todos os trabalhadores. Pior que isso, tiram direitos\u201d, critica Adriana.<\/p>\n<p>De acordo com a t\u00e9cnica do Dieese, a CUT e demais centrais sindicais insistiram muito para que a ajuda financeira que o governo deu para as empresas sobreviverem a este momento de crise econ\u00f4mica e sanit\u00e1ria fossem\u00a0 acompanhadas de contrapartidas que garantissem os empregos. O governo n\u00e3o atendeu as reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cO que a gente est\u00e1 vendo s\u00e3o pol\u00edticas de transfer\u00eancia de recursos para ajudar as empresas a manter os empregos, mas como as garantias exigidas foram insuficientes, elas continuam dispensando os trabalhadores\u201d, diz Adriana.<\/p>\n<p>Isso est\u00e1 bem claro na taxa de desemprego que cresceu, mas n\u00e3o cresceu muito porque a maior parte das pessoas que ficou desempregada migrou para a inatividade, foi para fora da for\u00e7a de trabalho, explica a t\u00e9cnica do Dieese.<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o, a gente tem uma redu\u00e7\u00e3o de 8,8 milh\u00f5es de pessoas entre os ocupados e n\u00e3o tem isso como elemento no n\u00famero de desempregados porque nesse momento as pessoas n\u00e3o t\u00eam sequer condi\u00e7\u00e3o de procurar emprego\u201d.<\/p>\n<p><strong>Confira a \u00edntegra da an\u00e1lise do Dieese:<\/strong><\/p>\n<p>\u26a0\ufe0fFor\u00e7a de trabalho<\/p>\n<p>\u25aa\ufe0fQueda na for\u00e7a de trabalho de 106,1 milh\u00f5es pessoas no trimestre de dezembro a fevereiro para 98,7 milh\u00f5es de pessoas no trimestre de mar\u00e7o a maio &#8211; ou seja, menos 7,4 milh\u00f5es de pessoas estavam no mercado, \u00a0trabalhando ou \u00e0 procura de um emprego.<\/p>\n<p>\u26a0\ufe0fDesemprego<\/p>\n<p>\u25aa\ufe0fO n\u00famero de pessoas desocupadas cresceu de 12,3 milh\u00f5es (dez\/jan\/fev) para 12,7 milh\u00f5es (mar\/abr\/mai), mais 367 mil trabalhadores e trabalhadoras.<\/p>\n<p>\u25aa\ufe0fA taxa de desocupa\u00e7\u00e3o cresceu de 11,6% para 12,9%, comparando o mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>\u26a0\ufe0fEmpregados<\/p>\n<p>\u25aa\ufe0fA popula\u00e7\u00e3o ocupada teve redu\u00e7\u00e3o de 93,7 milh\u00f5es para 86,9 milh\u00f5es &#8211; s\u00e3o menos 8,8 milh\u00f5es de pessoas ocupadas.<\/p>\n<p>\u25aa\ufe0fEntre os ocupados, 41,6% est\u00e3o na condi\u00e7\u00e3o de informais (sem carteira assinada no setor p\u00fablico, privado e trabalho dom\u00e9stico, conta pr\u00f3pria e trabalhador familiar auxiliar). Se incluirmos os trabalhadores por conta pr\u00f3pria com CNPJ, que possuem cobertura previdenci\u00e1ria mas n\u00e3o possuem direitos trabalhistas e sindicais, a informalidade chega a 48,3%.<\/p>\n<p>\u26a0\ufe0fFora da for\u00e7a de trabalho<\/p>\n<p>\u25aa\ufe0fEm um cen\u00e1rio de forte desestrutura\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho, diante da crise econ\u00f4mica, social, sanit\u00e1ria e pol\u00edtica, o n\u00famero de pessoas fora da for\u00e7a de trabalho cresceu de 65,9 milh\u00f5es para 75,0 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u25aa\ufe0fCresceu o n\u00famero de pessoas na for\u00e7a de trabalho potencial (conjunto de pessoas de 14 anos ou mais de idade que n\u00e3o estavam ocupadas nem desocupadas, mas que possu\u00edam um\u00a0potencial\u00a0de se transformarem em\u00a0for\u00e7a de trabalho) de 8,0 milh\u00f5es para 11,9 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u25aa\ufe0fDentro da for\u00e7a potencial, os desalentados sa\u00edram de 4,7 milh\u00f5es para 5,4 milh\u00f5es. Essas pessoas n\u00e3o haviam realizado busca efetiva por trabalho por considerar que: n\u00e3o conseguiriam trabalho adequado; n\u00e3o tinham experi\u00eancia profissional ou qualifica\u00e7\u00e3o; n\u00e3o conseguiam trabalho por serem considerados muito jovens ou muito idosos ou n\u00e3o havia trabalho na localidade mas gostariam de ter um trabalho.<\/p>\n<p>\u26a0\ufe0fTrabalhadores subutilizados<\/p>\n<p>\u25aa\ufe0fO n\u00famero de trabalhadores subutilizados (desempregados, subocupados por insufici\u00eancia de horas, for\u00e7a de trabalho potencial) somavam 26,8 milh\u00f5es no trimestre terminado em fevereiro e chegaram a 30,4 milh\u00f5es no trimestre terminado em maio. A taxa de subutiliza\u00e7\u00e3o ficou em 27,5% em maio, contra 23,5% do trimestre anterior.<\/p>\n<p>\u25aa\ufe0fIsso decorre de um cen\u00e1rio de amplia\u00e7\u00e3o da desestrutura\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho (crescimento do desemprego, forte informalidade, aumento do n\u00famero de pessoas \u201cempurradas\u201d para fora da for\u00e7a de trabalho).<\/p>\n<p>Fonte: PNAD Cont\u00ednua, IBGE. Dados organizados por Subse\u00e7\u00e3o DIEESE\/CUT Nacional, 30\/06\/2020.<\/p>\n<p>www.cut.org.br<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dieese analisou os dados da PNAD e concluiu: todos os indicadores pioraram e s\u00f3 n\u00e3o explodiu a taxa de desemprego porque os trabalhadores est\u00e3o em isolamento social Apesar de ser esperada uma piora no mercado de trabalho brasileiro neste per\u00edodo de pandemia do novo coronav\u00edrus, o volume de desestrutura\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos meses foi muito mais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15048,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[55],"class_list":["post-15047","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-desemprego"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15047","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15047"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15047\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15050,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15047\/revisions\/15050"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15048"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15047"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15047"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15047"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}