{"id":15182,"date":"2020-07-06T14:58:35","date_gmt":"2020-07-06T17:58:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=15182"},"modified":"2020-07-06T14:58:35","modified_gmt":"2020-07-06T17:58:35","slug":"desemprego-em-cascata-cada-emprego-formal-fechado-impacta-2-informais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/07\/06\/desemprego-em-cascata-cada-emprego-formal-fechado-impacta-2-informais\/","title":{"rendered":"Desemprego em cascata: cada emprego formal fechado impacta 2 informais"},"content":{"rendered":"<p><strong>Para Clemente Ganz L\u00facio, do Dieese, crise vai deixar um contingente de endividados e corroer a renda sobretudo entre os informais<\/strong><\/p>\n<p>O fechamento de empregos formais durante a pandemia de Covid-19 tem provocado um efeito cascata no mercado de trabalho e atingido em dobro os trabalhadores informais no Pa\u00eds. Para cada brasileiro com carteira assinada que ficou desempregado, dois informais ficaram sem trabalhar.<\/p>\n<p>Os c\u00e1lculos se baseiam na \u00faltima Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad) Cont\u00ednua, que compara o trimestre de dezembro\/2019 a fevereiro\/2020 com o trimestre mar\u00e7o-maio. A Pnad foi realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica) e divulgada na semana passada, enquanto as proje\u00e7\u00f5es de impactos no mercado de trabalho s\u00e3o do professor s\u00eanior da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) H\u00e9lio Zylberstajn.<\/p>\n<p>No per\u00edodo analisado, 3,98 milh\u00f5es de trabalhadores informais perderam sua principal fonte de renda. No caso dos formais, 1,99 milh\u00e3o ficaram desocupados. Pela primeira vez, mais da metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira em idade para trabalhar est\u00e1 sem ocupa\u00e7\u00e3o, segundo o IBGE, refletindo duas crises econ\u00f4micas: a primeira, em curso desde 2019, reflete a recess\u00e3o brasileira sob a desastrosa pol\u00edtica ultraliberal do governo Jair Bolsonaro; a segunda, mais recente, capta os efeitos da pandemia.<\/p>\n<p>Para Clemente Ganz L\u00facio, diretor do Dieese (Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos), a crise vai deixar um contingente de endividados e corroer a renda sobretudo entre os informais, mesmo com medidas como o aux\u00edlio emergencial de R$ 600 para a baixa renda. \u201cEnquanto outros pa\u00edses j\u00e1 trabalham para pensar a sa\u00edda da crise, o governo do Brasil fala em reformas\u201d, critica Clemente.<\/p>\n<p>Sem acesso \u00e0 rede de prote\u00e7\u00e3o social do emprego com carteira assinada, o trabalhador informal est\u00e1 mais exposto aos efeitos das crises. Geralmente est\u00e3o em fun\u00e7\u00f5es que dependem da renda dos demais trabalhadores e ficam sem op\u00e7\u00e3o quando h\u00e1 uma queda da atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Na crise atual \u2013 que tem limitado a circula\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de pessoas pelas cidades brasileiras \u2013, o vendedor de caf\u00e9 parou de trabalhar na porta do metr\u00f4 e o camel\u00f4 perdeu a freguesia. \u201cO grupo informal foi o que mais sofreu logo no in\u00edcio da quarentena. Para eles, a ocupa\u00e7\u00e3o se dissipou imediatamente, na medida em que a demanda por seus servi\u00e7os desapareceu\u201d, diz Zylberstajn.<\/p>\n<p>Segundo o economista, os informais tamb\u00e9m devem puxar a recupera\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho no ano que vem, j\u00e1 que tradicionalmente as empresas demoram a recontratar, e as pessoas voltam para o mercado como podem. Em 2017, logo ap\u00f3s a \u00faltima recess\u00e3o, o n\u00famero de brasileiros trabalhando por conta pr\u00f3pria e sem carteira assinada superou pela primeira vez o daqueles que tinham um emprego formal. O ano terminou com 34,3 milh\u00f5es de informais, ante 33,3 formais, segundo o IBGE.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Zylberstajn, o melhor desempenho do emprego formal durante a pandemia indica que as medidas de redu\u00e7\u00e3o de jornada de trabalho e de sal\u00e1rio e a suspens\u00e3o dos contratos, embora duras, ajudaram a manter empregos. \u201cO preju\u00edzo foi contido. Sem a Medida Provis\u00f3ria 936 teria sido pior.\u201d<\/p>\n<p>Ainda assim, levantamento feito por pesquisadores do Ibre\/FGV (Instituto Brasileiro de Economia, da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas) aponta que, em fun\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio por conta da pandemia, 3,8% das fam\u00edlias acabaram atrasando o pagamento de contas. J\u00e1 9,1% ficaram inadimplentes por terem perdido o emprego. Conforme Viviane Seda (Ibre), as dificuldades das fam\u00edlias podem ter efeito redutor na recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-center\">www.vermelho.org.br \/ Com informa\u00e7\u00f5es do Estad\u00e3o<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para Clemente Ganz L\u00facio, do Dieese, crise vai deixar um contingente de endividados e corroer a renda sobretudo entre os informais O fechamento de empregos formais durante a pandemia de Covid-19 tem provocado um efeito cascata no mercado de trabalho e atingido em dobro os trabalhadores informais no Pa\u00eds. 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