{"id":15300,"date":"2020-07-13T12:30:22","date_gmt":"2020-07-13T15:30:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=15300"},"modified":"2020-07-13T12:30:22","modified_gmt":"2020-07-13T15:30:22","slug":"a-pandemia-nao-e-a-mesma-para-todos-diz-a-presidente-da-fiocruz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/07\/13\/a-pandemia-nao-e-a-mesma-para-todos-diz-a-presidente-da-fiocruz\/","title":{"rendered":"&#8220;A pandemia n\u00e3o \u00e9 a mesma para todos&#8221;, diz a presidente da Fiocruz"},"content":{"rendered":"<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-15302 alignright\" src=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/imagem_15243_6273-300x179.jpg\" alt=\"\" width=\"399\" height=\"238\" srcset=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/imagem_15243_6273-300x179.jpg 300w, https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/imagem_15243_6273.jpg 720w\" sizes=\"auto, (max-width: 399px) 100vw, 399px\" \/>&#8220;A pandemia n\u00e3o \u00e9 a mesma para todos os pa\u00edses, nem a mesma para todos dentro de um mesmo pa\u00eds ou da mesma cidade. Muitos dizem que estamos todos no mesmo barco, mas n\u00e3o \u00e9 bem assim.<\/strong> Estamos todos passando pela mesma tempestade no mesmo mar. Mas \u00e9 como se alguns estivessem em transatl\u00e2nticos, outros em iates, outros em barcos a vela ou mesmo canoas&#8221;, reflete a presidente da Fiocruz (Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz) N\u00edsia Trindade Lima. Para a soci\u00f3loga, a primeira mulher a ocupar a cadeira da presid\u00eancia nos 120 anos da institui\u00e7\u00e3o que atua na linha de frente do combate \u00e0 pandemia no pa\u00eds, o alastramento da Covid-19 \u00e9 uma emerg\u00eancia sanit\u00e1ria e humanit\u00e1ria multidimensional. Enfrent\u00e1-la de modo efetivo s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com a reafirma\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia cient\u00edfica e o alinhamento dos conhecimentos vindos de todas as \u00e1reas da ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Num pa\u00eds com muitas desigualdades, o v\u00edrus pode evidentemente atingir a qualquer um, mas uns podem se resguardar melhor do que outros, visto que milh\u00f5es de brasileiros sequer t\u00eam acesso a \u00e1gua limpa e encanada e que, para muitos, evitar aglomera\u00e7\u00f5es soa como uma utopia.<\/p>\n<figure><\/figure>\n<p>Em entrevista a\u00a0<strong>Ecoa<\/strong>, N\u00edsia alerta sobre a possibilidade de emerg\u00eancia e reemerg\u00eancia de outras pandemias, algo que deve se intensificar com o aumento da circula\u00e7\u00e3o de pessoas e os impactos clim\u00e1ticos e ambientais, a necessidade de se fortalecer o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) e o processo de desenvolvimento de uma vacina, entre outros assuntos. Ela tamb\u00e9m fala de li\u00e7\u00f5es tiradas do enfrentamento a epidemias anteriores &#8211; a Fiocruz, mais destacada institui\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia e tecnologia em sa\u00fade da Am\u00e9rica Latina, surgiu como rea\u00e7\u00e3o \u00e0 peste bub\u00f4nica, var\u00edola e febre amarela.<\/p>\n<h3>Voc\u00ea tem confian\u00e7a no desenvolvimento de uma vacina segura de imuniza\u00e7\u00e3o \u00e0 Covid-19? O que h\u00e1 de palp\u00e1vel com que possamos contar nesse sentido?<\/h3>\n<p>O processo de desenvolvimento de uma vacina \u00e9 normalmente longo e precisa ser orientado por preceitos de efic\u00e1cia, seguran\u00e7a e \u00e9tica em pesquisa. Temos visto um esfor\u00e7o mundial sem precedentes em acelerar esse processo, do qual temos participado. O que a Fiocruz tem feito \u00e9 acompanhar esse processo, juntamente com outras institui\u00e7\u00f5es brasileiras e o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, para estabelecer parcerias e acompanhar os projetos mais promissores. A Fiocruz tamb\u00e9m est\u00e1 investindo em pesquisas para uma vacina nacional, s\u00e3o tr\u00eas projetos de pesquisa em andamento, mas ainda em fases pr\u00e9-cl\u00ednica. Por isso, \u00e9 mais prov\u00e1vel que uma primeira vacina venha de fora.<\/p>\n<p>Bio-Manguinhos, nosso Instituto de Tecnologia em Imunobiol\u00f3gicos, vem fazendo a prospec\u00e7\u00e3o de potenciais parcerias, tendo como base as compet\u00eancias tecnol\u00f3gicas destes candidatos a parceiros dos produtos em desenvolvimento, est\u00e1gio de avan\u00e7o em estudos cl\u00ednicos e capacidade de produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e log\u00edstica, de modo a que se possa atender \u00e0 demanda de enfrentamento \u00e0 Covid-19 em curto\/m\u00e9dio espa\u00e7o de tempo. Nosso objetivo \u00e9 que, quando uma vacina esteja aprovada, ela possa estar dispon\u00edvel \u00e0 popula\u00e7\u00e3o brasileira. Esperamos vir a produzir, no Brasil, uma vacina contra a Covid-19. Para isso, \u00e9 importante destacar a decis\u00e3o da Assembleia Mundial da Sa\u00fade que determinou que imunizantes e medicamentos para Covid-19 s\u00e3o bens p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Vale ressaltar tamb\u00e9m que estamos trabalhando na amplia\u00e7\u00e3o de nossa capacidade de produ\u00e7\u00e3o para que possamos atender a essa demanda e ao nosso fluxo regular de produ\u00e7\u00e3o de diversas vacinas. Neste campo temos desafios para um futuro que esperamos possa se concretizar: o Complexo Industrial de Biotecnologia em Sa\u00fade (Cibs), em Santa Cruz, o maior investimento do pa\u00eds em biotecnologia e que aumentar\u00e1 a capacidade atual de 20 milh\u00f5es para 120 milh\u00f5es de frascos de vacinas e biof\u00e1rmacos por ano.<\/p>\n<h3>Que li\u00e7\u00f5es s\u00e3o poss\u00edveis de se resgatar dessas experi\u00eancias anteriores para lidar com a situa\u00e7\u00e3o atual?<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-15303 alignleft\" src=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/coronavirus_lassumimos_um_risco_para_ter_a_vacina_no_brasilr_2C_diz_presidente_da_fiocruz-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"383\" height=\"230\" srcset=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/coronavirus_lassumimos_um_risco_para_ter_a_vacina_no_brasilr_2C_diz_presidente_da_fiocruz-300x180.jpg 300w, https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/coronavirus_lassumimos_um_risco_para_ter_a_vacina_no_brasilr_2C_diz_presidente_da_fiocruz-1024x615.jpg 1024w, https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/coronavirus_lassumimos_um_risco_para_ter_a_vacina_no_brasilr_2C_diz_presidente_da_fiocruz-768x461.jpg 768w, https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/coronavirus_lassumimos_um_risco_para_ter_a_vacina_no_brasilr_2C_diz_presidente_da_fiocruz-750x450.jpg 750w, https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/coronavirus_lassumimos_um_risco_para_ter_a_vacina_no_brasilr_2C_diz_presidente_da_fiocruz.jpg 1086w\" sizes=\"auto, (max-width: 383px) 100vw, 383px\" \/>Sempre \u00e9 complexo falar de li\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria, n\u00e3o que inexistam ensinamentos a partir de experi\u00eancias dram\u00e1ticas como a de algumas pandemias, mas \u00e9 necess\u00e1rio traduzir esses ensinamentos em pol\u00edticas p\u00fablicas, em prepara\u00e7\u00e3o para novas prov\u00e1veis emerg\u00eancias sanit\u00e1rias e em mecanismos de supera\u00e7\u00e3o das hist\u00f3ricas desigualdades entre pa\u00edses e no interior dos estados nacionais.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o especificamente \u00e0s epidemias, tivemos in\u00fameras li\u00e7\u00f5es ao longo do tempo. A coopera\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses, ou a diplomacia em sa\u00fade, por exemplo, nasce do reconhecimento da rela\u00e7\u00e3o entre sa\u00fade e economia h\u00e1 cerca mais de um s\u00e9culo. Isso \u00e9 algo que precisamos resgatar, v\u00edrus n\u00e3o respeitam fronteiras. \u00c9 muito dif\u00edcil tentar vencer essa batalha sem coopera\u00e7\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o. A cria\u00e7\u00e3o Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana de Sa\u00fade (Opas-OMS) \u00e9 um resultado disso. Algo que come\u00e7ou a ser montado na virada do s\u00e9culo 19 para o 20 como resposta a uma epidemia de febre amarela no continente, que afetou a economia de cidades portu\u00e1rias. A Fiocruz tamb\u00e9m foi criada h\u00e1 120 anos como resposta \u00e0s epidemias do come\u00e7o do s\u00e9culo do s\u00e9culo 20. Esses s\u00e3o legados dessas experi\u00eancias anteriores.<\/p>\n<p>Tenho feito muito a compara\u00e7\u00e3o com a\u00a0<a href=\"https:\/\/uol.com.br\/vivabem\/noticias\/redacao\/2018\/07\/31\/sao-sintomas-de-gripe-febre-dor-de-cabeca-dor-de-garganta-e-tosse-seca.htm\">gripe<\/a>\u00a0espanhola, porque foi uma pandemia com muitos paralelos com esta atual, por sua extens\u00e3o e tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o aos m\u00e9todos de enfrentamento, como isolamento e quarentena. Tendo eclodido ao final da Primeira Guerra Mundial, veio se somar ao cen\u00e1rio de devasta\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses europeus e provocou muito mais mortes &#8211; estimadas em cerca de 35 milh\u00f5es &#8211; do que a pr\u00f3pria guerra. No Brasil, o impacto em perda de vidas, desabastecimento de g\u00eaneros aliment\u00edcios e crise econ\u00f4mica foi tamb\u00e9m imenso. Entretanto, h\u00e1 sempre que se ter cuidado com essas analogias. Vivemos hoje em um mundo globalizado, com imensa circula\u00e7\u00e3o de pessoas e mercadorias, vivendo, ao mesmo tempo, o impacto da destrui\u00e7\u00e3o ambiental e v\u00e1rias formas de vulnerabilidade, mesmo em pa\u00edses ricos que viveram recentemente o processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o, tornando-se dependentes da importa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios itens fundamentais para o enfrentamento da pandemia, desde equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual e respiradores a medicamentos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-15304 alignright\" src=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/fiocruz-assegura-qualidade-de-pesquisa-nacional-sobre-drogas-vetada-por-orgao-do-ministerio-da-justica-predio-fiocruz-300x170.jpeg\" alt=\"\" width=\"478\" height=\"271\" srcset=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/fiocruz-assegura-qualidade-de-pesquisa-nacional-sobre-drogas-vetada-por-orgao-do-ministerio-da-justica-predio-fiocruz-300x170.jpeg 300w, https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/fiocruz-assegura-qualidade-de-pesquisa-nacional-sobre-drogas-vetada-por-orgao-do-ministerio-da-justica-predio-fiocruz.jpeg 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 478px) 100vw, 478px\" \/>Desde a d\u00e9cada de 1980, muitos cientistas, de diferentes \u00e1reas de conhecimento, v\u00eam alertando para o mito de que o mundo superaria o problema representado pelas doen\u00e7as infecciosas, a partir do desenvolvimento de novos f\u00e1rmacos, vacinas e melhoria das condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias. Por um lado, verificou-se, ao contr\u00e1rio dos progn\u00f3sticos otimistas, a emerg\u00eancia de novas doen\u00e7as, sobretudo virais, a exemplo da epidemia do v\u00edrus\u00a0<a href=\"https:\/\/uol.com.br\/vivabem\/noticias\/redacao\/2018\/12\/04\/aids-sintomas-iniciais-da-infeccao-por-hiv-podem-ser-confundidos-com-gripe.htm\">HIV<\/a>\u00a0e do impacto da\u00a0<a href=\"https:\/\/uol.com.br\/vivabem\/noticias\/redacao\/2018\/12\/04\/aids-sintomas-iniciais-da-infeccao-por-hiv-podem-ser-confundidos-com-gripe.htm\">Aids<\/a>\u00a0em todo mundo. E tamb\u00e9m a re-emerg\u00eancia de antigas doen\u00e7as, sob impacto da quest\u00e3o ambiental, entre as quais destacam-se os recentes surtos de febre amarela e a mudan\u00e7a geogr\u00e1fica de sua distribui\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>No campo da sa\u00fade p\u00fablica, o conceito de determinantes sociais e ambientais da sa\u00fade j\u00e1 est\u00e1 consagrado como abordagem sobre esse problema. Eu prefiro falar da complexidade e co-produ\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos de sa\u00fade e doen\u00e7a, na perspectiva do que aponta o campo dos estudos sociais da ci\u00eancia.<\/p>\n<p>De todo modo, \u00e9 poss\u00edvel observar algumas importantes consequ\u00eancias de pandemias e epidemias que ocorreram em fins do s\u00e9culo 19 e no in\u00edcio do atual. Desde programas mais integrados e em di\u00e1logo com movimentos sociais, a exemplo da epidemia de HIV\/Aids e seu impacto na formula\u00e7\u00e3o de programas de desenvolvimento e acesso a novos medicamentos, at\u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o de redes de pesquisa, como ocorreu com a tr\u00edplice epidemia de zika, dengue e chicungunya. Com a zika, por exemplo, foram formadas redes importantes, que unem cientistas de diversos campos e o compartilhamento de dados que s\u00e3o \u00fateis agora. Essas experi\u00eancias nos permitiram aprimorarmos nossos sistemas de vigil\u00e2ncia. Nenhuma resposta \u00e0 pandemia surge sem um lastro da hist\u00f3ria. O sistema de vigil\u00e2ncia do InfoGripe para S\u00edndrome Respirat\u00f3ria Aguda Grave (SRAG), que est\u00e1 sendo muito utilizado neste momento, por exemplo, surgiu como uma resposta \u00e0 H1N1, em 2009. O nosso Laborat\u00f3rio de Respirat\u00f3rios e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/vivabem\/noticias\/redacao\/2019\/07\/24\/sarampo-sintomas-transmissao-e-duvidas-sobre-o-surto-e-a-vacina.htm\">Sarampo<\/a>\u00a0do Instituto Oswaldo Cruz (IOC\/Fiocruz) \u00e9 outro exemplo. Hoje reconhecido como refer\u00eancia para Covid-19 nas Am\u00e9ricas, ele foi criado na d\u00e9cada de 50 e j\u00e1 enfrentou outras pandemias causadas por v\u00edrus da gripe e outros v\u00edrus corona. Foi esse aprendizado acumulado que permitiu oferecer treinamento para outros laborat\u00f3rios do Brasil e da Am\u00e9rica Latina e coordenar projeto em rede de sequenciamento de genoma do v\u00edrus, algo fundamental para desenvolvimento de medicamentos e vacinas. Al\u00e9m disso, no caso do Brasil, inexistia um sistema nacional de sa\u00fade no in\u00edcio do s\u00e9culo, tampouco pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o social. Nosso grande diferencial hoje \u00e9 termos o Sistema \u00danico de Sa\u00fade.<\/p>\n<p>A emerg\u00eancia de doen\u00e7as novas e as re-emerg\u00eancia das j\u00e1 conhecidas \u00e9 algo que os cientistas v\u00eam alertando h\u00e1 algum tempo e deve se intensificar. Percebemos nesta pandemia que nenhum sistema de sa\u00fade e vigil\u00e2ncia estava totalmente preparado. Precisamos aprender li\u00e7\u00f5es com a Covid-19 e nos preparar melhor para as pr\u00f3ximas epidemias e pandemias, que com certeza vir\u00e3o.<\/p>\n<h3>Em termos de arranjos de pol\u00edtica p\u00fablica do Estado, tendo em vista sua perspectiva sociol\u00f3gica, que caminhos devemos seguir para evitar futuramente situa\u00e7\u00f5es ca\u00f3ticas como a que estamos testemunhando nessa pandemia?<\/h3>\n<p>Esta \u00e9 uma pergunta que precisamos nos fazer como sociedade: em que mundo queremos viver? A pandemia est\u00e1 expondo diversas feridas e colocando luz em problemas antigos. Eu gosto de usar a imagem do conto &#8220;A roupa nova do rei&#8221;: &#8220;o rei est\u00e1 nu&#8221;. O que faremos a partir disso \u00e9 uma escolha coletiva. Mas acredito que podemos sair disso com uma li\u00e7\u00e3o de mais solidariedade. \u00c9 importante a consci\u00eancia de que vivemos em um mesmo planeta e somos interdependentes, tanto uns dos outros, como do meio ambiente. Por outro lado, a doen\u00e7a n\u00e3o atinge a todos da mesma maneira, temos in\u00fameras desigualdades, das quais j\u00e1 falamos, que fazem com que as pessoas experimentem esse per\u00edodo de forma muito diferente.<\/p>\n<p>A pandemia n\u00e3o \u00e9 a mesma para todos os pa\u00edses, nem a mesma para todos dentro de um mesmo pa\u00eds ou da mesma cidade. Muitos dizem que estamos todos no mesmo barco, mas n\u00e3o \u00e9 bem assim. Estamos todos passando pela mesma tempestade no mesmo mar. Mas \u00e9 como se alguns estivessem em transatl\u00e2nticos, outros em iates, outros em barcos a vela ou mesmo canoas.<\/p>\n<p>Qualquer pol\u00edtica p\u00fablica p\u00f3s-pandemia precisa olhar para esses aspectos para tamb\u00e9m amortizar os efeitos econ\u00f4micos e sociais da economia, que s\u00e3o complementares \u00e0s quest\u00f5es de sa\u00fade. Temos uma discuss\u00e3o da \u00e1rea da sa\u00fade que prop\u00f5e a &#8220;sa\u00fade em todas as pol\u00edticas&#8221;, talvez seja um momento de olhar com mais aten\u00e7\u00e3o para essa proposta e pensarmos como organizar nossas cidades, nosso transporte e nossa economia.<\/p>\n<h3>O momento pelo qual passamos traz consigo uma dificuldade que imagino ser um agravante para o trabalho que voc\u00eas desenvolvem, que \u00e9 o senso comum recentemente engendrado no pa\u00eds de se contestar o conhecimento e os processos cient\u00edficos para compreender a din\u00e2mica da doen\u00e7a. Como \u00e9 poss\u00edvel vencer esse obst\u00e1culo de uma vez por todas?<\/h3>\n<p>Acredito que seja muito dif\u00edcil vencer esse obst\u00e1culo &#8220;de uma vez por todas&#8221;. A ci\u00eancia n\u00e3o trabalha com verdades absolutas e certezas. Por isso, ainda mais em momentos como este, em que estamos lidando com uma situa\u00e7\u00e3o nova e desconhecida, muitas vezes \u00e9 dif\u00edcil comunicar a incerteza.<\/p>\n<p>Em momentos de emerg\u00eancia, como o que estamos vivendo, a aten\u00e7\u00e3o se volta para ci\u00eancia, com uma certa\u00a0<a href=\"https:\/\/uol.com.br\/vivabem\/noticias\/redacao\/2018\/07\/17\/ansiedade-o-que-e-quais-os-tipos-os-sintomas-e-tratamentos-mais-eficazes.htm\">ansiedade<\/a>\u00a0compreens\u00edvel. Os cientistas est\u00e3o trabalhando para dar as respostas necess\u00e1rias, mas a ci\u00eancia tem seu tempo e precisamos ter calma para que o rigor \u00e9tico n\u00e3o se perca.<\/p>\n<p>Vemos que em momentos assim, a confian\u00e7a na ci\u00eancia aumenta. Mas \u00e9 natural tamb\u00e9m a busca por respostas r\u00e1pidas. Por isso, temos por outro lado, a dissemina\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas e curas milagrosas. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que isso acontece e provavelmente n\u00e3o ser\u00e1 a \u00faltima.<\/p>\n<p>A melhor forma de combater isso \u00e9 investirmos na divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, na comunica\u00e7\u00e3o e na educa\u00e7\u00e3o em ci\u00eancias, que sempre estiveram presentes na Fiocruz. Vemos que agora os cientistas t\u00eam tido muito espa\u00e7o na m\u00eddia e no debate p\u00fablico, mas essa comunica\u00e7\u00e3o com a sociedade precisa ser constante. Os cientistas n\u00e3o podem ficar isolados em seus institutos e laborat\u00f3rios e a sociedade tamb\u00e9m precisa compreender e participar do processo cient\u00edfico, para entender que ela trabalha com m\u00e9todos que podem ser avaliados, contestados e revistos a partir de outros estudos, se as evid\u00eancias assim indicarem.<\/p>\n<h3>Al\u00e9m dos movimentos anticient\u00edficos, que outros problemas voc\u00ea tem encontrado pelo caminho para trabalhar uma transforma\u00e7\u00e3o do contexto que se instaurou?<\/h3>\n<p>A maior dificuldade \u00e9 lidar com um pa\u00eds do tamanho continental como o Brasil, com todos os problemas e desigualdades pr\u00e9-existentes. Com a pandemia, muitos problemas que j\u00e1 t\u00ednhamos aqui ficaram ainda mais evidentes. Quando a Covid-19 chegou ao Brasil encontrou uma situa\u00e7\u00e3o de muita informalidade no emprego, de grande desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o de leitos, de subfinanciamento do SUS, entre outras coisas. Nenhum destes problemas \u00e9 novo, mas eles agravam a crise na sa\u00fade. Vivemos no Brasil n\u00e3o uma epidemia, mas v\u00e1rias epidemias, de acordo com os contextos particulares.<\/p>\n<p>Temos aqui tamb\u00e9m uma popula\u00e7\u00e3o que j\u00e1 possu\u00eda muitas comorbidades anteriores, doen\u00e7as cr\u00f4nicas como\u00a0<a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/vivabem\/saude\/tudo-sobre-diabetes\/index.htm\">diabetes<\/a>, hipertens\u00e3o e obesidade, que s\u00e3o fatores de risco para o agravamento da doen\u00e7a. Por isso, assistimos o rejuvenescimento da Covid-19 no Brasil. A estimativa \u00e9 de que cerca de um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o adulta possui algum fator de risco.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, assistimos \u00e0 competi\u00e7\u00e3o mundial por insumos, como equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual (EPIs), respiradores, testes e medicamentos. Esse tem sido um grande desafio para o Brasil. Temos uma depend\u00eancia tecnol\u00f3gica muito grande ainda na \u00e1rea da sa\u00fade. Atualmente, importa-se 90% de f\u00e1rmacos, 80% de ventiladores e equipamentos e at\u00e9 para produtos mais simples, como as EPIs, a depend\u00eancia chega a 90%. A Fiocruz defende o que chamamos de Complexo Econ\u00f4mico-Industrial da Sa\u00fade, modelo de desenvolvimento que tenha a sa\u00fade como centro e que possa garantir a autonomia do SUS.<\/p>\n<h3>Poderia comentar especificamente a participa\u00e7\u00e3o e o papel da Fiocruz no estudo cl\u00ednico da OMS, que vem analisando a efic\u00e1cia de medicamentos preexistentes em pacientes da Covid-19?<\/h3>\n<p>\u00c9 importante entender que, al\u00e9m do vi\u00e9s assistencial, de salvar vidas diante desta crise humanit\u00e1ria que tem tido impacto t\u00e3o grande na vida da popula\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m temos um papel de tentar responder algumas perguntas sobre a Covid-19. O nosso instituto tem uma larga experi\u00eancia em pesquisa cl\u00ednica e, at\u00e9 por conta disso, diversos protocolos de pesquisa j\u00e1 foram elaborados. Faz parte da nossa miss\u00e3o dar esse tipo de resposta.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia no tratamento dos pacientes do rec\u00e9m-inaugurado hospital ser\u00e1 um importante subs\u00eddio para diversas frentes de pesquisas sobre a Covid-19. O novo Centro ser\u00e1 fundamental para acelerar as pesquisas conduzidas pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas e toda a rede de colabora\u00e7\u00e3o da Fiocruz no Brasil e internacionalmente. Um exemplo \u00e9 o ensaio cl\u00ednico &#8220;Solidarity&#8221;, da OMS, que estuda a efic\u00e1cia de medicamentos para tratamento da doen\u00e7a. Trata-se de um ensaio cl\u00ednico randomizado e adaptativo, permitindo que ao longo do curso do estudo e das an\u00e1lises parciais de dados e com o surgimento de novas evid\u00eancias cient\u00edficas, haja altera\u00e7\u00e3o das op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas propostas, com inclus\u00e3o ou exclus\u00e3o de drogas.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade convidou o Instituto Nacional de Infectologia da Fiocruz para coordenar esse estudo no Brasil inteiro. O pa\u00eds foi o primeiro latino-americano a entrar no estudo e a incluir pacientes. A expectativa brasileira \u00e9 de inclus\u00e3o de dois mil pacientes nos pr\u00f3ximos meses, nos mais de 18 centros propostos de atua\u00e7\u00e3o, nas cinco regi\u00f5es brasileiras. Segundo informa\u00e7\u00f5es que obtivemos da OMS j\u00e1 foram realizadas mais de cinco mil inclus\u00f5es ao redor do mundo. At\u00e9 o momento sabemos que 90 pa\u00edses se propuseram a participar, tendo o estudo j\u00e1 campo na Espanha, Noruega, Fran\u00e7a, Ir\u00e3, Filipinas, Indon\u00e9sia, Su\u00ed\u00e7a, Canad\u00e1, B\u00e9lgica, \u00c1frica do Sul, Honduras, Irlanda, Israel, Mal\u00e1sia, Ar\u00e1bia Saudita e L\u00edbano.<\/p>\n<h3>Como vai funcionar daqui para frente o centro hospitalar bem como a amplia\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es de seu Instituto Nacional de Infectologia para o atendimento de pacientes graves?<\/h3>\n<p>A hist\u00f3ria desse Centro remonta ao in\u00edcio do s\u00e9culo passado, no nascimento da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz, quando Oswaldo Cruz idealizou a exist\u00eancia de um hospital nesse campus de Manguinhos para receber os pacientes acometidos por doen\u00e7as infecciosas, especialmente a doen\u00e7a de Chagas, para que se pudesse entender melhor as doen\u00e7as, como diagnostic\u00e1-las e como trat\u00e1-las, para realizar pesquisa cl\u00ednica. O mesmo acontece no enfrentamento da pandemia da Covid-19.<\/p>\n<p>Com o in\u00edcio das opera\u00e7\u00f5es do novo Centro Hospitalar e, consequentemente com a amplia\u00e7\u00e3o dos leitos, ser\u00e1 poss\u00edvel melhorar a qualidade de assist\u00eancia, al\u00e9m de ampliar a base de pesquisas envolvendo doen\u00e7as infecciosas, agravos de amea\u00e7as \u00e0 sa\u00fade da nossa popula\u00e7\u00e3o e, assim, cumprir, ainda melhor, essa miss\u00e3o que nos cabe.<\/p>\n<p>Os leitos est\u00e3o sendo ocupados gradualmente, a partir da avalia\u00e7\u00e3o di\u00e1ria e conjunta da dire\u00e7\u00e3o com as secretarias municipal e estadual de sa\u00fade. Em seu pleno funcionamento, ser\u00e3o 195 leitos, destinados ao tratamento intensivo e semi-intensivo de pacientes graves com a Covid-19. Por se tratar de uma unidade hospitalar fechada, ou seja, sem atendimento de emerg\u00eancia, os pacientes chegam ao hospital transferidos de outras unidades de sa\u00fade, atrav\u00e9s do sistema estadual de regula\u00e7\u00e3o de vagas.<\/p>\n<p>Constru\u00eddo em regime emergencial, o hospital possui caracter\u00edsticas espec\u00edficas que o diferenciam das unidades de campanha erguidas pelo pa\u00eds para funcionamento tempor\u00e1rio. Todos os leitos, por exemplo, contam com um sistema de isolamento com press\u00e3o negativa do ar, espec\u00edfico para infec\u00e7\u00f5es por aeross\u00f3is. No interior dos quartos, que s\u00e3o individuais, uma tubula\u00e7\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel por sugar o ar contaminado que passa por um sistema de filtragem antes de ser eliminado por chamin\u00e9s instaladas na parte externa da constru\u00e7\u00e3o. H\u00e1, ainda, uma central de tratamento de esgoto pr\u00f3pria, concebida para tratar res\u00edduos com o novo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/vivabem\/noticias\/redacao\/2020\/01\/25\/tire-suas-principais-duvidas-sobre-o-coronavirus-que-se-espalha-pelo-mundo.htm\">coronav\u00edrus<\/a>\u00a0e garantir destino seguro do efluente gerado.<\/p>\n<h3>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no Brasil que o direito \u00e0 sa\u00fade universal precisa ser fortalecido. No entanto, por aqui temos um hist\u00f3rico de desconfian\u00e7a popular no sistema p\u00fablico de sa\u00fade que vem de longa data, em que as pessoas associam hospital p\u00fablico a algo prec\u00e1rio, subfinanciado e mal gerido. O que \u00e9 real e o que \u00e9 mito nessa hist\u00f3ria? Voc\u00ea v\u00ea uma sa\u00edda para isso?<\/h3>\n<p>Acredito que a sa\u00edda para isso \u00e9 o fortalecimento maior do SUS. O Brasil criou, junto com sua democracia, um sistema de sa\u00fade \u00fanico e ousado, com os princ\u00edpios de universalidade, integralidade e equidade. \u00c9 o maior sistema deste tipo no mundo. O Brasil \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds com mais de 100 milh\u00f5es de habitantes com assist\u00eancia m\u00e9dica gratuita para toda a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que n\u00e3o podemos deixar de lado suas fragilidades, que voc\u00ea aponta em sua pergunta. Muitas delas s\u00e3o decorrentes do subfinanciamento, como voc\u00ea citou. No entanto, \u00e9 preciso reafirmar as conquistas do SUS. Temos pesquisas que demonstram inclusive que os usu\u00e1rios do SUS possuem uma imagem melhor de seus servi\u00e7os do que aqueles que n\u00e3o o utilizam com frequ\u00eancia. Porque, de uma forma ou de outra, todos os brasileiros fazem uso do SUS, mesmo os usu\u00e1rios de planos de sa\u00fade. O programa de vacina\u00e7\u00e3o, a vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica, os transplantes de \u00f3rg\u00e3os, tudo isso \u00e9 feito exclusivamente via SUS. Ele \u00e9 uma fortaleza que temos e as medidas que estamos tomando agora s\u00e3o tamb\u00e9m para proteg\u00ea-lo de um colapso.<\/p>\n<p>&#8220;Sem o SUS \u00e9 a barb\u00e1rie&#8221;, afirmou com acerto o m\u00e9dico Gon\u00e7alo Vecina. Precisamos defend\u00ea-lo como uma conquista civilizat\u00f3ria, tal como determinou a Constitui\u00e7\u00e3o promulgada em 1988. Antes dele, apenas os brasileiros com carteira de trabalho assinada tinham direito \u00e0 assist\u00eancia m\u00e9dica e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria, delineando o que o cientista pol\u00edtico Wanderley Guilherme dos Santos designou como cidadania regulada. Os demais &#8211; trabalhadores informais e trabalhadores rurais &#8211; pagavam pelo atendimento, ou dependiam dos poucos hospitais p\u00fablicos ou das Santas Casas espalhadas pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>Hoje, a Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica est\u00e1 presente em 95% dos munic\u00edpios, cobrindo 60% da popula\u00e7\u00e3o, e temos uma rede de vigil\u00e2ncia em sa\u00fade organizada nacionalmente. Temos uma rede de bancos de leite, coordenada pela Fiocruz, respons\u00e1vel por reduzir a mortalidade de rec\u00e9m-nascidos. Nosso programa de distribui\u00e7\u00e3o de medicamentos contra a Aids tamb\u00e9m \u00e9 uma refer\u00eancia mundial. Todas essas s\u00e3o conquistas que precisam ser reafirmadas e ampliadas, com mais financiamento e continuidade nas pol\u00edticas.<\/p>\n<p>www.uol.com.br \/\u00a0Eduardo Ribeiro, Colabora\u00e7\u00e3o para Ecoa, de S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A pandemia n\u00e3o \u00e9 a mesma para todos os pa\u00edses, nem a mesma para todos dentro de um mesmo pa\u00eds ou da mesma cidade. Muitos dizem que estamos todos no mesmo barco, mas n\u00e3o \u00e9 bem assim. Estamos todos passando pela mesma tempestade no mesmo mar. Mas \u00e9 como se alguns estivessem em transatl\u00e2nticos, outros [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15301,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[415],"class_list":["post-15300","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-pandemia-desigualdade-social-sus"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15300","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15300"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15300\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15305,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15300\/revisions\/15305"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15301"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15300"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15300"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15300"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}