{"id":15947,"date":"2020-08-19T14:15:35","date_gmt":"2020-08-19T17:15:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=15947"},"modified":"2020-08-19T14:15:35","modified_gmt":"2020-08-19T17:15:35","slug":"pesquisa-mostra-que-trabalhador-quer-novos-beneficios-e-manter-emprego-na-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/08\/19\/pesquisa-mostra-que-trabalhador-quer-novos-beneficios-e-manter-emprego-na-pandemia\/","title":{"rendered":"Pesquisa mostra que trabalhador quer novos benef\u00edcios e manter emprego na pandemia"},"content":{"rendered":"<p><strong>As mudan\u00e7as no sistema de trabalho por causa da pandemia da Covid-19 modificaram itens das pautas de reivindica\u00e7\u00f5es dos acordos coletivos. Trabalhadores reivindicam estabilidade e recursos para o teletrabalho<\/strong><\/p>\n<p>Os sindicatos dos trabalhadores e trabalhadoras de diversas categorias que est\u00e3o no per\u00edodo de negocia\u00e7\u00e3o do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) est\u00e3o adequando suas pautas de reivindica\u00e7\u00f5es \u00e0s novas rela\u00e7\u00f5es de trabalho, a partir dos efeitos da pandemia do novo coronav\u00edrus (Covid-19).<\/p>\n<p>Essa mudan\u00e7a no perfil das reivindica\u00e7\u00f5es foi detectada por uma pesquisa com 620 profissionais do pa\u00eds, da consultoria de Recursos Humanos Robert Half, publicada no jornal Valor Econ\u00f4mico. Segundo a pesquisa, 86% dos entrevistados querem que as empresas incorporem novos benef\u00edcios mais adequados \u00e0s necessidades dos trabalhadores na pandemia como aux\u00edlios psicol\u00f3gico, home office para compra de mobili\u00e1rio e pagamento de custos, al\u00e9m de aportes na previd\u00eancia privada.<\/p>\n<p>Duas importantes categorias de sindicatos filiados \u00e0 CUT, petroleiros e metal\u00fargicos, lideradas pela Federa\u00e7\u00e3o \u00danica dos Petroleiros (FUP) e Federa\u00e7\u00e3o dos Metal\u00fargicos do Estado de S\u00e3o Paulo (FEM-CUT), que est\u00e3o em per\u00edodo de negocia\u00e7\u00f5es dos ACTs, inclu\u00edram em suas pautas de reivindica\u00e7\u00f5es outros benef\u00edcios que antes n\u00e3o eram cogitados, ap\u00f3s terem sido afetadas pela pandemia da Covid-19.<\/p>\n<p>Para dar suporte \u00e0s novas reivindica\u00e7\u00f5es, a FUP elaborou uma pesquisa e a FEM se baseou nas den\u00fancias que recebeu, e no que seus dirigentes ouviram em suas bases. Tanto metal\u00fargicos como petroleiros reivindicam novos benef\u00edcios e melhores condi\u00e7\u00f5es para o trabalho em casa, seja um aux\u00edlio financeiro para pagar as despesas extras como contas de energia e internet, seja na aquisi\u00e7\u00e3o de equipamentos.<\/p>\n<p>Outra reivindica\u00e7\u00e3o dos trabalhadores \u00e9 o fim do \u201cabuso\u201d da importuna\u00e7\u00e3o feita por chefias por meio de aplicativos de celulares em hor\u00e1rios fora do trabalho que n\u00e3o tem sido contabilizado como horas extras por muitas empresas.<\/p>\n<p>Segundo o presidente da FEM-CUT, Luiz Carlos da Silva Dias, o Luiz\u00e3o, uma das preocupa\u00e7\u00f5es na campanha salarial \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 jornada. H\u00e1 um abuso, um desrespeito das empresas que acham que o trabalhador tem de ficar 24 horas dispon\u00edvel. \u00c9 o uso indevido das novas rela\u00e7\u00f5es de trabalho que est\u00e3o se consolidando agora.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos regulamentar se atender o celular num s\u00e1bado \u00e0s tr\u00eas da tarde ou no domingo \u00e0s oito da manh\u00e3 e participar de uma reuni\u00e3o \u00e0s oito da noite ser\u00e1 considerado hora extra. Queremos evitar abusos das empresas porque todos est\u00e3o dizendo que est\u00e3o trabalhando mais em casa do que se estivessem dentro da empresa\u201d, diz Luiz\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 empresas se aproveitando do trabalho em casa para negar o aux\u00edlio alimenta\u00e7\u00e3o e o vale transporte. No entendimento da FEM-CUT \u00e9 preciso manter esses aux\u00edlios para os cerca de 160 mil trabalhadores que est\u00e3o no per\u00edodo de negocia\u00e7\u00f5es dos novos acordos.<\/p>\n<p>\u201cPrimeiro, porque as pessoas passaram a gastar mais com a compra de comida, mesmo que seja para fazer em casa. Tamb\u00e9m com o vale \u00e9 poss\u00edvel pedir entregas de alimenta\u00e7\u00e3o, o que deixa o trabalhador com o tempo livre para o descanso a que tem direito, em vez de se ocupar na cozinha. Segundo, porque o valor do vale transporte j\u00e1 foi incorporado \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o do trabalhador que podia pegar uma carona ou ir a p\u00e9 at\u00e9 a empresa\u201d, afirma Luiz\u00e3o.<\/p>\n<p>A cobertura dos custos com internet e energia el\u00e9trica \u00e9 mais uma das novas reivindica\u00e7\u00f5es. De acordo com o dirigente da FEM-CUT, os trabalhadores est\u00e3o sendo cobrados para terem uma comunica\u00e7\u00e3o melhor, mas isto gera gastos que as empresas n\u00e3o querem arcar.<\/p>\n<p>No caso do custeio de internet e energia, os petroleiros j\u00e1 colocaram em sua pauta de reivindica\u00e7\u00f5es um aux\u00edlio financeiro de R$ 250,00 por semana.<\/p>\n<p><strong>Sa\u00fade mental entra na pauta de reivindica\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisa da consultoria de RH mostra tamb\u00e9m que o aux\u00edlio psicol\u00f3gico durante a pandemia tem sido importante para 14% dos pesquisados. Segundo Bacelar, o plano de sa\u00fade da Petrobras j\u00e1 cobre esta necessidade. Mas, os metal\u00fargicos passaram a considerar ainda mais importante este item na quarentena.<\/p>\n<p>\u201cO pessoal administrativo sofre mais press\u00e3o por resultados do que os trabalhadores do ch\u00e3o de f\u00e1brica que est\u00e3o na linha de montagem e sabem como aquilo funciona. Quem trabalha no escrit\u00f3rio \u00e9 que vem adoecendo psicologicamente, e em home office, por falta de hor\u00e1rio determinado de trabalho esse problema tem se agravado\u201d, afirma o presidente da FEM-CUT, entidade que agrega 188 mil metal\u00fargicos espalhados em 14 sindicatos em 56 cidades do estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Outras quest\u00f5es relacionadas \u00e0 sa\u00fade no teletrabalho, de acordo com a FUP, \u00e9 como ser\u00e3o feitos os diagn\u00f3sticos de doen\u00e7a ocupacional como a LER por esfor\u00e7os repetitivos, seja utilizando o notebook ou mesmo o celular.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante entender como ser\u00e1 a defini\u00e7\u00e3o de acidente de trabalho, como fica o diagn\u00f3stico de um acidente em casa, como o trabalhador ser\u00e1 atendido. Tamb\u00e9m queremos que o trabalhador possa decidir se ele quer se manter em home office ou n\u00e3o . S\u00e3o quest\u00f5es novas que estamos colocando na pauta de reivindica\u00e7\u00f5es, mas que at\u00e9 agora a Petrobras n\u00e3o se posicionou \u201d, diz o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar.<\/p>\n<p>Para a FEM-CUT, as quest\u00f5es ergon\u00f3micas tamb\u00e9m s\u00e3o importantes porque nem todos os trabalhadores t\u00eam uma mesa e uma cadeira adequadas ao trabalho di\u00e1rio de oito horas ou mais.<\/p>\n<p>\u201cO trabalhador pode ter problema na coluna e tamb\u00e9m ter algum problema na vista se n\u00e3o tiver uma ilumina\u00e7\u00e3o adequada. Por isso precisamos discutir tamb\u00e9m os cuidados com a sa\u00fade e seguran\u00e7a do trabalhador\u201d, diz Luiz\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Estabilidade no emprego, a reivindica\u00e7\u00e3o da FEM-CUT<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de todas as mudan\u00e7as nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho causadas pela pandemia com excesso de jornada, cobran\u00e7as indevidas, falta de equipamentos adequados e maior custo nas contas de energia e internet, os metal\u00fargicos sofrem com a inseguran\u00e7a de perderem seus empregos.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>Estabilidade sempre esteve em nossa pauta. A pandemia refor\u00e7ou essa bandeira de luta. O trabalhador j\u00e1 vive assombrado pelo presidente da Rep\u00fablica que temos [Jair Bolsonaro], com a pandemia e agora tem o fantasma do desemprego assombrando todo dia. Mas, o empresariado paulista n\u00e3o quer nem ouvir falar em estabilidade. \u00c9 como se estivesse ouvindo um palavr\u00e3o<\/p>\n<footer>&#8211; Luiz Carlos da Silva Dias<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>Segundo o presidente da FEM-CUT, nunca foi dada tanta aten\u00e7\u00e3o \u00e0 estabilidade como neste ano. E por isso o lema da categoria \u00e9 \u201cJuntos pela Vida, por Empregos e Renda\u201d, exatamente nesta ordem.<\/p>\n<p>\u201cInfelizmente o empresariado brasileiro, sobretudo o paulista, precisa deixar a mentalidade arcaica, e diante da pandemia ajudar a tranquilizar o povo brasileiro e n\u00e3o causar mais p\u00e2nico. Eles ainda s\u00e3o escravocratas, acham que podem trocar trabalhador como bem querem\u201d, conclui Luiz\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Pesquisa FUP para a pauta de reivindica\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Para fazer novas reivindica\u00e7\u00f5es, os petroleiros fizeram uma pesquisa piloto com os trabalhadores e trabalhadoras da base do Rio Grande do Norte. Uma nova pesquisa nos mesmos moldes est\u00e1 sendo feita desde a \u00faltima segunda-feira (17) em todo o pa\u00eds. O resultado dever\u00e1 sair nos pr\u00f3ximos dias.<\/p>\n<p>O pesquisador da subse\u00e7\u00e3o do Dieese do Sindicato Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro\/NF) Iderley Colombini, diz que a pesquisa em \u00e2mbito nacional pretende al\u00e9m de tra\u00e7ar um perfil dos trabalhadores, ter uma avalia\u00e7\u00e3o a respeito do trabalho home office e com isso, ter uma percep\u00e7\u00e3o de quais dificuldades a categoria vem enfrentando, bem como entender os custos que seriam da empresa que agora foram transferidos aos seus funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u201cAs empresas t\u00eam anunciado aumentos de produtividade, mas n\u00e3o repassam esses lucros aos trabalhadores. N\u00e3o houve aumento de sal\u00e1rios. Al\u00e9m disso, em casa a jornada de trabalho ficou mais flex\u00edvel. Num escrit\u00f3rio h\u00e1 pausa para o almo\u00e7o, mas hoje voc\u00ea almo\u00e7a respondendo mensagens da chefia, e tamb\u00e9m acaba trabalhando naquelas horas que perderia no transporte para chegar ao trabalho\u201d, diz o pesquisador do Dieese.<\/p>\n<p>Segundo Colombini, a pesquisa, embora responda quem quiser, tem o papel de mensurar e ajudar o processo de reivindica\u00e7\u00f5es junto \u00e0 empresa.<\/p>\n<p>\u201cCom a pesquisa tamb\u00e9m queremos definir as rela\u00e7\u00f5es de trabalho p\u00f3s-pandemia que as empresas pretendem implantar , mas no momento n\u00e3o querem negociar. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que haja aumento de produtividade e os lucros fiquem n\u00e3o sejam divididos com os trabalhadores \u201d, afirma o t\u00e9cnico do Dieese.<\/p>\n<p>Os petroleiros tamb\u00e9m reivindicam que eles possam decidir se continuar\u00e3o em teletrabalho ap\u00f3s a pandemia, j\u00e1 que a Petrobras sinalizou que manter\u00e1 parte deles neste tipo de regime.<\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o da estatal, no entanto, segundo Deyvid Bacelar, tem colocado dificuldades na discuss\u00e3o sobre o teletrabalho, dizendo que por conta das duvidas e incertezas causadas pela pandemia n\u00e3o vai \u201camarrar\u201d esses itens num acordo coletivo de trabalho.<\/p>\n<p><strong>Maioria dos trabalhadores quer incorpora\u00e7\u00e3o de novos benef\u00edcios<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisa realizada pela consultoria Robert Half revelou que 86% (533) dos 620 entrevistados concordam que seria interessante que alguns benef\u00edcios mudassem daqui para frente. Mas, apenas 40% (248) disseram que as empresas deram algum aux\u00edlio novo no in\u00edcio da pandemia.<\/p>\n<p>Os novos benef\u00edcios mais desejados s\u00e3o aportes na previd\u00eancia privada e\u00a0 aux\u00edlio home office (para internet e mobili\u00e1rio). Este \u00faltimo item s\u00f3 foi recebido por 8% (46) do universo pesquisado. Antes da pandemia este n\u00famero era ainda mais reduzido (1%) ou 62 pessoas recebiam algum aux\u00edlio financeiro\u00a0 para a aquisi\u00e7\u00e3o de equipamentos para trabalhar em casa.<\/p>\n<p>O benef\u00edcio preferido entre os que receberam algum aux\u00edlio novo foi o psicol\u00f3gico com 14% da prefer\u00eancia, que correspondem a 35 pessoas.<\/p>\n<p>J\u00e1 dos benef\u00edcios atuais, o aux\u00edlio m\u00e9dico \u00e9 o mais importante para 73% (452) dos entrevistados. No entanto, nem todos recebem. O aux\u00edlio m\u00e9dico \u00e9 disponibilizado por 85% dos empregadores.<\/p>\n<p>A pesquisa mostra ainda que benef\u00edcios como estacionamento, celulares e vale transporte agora ficam em segundo plano na lista de desejos dos trabalhadores.<\/p>\n<p>www.cut.org.br \/Rosely Rocha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mudan\u00e7as no sistema de trabalho por causa da pandemia da Covid-19 modificaram itens das pautas de reivindica\u00e7\u00f5es dos acordos coletivos. 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