{"id":16118,"date":"2020-08-31T13:12:15","date_gmt":"2020-08-31T16:12:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=16118"},"modified":"2020-08-31T13:20:24","modified_gmt":"2020-08-31T16:20:24","slug":"16118","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/08\/31\/16118\/","title":{"rendered":"N\u00famero de homic\u00eddios de pessoas negras cresce 11,5% em onze anos; o dos demais cai 13%"},"content":{"rendered":"<p class=\"a_st font_secondary color_gray_dark \"><strong>Para n\u00e3o negros brasileiros, taxa de homic\u00eddios \u00e9 semelhante \u00e0 da R\u00fassia, para os negros, Guatemala. Em 2018, a viol\u00eancia contra popula\u00e7\u00e3o LGBT+ aumentou 19,8%; dados s\u00e3o do Atlas da Viol\u00eancia 2020<\/strong><\/p>\n<div class=\"a_b article_body | color_gray_dark\">\n<p class=\"\">Em 2018, 75,7% das v\u00edtimas de homic\u00eddio no Brasil eram negras. No contexto hist\u00f3rico, de 2008 a 2018, o n\u00famero de homic\u00eddios de pessoas negras no pa\u00eds aumentou 11,5%, j\u00e1 entre pessoas n\u00e3o negras caiu 12,9%.<\/p>\n<p class=\"\">Os dados s\u00e3o do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/06\/05\/politica\/1528201240_021277.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Atlas da Viol\u00eancia<\/a>, levantamento feito pelo FBSP (F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica) em parceria com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada), vinculado ao Minist\u00e9rio da Economia, lan\u00e7ado nesta quinta-feira em coletiva de imprensa online.<\/p>\n<p class=\"\">Diferentemente do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/09\/10\/politica\/1568134128_017016.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/a>, que compila e analisa dados de registros policiais sobre criminalidade, o Atlas da Viol\u00eancia analisa os dados do SIM\/MS (Sistema de Informa\u00e7\u00e3o sobre Mortalidade, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade), e as den\u00fancias recebidas pelo Disque 100.<\/p>\n<p class=\"\">Em 2018, segundo SIM\/MS, houve 57.956 homic\u00eddios no Brasil. Para cada 100.000 habitantes, a taxa \u00e9 de 27,8 mortes. Esse \u00e9 o menor n\u00edvel de homic\u00eddios nos \u00faltimos quatros anos. A redu\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a 2017 \u00e9 de 12%. Em 2020, por\u00e9m, os dados j\u00e1 apontam para uma nova crescente, principalmente durante a pandemia em Estados como\u00a0<a href=\"https:\/\/ponte.org\/sem-justificativa-violencia-policial-explode-enquanto-crimes-desabam-em-sp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">S\u00e3o Paulo<\/a>.<\/p>\n<p class=\"\">No contexto hist\u00f3rico, de 2008 a 2018, 628.595 pessoas foram assassinadas no pa\u00eds. O perfil das v\u00edtimas aponta que 91,8% eram homens e 8% eram mulheres. Entre os homens, 77,1% foram mortos por arma de fogo, enquanto a taxa das mulheres \u00e9 de 53,7%. O risco de um homem negro ser assassinado \u00e9 74% maior e para as mulheres negras a taxa \u00e9 de 64,4%.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cComo os processos de racializa\u00e7\u00e3o incidem sobre as viol\u00eancias? \u00c9 sobre a falta de acesso que os homens negros t\u00eam dos servi\u00e7os e pol\u00edticas p\u00fablicos, enquanto a mulher negra \u00e9 triplamente vulner\u00e1vel. \u00c9 sobre a falta de acesso e que principalmente ficam evidentes \u00e0s imagens que o homem negro tem de bandido e da mulher negra sendo hipersexualizada\u201d, explica a pesquisadora Amanda Pimentel, que participou do estudo.<\/p>\n<p class=\"\">A pesquisa ainda aponta uma disparidade racial em diferen\u00e7as regionais. Em Alagoas, por exemplo, para cada homic\u00eddio de uma pessoa n\u00e3o negra, 17 pessoas negras morreram. Na Para\u00edba, 8,9 negros morrem a cada pessoa n\u00e3o negra morta.<\/p>\n<p class=\"\">Em Sergipe, o n\u00famero \u00e9 de 5,1 negros e no Cear\u00e1 a taxa \u00e9 de 4,7. No Brasil, para cada n\u00e3o negro assassinado, 2,7 negros s\u00e3o v\u00edtimas de homic\u00eddio. Observando as taxas de mortes de negros e n\u00e3o negros, \u00e9 como se\u00a0<a href=\"https:\/\/ourworldindata.org\/grapher\/homicide-rate\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">quem n\u00e3o \u00e9 negro vivesse na R\u00fassia<\/a>, e os negros na Guatemala, M\u00e9xico, Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p class=\"\">Para a soci\u00f3loga Samira Bueno, diretora-executiva do FBSP, esses dados \u201cnos ajudam a mostrar o abismo que existe entre a popula\u00e7\u00e3o negra e a n\u00e3o negra, o quanto o racismo interfere na viol\u00eancia\u201d. Segundo ela, \u201co debate antirracista \u00e9 urgente, tem que ser prioridade no Brasil\u201d.<\/p>\n<p class=\"\">Os homic\u00eddios ocultos tamb\u00e9m ganham destaque no Atlas. Listados como MVCI (morte violenta com causa indeterminada), esses homic\u00eddios registraram um aumento de 25,6%. Em S\u00e3o Paulo, aponta o estudo, a perda de qualidade das informa\u00e7\u00f5es chega a ser \u201cescandalosa\u201d: em 2018, o Estado registrou 4.265 MVCI, das quais 549 pessoas foram vitimadas por armas de fogo, 168 por instrumentos cortantes e 1.428 por objetos contundentes.<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\">Mulheres negras morrem mais<\/h3>\n<p class=\"\">Em 2018, uma mulher foi assassinada no Brasil a cada duas horas, totalizando 4.519 v\u00edtimas. Dessas, 68% s\u00e3o mulheres negras. A taxa de homic\u00eddios das mulheres negras \u00e9 5,2 para cada 100 mil, muito maior do que o dado de 2,8 por 100.000 para n\u00e3o negras.<\/p>\n<p class=\"\">Embora os homic\u00eddios de mulheres tenha ca\u00eddo 8,4% entre 2017 e 2018, a situa\u00e7\u00e3o melhorou apenas para as mulheres n\u00e3o negras, o que, como aponta o estudo, mostra ainda mais a desigualdade racial: enquanto a taxa de homic\u00eddios de mulheres n\u00e3o negras caiu 11,7%, a taxa entre as mulheres negras aumentou 12,4%.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cQue pol\u00edticas p\u00fablicas estamos implementando que protegem uma mulher n\u00e3o negra e n\u00e3o protege uma mulher negra?\u201d, questiona Samira Bueno.<\/p>\n<p class=\"\">Historicamente, de 2008 a 2018, a maioria dos assassinatos de mulheres aconteceram em casa. Do total, 30,4% dos homic\u00eddios de mulheres ocorridos em 2018 no Brasil teriam sido\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/asesinato-mujeres\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">feminic\u00eddios<\/a>, o crescimento \u00e9 de 6,6% em rela\u00e7\u00e3o a 2017.<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\">Mais viol\u00eancia para LGBTs<\/h3>\n<p class=\"\">A viol\u00eancia para popula\u00e7\u00e3o LGBT+ aumentou no \u00faltimo ano. Em 2017, foi a primeira vez na hist\u00f3ria do Atlas da Viol\u00eancia que os recortes de LGBTfobia entraram na an\u00e1lise. Agora, em 2018, o texto direcionado para essa popula\u00e7\u00e3o contou com o apoio do autor desta reportagem.<\/p>\n<p class=\"\">A escassez de indicadores oficiais de viol\u00eancia contra LGBT+, aponta o Atlas, permanece sendo um problema central. Um primeiro passo para resolver a esse problema, continua o estudo, seria a inclus\u00e3o de quest\u00f5es relativas a identidade de g\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual no recenseamento que se aproxima.<\/p>\n<p class=\"\">Paralelamente, essas vari\u00e1veis, de orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero, devem ser colocadas nos registros de boletins de ocorr\u00eancia, para que pessoas LGBTs estejam contempladas tamb\u00e9m pelas estat\u00edsticas geradas a partir do sistema de seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p class=\"\">O Atlas tamb\u00e9m aponta que, sem esses avan\u00e7os, \u00e9 dif\u00edcil mensurar, de forma confi\u00e1vel, a preval\u00eancia da viol\u00eancia contra esse segmento da popula\u00e7\u00e3o, o que tamb\u00e9m dificulta a interven\u00e7\u00e3o do Estado por meio de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p class=\"\">A viol\u00eancia psicol\u00f3gica aumentou 7,4% entre LGBTs, de 1.693 em 2017 para 1.819 em 2018. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia f\u00edsica, o aumento \u00e9 de 10,9%, de 4.566 em 2017 e 5.065 em 2018. Em outros tipos de viol\u00eancia o aumento \u00e9 gigantesco: 76,8% a mais em 2018, de 1.192 para 2.108.<\/p>\n<p class=\"\">A \u00fanica redu\u00e7\u00e3o acontece em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s torturas, que caiu 7,6%, de 250 para 231 em 2018. O total das viol\u00eancias contra LGBTs tem um aumento de 19,8% em 2018, de 7.701 para 9.223. Os dados s\u00e3o do Sinan (Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p class=\"\">Entre a popula\u00e7\u00e3o LGBT+, negros e negras s\u00e3o os mais atingidos pela viol\u00eancia, de acordo com os dados do Sinan: 49,4%, com a soma de pretos e pardos, e 44,7% de brancos. Em rela\u00e7\u00e3o ao g\u00eanero, 61% das viol\u00eancias foram contra mulheres e 38,9% contra homens. Mais de 93% dos casos acontecem em \u00e1reas urbanas contra 5,8% em \u00e1reas rurais. No estudo, n\u00e3o foi poss\u00edvel determinar dados com recortes de identidade g\u00eanero.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cEsse \u00e9 um dado muito prec\u00e1rio, n\u00e3o s\u00f3 da popula\u00e7\u00e3o LGBT+, mas do Sinan. O Sinan \u00e9 um sistema que precisa de muitos esfor\u00e7os pra ter abrang\u00eancia nacional. Esses s\u00e3o os dados e nos mostram a ponta de um iceberg, embaixo haja muitas coisas que n\u00e3o conseguimos olhar\u201d, explica Samira.<\/p>\n<p class=\"\">Apesar de uma queda de 28% nos registros de homic\u00eddios contra a popula\u00e7\u00e3o LGBT+, o Atlas aponta um aumento de 88%, de 2017 para 2018, nas tentativas de homic\u00eddios, segundo os dados do Disque 100, do Minist\u00e9rio da Mulher, da Fam\u00edlia e dos Direitos Humanos.<\/p>\n<p class=\"\">www.brasil.elpais.com \/Ca\u00ea Vasconcelos \/ reportagem originalmente <a href=\"https:\/\/ponte.org\/homicidios-de-pessoas-negras-aumentaram-115-em-onze-anos-os-dos-demais-cairam-13\/\" data-link-track-dtm=\"\">publicada\u00a0no site da Ponte Jornalismo<\/a>\u00a0em 27 de agosto de 2020.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para n\u00e3o negros brasileiros, taxa de homic\u00eddios \u00e9 semelhante \u00e0 da R\u00fassia, para os negros, Guatemala. 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