{"id":1614,"date":"2018-05-10T11:02:32","date_gmt":"2018-05-10T14:02:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=1614"},"modified":"2018-05-15T15:14:56","modified_gmt":"2018-05-15T18:14:56","slug":"temer-quer-liberar-a-venda-de-remedios-em-supermercados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2018\/05\/10\/temer-quer-liberar-a-venda-de-remedios-em-supermercados\/","title":{"rendered":"Temer Quer Liberar A Venda De Rem\u00e9dios Em Supermercados"},"content":{"rendered":"<p>Nesta segunda-feira (07), Michel Temer disse que estuda a possibilidade de liberar a venda de medicamentos sem prescri\u00e7\u00e3o em supermercados. Problemas como o incentivo da automedica\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o de medicamentos em um produto como qualquer outro s\u00e3o apontados como impasses para essa mudan\u00e7a na comercializa\u00e7\u00e3o. Para o presidente do Conselho Nacional de Sa\u00fade, Ronald Ferreira dos Santos, esse an\u00fancio reafirma que Temer trata a quest\u00e3o da sa\u00fade como um neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Por Ver\u00f4nica Lugarini<\/p>\n<p>A pedido do presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Supermercados (Abras), Jo\u00e3o Sanzovo Neto, o presidente Michel Temer afirmou que vai avaliar uma proposta para autorizar supermercados a venderem medicamentos isentos de prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. O an\u00fancio aconteceu nesta segunda durante evento da Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Supermercados, o Apas Show.<\/p>\n<p>\u201cLevarei em conta essa proposta de tentar vender aqueles medicamentos que n\u00e3o exigem prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, vou examinar esse assunto&#8221;, disse Temer a uma plateia de empres\u00e1rios do setor.<\/p>\n<p>Consultado pelo Portal Vermelho, Ronald Ferreira dos Santos, presidente do Conselho Nacional de Sa\u00fade (CNS), foi enf\u00e1tico ao dizer que v\u00ea essa proposta como \u201cum verdadeiro absurdo\u201d. Para ele, a quest\u00e3o central, independente do rem\u00e9dio ter ou n\u00e3o prescri\u00e7\u00e3o, e de que ele n\u00e3o \u00e9 isento de efeitos colaterais e para sua utiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio respeitar minimamente alguns crit\u00e9rios de seguran\u00e7a, os quais cabe ao estabelecimento vinculado \u00e0 sa\u00fade, ou seja, a farm\u00e1cia nesse caso. <\/p>\n<p>\u201cEssa medida vai justamente na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria a tudo que estava se construindo ao longo dos \u00faltimos anos na sociedade brasileira, ou seja, de desconstruir a l\u00f3gica de que o medicamento \u00e9 um insumo garantidor da sa\u00fade da pessoa e mostrar que ele \u00e9 apenas um componente do direito e acesso \u00e0 sa\u00fade. O principal ataque dessa proposta \u00e9 ir colocando medicamentos como um produto qualquer e, ao cabo, pode ter como consequ\u00eancia um conjunto de outras pol\u00edticas de restri\u00e7\u00e3o e diminui\u00e7\u00e3o no acesso porque substitui a l\u00f3gica do direito pela l\u00f3gica do mercado pela l\u00f3gica do produto, do mercado. \u201cTemer n\u00e3o est\u00e1 com a sa\u00fade, est\u00e1 com o neg\u00f3cio\u201d, explicou em entrevista.<\/p>\n<p>Segundo o presidente do CNS, a aumento da automedica\u00e7\u00e3o e o n\u00e3o acompanhamento de um profissional adequado para a venda s\u00e3o as consequ\u00eancias de um maior desdobramento dessa medida, que \u00e9 banaliza\u00e7\u00e3o desse produto que deveria ser diferenciado.<\/p>\n<p>J\u00e1 o professor de sa\u00fade p\u00fablica da Unesp de Araraquara, Rodolpho Telarolli Junior, acredita que n\u00e3o haver\u00e1 grandes mudan\u00e7as se a essa venda for limitada apenas aos medicamentos est\u00e3o dentro da categoria OTCs (over-the-counter que significa sobre o balc\u00e3o em ingl\u00eas), como medicamentos para dor de cabe\u00e7a, sais de fruta e alguns antial\u00e9rgicos, ou seja, que j\u00e1 s\u00e3o vendidos sem prescri\u00e7\u00e3o nas farm\u00e1cias. <\/p>\n<p>Pelo lado econ\u00f4mico, Rodolpho Telarolli avaliou que isso impactaria mais na competi\u00e7\u00e3o entre dois ramos do com\u00e9rcio, as redes de farm\u00e1cia e as redes de supermercados. De toda forma, ele apontou que a possibilidade de automedica\u00e7\u00e3o deve ser um fator de preocupa\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da sa\u00fade. \u201c\u00c9 evidente que se voc\u00ea deixar o medicamento para o cliente se servir sem a interven\u00e7\u00e3o do farmac\u00eautico voc\u00ea estimula a automedica\u00e7\u00e3o, mas s\u00e3o produtos de baixa periculosidade\u201d, afirmou o professor.<\/p>\n<p>J\u00e1 Ronald Ferreira dos Santos discorda. Para ele, \u201c\u00e9 importante destacar que o fato de n\u00e3o ser um medicamento prescrito n\u00e3o \u00e9 isento de efeitos colaterais, de danos \u00e0 sa\u00fade, porque \u00e9 a cl\u00e1ssica frase: \u2018A diferen\u00e7a entre o rem\u00e9dio e o veneno est\u00e1 na dose\u2019, tendo ou n\u00e3o prescri\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Nova tentativa<\/p>\n<p>Essa n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que essa proposta tenta ser emplacada. Em 2012, a ent\u00e3o presidente Dilma Rousseff havia vetado a venda de medicamentos em supermercados pelo grande risco de estimular a automedica\u00e7\u00e3o e uso indiscriminado. Al\u00e9m da dificuldade do controle sobre a comercializa\u00e7\u00e3o dos produtos. &#8220;Ademais, a proposta poderia estimular a automedica\u00e7\u00e3o e o uso indiscriminado, o que seria prejudicial \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica&#8221;, informou.<br \/>\nFonte: www.vermelho.org.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta segunda-feira (07), Michel Temer disse que estuda a possibilidade de liberar a venda de medicamentos sem prescri\u00e7\u00e3o em supermercados. Problemas como o incentivo da automedica\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o de medicamentos em um produto como qualquer outro s\u00e3o apontados como impasses para essa mudan\u00e7a na comercializa\u00e7\u00e3o. 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