{"id":16199,"date":"2020-09-04T13:07:08","date_gmt":"2020-09-04T16:07:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=16199"},"modified":"2020-09-04T13:07:08","modified_gmt":"2020-09-04T16:07:08","slug":"julio-lancellotti-morrer-de-frio-nao-e-uma-morte-medieval-e-uma-morte-do-seculo-21","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/09\/04\/julio-lancellotti-morrer-de-frio-nao-e-uma-morte-medieval-e-uma-morte-do-seculo-21\/","title":{"rendered":"J\u00falio Lancellotti: Morrer de frio n\u00e3o \u00e9 uma morte medieval, \u00e9 uma morte do s\u00e9culo 21"},"content":{"rendered":"<p><strong>Para padre coordenador da Pastoral do Povo de Rua em S\u00e3o Paulo, a solu\u00e7\u00e3o para quem mora na rua n\u00e3o pode ser camping quando \u201ca cidade tem mais casa sem gente do que gente sem casa\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Um dos maiores aliados da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua em S\u00e3o Paulo, o padre J\u00falio Lancellotti, 71 anos, falou \u00e0 Ag\u00eancia P\u00fablica sobre as recentes mortes de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua durante a onda de frio na cidade no m\u00eas passado. A prefeitura confirma dois \u00f3bitos, J\u00falio cita cinco.<\/p>\n<p>Indagado sobre a crueldade que \u00e9 morrer de frio, o que remeteria a uma ideia de morte medieval, ele discorda: \u201cN\u00e3o acho que \u00e9 uma morte medieval, \u00e9 uma morte de agora, do s\u00e9culo 21, pois \u00e9 agora que essas pessoas est\u00e3o morrendo de frio\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_16180\" aria-describedby=\"caption-attachment-16180\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-16180\" src=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/padre-julio-lancellotti-entrevista-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/padre-julio-lancellotti-entrevista-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/padre-julio-lancellotti-entrevista.jpg 610w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-16180\" class=\"wp-caption-text\">H\u00e1 mais de 35 anos, o padre J\u00falio Lancellotti, dedica-se a apoiar os mais vulner\u00e1veis<\/figcaption><\/figure>\n<p>Sem melindres, o padre que atua junto aos mais vulner\u00e1veis h\u00e1 35 anos afirma que o poder p\u00fablico n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 negligente, mas incompetente quando se trata do povo de rua. \u201cAchar que a solu\u00e7\u00e3o para a cidade hoje \u00e9 camping para morador de rua? Isso quando 80% da rede hoteleira est\u00e1 ociosa, quando S\u00e3o Paulo tem mais casa sem gente do que gente sem casa?\u201d, questiona.<\/p>\n<p>Segundo ele, durante a pandemia mais de 8 mil pessoas passaram pela primeira vez pelo n\u00facleo de atendimento em sua pequena par\u00f3quia S\u00e3o Miguel Arcanjo, no bairro da Mooca, na zona leste de S\u00e3o Paulo, onde s\u00e3o distribu\u00eddos alimentos, roupas, entre outras a\u00e7\u00f5es de solidariedade. \u201cDe 4 mil em um m\u00eas, foi para 8 mil\u201d, diz. \u201cOu\u00e7o todos os dias \u2018cheguei de tal lugar\u2019, \u2018cheguei de tal estado\u2019\u201d.<\/p>\n<p><strong>A seguir, os principais trechos da entrevista.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea acha que teve uma neglig\u00eancia maior do poder p\u00fablico em rela\u00e7\u00e3o ao frio que levou \u00e0s mortes da popula\u00e7\u00e3o de rua que tivemos no m\u00eas passado?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Acredito que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de neglig\u00eancia, \u00e9 uma quest\u00e3o de incompet\u00eancia. Eles at\u00e9 querem fazer, \u00e9 evidente que a cidade est\u00e1 cheia, todo mundo v\u00ea. Agora, o que me espanta mais \u00e9 que a solu\u00e7\u00e3o que vereadores como a Soninha [Francine] est\u00e3o dando \u00e9 fazer camping. Achar que a solu\u00e7\u00e3o para a cidade hoje \u00e9 camping? Isso quando 80% da rede hoteleira est\u00e1 ociosa, quando S\u00e3o Paulo tem mais casa sem gente do que gente sem casa?<\/p>\n<p><strong>N\u00f3s tivemos cerca de cinco pessoas que morreram de frio na \u00faltima semana. Voc\u00eas tiveram alguma atualiza\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s localizamos cinco, e a prefeitura fala em duas.<\/p>\n<p><strong>Por que tem essa diverg\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>Pode ser o per\u00edodo que eles computaram. Eu n\u00e3o sei o porqu\u00ea dessa diverg\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Houve um aumento da popula\u00e7\u00e3o de rua, que j\u00e1 vinha acontecendo nos \u00faltimos anos com a crise econ\u00f4mica. O senhor notou um aumento causado pela pr\u00f3pria pandemia?<\/strong><\/p>\n<p>A gente est\u00e1 percebendo um aumento rotativo, com uma circula\u00e7\u00e3o muito grande de gente. Assim como tem gente chegando, tem gente saindo. Por exemplo, s\u00f3 do n\u00facleo de atendimento na Mooca, que \u00e9 de conviv\u00eancia, passaram pela primeira vez cerca de 8 mil pessoas em um m\u00eas. De 4 mil em um m\u00eas, foi para 8 mil. Ent\u00e3o, imagine 8 mil pessoas que pela primeira vez est\u00e3o passando ali\u2026<\/p>\n<p>Ou\u00e7o todos os dias \u201ccheguei de tal lugar\u201d, \u201ccheguei de tal estado\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_16181\" aria-describedby=\"caption-attachment-16181\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-16181\" src=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/2-300x163.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"163\" srcset=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/2-300x163.jpg 300w, https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/2-768x417.jpg 768w, https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/2.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-16181\" class=\"wp-caption-text\">Reprodu\u00e7\u00e3o\/Facebook<br \/>A par\u00f3quia S\u00e3o Miguel Arcanjo, no bairro da Mooca, atendeu cerca de 8 mil pessoas no m\u00eas passado<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>S\u00e3o pessoas que pela primeira vez est\u00e3o chegando nessa situa\u00e7\u00e3o de ter que morar na rua?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o temos esse levantamento. Se est\u00e1 chegando da rua agora n\u00f3s n\u00e3o sabemos, mas eles est\u00e3o circulando pela cidade e aqui ficam em situa\u00e7\u00e3o de rua ou v\u00e3o procurar lugares do centro de acolhida.<\/p>\n<p><strong>Entre as pessoas que chegam h\u00e1 o discurso de desemprego recente?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 claro, eles est\u00e3o procurando trabalho, est\u00e3o \u00e0 procura da sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 relatos sobre a popula\u00e7\u00e3o de rua que antes estava mais no centro e agora est\u00e1 se expandindo mais para as periferias?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, isso est\u00e1 discriminado na cidade. Mas a concentra\u00e7\u00e3o maior ainda continua no centro e no centro expandido, como a Mooca, que \u00e9 um lugar que tem muita popula\u00e7\u00e3o de rua. Mas hoje tem popula\u00e7\u00e3o de rua no Jardim Rinc\u00e3o, na Brasil\u00e2ndia. Tem pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua em todos os distritos da cidade, em quantidades diferentes, mas tem.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria pandemia, na sua opini\u00e3o, como o poder p\u00fablico tem lidado com a popula\u00e7\u00e3o de rua e as medidas que deveriam ser tomadas?<\/p>\n<p>Um destaque positivo \u00e9 a atua\u00e7\u00e3o dos Consult\u00f3rios na Rua [pol\u00edtica p\u00fablica que leva equipes multidisciplinares da sa\u00fade para atuarem com a popula\u00e7\u00e3o de rua]. Por outro lado, o Minist\u00e9rio P\u00fablico recomendou [em 20 de maio] \u00e0 prefeitura 8 mil leitos na rede hoteleira, e a prefeitura, mais de 120 dias depois da emerg\u00eancia, conseguiu disponibilizar 150, depois mais 50. Ent\u00e3o s\u00e3o 200 leitos tempor\u00e1rios em hotel. Mas o Minist\u00e9rio P\u00fablico recomendou 8 mil.<\/p>\n<p><strong>Teve alguma mudan\u00e7a adotada em rela\u00e7\u00e3o aos abrigos?<\/strong><\/p>\n<p>Diminu\u00edram a lota\u00e7\u00e3o para manter o distanciamento social. Onde tinha 440 diminuiu para 300, onde tinha mil diminuiu para 600.<\/p>\n<p><strong>E foram criados outros dispositivos para abrigar essas pessoas?<\/strong><\/p>\n<p>Foram criadas algumas vagas emergenciais, mas que n\u00e3o cobre essa defasagem. \u00c9 por isso que tem tanta gente vivendo na rua.<\/p>\n<p><strong>Como est\u00e3o as medidas de higiene dentro dos abrigos?<\/strong><\/p>\n<p>Est\u00e3o bastante fracas e inadequadas, n\u00e3o s\u00e3o suficientes.<\/p>\n<p><strong>Pelo que o senhor conversa com os moradores em situa\u00e7\u00e3o de rua, como \u00e9 que eles se informam sobre a pandemia?<\/strong><\/p>\n<p>Tem os que banalizam, os que acreditam, os que n\u00e3o acreditam, como a sociedade como um todo.<\/p>\n<p><strong>Nos primeiros meses, quando n\u00f3s tivemos uma quarentena mais forte, essa popula\u00e7\u00e3o chegou a sofrer com a aus\u00eancia de com\u00e9rcios abertos, de banheiros\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Claro. Agora que abriu mais, eles est\u00e3o tendo mais possibilidade. N\u00f3s vivemos com eles aqueles momentos tenebrosos, que n\u00e3o tem ningu\u00e9m na rua, e eles estavam sem nada. Por isso estamos com eles durante toda a pandemia.<\/p>\n<p><strong>Qual foi a maior aus\u00eancia nesse come\u00e7o, o que mais impactou?<\/strong><\/p>\n<p>Falta tudo, acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, acesso a \u00e1lcool em gel, acesso a medidas de higiene. Eles n\u00e3o tinham acesso \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o. Faltou tudo.<\/p>\n<p><strong>Ao mesmo tempo, teve um aumento de solidariedade?<\/strong><\/p>\n<p>Houve um aumento de solidariedade proporcional ao fechamento: quanto mais fechava, mais a solidariedade abria. Agora, quanto mais abre, mais a solidariedade diminuiu.<\/p>\n<p><strong>A situa\u00e7\u00e3o dos abrigos piorou nesse governo?<\/strong><\/p>\n<p>Os abrigos s\u00e3o, como toda a sociedade, heterog\u00eaneos. H\u00e1 mais sujos e mais limpos, e, em um universo como S\u00e3o Paulo de mais de cem centros de acolhida, nem todos t\u00eam o mesmo n\u00edvel de atendimento. Ent\u00e3o, tudo dependeu de ter um padr\u00e3o de qualidade semelhante, e, no entanto, n\u00f3s continuamos vendo abrigos onde h\u00e1 percevejos, onde h\u00e1 muquiranas [piolhos]. N\u00e3o podemos dizer que s\u00e3o todos, mas muitos ainda continuam nessa situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria. H\u00e1 abrigos onde os banheiros est\u00e3o entupidos, porque a maior parte deles s\u00e3o adapt\u00e1veis, n\u00e3o foram feitos com esse fim.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas chegaram a ter algum tipo de resposta do poder p\u00fablico?<\/strong><\/p>\n<p>A palavra do poder p\u00fablico \u00e9 sempre a mesma. Eles negam e falam que n\u00e3o \u00e9 verdade, que n\u00e3o \u00e9 isso que acontece, porque em todos esses lugares as condi\u00e7\u00f5es de higiene s\u00e3o as mais adequadas poss\u00edveis. \u00c9 aquele discurso t\u00e9cnico sempre, aquele discurso pol\u00edtico dizendo que est\u00e1 tudo uma beleza. Mesmo quando eu coloquei v\u00eddeos, quando mostrei os percevejos, quando mostramos a situa\u00e7\u00e3o de esgoto, a resposta \u00e9 sempre que aquilo n\u00e3o \u00e9 verdade. Eles sempre falam que todos eles est\u00e3o muito bem, que est\u00e3o todos muito adequados, higienizados, que em todos h\u00e1 dist\u00e2ncia social, que em todos o card\u00e1pio \u00e9 de primeira qualidade, que em todos tem toalha para tomar banho, sabonete, shampoo e condicionador, desodorante, que todos est\u00e3o sanitizados. \u00c9 o que eles falam.<\/p>\n<p><strong>Conversando com as pessoas que frequentam esses abrigos, voc\u00ea acha que eles t\u00eam sido um centro da infec\u00e7\u00e3o da Covid-19?<\/strong><\/p>\n<p>Olha, isso a gente n\u00e3o pode afirmar porque em muitos lugares o n\u00famero de pessoas infectadas n\u00e3o tem sido alarmante. Mas isso se deve muito ao trabalho do Consult\u00f3rio de Rua, \u00e0s pr\u00f3prias quest\u00f5es de imunidade da popula\u00e7\u00e3o de rua. Agora, que os abrigos s\u00e3o um foco de doen\u00e7as dermatol\u00f3gicas, s\u00e3o. Que s\u00e3o um foco de doen\u00e7as respirat\u00f3rias, s\u00e3o. Por isso \u00e9 t\u00e3o prevalente a tuberculose no meio da popula\u00e7\u00e3o de rua. Todos os dias eu ou\u00e7o eles falarem da sinfonia da tosse \u00e0 noite nos centros de acolhida, todo mundo tossindo. Agora, voc\u00ea imagina um dormit\u00f3rio que tem 200 pessoas e que est\u00e3o todos em beliche, uns em cima e outros embaixo, se 50% ali estiverem tossindo, como \u00e9 que fica?<\/p>\n<p><strong>Para falar de popula\u00e7\u00e3o de rua, precisamos falar de habita\u00e7\u00e3o\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Claro, \u00e9 um bin\u00f4mio que se repete, trabalho e moradia, sem um n\u00e3o existe o outro. E a\u00ed dar uma solu\u00e7\u00e3o meia-boca porque \u201cah, \u00e9 emerg\u00eancia\u201d\u2026 Emerg\u00eancia tem uma estrutura pronta, que \u00e9 o hotel. Mais do que ter um camping com banheiro qu\u00edmico, \u00e9 ter uma unidade habitacional no hotel onde cada unidade tenha um banheiro, que cada unidade habitacional tenha tr\u00eas ou quatro pessoas, no m\u00e1ximo, com um banheiro.<\/p>\n<p><strong>Algumas cidades do Brasil promoveram a solu\u00e7\u00e3o dos hot\u00e9is, caso de Niter\u00f3i. Isso chegou a ser discutido aqui?<\/strong><\/p>\n<p>O que acho extraordin\u00e1rio \u00e9 que as pessoas n\u00e3o sabem dessas coisas. Aqui em S\u00e3o Paulo a C\u00e2mara Municipal autorizou a prefeitura a contratar vagas em hot\u00e9is. A prefeitura fez um primeiro edital onde concorreram sete [hot\u00e9is] e nenhum foi homologado pela prefeitura. A\u00ed a prefeitura fez um segundo edital que faliu porque ningu\u00e9m concorreu. E agora a prefeitura tem 240 leitos contratados em hotel em emerg\u00eancia, sendo que a pr\u00f3pria prefeitura tinha anunciado que teria 500 leitos em hotel e o MP, respondendo a uma representa\u00e7\u00e3o, recomendou \u00e0 prefeitura 8 mil leitos\u2026<\/p>\n<p><strong>Essa recomenda\u00e7\u00e3o tem sido ignorada?<\/strong><\/p>\n<p>Sim.<\/p>\n<p><strong>Pela \u00faltima resposta que voc\u00eas tiveram da prefeitura em rela\u00e7\u00e3o a isso, eles n\u00e3o pretendem colocar esses 8 mil leitos?<\/strong><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o sei.<\/p>\n<p><strong>Um colega comentou que morrer de frio \u00e9 uma \u201cmorte medieval\u201d, uma morte que tem mil formas de ser evitada\u2026<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o acho que \u00e9 uma morte medieval, \u00e9 uma morte de agora, do s\u00e9culo 21, pois \u00e9 agora que essas pessoas est\u00e3o morrendo de frio. Quando tem toda a tecnologia, quando 80% da rede hoteleira est\u00e1 vazia, quando tem vereadores propondo camping\u2026 Na Idade M\u00e9dia, talvez n\u00e3o tivesse 80% de leitos ociosos em nenhuma hospedaria. Hoje tem. Acho que na Idade M\u00e9dia n\u00e3o tinha uma cidade t\u00e3o rica como \u00e9 S\u00e3o Paulo hoje. Acho que nem a Roma medieval era t\u00e3o rica como \u00e9 S\u00e3o Paulo hoje, nem Atenas, Floren\u00e7a, Veneza.<\/p>\n<p>www.apublica.org \/Julia Dolce<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para padre coordenador da Pastoral do Povo de Rua em S\u00e3o Paulo, a solu\u00e7\u00e3o para quem mora na rua n\u00e3o pode ser camping quando \u201ca cidade tem mais casa sem gente do que gente sem casa\u201d Um dos maiores aliados da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua em S\u00e3o Paulo, o padre J\u00falio Lancellotti, 71 anos, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":16184,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[123,454],"class_list":["post-16199","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-habitacao","tag-pandemia-desigualdade-social"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16199","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16199"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16199\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16200,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16199\/revisions\/16200"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16184"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16199"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16199"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16199"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}