{"id":16271,"date":"2020-09-10T11:05:21","date_gmt":"2020-09-10T14:05:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=16271"},"modified":"2020-09-10T11:05:21","modified_gmt":"2020-09-10T14:05:21","slug":"sem-acoes-do-governo-e-apoio-a-agricultura-familiar-precos-de-alimentos-disparam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/09\/10\/sem-acoes-do-governo-e-apoio-a-agricultura-familiar-precos-de-alimentos-disparam\/","title":{"rendered":"Sem a\u00e7\u00f5es do governo e apoio \u00e0 agricultura familiar, pre\u00e7os de alimentos disparam"},"content":{"rendered":"<p><strong>Trabalhadores cortam pela metade a compra de produtos b\u00e1sicos como arroz e feij\u00e3o, enquanto Bolsonaro faz marketing pedindo patriotismo a empres\u00e1rios. Dieese diz o que governo pode fazer para baixar os pre\u00e7os.<\/strong><\/p>\n<p>S\u00f3 nos primeiros oito meses deste ano, o arroz subiu, em m\u00e9dia, 30%, e feij\u00e3o acumula alta de 28,92%, segundo o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/com-alta-nos-alimentos-e-gasolina-inflacao-do-mes-e-a-maior-para-agosto-em-4-ano-5141\">IPCA do IBGE<\/a>, e ficaram caros demais para a maioria da popula\u00e7\u00e3o, em especial os trabalhadores e trabalhadoras mais pobres, que foram obrigados a cortar esses itens b\u00e1sicos, prefer\u00eancia nacional em todas as mesas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso da manicure Lucineide Moura, 52 anos, de S\u00e3o Paulo, casada, dois filhos, que reduziu a quantidade que dos produtos que comprava todos os meses para alimentar a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>\u201cAntes, a gente comprava tr\u00eas pacotes de 5kg de arroz. Cada um custava R$ 16,00. Hoje, pulou para R$ 24,00. Ent\u00e3o, agora, compramos s\u00f3 dois pacotes. Cortei o feij\u00e3o, o caf\u00e9, o a\u00e7\u00facar e procuro sempre o que \u00e9 mais barato\u201d, diz a trabalhadora, que n\u00e3o faz ideia do porque desses aumentos absurdos nem o que pode ser feito para conter a disparada dos pre\u00e7os.<\/p>\n<p>O vil\u00e3o da alta dos pre\u00e7os \u00e9 o modelo de produ\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio, a monocultura, que prioriza produtos para a exporta\u00e7\u00e3o como soja, caf\u00e9, a\u00e7\u00facar, trigo e carne, mesmo n\u00e3o sendo os mais consumidos pela popula\u00e7\u00e3o, explica o diretor t\u00e9cnico do Departamento Intersindical de Estat\u00edsticas e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), Fausto Augusto Junior.<\/p>\n<p>\u201cPelo conjunto dos alimentos que consumimos a nossa diversidade de produ\u00e7\u00e3o deveria ser muito maior, mas o agroneg\u00f3cio \u00e9 voltado somente para poucas culturas\u201d, diz.<\/p>\n<p>E nesse pequeno universo de produtos, com d\u00f3lar alto, hoje na casa dos R$ 5,30, o agroneg\u00f3cio v\u00ea mais vantagem, leia-se mais lucro, em vender a produ\u00e7\u00e3o para outros mercados, desabastecendo o mercado nacional.<\/p>\n<p>O diretor t\u00e9cnico do Dieese tamb\u00e9m responde a outro questionamento que os trabalhadores fazem quando a compra do b\u00e1sico para a fam\u00edlia compromete seus or\u00e7amentos e torna a sobreviv\u00eancia ainda mais complicada: tem como baixar? E a resposta \u00e9 simples: bastaria o pa\u00eds ter um presidente que adotasse pol\u00edticas p\u00fablicas, como manter estoques reguladores para abastecer o mercado interno. \u201cAl\u00e9m de inter-rela\u00e7\u00f5es com parceiros como a Argentina para a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os de clima temperado, caso do arroz e do trigo\u201d, pontua Fausto.<\/p>\n<p>\u201cMas tudo isso s\u00e3o a\u00e7\u00f5es estruturais que Bolsonaro n\u00e3o acredita e inclusive implode\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Outro caminho \u00e9 o fortalecimento da Agricultura Familiar no Brasil, respons\u00e1vel por cerca de 70% do que vai \u00e0 mesa dos brasileiros. O que o agroneg\u00f3cio n\u00e3o produz \u00e9 a agricultura familiar quem d\u00e1 conta.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 o feij\u00e3o, alimento que faz parte da cultura brasileira e que vem perdendo espa\u00e7o na produ\u00e7\u00e3o nacional. Pequenos produtores cultivam o gr\u00e3o, mas se o setor encolhe, n\u00e3o tem investimentos para produ\u00e7\u00e3o, como desde o golpe de 2016, que destituiu a presidenta Dilma Rousseff, o mercado interno tamb\u00e9m fica escasso para o produto, assim como de v\u00e1rios outros.<\/p>\n<p>\u201cO setor \u00e9 pouco valorizado no Brasil. Precisa de mais apoio e um olhar com muitos cuidados\u201d, diz o diretor t\u00e9cnico do Dieese.<\/p>\n<p>Com certeza, a solu\u00e7\u00e3o para resolver o problema n\u00e3o \u00e9 o que Jair Bolsonaro (ex-PSL) vem fazendo, indo \u00e0s redes sociais ou aparecendo na imprensa pedindo para os empres\u00e1rios manterem pre\u00e7os baixos, o que para ele significa um ato de patriotismo.<\/p>\n<h4><strong>Queda no poder de compra \u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>Fausto explica ainda que o consumo interno foi prejudicado pela redu\u00e7\u00e3o do poder de compra dos brasileiros desde o in\u00edcio da pandemia. Segundo ele, este \u00e9 outro fator que eleva os pre\u00e7os, ou seja, com menos gente comprando, os pre\u00e7os tamb\u00e9m ficam mais altos.<\/p>\n<p>A explos\u00e3o dos pre\u00e7os coincide com o per\u00edodo mais cr\u00edtico da pandemia do novo coronav\u00edrus (Covid-19), quando milhares de trabalhadores e trabalhadoras, em especial os mais pobres, foram demitidos ou tiveram a renda reduzida por causa das medidas para conter a expans\u00e3o do v\u00edrus como o isolamento social. No caso dos informais que dependem das ruas para vender seus produtos, a renda foi zerada.<\/p>\n<p>A manicure Lucineide e seu marido, que \u00e9 pintor de paredes, tiveram uma redu\u00e7\u00e3o enorme na renda familiar. Ela ficou sem trabalhar durante 4 meses sem renda alguma. Ele foi para casa com metade do sal\u00e1rio. Ambos voltaram a trabalhar, mas tanto o sal\u00e1rio quanto a oficina mec\u00e2nica continuam vazios, e com o aumento dos pre\u00e7os os cortes na compra de alimentos continuaram, sem prazo para terminar.<\/p>\n<p>Lucineide conseguiu receber o aux\u00edlio emergencial aprovado pelo Congresso Nacional de R$ 600, o que ajudou um pouco, mas agora, depois que\u00a0 Bolsonaro decidiu ampliar o pagamento do auxilio at\u00e9 dezembro, mas reduziu o valor para R$ 300,00, ela vai comprar cada vez menos porque enquanto a renda continua em queda, os pre\u00e7os aumentam sem parar, diz.<\/p>\n<p>\u201cDepois da pandemia, tive 80% de redu\u00e7\u00e3o no que eu ganhava. Agora a \u00e1gua aumentou, a luz aumentou, o pre\u00e7o do g\u00e1s \u00e9 um absurdo e a gente vai no mercado e v\u00ea esses pre\u00e7os altos. Quem aguenta?\u201d, questiona.<\/p>\n<h4><strong>Eu avisei<\/strong><\/h4>\n<p>Marcos Rochinski, Coordenador-Geral da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Contraf-Brasil), lembra que desde o in\u00edcio da pandemia, as entidades que representam os trabalhadores na agricultura familiar j\u00e1 alertavam para a alta nos pre\u00e7os nos alimentos.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 diz\u00edamos ao governo que era necess\u00e1rio investir na produ\u00e7\u00e3o e alimentos, que se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos credito emergencial e comercializa\u00e7\u00e3o para os agricultores familiares ter\u00edamos alta de pre\u00e7os, porque a partir do momento que n\u00e3o se estimula a produ\u00e7\u00e3o, essas pessoas se desestimulam ou produzem apenas o necess\u00e1rio para o seu consumo e o que tem certeza de que vai \u00a0comercializar\u201d.<\/p>\n<p>www.cut.org.br \/Marize Muniz e Andr\u00e9 Accarini<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trabalhadores cortam pela metade a compra de produtos b\u00e1sicos como arroz e feij\u00e3o, enquanto Bolsonaro faz marketing pedindo patriotismo a empres\u00e1rios. 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