{"id":16308,"date":"2020-09-14T11:39:20","date_gmt":"2020-09-14T14:39:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=16308"},"modified":"2020-09-14T11:40:30","modified_gmt":"2020-09-14T14:40:30","slug":"experiencia-de-equipes-medicas-evolui-e-salva-cada-vez-mais-pacientes-de-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/09\/14\/experiencia-de-equipes-medicas-evolui-e-salva-cada-vez-mais-pacientes-de-covid-19\/","title":{"rendered":"Experi\u00eancia de equipes m\u00e9dicas evolui e salva cada vez mais pacientes de covid-19"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\"><strong>Conhecimento adquirido sobre a doen\u00e7a avan\u00e7ou em tempo recorde e influencia queda nas taxas de letalidade<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ou\u00e7a o \u00e1udio:<\/strong><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-16308-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/14-09-20-AVANCOS-COVID-LUCAS-WEBER.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/14-09-20-AVANCOS-COVID-LUCAS-WEBER.mp3\">https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/14-09-20-AVANCOS-COVID-LUCAS-WEBER.mp3<\/a><\/audio>\n<p>Do atendimento prestado a pacientes com sintomas iniciais da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/minuto-a-minuto\/coronavirus-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">covid-19<\/a>\u00a0ao tratamento de casos mais graves, \u00e9 poss\u00edvel dizer que a experi\u00eancia adquirida por profissionais da sa\u00fade, cada vez mais, ajuda a salvar vidas. A afirma\u00e7\u00e3o se confirma na an\u00e1lise da taxa de letalidade no Brasil, que indica quantas pessoas infectadas pela doen\u00e7a evoluem a \u00f3bito. Esse \u00edndice, que j\u00e1 esteve pr\u00f3ximo de 7% no pa\u00eds, hoje \u00e9 de 3,1%.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 indicativos de que o v\u00edrus esteja circulando menos em territ\u00f3rio nacional e as taxas de isolamento, abaixo do ideal h\u00e1 v\u00e1rios meses, n\u00e3o justificam a mudan\u00e7a no cen\u00e1rio. Por outro lado, \u00e9 fato que nos postos de sa\u00fade, hospitais, enfermarias, emerg\u00eancias e UTIs, os profissionais t\u00eam\u00a0atuado de maneira in\u00e9dita.<\/p>\n<p>A agilidade na busca de solu\u00e7\u00f5es, tratamentos e t\u00e9cnicas que ampliem as expectativas de sobreviv\u00eancia dos pacientes acompanha um movimento na ci\u00eancia mundial que tamb\u00e9m nunca foi visto. Junto com a for\u00e7a de vontade e dedica\u00e7\u00e3o de quem est\u00e1 na linha de frente, as pesquisas evoluem em velocidade \u00fanica.<\/p>\n<p>\u201cEm qualquer condi\u00e7\u00e3o nova a gente tem uma curva de aprendizado que nesse caso teve que ser muito r\u00e1pida. A agilidade dos estudos que foram feitos ao longo da epidemia ajudou bastante na constru\u00e7\u00e3o desse conhecimento. Obviamente, a pr\u00e1tica do dia a dia tamb\u00e9m vai trazendo algumas nuances a mais do cuidado. Certamente uma pessoa que interna hoje para ser tratada tem uma chance maior de ter um bom desfecho do que no in\u00edcio da epidemia\u201d, afirma o infectologista e professor da Faculdade\u00a0de Medicina da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica (PUC) de Campinas, Andr\u00e9 Giglio Bueno.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a nos tratamentos n\u00e3o ocorreu apenas para os pacientes com a forma grave da doen\u00e7a. At\u00e9 mesmo para quem est\u00e1 com sintomas leves, foram estabelecidos novos protocolos que v\u00eam ajudando a diminuir a evolu\u00e7\u00e3o para casos\u00a0mais graves. Um deles \u00e9 a orienta\u00e7\u00e3o para que, aos primeiros sintomas, a popula\u00e7\u00e3o busque ajuda em unidades de atendimento.<\/p>\n<p>Inicialmente, a recomenda\u00e7\u00e3o era para que cidad\u00e3os e cidad\u00e3s com a forma leve da doen\u00e7a permanecessem em casa, uma tentativa de evitar dar mais chance \u00e0 propaga\u00e7\u00e3o da covid-19. Agora, a percep\u00e7\u00e3o \u00e9 de que os cuidados iniciais podem ser determinantes para evitar o agravamento da situa\u00e7\u00e3o e para o andamento correto do tratamento.<\/p>\n<p>De acordo com dados do Instituto Brasileiros de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o total de pessoas que buscaram o sistema de sa\u00fade com suspeita de covid-19 chegou a 3,3 milh\u00f5es em julho. O n\u00famero representa mais de 22% dos que tiveram algum sintoma. Em junho esse \u00edndice era de pouco mais de 19%.<\/p>\n<p>\u201cEssa orienta\u00e7\u00e3o inicial tem ajudado bastante os pacientes que t\u00eam a doen\u00e7a a entender os pontos principais aos quais \u00e9 preciso ficar atento. Quando eles\u00a0recebem essa orienta\u00e7\u00e3o presencial, com certeza aumenta as chances de ades\u00e3o. Deixa a pessoa mais tranquila e preparada para conduzir a observa\u00e7\u00e3o dela em casa\u201d, ressalta Andr\u00e9 Giglio Bueno.<\/p>\n<p>Outra mudan\u00e7a que trouxe resultados substanciais, principalmente em quadros de sintomas mais leves, foi o uso do ox\u00edmetro, aparelho que mede a quantidade de oxig\u00eanio no sangue. Ainda no in\u00edcio de 2020, equipes m\u00e9dicas come\u00e7aram a notar que o comprometimento do pulm\u00e3o em casos de covid-19, muitas vezes \u00e9 silencioso e n\u00e3o causa falta de ar, condi\u00e7\u00e3o chamada de hip\u00f3xia silenciosa. Os casos de pneumonia grave sem sintomas surpreenderam at\u00e9 mesmo profissionais com larga experi\u00eancia na \u00e1rea.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico estadunidense Richard Levitan, que atuou no tratamento de pacientes em Nova Iorque no per\u00edodo mais cr\u00edtico da cidade, publicou um artigo em abril apontando que o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/05\/13\/especialistas-orientam-nao-usar-oximetro-sem-recomendacoes-medicas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ox\u00edmetro<\/a>\u00a0podia indicar o problema de maneira simples e r\u00e1pida. Certamente, ele n\u00e3o foi o \u00fanico a perceber o potencial do aparelho. Hoje, o uso do ox\u00edmetro para pacientes com covid \u00e9 consenso. Em algumas cidades, as prefeituras chegam a enviar equipes para fazer a medi\u00e7\u00e3o na casa dos pacientes.<\/p>\n<p>Para os quadros mais graves da doen\u00e7a, a mudan\u00e7a nos tratamentos tamb\u00e9m foi substancial, inclusive nos atendimentos em UTI. A adapta\u00e7\u00e3o veio em paralelo a um entendimento mais efetivo dos efeitos da doen\u00e7a no corpo humano. Inicialmente, o v\u00edrus era associado a les\u00f5es pulmonares, mas a ci\u00eancia ainda n\u00e3o entendia os motivos que levavam ao agravamento dos quadros.<\/p>\n<p>A partir da percep\u00e7\u00e3o de que a resposta de defesa do pr\u00f3prio organismo causava sintomas mais graves, um novo passo foi dado. A covid-19 passou a ser vista como uma doen\u00e7a de duas fases: vir\u00eamica e imune.<\/p>\n<p><strong>Saiba mais:\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/09\/09\/vacina-em-janeiro-o-que-as-noticias-da-semana-indicam-sobre-o-andamento-dos-estudos\">Vacina em janeiro? O que as not\u00edcias da semana indicam sobre o andamento dos estudos<\/a><\/p>\n<p>\u201cFoi o que assustou. Porque a gente come\u00e7ou a ver pessoas jovens, que n\u00e3o deveriam ter problema de infec\u00e7\u00e3o viral, come\u00e7ar a manifestar algo mais grave,\u201d relata o m\u00e9dico Eduardo Sellan Lopes Gon\u00e7alves, que dirige a enfermaria dedicada \u00e0 covid-19 no Hospital das Cl\u00ednicas da Universidade Estadual de Campinas (HC Unicamp).<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Solu\u00e7\u00f5es criativas<\/p>\n<p>O profissional usa o termo \u201cassombroso\u201d para classificar o grau de avan\u00e7o dos tratamentos nesses menos de sete meses de presen\u00e7a do v\u00edrus no Brasil.\u00a0\u201cCom o passar do tempo, fomos vendo que talvez o que mudasse a mortalidade fosse intervir nessa segunda fase da doen\u00e7a. N\u00e3o tanto de pensar no v\u00edrus, mas sim em controlar a resposta do sistema de defesa, para que essa resposta n\u00e3o fosse excessiva e levasse a sintomas piores\u201d, completa Sellan.<\/p>\n<p>Uma das mudan\u00e7as mais importantes no tratamento de casos mais graves da covid-19 foi a ado\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas menos invasivas do que a intuba\u00e7\u00e3o. O uso de respiradores exige seda\u00e7\u00e3o do paciente e pode at\u00e9 mesmo ampliar as chances de pneumonia bacteriana. A substitui\u00e7\u00e3o do aparelho por outras manobras veio acompanhada de solu\u00e7\u00f5es criativas e, muitas vezes, simples.<\/p>\n<p>Uma delas, o ato de pronar o paciente, consiste em simplesmente mudar a posi\u00e7\u00e3o do doente. De bru\u00e7os ou de lado o sangue tem menos dificuldade de chegar ao pulm\u00e3o o que evita o ac\u00famulo de liquido na regi\u00e3o. No Amazonas, um empres\u00e1rio criou uma esp\u00e9cie de c\u00e1psula de acr\u00edlico para acomodar pacientes e proteger as equipes. Uma ONG do interior de S\u00e3o Paulo adaptou m\u00e1scaras de mergulho para ajudar os doentes a respirar.<\/p>\n<blockquote><p><em><strong>Hoje, a gente consegue tirar do quadro de insufici\u00eancia respirat\u00f3ria sem serem intubados.<\/strong><\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>As m\u00e1scaras reinalantes, evitadas inicialmente por temor de contamina\u00e7\u00e3o dos profissionais, passaram a ser usadas em leitos protegidos com bolhas de isolamento. A m\u00e9dica Karine de Almeida Araujo, coordenadora da enfermaria do Instituto Couto Maia, que fica em Salvador (BA), afirma que as formas menos invasivas de suporte respirat\u00f3rio beneficiam n\u00e3o s\u00f3 quem est\u00e1 em tratamento, mas tamb\u00e9m as\u00a0equipes<\/p>\n<p>\u201cNo in\u00edcio havia um estresse muito grande sobre como o paciente ia chegar e o que a gente ia fazer quando ele chegasse. O paciente chegava e a gente passava de um cateter de oxig\u00eanio simples direto para a intuba\u00e7\u00e3o. A gente ficava angustiada, eram pacientes l\u00facidos e orientados.\u201d<\/p>\n<p>Karine considera que a ado\u00e7\u00e3o de procedimentos menos invasivos \u00e9 um dos avan\u00e7os mais expressivos no tratamento da covid-19.\u00a0\u201cPacientes que chegam aqui hoje, a gente consegue tirar do quadro de insufici\u00eancia respirat\u00f3ria sem serem intubados. No in\u00edcio da pandemia isso n\u00e3o acontecia. Gerava uma angustia muito grande para gente porque o paciente, muitas vezes, chegava andando no pronto socorro.&#8221;<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Receitu\u00e1rio<\/p>\n<p>Houve avan\u00e7o ainda no tipo de medicamento usado para os sintomas. Os anticoagulantes passaram a ser ministrados para prevenir e tratar les\u00f5es e entupimento de art\u00e9rias e veias. O corticoide dexametasona tamb\u00e9m representou uma not\u00edcia muito positiva para os casos mais graves, por atuar nas inflama\u00e7\u00f5es que o pr\u00f3prio organismo causa ao se defender da covid. Estudos indicam que a subst\u00e2ncia diminui de 20 a 40% dos \u00f3bitos.<\/p>\n<blockquote><p><em><strong>Foi muito diferente do que a gente est\u00e1 acostumado a viver em medicina.<\/strong><\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>\u00c9 certo que a experi\u00eancia com a pandemia mudou tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o das equipes com os pacientes. A covid-19 exige isolamento e afasta a presen\u00e7a f\u00edsica das fam\u00edlias e amigos. Emocionada Karine conta que muitos pacientes chegam ao hospital em situa\u00e7\u00e3o de pavor e o papel dos profissionais nesse cen\u00e1rio vai al\u00e9m das interven\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas. Diariamente, eles lidam com a solid\u00e3o dos internados e com as pr\u00f3prias angustias e medos.<\/p>\n<p>\u201cA gente aprende a se colocar no lugar do outro. \u00c9 dif\u00edcil voc\u00ea sair disso tudo igual. Mudou at\u00e9 o nosso conceito de felicidade. No come\u00e7o da pandemia, felicidade para mim era poder ter um abra\u00e7o da minha fam\u00edlia. Agora, estamos afastados das fam\u00edlias, j\u00e1 que a gente est\u00e1 nessa, vamos nos dedicar aos pacientes.\u201d<\/p>\n<p><strong>Leia mais:\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/09\/13\/biotecnologia-prevencao-e-vacina-as-armas-de-cuba-para-enfrentar-a-covid-19\">Biotecnologia, preven\u00e7\u00e3o e vacina: as armas de Cuba para enfrentar a covid-19<\/a><\/p>\n<p>Eduardo Sellan Lopes Gon\u00e7alves, do HC da Unicamp, tamb\u00e9m considera um desafio lidar com o afastamento e a solid\u00e3o que a covid imp\u00f5e, \u201ca doen\u00e7a tem uma certa crueldade do ponto de vista do que a gente tem que fazer para evitar que outras pessoas peguem&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Algu\u00e9m chega ao hospital com suspeita de covid, essa pessoa \u00e9 internada, isolada da fam\u00edlia e se mantem isolada por todo o tempo de interna\u00e7\u00e3o. \u00c1s vezes, voc\u00ea tinha pacientes que ficavam dois meses internados e a fam\u00edlia ficava dois meses sem ver o paciente. Isso foi muito diferente do que a gente est\u00e1 acostumado a viver em medicina&#8221;, explica.<\/p>\n<blockquote><p><em><strong>Ouvir o discurso de desinforma\u00e7\u00e3o, que virou pr\u00e1tica no governo federal, d\u00e1 revolta.<\/strong><\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Os profissionais da sa\u00fade do mundo todo t\u00eam se deparado com situa\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas e subjetivas in\u00e9ditas para uma gera\u00e7\u00e3o inteira. Na linha de frente, eles contam com os esfor\u00e7os de toda a sociedade e sabem que os avan\u00e7os no tratamento n\u00e3o anulam o crescimento da pandemia no Brasil. Para controlar as infec\u00e7\u00f5es, cuidados como distanciamento social, higieniza\u00e7\u00e3o, uso de m\u00e1scara e a ado\u00e7\u00e3o de medidas por parte do poder p\u00fablico s\u00e3o percebidas como essenciais.<\/p>\n<p>\u201cBoa parte das pessoas com quem a gente conversa tiveram\u00a0alguma perda pr\u00f3xima\u201d, relata\u00a0Andr\u00e9 Giglio Bueno, da Puc Campinas. \u201cOuvir o discurso de desinforma\u00e7\u00e3o, que virou pr\u00e1tica no governo federal, d\u00e1 revolta. Estamos numa situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, dando o m\u00e1ximo para conseguir que todas as pessoas tenham as melhores condi\u00e7\u00f5es poss\u00edveis e, por outro lado, que tem a responsabilidade de pelo menos transmitir a mensagem correta faz justamente o contr\u00e1rio.\u00a0Para os profissionais da sa\u00fade\u00a0\u00e9 triste.\u201d<\/p>\n<p>www.brasildefato.com.br \/ Nara Lacerda<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conhecimento adquirido sobre a doen\u00e7a avan\u00e7ou em tempo recorde e influencia queda nas taxas de letalidade Ou\u00e7a o \u00e1udio: Do atendimento prestado a pacientes com sintomas iniciais da\u00a0covid-19\u00a0ao tratamento de casos mais graves, \u00e9 poss\u00edvel dizer que a experi\u00eancia adquirida por profissionais da sa\u00fade, cada vez mais, ajuda a salvar vidas. 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