{"id":16674,"date":"2020-10-07T12:00:57","date_gmt":"2020-10-07T15:00:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=16674"},"modified":"2020-10-07T12:01:23","modified_gmt":"2020-10-07T15:01:23","slug":"empresa-de-religiosa-com-organicos-fake-integra-lista-do-trabalho-escravo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/10\/07\/empresa-de-religiosa-com-organicos-fake-integra-lista-do-trabalho-escravo\/","title":{"rendered":"Empresa de religiosa com &#8220;org\u00e2nicos fake&#8221; integra lista do trabalho escravo"},"content":{"rendered":"<header class=\"c-content-head\" data-share-text=\"\">\n<div class=\"c-content-head__wrap\">\n<p><strong>&#8220;Jesus est\u00e1 voltando. Mas s\u00f3 vai ganhar o Reino dos C\u00e9us quem me seguir&#8221;. Prega\u00e7\u00f5es como estas eram usadas por Ana Vindoura Dias Luz, l\u00edder da Igreja Remanescente de Laodiceia, para aliciar dezenas de trabalhadores para sua empresa de alimentos em Bras\u00edlia. Ao inv\u00e9s de sal\u00e1rios, por\u00e9m, os funcion\u00e1rios eram pagos com a promessa de salva\u00e7\u00e3o divina.<\/strong><\/p>\n<p>A &#8220;ajuda de custo&#8221; que recebiam informalmente era, em parte, usada para bancar despesas da igreja e da empresa, segundo auditores-fiscais do trabalho que autuaram Dias Luz por submeter 79 trabalhadores a condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o. Os trabalhadores-fi\u00e9is dormiam em locais improvisados, como carrocerias de caminh\u00f5es, sob tetos de lona e ao lado de agrot\u00f3xicos, enquanto a l\u00edder religiosa vivia em uma casa confort\u00e1vel e espa\u00e7osa.<\/p>\n<p>Dias Luz \u00e9 uma das novas integrantes da &#8220;lista suja&#8221; do trabalho escravo, cadastro divulgado semestralmente pelo Minist\u00e9rio da Economia que relaciona os empregadores responsabilizados pela utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra escrava. Al\u00e9m da religiosa, outros dois empregadores entraram na lista: um do ramo da minera\u00e7\u00e3o e outro de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Ao todo, os tr\u00eas submeteram 96 trabalhadores \u00e0 escravid\u00e3o moderna e se somam a outros 109 empregadores que j\u00e1 integravam o cadastro (<a href=\"https:\/\/sit.trabalho.gov.br\/portal\/images\/CADASTRO_DE_EMPREGADORES\/CADASTRO_DE_EMPREGADORES.pdf\">veja a rela\u00e7\u00e3o completa<\/a>).<\/p>\n<p>O advogado Celso Correa de Oliveira, que defende Dias Luz e a Igreja de Laodiceia negou todas as acusa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Outro novo integrante da &#8220;lista suja&#8221; \u00e9 Ant\u00f4nio In\u00e1cio Maciel, dono da empresa A.I. Maciel Minera\u00e7\u00e3o, que foi flagrado submetendo 12 trabalhadores a condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0s de escravo em uma mina de extra\u00e7\u00e3o do min\u00e9rio caulim &#8211; material usado na fabrica\u00e7\u00e3o de papel, tintas, borrachas, pl\u00e1sticos, pesticidas, cosm\u00e9ticos e produtos farmac\u00eauticos \u2014, no munic\u00edpio de Salgadinho, na Para\u00edba.<\/p>\n<p>O terceiro grupo de empregadores inclu\u00eddo na &#8220;lista suja&#8221; s\u00e3o Luis Andr\u00e9 Schultz, Delfino Schultz e Alvin Schultz Neto, donos da Agroflorestal Schultz, de cultivo da erva-mate, em Bituruna, no Paran\u00e1. A fiscaliza\u00e7\u00e3o resgatou cinco trabalhadores que atuavam sem carteira assinada no plantio das mudas, incluindo um jovem com menos de 18 anos.<\/p>\n<h2>Pandemia engessa Justi\u00e7a e diminui ritmo da &#8220;lista suja&#8221;<\/h2>\n<p>A atualiza\u00e7\u00e3o \u00e9 a primeira desde que o\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/politica\/stf-supremo-tribunal-federal\/\">STF<\/a>\u00a0(Supremo Tribunal Federal)\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/ultimas-noticias\/agencia-estado\/2020\/09\/15\/divulgacao-de-lista-suja-do-trabalho-escravo-e-constitucional-decide-stf.htm\">reafirmou a constitucionalidade da publica\u00e7\u00e3o dos nomes de empregadores envolvidos com trabalho escravo<\/a>. Tamb\u00e9m \u00e9 a que apresenta o menor n\u00famero de novos empregadores \u2014 o \u00faltimo cadastro teve 41 novos nomes.<\/p>\n<p>Segundo auditores-fiscais ouvidos pela\u00a0<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>, a redu\u00e7\u00e3o deve-se ao fato de que o setor de recursos administrativos \u2014 em que empresas e empregadores podem questionar a autua\u00e7\u00e3o \u2014 est\u00e1 fechado desde mar\u00e7o, quando come\u00e7ou a pandemia do novo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/vivabem\/noticias\/redacao\/2020\/01\/25\/tire-suas-principais-duvidas-sobre-o-coronavirus-que-se-espalha-pelo-mundo.htm\">coronav\u00edrus<\/a>. Como o direito \u00e0 defesa n\u00e3o pode ser exercido neste momento, os nomes v\u00e3o se acumulando para as pr\u00f3ximas atualiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A l\u00edder religiosa \u00e9 dona da empresa Folha de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/esporte\/futebol\/times\/palmeiras\/\">Palmeiras<\/a>\u00a0Produtos Aliment\u00edcios, situada em uma ch\u00e1cara a 40 km da Esplanada dos Minist\u00e9rios, onde fica tamb\u00e9m a sede da igreja e uma comunidade com cerca de cem moradores.<\/p>\n<p>A propriedade foi alvo de megaopera\u00e7\u00e3o policial em mar\u00e7o de 2019, com a participa\u00e7\u00e3o de auditores-fiscais do trabalho e membros do MPF (Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal), MPT (Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho) e Pol\u00edcia Civil, al\u00e9m de representantes do governo do Distrito Federal e do conselho tutelar.<\/p>\n<h2>Empresa comercializava org\u00e2nicos &#8220;fake&#8221;<\/h2>\n<p>Na ch\u00e1cara funcionavam uma horta, uma empresa de produ\u00e7\u00e3o de alimentos org\u00e2nicos (como p\u00e3es, geleias, p\u00e3o de queijo e bolos) e uma confec\u00e7\u00e3o de roupas.<\/p>\n<p>Os produtos eram vendidos pelos fi\u00e9is em diversos estados, assim como os livros da mission\u00e1ria, que pregam a salva\u00e7\u00e3o por meio da alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel. At\u00e9 mercados de bairros nobres em Bras\u00edlia compravam os produtos supostamente org\u00e2nicos, sem conhecer os agrot\u00f3xicos que lhes eram aplicados \u2014 auditores encontraram dezenas de envases de pesticidas na propriedade.<\/p>\n<p>Parecia uma empresa como outra qualquer &#8211; faturando entre R$ 50 mil e R$ 60 mil por m\u00eas, conforme revelou a pr\u00f3pria Dias Luz no dia da opera\u00e7\u00e3o -, mas estava ancorada em uma s\u00e9rie de viola\u00e7\u00f5es trabalhistas. Ningu\u00e9m tinha a carteira de trabalho assinada e n\u00e3o eram pagos sal\u00e1rios nem recolhidos FGTS e INSS, segundo o relat\u00f3rio da fiscaliza\u00e7\u00e3o, ao qual a Rep\u00f3rter Brasil teve acesso.<\/p>\n<p>Eles tamb\u00e9m eram submetidos a r\u00edgidas regras de como se vestir, onde trabalhar e at\u00e9 mesmo quando usar o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/whatsapp\/\">WhatsApp<\/a>.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca da autua\u00e7\u00e3o, Dias Luz contou aos fiscais que os fi\u00e9is trabalhavam de forma &#8220;volunt\u00e1ria&#8221; e &#8220;aut\u00f4noma&#8221; e recebiam o lucro das vendas, que era dividido igualmente entre todos. Os auditores, por\u00e9m, n\u00e3o encontraram nenhum comprovante de pagamento. Os trabalhadores n\u00e3o souberam dizer seus ganhos mensais, e confirmaram que os valores recebidos sofriam descontos para custear despesas da igreja e da empresa.<\/p>\n<p>A come\u00e7ar pela pr\u00f3pria ch\u00e1cara, que estava sendo comprada pela denomina\u00e7\u00e3o religiosa. Os trabalhadores colaboravam com o financiamento do terreno e com as contas de luz, g\u00e1s e combust\u00edvel. Eles pagavam tamb\u00e9m taxas de moradia e bancavam as roupas e alimentos comprados no local, sem falar no d\u00edzimo e oferendas \u00e0 congrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As investiga\u00e7\u00f5es sobre o grupo religioso come\u00e7aram em dezembro de 2018, quando a Pol\u00edcia Civil recebeu den\u00fancia de que uma jovem era mantida em c\u00e1rcere privado na ch\u00e1cara, ap\u00f3s ela pr\u00f3pria pedir ajuda a ex-fi\u00e9is. A garota foi libertada em janeiro, ocasi\u00e3o em que Dias Luz chegou a ser presa, mas a a\u00e7\u00e3o judicial n\u00e3o foi adiante porque a jovem retirou a den\u00fancia.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca da autua\u00e7\u00e3o, os trabalhadores submetidos \u00e0 escravid\u00e3o n\u00e3o quiseram sair da ch\u00e1cara nem receber as parcelas de seguro-desemprego a que tinham direito &#8211; motivo pelo qual n\u00e3o houve resgate do grupo. &#8220;Essa \u00e9 a grande diferen\u00e7a desse caso para os outros de trabalho an\u00e1logo ao de escravo. Como existe a doutrina\u00e7\u00e3o religiosa, h\u00e1 o temor reverencial em rela\u00e7\u00e3o aos l\u00edderes, porque h\u00e1 uma s\u00e9rie de puni\u00e7\u00f5es pregadas pela igreja, como o castigo divino&#8221;, diz a procuradora Mercante.<\/p>\n<p>Pelas contas dos auditores-fiscais, Dias Luz deve R$ 5,4 milh\u00f5es em direitos trabalhistas.<\/p>\n<p>Leia a reportagem completa\u00a0<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2020\/10\/escravos-da-fe-seita-religiosa-de-brasilia-entra-na-lista-suja-do-trabalho-escravo\/\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>www.noticias.uol.com.br \/Diego Junqueira<\/p>\n<\/div>\n<\/header>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Jesus est\u00e1 voltando. Mas s\u00f3 vai ganhar o Reino dos C\u00e9us quem me seguir&#8221;. Prega\u00e7\u00f5es como estas eram usadas por Ana Vindoura Dias Luz, l\u00edder da Igreja Remanescente de Laodiceia, para aliciar dezenas de trabalhadores para sua empresa de alimentos em Bras\u00edlia. 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