{"id":16731,"date":"2020-10-09T01:36:57","date_gmt":"2020-10-09T04:36:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=16731"},"modified":"2020-10-09T01:38:15","modified_gmt":"2020-10-09T04:38:15","slug":"coronavirus-poe-fim-a-mais-de-20-anos-de-reducao-continua-da-pobreza-extrema-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/10\/09\/coronavirus-poe-fim-a-mais-de-20-anos-de-reducao-continua-da-pobreza-extrema-no-mundo\/","title":{"rendered":"Coronav\u00edrus p\u00f5e fim a mais de 20 anos de redu\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da pobreza extrema no mundo"},"content":{"rendered":"<p class=\"a_st font_secondary color_gray_dark \"><strong>Converg\u00eancia entre a pandemia e a mudan\u00e7a clim\u00e1tica afasta a promessa de erradica\u00e7\u00e3o desse problema social at\u00e9 2030, segundo o Banco Mundial<\/strong><\/p>\n<p class=\"\">As not\u00edcias boas costumam ocupar lugares muito menos destacados que as ruins. Isso ajuda a explicar por que, durante mais de duas d\u00e9cadas, os meios de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o deram na capa as melhores novidades poss\u00edveis: as redu\u00e7\u00f5es, ano ap\u00f3s ano,<b>\u00a0<\/b>da<b>\u00a0<\/b><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/economia\/2020-04-04\/coronavirus-ameaca-elevar-em-ate-22-milhoes-o-numero-de-pessoas-em-pobreza-extrema-na-america-latina.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">pobreza extrema no mundo<\/a>. Essa tend\u00eancia terminar\u00e1 neste 2020, marcado do in\u00edcio ao fim por uma pandemia que ter\u00e1\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/economia\/2020-07-16\/argentina-brasil-e-mexico-liderarao-o-aumento-regional-da-pobreza-devido-a-pandemia-de-coronavirus.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">efeitos devastadores para amplas camadas da popula\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0\u2014e, muito especialmente, para aqueles que est\u00e3o numa posi\u00e7\u00e3o mais fr\u00e1gil. O fragmento da popula\u00e7\u00e3o global que sobrevive com menos de 1,90 d\u00f3lar (10,60 reais) por dia (a medida mais dilacerante da pobreza, conforme os par\u00e2metros do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/banco-mundial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Banco Mundial<\/a>) passar\u00e1 de 8,4% para entre 9,1% e 9,4%, segundo as proje\u00e7\u00f5es reveladas na quarta-feira pelo organismo multilateral. O n\u00famero de pessoas abaixo dessa linha no mundo todo, por sua vez, aumentar\u00e1 de 643 milh\u00f5es para entre 729 e 703 milh\u00f5es. O incremento se concentrar\u00e1, muito particularmente, nos pa\u00edses emergentes.<\/p>\n<p class=\"\">Para encontrar a \u00faltima revers\u00e3o na tend\u00eancia de queda da pobreza extrema \u00e9 preciso voltar a 1998, quando a crise asi\u00e1tica arrastou consigo o ent\u00e3o incipiente bloco de na\u00e7\u00f5es de renda m\u00e9dia, provocando um aumento na trajet\u00f3ria de queda que j\u00e1 come\u00e7ava a se consolidar. Foi um pico conjuntural e relativamente limitado (0,4 pontos percentuais ou 47 milh\u00f5es de pessoas). Um ano depois, a pobreza extrema voltou a cair. Aquilo nada teve a ver, portanto, com o golpe deste 2020. E agora n\u00e3o se sabe ao certo se a revers\u00e3o na tend\u00eancia se restringir\u00e1 a um \u00fanico ano: no mais negativo dos dois cen\u00e1rios tra\u00e7ados pelo Banco Mundial, o n\u00famero de pessoas abaixo da linha da pobreza extrema continuar\u00e1 crescendo em 2021. Mais do que nunca, tudo est\u00e1 nas m\u00e3os da ci\u00eancia: a evolu\u00e7\u00e3o de todas as vari\u00e1veis econ\u00f4micas e sociais dependem hoje da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/ciencia\/2020-05-14\/por-que-sabemos-que-se-conseguira-a-vacina-contra-a-covid-19-se-nunca-conseguimos-contra-a-aids.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">exist\u00eancia ou n\u00e3o de uma vacina<\/a>.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cN\u00e3o t\u00ednhamos visto um aumento t\u00e3o grande desde 1990, quando come\u00e7amos a monitorar essa vari\u00e1vel\u201d, diz pelo telefone Carolina S\u00e1nchez-P\u00e1ramo, diretora da \u00e1rea de Pobreza do Banco Mundial. \u201cE o que nos preocupa \u00e9 que, ao observarmos o que aconteceu em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/economia\/2020-03-30\/licoes-de-1918-as-cidades-que-se-anteciparam-no-distanciamento-social-cresceram-mais-apos-a-pandemia.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">pa\u00edses que sofreram pandemias no passado<\/a>, vemos que epis\u00f3dios desse tipo\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/economia\/2020-06-01\/coronavirus-joga-sal-sobre-a-ferida-da-desigualdade-e-aumenta-a-diferenca-economica.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">tendem a aumentar a desigualdade<\/a>. Isso nos deixaria numa situa\u00e7\u00e3o ainda pior: a economia e o cidad\u00e3o m\u00e9dio se recuperariam, mas n\u00e3o seria o caso de todas essas pessoas que est\u00e3o na parte inferior da distribui\u00e7\u00e3o de renda.\u201d<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/B4Jxuq_6oEoMZ2xAtmCTpUkiI9A=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/LMAYRVT43VBYVM3KVGF53ZK6EM.jpeg\" alt=\"\" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\"><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">A pandemia n\u00e3o apenas trar\u00e1 como novidade a revers\u00e3o de uma tend\u00eancia anterior de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/planeta_futuro\/2020-05-21\/desenvolvimento-humano-cai-pela-primeira-vez-desde-1990-em-meio-a-pandemia-de-coronavirus.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">melhoria dos indicadores de bem-estar<\/a>\u00a0que parecia consolidada. Tamb\u00e9m continuar\u00e1 sendo um fen\u00f4meno\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/sociedade\/2020-06-08\/comunidades-rurais-da-america-latina-enfrentam-o-avanco-do-coronavirus.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">particularmente associado \u00e0s zonas rurais<\/a>, onde \u00e9 mais frequente e tende a ser mais agressiva. Mas desta vez o maior incremento ser\u00e1 nas cidades. \u201cAqui h\u00e1 uma grande diferen\u00e7a: muitos dos novos pobres extremos vivem em pa\u00edses de renda m\u00e9dia [nos quais havia se concentrado a maior parte da queda na pobreza nas \u00faltimas d\u00e9cadas] e tendem a estar em \u00e1reas urbanas, n\u00e3o rurais, e a ter maior forma\u00e7\u00e3o\u201d, explica S\u00e1nchez-P\u00e1ramo. \u201cUma parte dos que cair\u00e3o na pobreza por causa da crise s\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-10-05\/o-horror-da-fome-ronda-a-familia-de-marlucia-diante-do-impasse-sobre-o-auxilio-emergencial.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">pessoas que j\u00e1 tinham sa\u00eddo dela<\/a>\u00a0no per\u00edodo de crescimento anterior, seja por uma migra\u00e7\u00e3o rural-urbana ou por terem encontrado um trabalho que pagava um pouco mais. Agora, com esse choque,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-08-31\/o-auxilio-que-revoluciona-a-vida-no-ceara-nao-salva-da-rua-em-sao-paulo.html?rel=listapoyo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">perderam seu emprego e sua renda<\/a>\u00a0\u2014e voltam a estar numa posi\u00e7\u00e3o de pobreza. A magnitude e a natureza do choque empurraram a pobreza para muitas pessoas que n\u00e3o a tinham vivido.\u201d Em sua maioria, diz a especialista, s\u00e3o assalariados do setor informal.<\/p>\n<p class=\"\">Embora o\u00a0<b>coronav\u00edrus<\/b>\u00a0tenha sido o fator determinante para mudar completamente o panorama, os t\u00e9cnicos do Banco Mundial lembram que os avan\u00e7os nessa frente vinham perdendo f\u00f4lego havia tempo: desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 2010. Entre 2015 e 2017, por exemplo, 52 milh\u00f5es de pessoas sa\u00edram da pobreza, mas em termos relativos a diminui\u00e7\u00e3o foi muito mais modesta: apenas meio ponto percentual, metade da registrada entre 1990 e 2015.<\/p>\n<p>E a pandemia s\u00f3 piorou as coisas. \u201cA\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/sociedade\/2020-10-03\/mascaras-e-distancia-social-nao-irao-deter-a-proxima-pandemia-tomar-cuidado-com-o-carrinho-de-compras-sim.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">converg\u00eancia entre a covid-19 e a mudan\u00e7a clim\u00e1tica<\/a>\u00a0afasta o objetivo de acabar com esse tipo de pobreza em 2030 se n\u00e3o houver uma a\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, significativa e substancial\u201d, diz o documento apresentado nesta quarta-feira, que se apresenta como um \u201cchamado \u00e0 a\u00e7\u00e3o\u201d. Segundo os c\u00e1lculos do organismo sediado em Washington, a carestia extrema vai girar em torno dos 7% em 2030 se n\u00e3o forem tomadas medidas mais decididas. \u00c9 apenas um ponto e meio a menos que em 2019, quando n\u00e3o havia nem sinal do novo coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>www.brasil.elpais.com \/ Ignacio Fariza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Converg\u00eancia entre a pandemia e a mudan\u00e7a clim\u00e1tica afasta a promessa de erradica\u00e7\u00e3o desse problema social at\u00e9 2030, segundo o Banco Mundial As not\u00edcias boas costumam ocupar lugares muito menos destacados que as ruins. 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