{"id":16823,"date":"2020-10-15T22:26:06","date_gmt":"2020-10-16T01:26:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=16823"},"modified":"2020-10-15T22:26:06","modified_gmt":"2020-10-16T01:26:06","slug":"inflacao-para-os-mais-pobres-legitima-desigualdade-diz-economista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/10\/15\/inflacao-para-os-mais-pobres-legitima-desigualdade-diz-economista\/","title":{"rendered":"Infla\u00e7\u00e3o para os mais pobres legitima desigualdade, diz economista"},"content":{"rendered":"<p><strong>No acumulado de 12 meses, a infla\u00e7\u00e3o para a classe de renda muito baixa (4,3%) foi mais que o dobro da registrada para a parcela mais rica (1,8%).<\/strong><\/p>\n<p>O processo de infla\u00e7\u00e3o legitima o estado da desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o de renda, afirma o economista o Paulo Kliass. Kliass comentou as divulga\u00e7\u00f5es sucessivas de \u00edndices inflacion\u00e1rios que mostram que a parcela mais pobre da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 a mais afetada pela alta de pre\u00e7os.<\/p>\n<p>Dados divulgados nesta quarta-feira (14) pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica e Aplicada (Ipea) mostraram que o fen\u00f4meno continuou em setembro. Enquanto a varia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os registrada para a popula\u00e7\u00e3o mais pobre (rendimento domiciliar inferior a R$ 1.650) ficou em 0,98% no m\u00eas passado, enquanto na parcela de maior poder aquisitivo (renda a partir de R$ 16.509,66) foi de 0,29%. Os alimentos e bebidas responderam por quase 75% da taxa de infla\u00e7\u00e3o dos mais pobres.<\/p>\n<p>No acumulado em 12 meses, de outubro de 2019 a setembro de 2020, a infla\u00e7\u00e3o cresceu em todas as faixas da popula\u00e7\u00e3o, mas foi maior (4,3%) para a classe de renda muito baixa e menor para a parcela mais rica (1,8%).<\/p>\n<p>Paulo Kliass explica que a percep\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o dentro de cada grupo depende da cesta de consumo, ou seja, do conjunto de bens e servi\u00e7os adquiridos mensalmente. Por ser menor, a renda dos mais pobres vai quase toda para a satisfa\u00e7\u00e3o de necessidades b\u00e1sicas, como alimenta\u00e7\u00e3o e moradia, itens que registraram alta de pre\u00e7os nos \u00faltimos meses. Por outro lado, a cesta das fam\u00edlias de maior renda \u00e9 mais diversificada e, por isso, h\u00e1 maior chance de al\u00edvio do processo inflacion\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cA popula\u00e7\u00e3o de alta renda tem outros tipos de bens cujos pre\u00e7os cresceram menos, proporcionalmente ao que est\u00e1 na cesta de consumo da popula\u00e7\u00e3o de renda muito baixa. A infla\u00e7\u00e3o acentua esse processo [de desigualdade]. A popula\u00e7\u00e3o de alta renda pode continuar consumindo, e o que ela est\u00e1 consumindo est\u00e1 crescendo menos que para a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda\u201d, afirma Kliass.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 que, durante a pandemia, diminu\u00edram os pre\u00e7os de mensalidades de cursos privados. Como as escolas estavam dando aulas a dist\u00e2ncia, algumas concederam descontos, que acabaram se refletindo nos \u00edndices inflacion\u00e1rios. O movimento beneficiou fam\u00edlias com uma condi\u00e7\u00e3o financeira melhor, que podem pagar por uma escola ou faculdade particular.<\/p>\n<p>Quem tem uma renda um pouco melhor tamb\u00e9m tem mais margem de manobra. \u00c9 poss\u00edvel deixar de ir ao sal\u00e3o de beleza, adiar a compra de uma roupa ou um cal\u00e7ado, por exemplo. No caso dos mais pobres, no entanto, os gastos s\u00e3o muito b\u00e1sicos e por isso mesmo dif\u00edceis de substituir. Como deixar de se alimentar ou de pagar a contar de luz? \u00c9 o que muitos se v\u00eam obrigados a fazer.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m dos altos pre\u00e7os, o que voc\u00ea faz se voc\u00ea tem uma renda maior e os pre\u00e7os sobem? Voc\u00ea substitui o consumo. No caso dos mais pobres, como \u00e9 que voc\u00ea resolve isso? Diminuindo a quantidade. Quem consegue substituir o arroz pelo macarr\u00e3o, substitui. Quem n\u00e3o consegue, corta. Come menos\u201d, comenta Paulo Kliass.<\/p>\n<p>O economista considera ainda o governo omisso no que diz respeito \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que poderiam melhorar a situa\u00e7\u00e3o. Um exemplo, diz, \u00e9 a desmobiliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de estoques reguladores de alimentos, que v\u00eam sendo desidratados desde 2016. Antigamente, quando havia um desequil\u00edbrio de mercado, o governo federal comprava ou vendia alimentos conforme o cen\u00e1rio. Diante das incertezas da pandemia, muitos pa\u00edses priorizaram suas popula\u00e7\u00f5es e refor\u00e7aram estoques de alimentos b\u00e1sicos (este \u00e9 um dos motivos da alta demanda externa), mas n\u00e3o o Brasil.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s zerar o imposto de importa\u00e7\u00e3o do arroz na tentativa de conter os pre\u00e7os, medida que at\u00e9 o momento n\u00e3o surtiu efeito, o governo n\u00e3o quer mais intervir e defende que os pre\u00e7os v\u00e3o se normalizar naturalmente. A ministra da Agricultura, Teresa Cristina, diz que \u00e9 preciso aguardar a pr\u00f3xima safra do arroz, em 2021. Mas o arroz n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico alimento cujo pre\u00e7o est\u00e1 subindo e o real segue extremamente desvalorizado frente ao d\u00f3lar. Ou seja, o cen\u00e1rio tende a continuar favor\u00e1vel \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es, que os produtores t\u00eam priorizado em detrimento do mercado interno.<\/p>\n<p>\u201cPara eles [governo], tudo se resolve pela livre a\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de mercado. Oferta e demanda v\u00e3o se equilibrar. Enquanto isso, a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda fica fragilizada\u201d, comenta Paulo Kliass.<\/p>\n<p>www.vermelho.org.br \/ Mariana Branco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No acumulado de 12 meses, a infla\u00e7\u00e3o para a classe de renda muito baixa (4,3%) foi mais que o dobro da registrada para a parcela mais rica (1,8%). 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