{"id":16868,"date":"2020-10-19T12:11:20","date_gmt":"2020-10-19T15:11:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=16868"},"modified":"2020-10-19T12:11:20","modified_gmt":"2020-10-19T15:11:20","slug":"jornada-de-lutas-contra-a-fome-e-pela-soberania-alimentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/10\/19\/jornada-de-lutas-contra-a-fome-e-pela-soberania-alimentar\/","title":{"rendered":"Jornada de lutas contra a fome e pela soberania alimentar"},"content":{"rendered":"<p><strong>Na sexta-feira (16), aconteceu o Dia Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o. Segundo a ONU (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas), que instituiu a data, \u00e9 uma ocasi\u00e3o para nos lembrarmos daqueles que sofrem com a fome e da necessidade de garantir uma dieta equilibrada para todos.<\/strong><\/p>\n<p>Aqui no Brasil, a fome diminuiu em 82% durante os governos Lula e Dilma (2002 a 2013), o que fez o pa\u00eds sair do mapa da fome da ONU. Mas ap\u00f3s o golpe de 2016, que levou Michel Temer \u00e0 Presid\u00eancia e desaguou dois anos depois na vit\u00f3ria de Jair Bolsonaro, voltou a subir. A tal ponto que, em 2018, voltou a constar no mapa da fome.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil deduzir dos fatos que o problema, que assume dimens\u00f5es assustadoras no capitalismo em per\u00edodos cr\u00edticos como o que estamos vivendo, \u00e9 antes de tudo pol\u00edtico e s\u00f3 encontrar\u00e1 solu\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O levantamento mais recente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica) indica que mais de 10 milh\u00f5es de brasileiros e brasileiras passam fome no pa\u00eds. Esse panorama foi atenuado pelo aux\u00edlio emergencial de R$ 600,00 aprovado pelo Congresso Nacional, mas deve se agravar um pouco mais com o avan\u00e7o do desemprego e a redu\u00e7\u00e3o do valor do benef\u00edcio a R$ 300,00.<\/p>\n<p><strong>Jornada de lutas<\/strong><\/p>\n<p>O aumento da fome no Brasil, a redu\u00e7\u00e3o do valor do aux\u00edlio emergencial\u00a0e os ataques \u00e0 agricultura familiar est\u00e3o no centro dos debates e das a\u00e7\u00f5es da Jornada Nacional de Lutas contra a Fome e por Soberania Alimentar, que realiza mais de 100 atividades em 18 estados nesta sexta (16) e no s\u00e1bado.<\/p>\n<p>A jornada, que come\u00e7ou na segunda-feira (12), conta com a participa\u00e7\u00e3o da Via Campesina Brasil, das frente Brasil Popular e Povo Sem Medo, movimentos e organiza\u00e7\u00f5es do Campo Unit\u00e1rio por Terra Trabalho e Dignidade, F\u00f3rum das Centrais Sindicais e o Renda B\u00e1sica, entre outros.<\/p>\n<p>Entre as atividades para chamar a aten\u00e7\u00e3o para o descaso do governo federal com as popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis, que fez o Brasil retornar ao mapa da fome, e pedir o #ForaBolsonaro, est\u00e3o as da Periferia Viva \u2013 articulada pelo Levante Popular da Juventude. Trata-se de uma iniciativa dos movimentos populares das periferias brasileiras que busca articular apoio aos esfor\u00e7os j\u00e1 em curso de mobiliza\u00e7\u00e3o social e vigil\u00e2ncia civil frente \u00e0 pandemia.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m est\u00e3o previstas a\u00e7\u00f5es de solidariedade envolvendo a campanha Mutir\u00e3o Contra a Fome. Desde o in\u00edcio da pandemia, essa iniciativa doou mais de 70 toneladas de alimentos para comunidades carentes nas cidades.<\/p>\n<p><strong>Leia abaixo a nota divulgada pelas entidades envolvidas na campanha:<\/strong><\/p>\n<p><em><strong>\u201cContra a fome e pelo direito de se alimentar bem<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Metade da humanidade n\u00e3o come; e a outra metade n\u00e3o dorme, com medo da que n\u00e3o come\u201d. Josu\u00e9 de Castro, em Geografia da Fome.<\/em><\/p>\n<p><em>A pandemia escancarou as consequ\u00eancias da crise do capital sobre a vida dos trabalhadores e trabalhadoras. Essa crise, pol\u00edtica, econ\u00f4mica, social e ambiental, n\u00e3o \u00e9 provocada por n\u00f3s, mas pelas empresas do capital e por um estado empresarial, repressor. Mas somos n\u00f3s que pagamos a conta e sofremos as consequ\u00eancias.<\/em><\/p>\n<p><em>Somos mais de 14 milh\u00f5es de desempregados e cerca de 40 milh\u00f5es de pessoas que vivem do trabalho informal ou trabalho prec\u00e1rio. O Brasil voltou para o Mapa da Fome, em decorr\u00eancia de gest\u00f5es que ignoram as necessidades reais do povo e para garantir os lucros exorbitantes do capital que n\u00e3o tem p\u00e1tria e menos ainda senso de humanidade. As exporta\u00e7\u00f5es dos produtos brasileiros nada t\u00eam a ver com a solidariedade aos povos de outros pa\u00edses, sen\u00e3o a gan\u00e2ncia, mesmo que falte o que comer ao povo brasileiro.<\/em><\/p>\n<p><em>Esse \u00e9 o quadro que coloca os mais pobres de volta \u00e0 fome. E que tamb\u00e9m traz problemas para os setores m\u00e9dios. Pois o pre\u00e7o dos alimentos tem aumentado de forma assustadora, j\u00e1 que o agroneg\u00f3cio produz commodities, os supermercados especulam com a fome e as empresas promovem o uso de comidas artificiais que s\u00f3 deixam a popula\u00e7\u00e3o adoecida.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Depois do golpe<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Em 2018 \u2013 dois anos p\u00f3s o golpe ao governo Dilma Rousseff \u2013 o Brasil j\u00e1 contabilizava 10,3 milh\u00f5es de brasileiros e de brasileiras em situa\u00e7\u00e3o de pobreza ou de extrema pobreza (segundo dados do IBGE). E esta fome n\u00e3o est\u00e1 somente na cidade. Esses n\u00fameros j\u00e1 s\u00e3o infinitamente maiores e imaginemos como estar\u00e1 o povo pobre no pr\u00f3ximo per\u00edodo sujeito \u00e0 alta no pre\u00e7o dos alimentos.<\/em><\/p>\n<p><em>A falta de controle de estoque de alimentos regulado pelo Estado, a exist\u00eancia de um Plano Safra exclusivo para o agroneg\u00f3cio, bem como os vetos \u00e0s medidas de apoio e fortalecimento da Agricultura Familiar e Camponesa, que \u00e9 respons\u00e1vel em produzir comida de verdade, \u00e9 o que tem piorado a situa\u00e7\u00e3o de fome no Brasil<\/em><\/p>\n<p><em>A crueldade das empresas e ind\u00fastrias de alimentos est\u00e1 presente em todos os lugares, do campo, das \u00e1guas, florestas e da cidade. Seja na introdu\u00e7\u00e3o dos agrot\u00f3xicos dentro do modelo produtivo. Seja na forma como se apresentam os alimentos ultraprocessados que n\u00e3o possuem capacidade de nutrir dos corpos e mentes humanos. Descarta-se o lixo das ind\u00fastrias na boca de nossas crian\u00e7as, e a classe trabalhadora tem sido a mais afetada nisso com menos tempo para o preparo dos alimentos nos grandes centros urbanos.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Mulheres mais atingidas<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Nesse quadro, as mulheres t\u00eam sido as mais atingidas. Elas s\u00e3o historicamente respons\u00e1veis pela alimenta\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias. E por isso t\u00eam que lidar com o combate \u00e0 fome, buscando formas de colocar comida na mesa, lidando com a falta de emprego, pois foram as que mais perderam o emprego com as crises e, ainda, enfrentam uma grave amplia\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia. A juventude, em especial a negra, segue morrendo nas periferias das cidades e sem oportunidades de produzir nos seus territ\u00f3rios. Os povos e comunidades tradicionais t\u00eam seus territ\u00f3rios atacados ainda mais, como forma do capital retomar suas taxas de lucro.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>A natureza tamb\u00e9m tem sido duramente amea\u00e7ada e com ela a vida humana. Imagens de animais selvagens morrendo pelo fogo chocam o mundo inteiro. Nossas florestas est\u00e3o sendo destru\u00eddas com a \u00fanica fun\u00e7\u00e3o de manter a acumula\u00e7\u00e3o capitalista materializada em sua forma atrasada no agroneg\u00f3cio brasileiro. A resist\u00eancia \u00e9 necess\u00e1ria e deve se dar entre todos que acreditam numa sociedade mais justa, onde todos possam comer e viver com dignidade.<\/em><\/p>\n<p><em>Seguimos afirmando que a agricultura familiar e camponesa \u00e9 o alicerce para a soberania alimentar de uma na\u00e7\u00e3o. Por isso lutamos no campo e na cidade pela defesa dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas, quilombolas, camponeses, pesqueiros, dos Fundos e Fecho de Pasto. Pela constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que contemplem desde a produ\u00e7\u00e3o ao consumo. Recha\u00e7amos a expans\u00e3o agr\u00edcola e mineral que avan\u00e7a sobre \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o de alimentos e sobre as florestas e biomas.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Para combater a fome no Brasil nos comprometemos<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em><strong>1 \u2013<\/strong> Seguir com todas as a\u00e7\u00f5es de solidariedade humana que t\u00eam ajudado a salvar vidas. Atrav\u00e9s da partilha do pouco que temos, amenizando a situa\u00e7\u00e3o de fome de muitas fam\u00edlias, principalmente as crian\u00e7as. Nossa solidariedade \u00e9 de classe, ativa e org\u00e2nica para que os povos se organizem a mudar sua realidade de vida.<\/em><\/p>\n<p><strong>2 \u2013<\/strong><em> Lutar pela derrubada dos Vetos de Bolsonaro \u00e0 Lei de Assis de Carvalho, proposta no PL 735\/2020. \u00c9 um passo fundamental para ampliar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis pela Agricultura Familiar e camponesa. E para poder disponibilizar esse alimento para quem mais precisa, garantindo renda aos povos, especialmente as mulheres e a juventude.<\/em><\/p>\n<p><strong>3 \u2013<\/strong><em> Lutar pela retomada constru\u00e7\u00e3o dos estoques p\u00fablicos de alimento URGENTE, para que o Estado regule pre\u00e7os e n\u00e3o deixe faltar os itens b\u00e1sicos para o povo do seu pa\u00eds a exemplo do feij\u00e3o, do arroz, dentre outros. Construir um sistema de abastecimento alimentar. Sabemos que os estoques p\u00fablicos que regulam os pre\u00e7os nas entressafras e nas situa\u00e7\u00f5es de problemas clim\u00e1ticos s\u00e3o decisivos para manter a alimenta\u00e7\u00e3o do povo.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>4 \u2013<\/strong> Enfrentar este governo que tem abertamente decretado a fome para o pa\u00eds. FORA BOLSONARO! A libera\u00e7\u00e3o do Aux\u00edlio Emergencial, que at\u00e9 agora fez a diferen\u00e7a na vida das pessoas, n\u00e3o foi por vontade do governo federal que, na primeira oportunidade que teve, negou o apoio para os agricultores\/as seguirem produzindo alimentos (veto ao PL 735). Reafirmar o direito ao pleno emprego e a uma renda digna \u00e9 materializar o direito de se alimentar bem, com seguran\u00e7a e soberania alimentar.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>5 \u2013<\/strong> Lutar para que todas as pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da soberania alimentar tenham a capacidade de atender as demandas diferenciadas dos povos e comunidades tradicionais, da juventude e das mulheres, como forma de garantir um desenvolvimento econ\u00f4mico, social e ambiental baseado na agroecologia e na igualdade de condi\u00e7\u00f5es para todos. \u00c9 necess\u00e1rio retomar o Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos (PAA). Fortalecer o Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar (PNAE). Ampliar o acesso \u00e0 \u00e1gua para abastecimento humano e para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos com cisternas e expandir a rede de restaurantes populares.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Alimentar a esperan\u00e7a<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>N\u00f3s, Movimentos Populares, Entidades e Sindicatos do campo e da cidade vamos continuar lutando e alimentando a esperan\u00e7a. Defendemos um Programa de Renda B\u00e1sica Permanente, Programa de Produ\u00e7\u00e3o de Alimentos Saud\u00e1veis. A derrubada dos Vetos \u00e0 Lei Assis Carvalho, Programas de Compra de Alimentos com doa\u00e7\u00e3o a quem precisa. Programa de Gera\u00e7\u00e3o de Empregos, Abastecimento de \u00c1gua e Valoriza\u00e7\u00e3o do Sal\u00e1rio M\u00ednimo.<\/em><\/p>\n<p><em>Por isso, neste DIA MUNDIAL EM DEFESA DA ALIMENTA\u00c7\u00c3O, temos a responsabilidade de nos dirigir \u00e0 sociedade brasileira para manifestar nossa grande preocupa\u00e7\u00e3o com a fome que se agrava em nosso pa\u00eds.<\/em><\/p>\n<p><em>A produ\u00e7\u00e3o de alimentos depende da preserva\u00e7\u00e3o ambiental e da biodiversidade dos biomas. Para manter as florestas em p\u00e9, precisamos dos povos do campo, das \u00e1guas e das florestas, VIVOS e em seus TERRIT\u00d3RIOS. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 fogo, \u00e9 capitalismo e destrui\u00e7\u00e3o. Tirem as m\u00e3os das nossas riquezas! Soberania nacional e popular j\u00e1!! Fora Imperialismo!<\/em><\/p>\n<p><em>Alimentar a esperan\u00e7a para alimentar as pessoas!\u201d<\/em><\/p>\n<p>www.ctb.org.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na sexta-feira (16), aconteceu o Dia Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o. Segundo a ONU (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas), que instituiu a data, \u00e9 uma ocasi\u00e3o para nos lembrarmos daqueles que sofrem com a fome e da necessidade de garantir uma dieta equilibrada para todos. 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