{"id":17084,"date":"2020-10-30T13:29:30","date_gmt":"2020-10-30T16:29:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=17084"},"modified":"2020-10-30T13:29:30","modified_gmt":"2020-10-30T16:29:30","slug":"vidas-negras-importam-la-fora-nao-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/10\/30\/vidas-negras-importam-la-fora-nao-no-brasil\/","title":{"rendered":"\u2018Vidas negras importam. L\u00e1 fora, n\u00e3o no Brasil\u2019"},"content":{"rendered":"<div class=\"eltdf-title-cat\"><\/div>\n<p class=\"eltdf-title-text\"><strong><span style=\"font-size: 16px;\">No document\u00e1rio \u2018Sem Descanso\u2019, Bernard Attal busca as ra\u00edzes hist\u00f3ricas e sociol\u00f3gicas da viol\u00eancia policial, cada vez mais naturalizada<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Geovane Mascarenhas Santana, de 22 anos, foi visto pela \u00faltima vez em 2 de agosto de 2014, durante uma abordagem policial no sub\u00farbio de Salvador. Uma c\u00e2mera de seguran\u00e7a registrou o momento em que o jovem, conduzindo uma moto, foi parado e agredido por agentes das Rondas Especiais da Pol\u00edcia Militar da Bahia. Depois de ser levado pela viatura, o rapaz desapareceu.<\/p>\n<p>Jurandy Santana passou 13 dias procurando pistas sobre a localiza\u00e7\u00e3o do filho, at\u00e9 a Pol\u00edcia Cient\u00edfica concluir a identifica\u00e7\u00e3o de um corpo decapitado e carbonizado encontrado dias antes, em dois bairros distintos da capital baiana: a cabe\u00e7a em Campinas de Piraj\u00e1 e o tronco no Parque S\u00e3o Bartolomeu. Era Geovane.<\/p>\n<p>Em cartaz no circuito nacional a partir de 5 de novembro, o document\u00e1rio\u00a0<em>Sem Descanso<\/em>, do diretor Bernard Attal, mostra a saga do pai Jurandy e de rep\u00f3rteres do Correio da Bahia em busca de respostas. Primeiro, sob o paradeiro de Geovane. Depois, sobre o que aconteceu enquanto ele estava sob a cust\u00f3dia do Estado.<\/p>\n<p>Mais do uma simples reconstitui\u00e7\u00e3o dos fatos que levaram \u00e0 morte do jovem negro, o filme procura as ra\u00edzes hist\u00f3ricas e sociol\u00f3gicas da viol\u00eancia policial no Brasil, uma chaga que acabou naturalizada pela popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o por acaso, Attal busca estabelecer um paralelo com o movimento\u00a0<em>Black Lives Matter<\/em>\u00a0nos EUA.<\/p>\n<p>\u201cAs vidas negras importam. L\u00e1 fora, n\u00e3o no Brasil\u201d, lamenta o diretor, em entrevista a\u00a0<strong>CartaCapital<\/strong>. \u201cA letalidade policial brasileira \u00e9 cinco vezes maior que a americana. Os negros s\u00e3o 75% dos mortos pela pol\u00edcia no Brasil. A todo instante, surge uma nova ocorr\u00eancia com ind\u00edcios de execu\u00e7\u00e3o, mas poucos se comovem. A rea\u00e7\u00e3o popular e dos formadores de opini\u00e3o est\u00e1 muito aqu\u00e9m do que vemos nos EUA ou na Europa em casos semelhantes\u201d.<\/p>\n<p>A pandemia de coronav\u00edrus atrasou o lan\u00e7amento do document\u00e1rio, previsto incialmente para maio. \u201cH\u00e1, por\u00e9m, um lado positivo nesse contratempo. Nas \u00faltimas semanas, foram divulgados v\u00e1rios indicadores sobre o aumento da letalidade policial no Brasil. O tema tamb\u00e9m voltou a ficar em evid\u00eancia nos EUA, com novas jornadas do movimento\u00a0<em>Black Lives Matter<\/em>\u201d, afirma Attal.<\/p>\n<p>De fato, ao menos 3.148 cidad\u00e3os foram mortos por policiais no primeiro semestre deste ano em todo o Pa\u00eds, atesta o Monitor da Viol\u00eancia, fruto de uma parceria do N\u00facleo de Estudos da Viol\u00eancia da USP, do F\u00f3rum Brasileiro Seguran\u00e7a P\u00fablica e do portal\u00a0<em>G1<\/em>. O n\u00famero \u00e9 7% mais alto que o registrado no mesmo per\u00edodo do ano passado, quando foram contabilizadas 2.934 mortes. Apenas o governo de Goi\u00e1s n\u00e3o forneceu dados.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia policial \u00e9, por sinal, um dos elementos que explica o aumento das mortes violentas intencionais no Brasil ap\u00f3s dois anos de queda. De acordo com o F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, 25.712 cidad\u00e3os foram mortos no primeiro semestre de 2020, alta de 7% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado. Com isso, o Pa\u00eds registra um assassinato a cada dez minutos.<\/p>\n<p>\u201cDifundiu-se, no Brasil, a falaciosa tese de que dar carta branca para a pol\u00edcia matar seria eficaz para reduzir a criminalidade e os homic\u00eddios em geral. Os dados divulgados revelam que esse discurso est\u00e1 completamente equivocado\u201d, observa Attal. \u201cNa verdade, a viol\u00eancia policial gera ainda mais inseguran\u00e7a para popula\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"fluidvids\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"fluidvids-item\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wRN22j68EGA?feature=oembed\" width=\"1060\" height=\"596\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-fluidvids=\"loaded\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sem Descanso<\/em>\u00a0participou de 18 festivais de cinema em todo mundo e conquistou v\u00e1rios pr\u00eamios, como melhor document\u00e1rio no Black Montreal International Film Festival, melhor document\u00e1rio no Fenavid Santa Cruz da Bol\u00edvia, melhor longa no Araial Cinefest, al\u00e9m de receber men\u00e7\u00e3o de excel\u00eancia no Impact Doc Awards. Produzido pela Santa Luzia Filmes e distribu\u00eddo pela Livres Filmes, ele ser\u00e1 exibido em Bel\u00e9m, Campinas, Fortaleza, Manaus, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, S\u00e3o Paulo e Teresina.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"ogQoxr7Bc3\"><p><a href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/\">Jornalismo cr\u00edtico e transparente. Not\u00edcias sobre pol\u00edtica, economia e sociedade com vi\u00e9s progressista<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Jornalismo cr\u00edtico e transparente. Not\u00edcias sobre pol\u00edtica, economia e sociedade com vi\u00e9s progressista&#8221; &#8212; CartaCapital\" src=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/embed\/#?secret=ogQoxr7Bc3\" data-secret=\"ogQoxr7Bc3\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No document\u00e1rio \u2018Sem Descanso\u2019, Bernard Attal busca as ra\u00edzes hist\u00f3ricas e sociol\u00f3gicas da viol\u00eancia policial, cada vez mais naturalizada Geovane Mascarenhas Santana, de 22 anos, foi visto pela \u00faltima vez em 2 de agosto de 2014, durante uma abordagem policial no sub\u00farbio de Salvador. 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