{"id":17142,"date":"2020-11-03T13:10:40","date_gmt":"2020-11-03T16:10:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=17142"},"modified":"2020-11-03T13:34:41","modified_gmt":"2020-11-03T16:34:41","slug":"pandemia-o-luto-compartilhado-de-mais-de-160-000-familias-brasileiras-no-dia-de-finados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/11\/03\/pandemia-o-luto-compartilhado-de-mais-de-160-000-familias-brasileiras-no-dia-de-finados\/","title":{"rendered":"Pandemia &#8211; O luto compartilhado de mais de 160.000 fam\u00edlias brasileiras no Dia de Finados"},"content":{"rendered":"<p class=\"a_st font_secondary color_gray_dark \"><strong>Cemit\u00e9rios adotam protocolos de preven\u00e7\u00e3o da covid-19 para que milhares de pessoas possam, finalmente, render homenagens aos entes queridos que foram enterrados sem despedidas ou rituais<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-11-02\/o-luto-compartilhado-neste-dia-de-finados-ficou-mais-forte-este-ano-no-coracao-de-mais-de-160000-familias.html\"><strong>Para ver o v\u00eddeo clique aqui:<\/strong><\/a><\/p>\n<p><em>Thereza Carneiro Machado e Dalva Machado, m\u00e3e e filha, faleceram de covid-19 no espa\u00e7o de 8 dias. A fam\u00edlia diz que o mais dif\u00edcil foi n\u00e3o ter podido enterrar suas familiares. LELA BELTR\u00c3O \/ V\u00eddeo: Gabriel dos Santos perdeu sua irm\u00e3 para a covid-19.\u00a0<span class=\"f_a | color_black uppercase author light\">TONI PIRES<\/span><\/em><\/p>\n<header class=\"a_h | col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div class=\"a_by | margin_bottom_lg \">\n<div class=\"a_auts flex flex_wrap \">\n<header class=\"a_h | col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div class=\"a_by | margin_bottom_lg \">\n<div class=\"a_auts flex flex_wrap \">N\u00e3o houve vel\u00f3rio nem flores no caix\u00e3o. Como muitos das\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-10-10\/brasil-nao-detem-covid-19-e-chega-a-150000-mortes-um-terco-delas-registradas-em-dois-meses.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">mais de 160.000 fam\u00edlias que perderam entes queridos para a covid-19<\/a>\u00a0no Brasil, Gabriel dos Santos, professor e m\u00fasico de 24 anos, s\u00f3 p\u00f4de observar por alguns minutos como o ata\u00fade de sua irm\u00e3, Erika Regina Leandro dos Santos, que morreu aos 39 anos, baixava \u00e0\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2020-04-03\/cemiterio-em-sao-paulo-a-foto-que-jamais-gostariamos-de-publicar.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">cova de um cemit\u00e9rio de S\u00e3o Paulo<\/a>. \u201cEu sequer pude colocar sobre um caix\u00e3o uma corrente com uma plaquinha de metal e seu nome gravado, uma lembran\u00e7a familiar, porque os coveiros nos apressaram. S\u00f3 fizemos uma ora\u00e7\u00e3o r\u00e1pida\u201d, lamenta Gabriel, que estava acompanhado por outras cinco pessoas, quase todas da fam\u00edlia de sete irm\u00e3os. Neste 2 de novembro, Dia de Finados, ele, como milhares de brasileiros, vai aproveitar a data para homenagear a irm\u00e3.<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"a_w | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<div class=\"a_b article_body | color_gray_dark\">\n<p class=\"\">Em todo o pa\u00eds, os cemit\u00e9rios adotaram medidas preventivas contra a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/covid-19\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">covid-19<\/a>\u00a0no feriado, com uso de m\u00e1scaras obrigat\u00f3rio, medi\u00e7\u00e3o de temperatura dos visitantes e distanciamento social. Al\u00e9m disso, os cultos e outras cerim\u00f4nias foram realizados apenas em espa\u00e7os abertos e com limite de pessoas. Alguns sepulcr\u00e1rios tamb\u00e9m ofereceram<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-05-25\/a-sala-de-casa-virou-uma-igreja-velorios-online-em-tempos-de-coronavirus.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">\u00a0cerim\u00f4nias online \u2014como aconteceu com os funerais<\/a>\u2014 e, em Guarulhos, um deles prop\u00f4s um cine drive-in com a anima\u00e7\u00e3o mexicana\u00a0<i>Festa no C\u00e9u<\/i>.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"a_w | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<div class=\"a_b article_body | color_gray_dark\">\n<p class=\"\">Gabriel preferiu, no entanto, fazer um rito mais \u00edntimo, j\u00e1 que, em sua fam\u00edlia, cada irm\u00e3o professa uma religi\u00e3o diferente. \u201cSempre fa\u00e7o um ritual para honrar meus her\u00f3is que j\u00e1 faleceram, ent\u00e3o quis tirar o dia para ficar sozinho, em sil\u00eancio, e lembrar da minha irm\u00e3, tentar me conectar espiritualmente com ela, porque estou com saudade\u201d, diz. Ele acrescenta que seu objetivo era ficar \u201ct\u00e3o em sil\u00eancio e t\u00e3o em paz\u201d que pudesse ouvir algo que a irm\u00e3 quisesse lhe dizer, j\u00e1 que era ela uma figura materna para ele \u2014os irm\u00e3os perderam os pais ainda na inf\u00e2ncia\u2014. \u201cJ\u00e1 faz um tempo que n\u00e3o sonho com ela, mas tenho sentido sua presen\u00e7a ainda mais forte nesses \u00faltimos dias\u201d, conta, com serenidade, misturando sorrisos e l\u00e1grimas ao falar de Erika.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\">\n<p><figure style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/4BUpPLtuqtHaEg8QAYgr8t0elOY=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/HJEE6Z523JDULOSXUAYZ6LOK4Q.jpg\" alt=\"O professor e m\u00fasico Gabriel dos Santos, de 24 anos, que perdeu a irm\u00e3 para a covid-19.\" width=\"1500\" height=\"990\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">O professor e m\u00fasico Gabriel dos Santos, de 24 anos, que perdeu a irm\u00e3 para a covid-19.TONI PIRES<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\"><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">A psic\u00f3loga Magda Tartarotti, especialista em luto, considera que realizar um ritual no Dia de Finados, seja ela qual for, desde uma ora\u00e7\u00e3o \u00e0 escrita de uma carta, pode amenizar a dor provocada pela impossibilidade de despedida atrav\u00e9s de um funeral. \u201cA data tamb\u00e9m \u00e9 uma oportunidade de partilhar a dor, e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-08-08\/luto-coletivo-a-dor-que-o-brasil-nao-consegue-viver.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">dor partilhada \u00e9 dor dilu\u00edda<\/a>&#8220;, afirma. Para isso, relembrar e contar a vida da pessoa que se foi, os momentos passados com ela, pode ajudar. \u201cTamb\u00e9m \u00e9 importante conversar com quem morreu. Nas mortes por covid-19, percebo que muitos carregam uma culpa por n\u00e3o terem estado presente na hora do falecimento, ou mesmo acompanhando a pessoa pelo menos por alguns momentos no hospital&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p class=\"\">Mesmo trabalhando h\u00e1 d\u00e9cadas com pessoas que enfrentam a perda de entes queridos, Tartarotti diz que as refer\u00eancias profissionais para\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2020-08-08\/o-luto-como-resistencia.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">lidar com o luto<\/a>\u00a0tamb\u00e9m foram modificadas pela pandemia do novo\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/coronavirus\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">coronav\u00edrus<\/a>, devido ao ineditismo da situa\u00e7\u00e3o. \u201cH\u00e1 outras formas de mortes repentinas, \u00e9 claro, mas, no caso da covid-19, ocorre o roubo de um enredo. Quer dizer, n\u00e3o h\u00e1 uma transi\u00e7\u00e3o.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/internacional\/2020-09-27\/um-milhao-de-mortos.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Voc\u00ea deixa a pessoa no hospital e nunca mais volta a v\u00ea-la<\/a>\u201d. A especialista lembra que o sofrimento emocional e psicol\u00f3gico \u00e9 quase imensur\u00e1vel no caso de quem enfrentou mortes sequenciais na fam\u00edlia. \u201cMuita gente perdeu o pai e, semanas depois, um irm\u00e3o ou um filho. Nesses casos, tem o luto e a expectativa aterrorizante do luto, porque, muitas vezes, tem algum outro familiar ou amigo internado. Tem horas que nem eu sei como o peito humano aguenta situa\u00e7\u00f5es assim\u201d, desabafa.<\/p>\n<p class=\"\">Para Gabriel, o jeito de aguentar a aus\u00eancia da irm\u00e3 \u00e9 seguir adiante, tocando a vida entre o trabalho como professor de ingl\u00eas e o hobby com a m\u00fasica. \u201cN\u00e3o consigo viver um luto pela morte dela. Tem momentos de tristeza, sim, mas n\u00e3o consigo me dar esse luxo de viver essa pausa&#8221;, conta. Como Erika \u2014atriz de forma\u00e7\u00e3o, uma mulher vivaz e cheia de amigos\u2014 pregava o lema de \u201cviver a vida e correr atr\u00e1s das coisas&#8221;, Gabriel sente-se na obriga\u00e7\u00e3o de fazer tudo aquilo que ela n\u00e3o teve tempo de alcan\u00e7ar.<\/p>\n<p class=\"\">Segundo Tartarotti, ele n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico a sentir-se assim: \u201cTem gente que, em vez de mergulhar na dor, se permite apenas doses homeop\u00e1ticas dela, se n\u00e3o n\u00e3o aguenta\u201d. A psic\u00f3loga ressalta que n\u00e3o h\u00e1 receita para lidar com o luto, mas afirma que o lema que Gabriel aprendeu da irm\u00e3 e no qual se agarra para n\u00e3o sucumbir ante a perda \u00e9 essencial: continuar vivo e seguir adiante.<\/p>\n<p class=\"\"><b>Informa\u00e7\u00f5es sobre o coronav\u00edrus:<\/b><\/p>\n<p class=\"\">&#8211;\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020\/03\/12\/ciencia\/1584026924_318538.html\" data-link-track-dtm=\"\">O mapa do coronav\u00edrus no Brasil e no mundo:<\/a>\u00a0assim crescem os casos dia a dia, pa\u00eds por pa\u00eds;<\/p>\n<p class=\"\">&#8211;\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/sociedade\/2020-03-14\/pandemia-de-coronavirus-o-que-voce-precisa-saber-para-se-proteger.html\" data-link-track-dtm=\"\">O que fazer para se proteger? Perguntas e respostas sobre o coronav\u00edrus<\/a>;<\/p>\n<p class=\"\">&#8211;\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/ciencia\/2020-03-12\/guia-para-viver-com-um-infectado-pelo-coronavirus.html\" data-link-track-dtm=\"\">Guia para viver com uma pessoa infectada pelo coronav\u00edrus;<\/a><\/p>\n<p><span class=\"a_aut | margin_bottom uppercase flex align_items_center margin_right\"> www.brasil.elpais.com \/JOANA OLIVEIRA<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cemit\u00e9rios adotam protocolos de preven\u00e7\u00e3o da covid-19 para que milhares de pessoas possam, finalmente, render homenagens aos entes queridos que foram enterrados sem despedidas ou rituais Para ver o v\u00eddeo clique aqui: Thereza Carneiro Machado e Dalva Machado, m\u00e3e e filha, faleceram de covid-19 no espa\u00e7o de 8 dias. 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