{"id":17260,"date":"2020-11-11T10:28:03","date_gmt":"2020-11-11T13:28:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=17260"},"modified":"2020-11-11T10:28:03","modified_gmt":"2020-11-11T13:28:03","slug":"40-dos-trabalhadores-informais-perderam-o-emprego-durante-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/11\/11\/40-dos-trabalhadores-informais-perderam-o-emprego-durante-a-pandemia\/","title":{"rendered":"40% dos trabalhadores informais perderam o emprego durante a pandemia"},"content":{"rendered":"<p><strong>De acordo com estudo do IPEA, no auge da pandemia, 60% dos informais mantiveram seus v\u00ednculos de trabalho. Em contrapartida, os formais foram mais protegidos e 73,8% mantiveram seus empregos<\/strong><\/p>\n<p>Trabalhadores e trabalhadoras informais que mantinham algum v\u00ednculo no setor privado foram os que mais atingidos com a perda do \u201cemprego\u201d no segundo trimestre deste ano (abril, maior e junho), auge da pandemia do novo coronav\u00edrus (Covid 19), no Brasil.<\/p>\n<p>De cada 10 trabalhadores, seis continuaram trabalhando no segundo trimestre. Outros 40% perderam seus empregos. J\u00e1 7,38 a cada 10 trabalhadores com v\u00ednculos formais, mantiveram seus contratos de trabalho. Ou seja, a chance do informal perder seu v\u00ednculo de trabalho foi 13,8% maior do que o trabalhador formal. Ainda que os trabalhadores formais tenham tido maior possibilidade de manter seus empregos, entre um trimestre e outro, o \u00edndice ficou abaixo de anos anteriores. Em 2018 e 2019 era de 89% &#8211; queda de 12,2%.<\/p>\n<p>O levantamento \u00e9 do\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.ipea.gov.br\/cartadeconjuntura\/index.php\/2020\/11\/analise-das-transicoes-no-mercado-de-trabalho-brasileiro-no-periodo-da-covid-19\/\">Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica e Aplicada (Ipea)<\/a><\/strong>, que teve como base dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>A queda no n\u00edvel de v\u00ednculos empregat\u00edcios entre os informais, infelizmente,\u00a0 n\u00e3o \u00e9 nenhuma surpresa, j\u00e1 que esses trabalhadores s\u00e3o o elo mais fraco no mercado de trabalho, afirma a t\u00e9cnica do Departamento de Estudos Intersindicais e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), subse\u00e7\u00e3o CUT, Adriana Marcolino.<\/p>\n<p>\u201cEles se constituem num ex\u00e9rcito de homens e mulheres sem carteira assinada, mas que trabalham numa condi\u00e7\u00e3o de ilegalidade da empresa, ou t\u00eam contratos como pessoas jur\u00eddicas (PJs), mas cumprem hor\u00e1rios e s\u00e3o subordinados a uma \u00fanica empresa, numa rela\u00e7\u00e3o disfar\u00e7ada de assalariado. Os aut\u00f4nomos tamb\u00e9m est\u00e3o nesta categoria, e exercem fun\u00e7\u00f5es diversas como advogados e at\u00e9 vendedores de quentinhas, balas e bolos no transporte p\u00fablico\u201d, diz Adriana, ao explicar o que caracteriza o trabalho informal.<\/p>\n<p>Segundo ela, o mercado de trabalho no Brasil vem nos \u00faltimos anos caindo como tem demonstrado\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/taxa-de-desemprego-dispara-e-atinge-14-4-e-o-maior-indice-desde-2012-153c\">as taxas de desemprego<\/a><\/strong>\u00a0que j\u00e1 atingem 13,8 milh\u00f5es de pessoas. Para piorar os empregos formais foram sendo substitu\u00eddos por ocupa\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias e informais.<\/p>\n<p><span class=\"dd-label\"><i class=\"fa fa-camera\"><\/i>DIEESE<\/span><a class=\"dd-lightbox\" href=\"https:\/\/admin.cut.org.br\/system\/uploads\/ck\/quadro%20diesse%20emprego%20editada.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cut.org.br\/images\/cache\/systemuploadsckquadro20diesse20emp-583x328xfit-3d8f3.jpg\" alt=\"Dieese\" width=\"583\" height=\"328\" \/><\/a>\u201cNo \u00faltimo ano ampliou a participa\u00e7\u00e3o dos informais neste mercado e, quando vem a crise, esse grupo \u00e9 mais vulner\u00e1vel, f\u00e1cil de demitir em compara\u00e7\u00e3o a quem tem direitos com carteira assinada. Tamb\u00e9m \u00e9 mais f\u00e1cil rescindir um contrato com um PJ\u201d, diz a t\u00e9cnica do Dieese.<\/p>\n<p>Outro dado da pesquisa Ipea mostra que apenas 8,61% dos trabalhadores informais do setor privado que perderam o emprego no segundo trimestre, \u00a0procuraram outra fun\u00e7\u00e3o, enquanto 17,68% mantiveram-se inativos. Outros 13,94% foram afastados temporariamente de suas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Este quadro tem como causa, de acordo com Adriana, a parada do circuito econ\u00f4mico que levou quem estava na informalidade, e que j\u00e1 n\u00e3o tinha acesso \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o formal, a ir para a inatividade.<\/p>\n<p>\u201cEles n\u00e3o t\u00eam para onde correr quando a parada do circuito econ\u00f4mico os \u00a0afeta. Muitas vezes, nem procuram um trabalho formal porque j\u00e1 sabe que o mercado est\u00e1 ruim. Por isso que milh\u00f5es acabam sendo figurados como desalentados, aqueles que desistiram de procurar qualquer ocupa\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Adriana.<\/p>\n<p>Para o Ipea , caso o distanciamento social continue por causa da pandemia, o grupo dos inativos deve diminuir, elevando a participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o na for\u00e7a de trabalho, seja como popula\u00e7\u00e3o ocupada ou como desempregados procurando emprego.<\/p>\n<p><strong>Sem aux\u00edlio emergencial situa\u00e7\u00e3o se agrava<\/strong><\/p>\n<p>Para Adriana Marcolino, o que sustentou minimamente essa imensa popula\u00e7\u00e3o que ainda n\u00e3o inflou as estat\u00edsticas do desemprego, mas vai inflar, foi o aux\u00edlio emergencial de R$ 600,00, aprovado pelo Congresso Nacional e ,que agora Jair Bolsonaro (ex-PSL) cortou pela metade e ainda diminuiu as possibilidades de acesso ao benef\u00edcio.<\/p>\n<p>\u201c A situa\u00e7\u00e3o tende ainda a se agravar porque com o fim do aux\u00edlio no final do ano, quem estava inativo, mantendo o isolamento social porque tinha algum recurso para sua subsist\u00eancia e tamb\u00e9m porque sabe que n\u00e3o h\u00e1 vagas, vai ter de ir pra rua procurar emprego. Isto vai fazer explodir a taxa de desemprego. O mesmo vai acontecer com a informalidade, aqueles que conseguiram se manter minimamente com o aux\u00edlio v\u00e3o acirrar a concorr\u00eancia no mercado informal\u201d, diz.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise da pesquisa, a redu\u00e7\u00e3o do valor do aux\u00edlio emergencial tamb\u00e9m deve contribuir para esse movimento, e o retorno desses trabalhadores \u00e0 busca por um emprego deve continuar a aumentar a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o no curto prazo, mantendo-a em um patamar elevado por algum tempo.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o explosiva porque este governo n\u00e3o est\u00e1 pensando em gerar emprego e nem tem uma pol\u00edtica social para quando acabar o aux\u00edlio emergencial<\/p>\n<footer>&#8211; Adriana Marcolino<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Aumento de trabalhadores inativos e desocupados<\/strong><\/p>\n<p>O estudo do Ipea mostra que, em 2020, aumentou o percentual de trabalhadores ocupados que foram afastados temporariamente, e se tornaram desocupados ou passaram a ser considerados inativos.<\/p>\n<p>O percentual dos que trabalhavam no primeiro trimestre e se afastaram no segundo trimestre foi de 13,1%, superando e, muito, os dois \u00faltimos anos (2018 e 2019) que haviam registrado apenas 1,5%.<\/p>\n<p>O afastamento tempor\u00e1rio foi ainda mais frequente entre os trabalhadores informais do setor p\u00fablico (21,42%) e entre os militares e servidores estatut\u00e1rios (21,37%). Entre os trabalhadores da iniciativa privada, a probabilidade de ser afastado no segundo trimestre foi de 13,92% para os formais e de 13,94% para os informais.<\/p>\n<p>Os trabalhadores informais tamb\u00e9m tiveram menor chance de continuar trabalhando \u00a0no setor p\u00fablico (68%) . A m\u00e9dia para os trabalhadores por conta pr\u00f3pria foi de 67%. J\u00e1 o percentual foi de 77% para militares e servidores estatut\u00e1rios, 78% para trabalhadores formais do setor privado e 79% para empregados p\u00fablicos contratados pela CLT.<\/p>\n<p><strong>Desempregados e inativos<\/strong><\/p>\n<p>O fluxo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 desocupa\u00e7\u00e3o cresceu de maneira menos expressiva, de 3,4% em 2018 e 2019, para 3,8% em 2020.\u00a0 \u00c9 classificado como desocupado aquele que n\u00e3o est\u00e1 trabalhando, mas declarou que buscou emprego nos \u00faltimos dias.<\/p>\n<p>J\u00e1 os inativos s\u00e3o aqueles que n\u00e3o t\u00eam nem est\u00e3o procurando um posto de trabalho. Em 2020, 9,3% dos trabalhadores que estavam ocupados no primeiro trimestre transitaram para a inatividade no segundo. Em 2018, esse percentual foi de 6,8%, e, em 2019, de 5,8%.<\/p>\n<p>Os trabalhadores por conta pr\u00f3pria apresentaram o segundo maior percentual de fluxo para a inatividade: 14,3% dos que estavam trabalhando deixaram de ter ocupa\u00e7\u00e3o no segundo trimestre e n\u00e3o procuraram outro posto de trabalho. Outros 4,04% passaram a ser considerados desempregados.<\/p>\n<p>Para os trabalhadores formais do setor privado, esse percentual foi bem menor: 3,12% se tornaram desempregados, e 5,14%, inativos.<\/p>\n<p>www.cut.org.br \/ com informa\u00e7\u00f5es da Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com estudo do IPEA, no auge da pandemia, 60% dos informais mantiveram seus v\u00ednculos de trabalho. 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