{"id":17474,"date":"2020-11-24T14:09:04","date_gmt":"2020-11-24T14:09:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=17474"},"modified":"2020-11-24T14:09:04","modified_gmt":"2020-11-24T14:09:04","slug":"entenda-o-que-e-o-vies-inconsciente-que-impede-empresas-de-enxergarem-talentos-negros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/11\/24\/entenda-o-que-e-o-vies-inconsciente-que-impede-empresas-de-enxergarem-talentos-negros\/","title":{"rendered":"Entenda o que \u00e9 o &#8216;vi\u00e9s inconsciente&#8217; que impede empresas de enxergarem talentos negros"},"content":{"rendered":"<p><strong>RIO &#8211; Voc\u00ea pode n\u00e3o se considerar racista, mas \u00e9 prov\u00e1vel que possa ter tomado decis\u00f5es baseadas em algum preconceito relacionado \u00e0 ra\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 o que dizem estudiosos do chamado \u201cvi\u00e9s inconsciente\u201d ou \u201cpreconceito impl\u00edcito\u201d, palavras que servem para conceituar pr\u00e1ticas n\u00e3o deliberadas que levam a decis\u00f5es que prejudicam negras e negros principalmente no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 simples: s\u00e9culos de escravid\u00e3o e regras que institucionalizaram a segrega\u00e7\u00e3o de negros no passado recente, como o apartheid sul-africano ou as leis Jim Crow no sul dos EUA, apresenta marcas no inconsciente coletivo. S\u00e3o no\u00e7\u00f5es que se perpetuam atrav\u00e9s da socializa\u00e7\u00e3o que recebemos desde crian\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso, por exemplo, da no\u00e7\u00e3o impl\u00edcita de que negros seriam bons trabalhadores bra\u00e7ais por alguma excepcionalidade f\u00edsica, enquanto brancos seriam mais habilidosos com os n\u00fameros e as ci\u00eancias, vocacionados para atividades intelectuais.<\/p>\n<p>Negros s\u00e3o exaltados nos esportes ou t\u00eam seus corpos fetichizados, enquanto s\u00f3 brancos comp\u00f5em o imagin\u00e1rio coletivo de premiados com um Nobel.<\/p>\n<p>Os exemplos s\u00e3o simplistas, mas como consequ\u00eancias dessa l\u00f3gica podem ser perversas: \u00e9 ela que impede que pretos e pardos sejam vistos hoje como poss\u00edveis, presidentes da Rep\u00fablica ou diretores de empresas. Isso torna ainda mais dif\u00edcil para eles demonstrar que podem ocupar esses espa\u00e7os.<\/p>\n<p>&#8211; Falamos sobre vi\u00e9s na perspectiva do que aprendemos, equivocadamente, ao longo de quatro s\u00e9culos de escravid\u00e3o no Brasil e tomamos como verdade &#8211; afirma Liliane Rocha, CEO e Fundadora da Gest\u00e3o Kair\u00f3s, consultoria em sustentabilidade e diversidade que atende multinacionais como a Ambev e Gerdau . &#8211; Isso precisa mudar, e as empresas atualizar sua gest\u00e3o nesse sentido.<\/p>\n<p><strong>Obst\u00e1culo a contrata\u00e7\u00f5es e promo\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>No mercado de trabalho, o vi\u00e9s inconsciente aparece desde a entrevista na sele\u00e7\u00e3o de novos empregados at\u00e9 as promo\u00e7\u00f5es de quem j\u00e1 est\u00e1 dentro para cargos de alta lideran\u00e7a. Faz com recrutadores e gestores tomem decis\u00f5es baseadas em estere\u00f3tipos.<\/p>\n<p>Homens brancos s\u00e3o relacionados a uma compet\u00eancia para o comando. Mulheres negras, por exemplo, s\u00e3o repetidamente associadas \u00e0s tarefas ligadas ao cuidado e asseio.<\/p>\n<p>Psic\u00f3loga especializada em avalia\u00e7\u00e3o neuropsicol\u00f3gica pela PUC \/ Rio, Luana Moreira explica que o vi\u00e9s inconsciente parte de uma bagagem que toda pessoa carrega na mem\u00f3ria desde a inf\u00e2ncia:<\/p>\n<p>&#8211; Alguns estudos apontam que, a partir de seis anos de idade, j\u00e1 h\u00e1 uma diferencia\u00e7\u00e3o no meio social. Acrian\u00e7a preta e a crian\u00e7a branca j\u00e1 recebem tratamentos diferentes, e ainda h\u00e1 o recorte de g\u00eanero. Toda essa bagagem fica registrada no nosso inconsciente.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 o vi\u00e9s inconsciente que leva gestores e memo colegas de trabalho a serem mais rigorosos com negros, questionando sua compet\u00eancia e autoridade no ambiente corporativo, mesmo que conscientemente n\u00e3o considerado ter preconceitos.<\/p>\n<p><strong>Os v\u00e1rios tipos de vi\u00e9s<\/strong><\/p>\n<p>Andr\u00e9a Cruz, CEO e fundadora da SERH1 e especialista em gest\u00e3o de carreira, diz que todo ser humano tem vi\u00e9s inconsciente.<\/p>\n<p>Ela explica que s\u00e3o v\u00e1rios tipos: de afinidade (como morar na mesma cidade); que refor\u00e7a estere\u00f3tipos (como o de que toda mulher negra \u00e9 empregada dom\u00e9stica); confirmat\u00f3rio (que procura informa\u00e7\u00e3o para confirmar hip\u00f3tese); o da aura ou aur\u00e9ola (prefer\u00eancia inconsciente com apenas uma informa\u00e7\u00e3o positiva ou negativa); e o vi\u00e9s inconsciente do grupo (que tende a seguir um padr\u00e3o).<\/p>\n<p>&#8211; O vi\u00e9s \u00e9 o mecanismo do c\u00e9rebro que contribui para uma atitude autom\u00e1tica &#8211; retomar.<\/p>\n<p>Pesquisadores de Harvard at\u00e9 criar um teste que ajuda a avaliar o quanto o preconceito racial est\u00e1 presente no inconsciente de cada um. O Teste de Associa\u00e7\u00e3o Impl\u00edcita (IAT, na sigla em ingl\u00eas) pode ser feito on-line e tamb\u00e9m detecta resist\u00eancias veladas contra outras minorias, como deficientes e homossexuais.<\/p>\n<p>Mas admitir preconceitos arraigados \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil para a maioria que os originam que incluir um aviso para os quase 20 milh\u00f5es de internautas que responderam o question\u00e1rio: \u00e9 preciso declarar ci\u00eancia de que o resultado pode n\u00e3o lhe agradar.<\/p>\n<p><strong>Reconhecer o racismo estrutural<\/strong><\/p>\n<p>Os especialistas alertam que reconhecer o racismo como um problema estrutural e coletivo \u00e9 um passo fundamental para reduzir o vi\u00e9s inconsciente. \u00c9 esse tipo de reconhecimento que tem o favorecido o recente movimento de grandes empresas para ampliar a diversidade racial em suas equipes.<\/p>\n<p>Claudia Costin, especialista em educa\u00e7\u00e3o da FGV e ex-diretora do Banco Mundial, diz que iniciativas como sele\u00e7\u00e3o de trainees exclusivamente negros s\u00e3o formas de tentar escapar do vi\u00e9s para ampliar a diversidade nas empresas, o que pode reduzir vi\u00e9s discriminatorio no futuro:<\/p>\n<p>&#8211; Infelizmente, com esse olhar enviesado que temos, tendemos a procurar aquilo que j\u00e1 conhecemos num gerente ao entrevistar, e n\u00e3o aqueles talentos que podem se desenvolver, desde que t\u00eam treinamento e estrutura de suporte adequado.<\/p>\n<p>Hist\u00f3rias de vida:\u00a0 &#8216;O mais dif\u00edcil foi ouvir: contente-se, com sua cor, tem que agradecer&#8217;, diz executivo negro<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga Luana Moreira ressalta a import\u00e2ncia de as empresas fazerem treinamentos com gestores e recrutadores brancos para eles se conscientizem de um poss\u00edvel vi\u00e9s capaz de afetar sua decis\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 importante ter um programa para que as pessoas pretas sejam contratadas, mas n\u00e3o como um reparo social, e sim como um lugar de capacita\u00e7\u00e3o. Um adulto pode ser reeducado, pode mudar de\u00a0 mentalidade .<\/p>\n<p>www.oglobo.globo.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RIO &#8211; Voc\u00ea pode n\u00e3o se considerar racista, mas \u00e9 prov\u00e1vel que possa ter tomado decis\u00f5es baseadas em algum preconceito relacionado \u00e0 ra\u00e7a. \u00c9 o que dizem estudiosos do chamado \u201cvi\u00e9s inconsciente\u201d ou \u201cpreconceito impl\u00edcito\u201d, palavras que servem para conceituar pr\u00e1ticas n\u00e3o deliberadas que levam a decis\u00f5es que prejudicam negras e negros principalmente no mercado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":17475,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[308],"class_list":["post-17474","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-contra-o-racismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17474","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17474"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17474\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17476,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17474\/revisions\/17476"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17475"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17474"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17474"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17474"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}