{"id":17665,"date":"2020-12-02T14:06:19","date_gmt":"2020-12-02T14:06:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=17665"},"modified":"2020-12-02T14:07:02","modified_gmt":"2020-12-02T14:07:02","slug":"dia-nacional-do-samba-o-que-seria-do-brasil-sem-esse-genero-musical","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2020\/12\/02\/dia-nacional-do-samba-o-que-seria-do-brasil-sem-esse-genero-musical\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Dia Nacional do Samba: o que seria do Brasil sem esse g\u00eanero musical?"},"content":{"rendered":"<p><strong>O samba nasceu nas senzalas em meados do s\u00e9culo 19 como uma express\u00e3o das dores e dos amores dos seres humanos escravizados por quase quatro s\u00e9culo no Brasil, \u00faltimo pa\u00eds do Ocidente a abolir o regime escravista e ainda assim, sem considerar esses trabalhadores nos p\u00f3s-Aboli\u00e7\u00e3o. Mas o ritmo, genuinamente brasileiro, vem se reinventando e cantando as mazelas da classe trabalhadora.<\/strong><\/p>\n<p>Perseguido pelas elites pelas suas influ\u00eancias de matriz africana, esse g\u00eanero musical nasceu com um gingado muito especial porque como explica o estudioso Roque Souza, os escravizados \u201cn\u00e3o podiam ter instrumentos para realizar seus batuques, ent\u00e3o come\u00e7aram a utilizar os p\u00e9s e as m\u00e3os \u2013 enfim, o corpo todo \u2013 para cantar suas dores e alegrias. Cantando e dan\u00e7ando, assim nasceu o samba de roda na Bahia, ainda no s\u00e9culo 19\u201d.<\/p>\n<p>O Dia do Samba nasceu tamb\u00e9m na Bahia como uma homenagem ao compositor mineiro Ary Barroso (1903-1964), radicado no Rio de Janeiro. Um vereador de Salvador, conseguiu aprovar na C\u00e2mara Municipal o Dia do Samba. Tudo por causa da m\u00fasica \u201cNa Baixa do Sapateiro\u201d (1938), de Ary. A can\u00e7\u00e3o cita a Bahia, mesmo sem que o compositor tivesse pisado em solo baiano, o que aconteceu somente em 2 de dezembro de 1940. Em 1963, o presidente Jo\u00e3o Goulart (1919-1976), instituiu o Dia Nacional do Samba nessa data.<\/p>\n<p><strong>Na Baixa do Sapateiro (1938), de Ary Barroso; canta Anjos do Inferno<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\">\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Anjos do Inferno - NA BAIXA DO SAPATEIRO - Ary Barroso - RCA Victor 80-0539-B - grava\u00e7\u00e3o de 1947\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DDR4fKpPUTw?feature=oembed\" width=\"500\" height=\"281\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/figure>\n<p>O samba desceu o morro, conquistou a cidade e resiste a tudo e a todos os seus detratores. Em mais de 100 anos do primeiro registro de uma partitura, em 1916, com o nome de samba, a m\u00fasica \u201cPelo Telefone\u201d, de Donga (1889-1974) e Mauro de Almeida (1882-1956), que denuncia a liga\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia com os ilegais cassinos, no Rio de Janeiro. A can\u00e7\u00e3o foi gravada em 1917.<\/p>\n<p>Muito perseguido pelas elites dominantes, o samba ganhou cora\u00e7\u00f5es e mentes das classes populares e se firmou como o mais popular ritmo genuinamente brasileiro, utilizado pelo governo de Get\u00falio Vargas (1882-1954) nas d\u00e9cadas de 1930-40 para refor\u00e7ar a identidade nacional e transformar o Brasil numa na\u00e7\u00e3o \u00fanica.<\/p>\n<p>\u201cComo tudo o que est\u00e1 relacionado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra e \u00e0 nossa cultura, o samba foi muito perseguido e discriminado ao longo de sua hist\u00f3ria\u201d, explica a cantora e compositora Leci Brand\u00e3o, deputada estadual de S\u00e3o Paulo pelo PCdoB.<\/p>\n<p>\u201cO mesmo aconteceu com o candombl\u00e9, com a capoeira e com todas as manifesta\u00e7\u00f5es de origem negra em nosso pa\u00eds. Apesar de ter havido mudan\u00e7as, a discrimina\u00e7\u00e3o contra o nosso povo continua e com a nossa cultura tamb\u00e9m\u201d, acentua Leci. E ainda hoje tem gente que chama a luta antirracista de mimimi.<\/p>\n<p>A Covid-19 atingiu em cheio os sambistas neste ano. Grande n\u00famero de artistas que tocam em bares noturnos ou acompanham grandes nomes em shows ficou sem renda. Muito porque grande parte desses artistas n\u00e3o tem contrato de trabalho com carteira assinada e muitos trabalham com o regime de pessoa jur\u00eddica, fornecendo notas fiscais. Todo esse contingente se viu sem trabalho e sem renda por causa do isolamento social.<\/p>\n<p>Inclusive o Carnaval, que se transformou na festa mais popular do pa\u00eds ao se casar com o samba no in\u00edcio do s\u00e9culo 20, se viu em dificuldades por que a folia teve de ser adiada at\u00e9 existir vacina contra a Covid. As escolas de samba tiveram de se reinventar para sobreviver \u00e0 crise sanit\u00e1ria e ao preconceito existente ainda no s\u00e9culo 21 contra a cultura popular.<\/p>\n<p><strong>Desde que o Samba \u00c9 Samba (2011 ), de Caetano Veloso<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\">\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Caetano Veloso - Desde Que O Samba \u00c9 Samba\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dRUqLsdwIhA?feature=oembed\" width=\"500\" height=\"281\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/figure>\n<p>Muitos grandes nomes da m\u00fasica popular brasileira transformaram o samba nesse ritmo amado no mundo inteiro. O g\u00eanero acompanha todas as grandes transforma\u00e7\u00f5es pelas quais o Brasil vem passando ao longo de sua hist\u00f3ria. O samba conta a hist\u00f3ria do pa\u00eds sob a perspectiva da classe trabalhadora. Por isso n\u00e3o \u00e9 preciso \u201cn\u00e3o deixar o samba morrer\u201d. Ele permanece vivo no c\u00e9rebro, no cora\u00e7\u00e3o e nos p\u00e9s de todos os brasileiros que sonham e lutam por um pa\u00eds mais igual.<\/p>\n<p>Como canta Caetano Veloso: \u201cO samba ainda vai nascer\/O samba ainda n\u00e3o chegou\/O samba n\u00e3o vai morrer\/Veja, o dia ainda n\u00e3o raiou\/O samba \u00e9 pai do prazer\/O samba \u00e9 filho da dor\/O grande poder transformador\u201d (Desde que o Samba \u00c9 Samba).<\/p>\n<p>Porque o Brasil sempre renasce a cada dia para superar todo e qualquer golpe contra a liberdade, contra a vida. E o samba seja talvez o maior porta-voz da esperan\u00e7a. Afinal, o que srg.breria do Brasil sem a alegria e a reflex\u00e3o trazidas pelo samba?<\/p>\n<p>www.ctb.org.br \/ Marcos Aur\u00e9lio Ruy<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O samba nasceu nas senzalas em meados do s\u00e9culo 19 como uma express\u00e3o das dores e dos amores dos seres humanos escravizados por quase quatro s\u00e9culo no Brasil, \u00faltimo pa\u00eds do Ocidente a abolir o regime escravista e ainda assim, sem considerar esses trabalhadores nos p\u00f3s-Aboli\u00e7\u00e3o. Mas o ritmo, genuinamente brasileiro, vem se reinventando e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":17666,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[359],"class_list":["post-17665","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17665","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17665"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17665\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17668,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17665\/revisions\/17668"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17666"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17665"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17665"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17665"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}