{"id":18764,"date":"2021-01-27T17:06:17","date_gmt":"2021-01-27T17:06:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=18764"},"modified":"2021-01-27T17:06:17","modified_gmt":"2021-01-27T17:06:17","slug":"manter-auxilio-emergencial-e-fundamental-para-salvar-vidas-e-recuperar-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/01\/27\/manter-auxilio-emergencial-e-fundamental-para-salvar-vidas-e-recuperar-economia\/","title":{"rendered":"Manter aux\u00edlio emergencial \u00e9 fundamental para salvar vidas e recuperar economia"},"content":{"rendered":"<p><strong>Cidades onde o n\u00famero de benefici\u00e1rios foi maior, tamb\u00e9m foi maior a gera\u00e7\u00e3o de emprego formal. Pesquisador da Unicamp explica por que programas de distribui\u00e7\u00e3o de renda s\u00e3o fundamentais para o povo e economia<\/strong><\/p>\n<p>O cen\u00e1rio de agravamento da pandemia do novo coranav\u00edrus no Brasil acende um alerta para a import\u00e2ncia de programas sociais de distribui\u00e7\u00e3o e garantia de renda para os brasileiros que ficaram, est\u00e3o ou ficar\u00e3o sem emprego nos pr\u00f3ximos meses. Encerrado em dezembro de 2020 pelo governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL), o aux\u00edlio emergencial, inicialmente de R$ 600,00 e posteriormente rebaixado pelo pr\u00f3prio governo para R$ 300,00, ainda que de valor pequeno, foi a garantia de sobreviv\u00eancia de 67,9 milh\u00f5es de pessoas e uma t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o na gera\u00e7\u00e3o de emprego formais em munic\u00edpios.<\/p>\n<p>\u00c9 o que mostra um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografa e Estat\u00edstica (IBGE) com base em dados dos minist\u00e9rios da Economia e da Cidadania. Em cidades onde o n\u00famero de benefici\u00e1rios foi maior, tamb\u00e9m foi maior a gera\u00e7\u00e3o de emprego formal.<\/p>\n<p>Em 357 dos 500 munic\u00edpios com maior gera\u00e7\u00e3o e vagas no mercado formal, o n\u00famero dos benefici\u00e1rios do aux\u00edlio emergencial estava acima da m\u00e9dia nacional. O n\u00famero representa 71,4% dos munic\u00edpios que ficaram no topo do ranking do emprego na pandemia. O saldo positivo de vagas formais nesse per\u00edodo foi de 105 mil. Nas localidades em que o pagamento do benef\u00edcio foi menor do que no total do pa\u00eds, houve um resultado negativo de 217 mil postos, o que demonstra que programas de distribui\u00e7\u00e3o de renda, como o Bolsa-Fam\u00edlia e o aux\u00edlio emergencial, por exemplo, s\u00e3o essenciais para a manuten\u00e7\u00e3o da economia brasileira.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador do Centro de Estudos Sociais e Economia do Trabalho (Cesit\/Unicamp), Dari Krein, \u00e9 responsabilidade do Estado proteger os mais vulner\u00e1veis, e tanto o aux\u00edlio quanto os benef\u00edcios emergenciais durante a pandemia se mostraram essenciais para garantir que grande parte das pessoas pudessem sobreviver durante nesse per\u00edodo cr\u00edtico.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>N\u00e3o d\u00e1 pensar o futuro pr\u00f3ximo sem alguma forma de prote\u00e7\u00e3o para as pessoas que est\u00e3o mais vulner\u00e1veis na sociedade nesse contexto em que vivemos<\/p>\n<footer>&#8211; Dari Krein<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>\u201cSem o aux\u00edlio emergencial, talvez o caos social teria sido grande nesse tempo. Agora, vemos que o aux\u00edlio acabou e as pessoas est\u00e3o indo para as ruas para fazerem qualquer coisa para terem renda, porque a situa\u00e7\u00e3o de miserabilidade \u00e9 forte\u201d, diz Dari Krein.<\/p>\n<p>Ele explica que a depend\u00eancia do aux\u00edlio por parte da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 grande e o programa mostrou ter sido muito importante para garantir uma condi\u00e7\u00e3o de as pessoas poderem sobreviver \u00e0 pandemia.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 fundamental a luta pela continuidade do programa, porque tudo indica que n\u00e3o teremos uma retomada da economia, pelo contr\u00e1rio, a pandemia se agrava e as atividades econ\u00f4micas ter\u00e3o mais dificuldades de continuar\u201d, ele alerta.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/taxa-desemprego-bate-novo-recorde-chega-a-14-6-e-atinge-14-1-milhoes-de-pessoas-0587\">n\u00edvel do desemprego (14,6%)<\/a>,<\/strong>\u00a0que hoje j\u00e1 atinge mais de 14,1 milh\u00f5es de brasileiros, de acordo com Dari, deve continuar aumentando. Sem emprego, sem aux\u00edlio emergencial, sem renda milh\u00f5es de brasileiros estar\u00e3o jogados \u00e0 sorte.<\/p>\n<p>\u201cPodemos ter um caos social. Por enquanto a sociedade ainda est\u00e1 \u2018anestesiada\u2019 em todos os sentidos, ou seja, sobre pol\u00edtica, sobre a pandemia, mas a fome vai chegar a mais pessoas\u201d, diz o pesquisador.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>\u00c9 fundamental e n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o ideol\u00f3gica. \u00c9 humanit\u00e1ria. Acabar com o aux\u00edlio emergencial nesse momento \u00e9 algo desumano, falta de empatia com o conjunto da sociedade<\/p>\n<footer>&#8211; Dari Krein<\/footer>\n<\/blockquote>\n<h4><strong>Responsabilidade do Estado<\/strong><\/h4>\n<p>Inerte desde o in\u00edcio da pandemia no enfrentamento \u00e0 Covid-19, o Governo Federal continua afirmando que o pa\u00eds n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de manter o aux\u00edlio emergencial. O Ministro da Economia, o banqueiro, Paulo Guedes, chegou a admitir a hip\u00f3tese de manter o programa caso houvesse uma segunda onda do coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>De acordo com\u00a0<a href=\"https:\/\/recontaai.com.br\/guedes-quer-mais-mortes-para-debater-continuidade-do-auxilio-emergencial\/\">reportagem do Reconta A\u00ed<\/a>, Guedes, em reuni\u00e3o com investidores do Banco Credit Suisse, descartou que haja uma segunda onda, mesmo com todas as evid\u00eancias, incluindo o caos no sistema de sa\u00fade de Manaus, em que pacientes morreram asfixiados por falta de oxig\u00eanio.<\/p>\n<p>Guedes, Bolsonaro e o presidente da Caixa Federal, Pedro Guimar\u00e3es, declaram na reuni\u00e3o que \u201ceixo do governo para o enfrentamento dos efeitos da pandemia \u00e9 o setor privado\u201d.<\/p>\n<h5><strong>E o povo&#8230;<\/strong><\/h5>\n<p>Ainda que Bolsonaro continue \u2018mirando prote\u00e7\u00e3o\u2019 no setor privado, a restri\u00e7\u00e3o de acesso a recursos pelas pessoas mais vulner\u00e1veis provoca um efeito negativo na economia. Basta rever os dados do IBGE. Se houve gera\u00e7\u00e3o de emprego nos munic\u00edpios em que mais trabalhadores receberam aux\u00edlio emergencial, a hist\u00f3ria agora ser\u00e1 outra. Sem renda, ningu\u00e9m compra. Se empresa n\u00e3o vende, demite trabalhadores. E o bolo aumenta.<\/p>\n<p>O agravamento da pandemia, que o ministro Paulo Guedes preferiu n\u00e3o ver, de acordo com Dari Krein, aponta um cen\u00e1rio ainda mais cr\u00edtico do que o ano de 2020. \u201cContinuar com o aux\u00edlio \u00e9 fundamental\u201d, ele refor\u00e7a.<\/p>\n<p>O pesquisador cita ainda uma realidade escancarada na maior parte dos munic\u00edpios, em especial nas grandes cidades. \u201c\u00c9 s\u00f3 olhar as ruas cheias de pessoas vendendo qualquer coisa e gente dormindo ao relento\u201d. \u00c9 poss\u00edvel manter o aux\u00edlio emergencial e ser\u00e1 um \u2018alavancador \u2018 da economia\u201d, diz.<\/p>\n<p>Dari tamb\u00e9m critica a pol\u00edtica de ajuste fiscal adotada pelo governo \u2013 de manter o teto dos gastos p\u00fablicos. E aponta que o caminho tem sido equivocado.<\/p>\n<p>\u201cUm dos problemas do Brasil na crise de 2016 foi que n\u00e3o houve um programa de distribui\u00e7\u00e3o de renda, pelo contr\u00e1rio, contribuiu para concentrar renda e com a pol\u00edtica de controle dos gastos, dificultou o acesso a benef\u00edcios como seguro-desemprego, aux\u00edlio-doen\u00e7a, bolsa fam\u00edlia e at\u00e9 mesmo a aposentadoria. Isso explica porque a economia tem enfrentado dificuldade de se recuperar\u201d, diz Dari Krein.<\/p>\n<p>A reforma trabalhista, aprovada em 2017 pelo governo Michel Temer e que flexibilizou as leis trabalhistas e retirou direitos, ele lembra, tamb\u00e9m reduziu a renda de quem trabalha. Os mais pobres foram os mais prejudicados e assim \u201cse criou mais um \u2018dificultador\u2019 para a recupera\u00e7\u00e3o da economia\u201d, al\u00e9m de aumentar a desigualdade social.<\/p>\n<p>A excessiva concentra\u00e7\u00e3o de renda \u00e9 um grande problema e o aumento da desigualdade, em especial durante a pandemia, ele diz, \u00e9 \u201cintoler\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>Relat\u00f3rio da Oxfam, divulgado nesta segunda-feira, mostra que os mil maiores bilion\u00e1rios do planeta recuperaram perdas em apenas nove meses, enquanto os mais pobres levar\u00e3o 14 anos para se recuperarem.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com a Oxfam, os dez homens mais ricos do mundo, todos brancos, acumularam cerca de US$ 500 bilh\u00f5es desde que a pandemia come\u00e7ou, valor que \u00e9 mais do que suficiente para bancar a vacina contra a covid-19 para todo o mundo.<\/p>\n<p>www.cut.org.br \/ Andre Accarini<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidades onde o n\u00famero de benefici\u00e1rios foi maior, tamb\u00e9m foi maior a gera\u00e7\u00e3o de emprego formal. 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