{"id":18817,"date":"2021-01-29T21:10:39","date_gmt":"2021-01-30T00:10:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=18817"},"modified":"2021-01-29T21:10:39","modified_gmt":"2021-01-30T00:10:39","slug":"em-apenas-15-dias-140-pessoas-sao-resgatadas-em-operacao-contra-trabalho-escravo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/01\/29\/em-apenas-15-dias-140-pessoas-sao-resgatadas-em-operacao-contra-trabalho-escravo\/","title":{"rendered":"Em apenas 15 dias, 140 pessoas s\u00e3o resgatadas em opera\u00e7\u00e3o contra trabalho escravo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Entre os resgatados est\u00e3o tr\u00eas mulheres que trabalhavam h\u00e1 d\u00e9cadas como dom\u00e9sticas para fam\u00edlias no Rio. Duas delas tiveram o aux\u00edlio emergencial sacado, mas os patr\u00f5es ficaram com o dinheiro<\/strong><\/p>\n<p>Em apenas 15 dias, foram resgatadas em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o, \u00a0140 pessoas em 23 estados, na maior opera\u00e7\u00e3o de combate ao trabalho escravo j\u00e1 realizada no pa\u00eds. Participaram da megaopera\u00e7\u00e3o, iniciada no dia 18 deste m\u00eas, auditores fiscais do Trabalho, o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT), a Pol\u00edcia Federal (PF), a Subsecretaria de Inspe\u00e7\u00e3o do Trabalho (SIT) do Minist\u00e9rio da Economia, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) e a Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o (DPU).<\/p>\n<p>Dentre os trabalhadores e trabalhadoras resgatados tr\u00eas casos chamaram a aten\u00e7\u00e3o, no Rio de Janeiro. Eram dom\u00e9sticas que trabalhavam h\u00e1 d\u00e9cadas sem receber sal\u00e1rios e ficavam em instala\u00e7\u00f5es insalubres. Al\u00e9m disso, duas delas tiveram o aux\u00edlio emergencial sacado, mas o dinheiro ficou com os patr\u00f5es.<\/p>\n<p>Os resgastes aconteceram na zona norte da cidade do Rio. Uma das idosas, de 63 anos, trabalhava h\u00e1 41 anos numa casa de fam\u00edlia no bairro da Aboli\u00e7\u00e3o. Em seu depoimento ela disse que nunca teve carteira assinada, nem recebeu sal\u00e1rios, n\u00e3o tinha direito a f\u00e9rias e trabalhou para v\u00e1rios membros da mesma fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de n\u00e3o ter nenhum direito trabalhista, a idosa, quando podia sair de casa, recolhia latinhas na rua para vender, mas o dinheiro que conseguia era recolhido pelos patr\u00f5es. Sobre o aux\u00edlio emergencial a trabalhadora afirmou que seus documentos foram entregues \u00e0 patroa, que alegou que eles eram velhos e, por isso, ela n\u00e3o teria direito ao saque. No entanto, os fiscais comprovaram que benef\u00edcio foi sacado em seu nome. A patroa confessou o crime, mas afirmou que ficou com o valor do primeiro saque e os demais foram resgatados por outras pessoas. Os fiscais, junto com o MPT do Rio, resgataram a idosa na \u00faltima segunda-feira (25), num c\u00f4modo sem energia el\u00e9trica e com seus pertences armazenados em uma caixa de papel\u00e3o.<\/p>\n<p>Os empregadores foram autuados e podem responder em liberdade ao inqu\u00e9rito que ser\u00e1 instaurado na Pol\u00edcia Federal. O MPT diz que vai buscar uma indeniza\u00e7\u00e3o compat\u00edvel ao per\u00edodo em que a idosa ficou trabalhando sem receber..<\/p>\n<p>A outra mulher, de 52 anos, resgatada no dia 26 (ter\u00e7a), na zona norte do Rio de Janeiro, no bairro de Vila Isabel, foi encontrada tamb\u00e9m em situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o. Ela prestava servi\u00e7o para a mesma fam\u00edlia h\u00e1 quase 32 anos, sem folgas e, al\u00e9m dos servi\u00e7os da casa, cuidava de uma pessoa com Alzheimer. A mulher dormia em um colchonete no ch\u00e3o, pr\u00f3ximo \u00e0 cama do paciente de quem ela cuidava, e guardava todos os seus pertences em um arm\u00e1rio dentro do banheiro e n\u00e3o tinha acesso ao telefone. A v\u00edtima tamb\u00e9m teve o aux\u00edlio emergencial sacado, por\u00e9m os patr\u00f5es negaram que ficaram com os valores do benef\u00edcio.<\/p>\n<p>As empregadoras dessas duas mulheres foram intimadas a pagar as verbas rescis\u00f3rias trabalhistas, com prazo de 10 dias para comprova\u00e7\u00e3o. As v\u00edtimas foram levadas a um centro de acolhimento.<\/p>\n<p>A terceira mulher encontrada numa situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o, trabalhava mais de 60 horas semanais e\u00a0 estava h\u00e1 seis meses sem poder deixar a casa dos patr\u00f5es. Com o flagrante, os patr\u00f5es decidiram pagar na hora do resgate todas as verbas rescis\u00f3rias a que ela tem direito.<\/p>\n<p><strong>A megaopera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m do resgate dos trabalhadores, a megaopera\u00e7\u00e3o integrada verificou o cumprimento das regras de prote\u00e7\u00e3o ao trabalho, a coleta de provas para garantir a responsabiliza\u00e7\u00e3o criminal daqueles que lucram com a explora\u00e7\u00e3o e a repara\u00e7\u00e3o dos danos individuais e coletivos causados aos resgatados.<\/p>\n<p>Ao todo, foram realizadas at\u00e9 o momento 64 a\u00e7\u00f5es fiscais, lavrados 360 autos de infra\u00e7\u00e3o e identificados 486 trabalhadores sem registro na carteira de trabalho. Ser\u00e3o destinados cerca de R$ 500 mil em verbas rescis\u00f3rias aos trabalhadores flagrados em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o e cada um deles ter\u00e1 direito a tr\u00eas parcelas do seguro-desemprego.<\/p>\n<p>www.cut.org.br \/com informa\u00e7\u00f5es do MPT e UOL<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre os resgatados est\u00e3o tr\u00eas mulheres que trabalhavam h\u00e1 d\u00e9cadas como dom\u00e9sticas para fam\u00edlias no Rio. Duas delas tiveram o aux\u00edlio emergencial sacado, mas os patr\u00f5es ficaram com o dinheiro Em apenas 15 dias, foram resgatadas em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o, \u00a0140 pessoas em 23 estados, na maior opera\u00e7\u00e3o de combate ao trabalho escravo j\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":18818,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[214],"class_list":["post-18817","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-contra-o-trabalho-escravo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18817","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18817"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18817\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18819,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18817\/revisions\/18819"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18818"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18817"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18817"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18817"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}