{"id":18894,"date":"2021-02-04T15:57:38","date_gmt":"2021-02-04T18:57:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=18894"},"modified":"2021-02-04T15:57:38","modified_gmt":"2021-02-04T18:57:38","slug":"mulheres-sao-as-mais-afetadas-com-desemprego-na-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/02\/04\/mulheres-sao-as-mais-afetadas-com-desemprego-na-pandemia\/","title":{"rendered":"Mulheres s\u00e3o as mais afetadas com desemprego na pandemia"},"content":{"rendered":"<p><strong>Pandemia desregulou mercado de trabalho em todo mundo, afetando mais as mulheres. No Brasil 8,5 milh\u00f5es deixaram a for\u00e7a de trabalho no \u00faltimo trimestre de 2020 em compara\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2019<\/strong><\/p>\n<p>A perda de emprego atingiu 114 milh\u00f5es de pessoas ao redor do mundo. Deste total 71% (81 milh\u00f5es) est\u00e3o na inatividade e n\u00e3o no desemprego, o que significa que as pessoas deixaram o mercado de trabalho por que n\u00e3o conseguiam trabalhar, ou simplesmente pararam de procurar uma vaga, por causa da pandemia do novo coronav\u00edrus (Covid-19).<\/p>\n<p>As mais prejudicadas com a perda do trabalho s\u00e3o as mulheres tanto no Brasil como nos demais pa\u00edses. Globalmente, as perdas de emprego das mulheres situam-se nos 5% contra 3,9% dos homens, mostra o relat\u00f3rio\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.ilo.org\/wcmsp5\/groups\/public\/---dgreports\/---dcomm\/documents\/briefingnote\/wcms_767028.pdf\">\u201cMonitor OIT: COVID-19 e o mundo do trabalho<\/a>\u201d<\/strong>\u00a0, da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Trabalho (OIT), publicado na \u00faltima semana.<\/p>\n<p>No Brasil, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das piores do mundo. Com o fim do aux\u00edlio emergencial de R$600 (R$1.200 para m\u00e3es solo) e sem nenhum outro projeto de benef\u00edcio social do governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) que reponha as perdas financeiras, cada vez mais mulheres deixam a for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>Apesar da necessidade financeira, muitas trabalhadoras n\u00e3o t\u00eam com quem deixar seus filhos na pandemia, e cabe a elas, numa sociedade patriarcal, cuidar deles. Outras, n\u00e3o t\u00eam sequer dinheiro para pegar o transporte p\u00fablico,\u00a0 ou simplesmente desistiram porque entendem que ser\u00e1 perda de tempo procurar trabalho com atual crise econ\u00f4mica e disputar uma vaga com mais de 14 milh\u00f5es de desempregados.<\/p>\n<p>O resultado desta crise econ\u00f4mica pode ser medido pelo \u00faltimo dado dispon\u00edvel da Pesquisa Nacional por Domic\u00edlios (Pnad Cont\u00ednua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), que mostra que 8,5 milh\u00f5es de mulheres deixaram a for\u00e7a de trabalho no terceiro trimestre de 2020, na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano anterior.<\/p>\n<p>Para a secret\u00e1ria da Mulher Trabalhadora da CUT, Juneia Batista, em toda e qualquer crise econ\u00f4mica quem mais perde s\u00e3o as mulheres, por causa da estrutura da sociedade patriarcal, cabendo a elas ficar das janelas e portas para dentro de casa, enquanto ao homem \u00e9 permitido ir para fora.<\/p>\n<p>\u201cEm pleno s\u00e9culo 21 em que h\u00e1 outras formas de identidade de g\u00eanero e orienta\u00e7\u00f5es sexuais, as mulheres, inclusive as trans, que s\u00e3o capazes e competentes em seus trabalhos como qualquer homem, perdem, principalmente, quando h\u00e1\u00a0 alguma recess\u00e3o, alguma crise. Isto \u00e9 ruim para a sociedade como um todo\u201d, afirma Jun\u00e9ia.<\/p>\n<p>Mas, embora a Covid-19 tenha sido a respons\u00e1vel pelo aumento da inatividade no mercado de trabalho no Brasil, a doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica. A crise econ\u00f4mica vem se acentuado desde o golpe contra a primeira mulher presidenta do pa\u00eds, Dilma Rousseff (PT), em 2016.<\/p>\n<p>Sem rumos claros e com uma pol\u00edtica neoliberal econ\u00f4mica de retirada de direitos trabalhistas, o governo de Michel Temer (MDB-SP) n\u00e3o conseguiu abrir as seis milh\u00f5es de vagas prometidas com a reforma Trabalhista, de 2017. Bolsonaro e seu \u201c Posto Ipiranga\u201d, o banqueiro, Paulo Guedes, rezam pela mesma cartilha de Temer e n\u00e3o conseguem tirar o pa\u00eds da crise.<\/p>\n<p>Com isso aumentam o desalento e o desemprego, com implica\u00e7\u00f5es ainda mais duras para a mulher trabalhadora. No primeiro trimestre de 2020, antes dos efeitos da pandemia na economia, aumentou em 11,2 milh\u00f5es, o n\u00famero de pessoas de fora da for\u00e7a de trabalho. Deste total, sete milh\u00f5es eram mulheres. A participa\u00e7\u00e3o feminina, com 14 anos ou mais,\u00a0 no mercado de trabalho ficou em 45,8%, uma queda de 14% em rela\u00e7\u00e3o a 2019.<\/p>\n<p>O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) tamb\u00e9m tem resultados desanimadores. Enquanto no ano passado 230,2 mil vagas criadas foram ocupadas por homens, as mulheres perderam 87,6 mil postos.<\/p>\n<p><strong>Instru\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o como armas da igualdade<\/strong><\/p>\n<p>Juneia Batista defende que o empoderamento feminino, por meio da educa\u00e7\u00e3o e da forma\u00e7\u00e3o, \u00e9 o caminho para mudar o sistema patriarcal aceito pela sociedade com reflexos no mundo do trabalho.<\/p>\n<p>\u201cQuando as mulheres se empoderam, significa melhor um mercado de trabalho para elas. O empoderamento vai al\u00e9m dos movimentos feministas que discutem a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto a liberta\u00e7\u00e3o nossos corpos. As mulheres da classe trabalhadoras s\u00f3 pensam que amanh\u00e3 \u00e9 um novo dia, um novo dia para buscar comida para meus filhos e \u00a0filhas e sobreviverem. Ent\u00e3o, eu acredito \u00a0que a mudan\u00e7a do comportamento vem pela\u00a0 educa\u00e7\u00e3o, pela forma\u00e7\u00e3o, com igualdade de oportunidades para homens e mulheres no mercado de trabalho\u201d, diz a secret\u00e1ria da Mulher Trabalhadora da CUT.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>\u00c9 preciso fazer uma grande revolu\u00e7\u00e3o do poder com educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o, com uma vis\u00e3o do que n\u00f3s, mulheres, queremos E a\u00ed a gente conseguir\u00e1 mudar um pouco a hist\u00f3ria desse mundo<\/p>\n<footer>&#8211; Juneia Batista<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>www.cut.org.br \/ Rosely Rocha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pandemia desregulou mercado de trabalho em todo mundo, afetando mais as mulheres. 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