{"id":19010,"date":"2021-02-12T13:00:30","date_gmt":"2021-02-12T16:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=19010"},"modified":"2021-02-12T13:00:30","modified_gmt":"2021-02-12T16:00:30","slug":"pandemia-agrava-problema-cronico-do-brasil-a-desigualdade-economica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/02\/12\/pandemia-agrava-problema-cronico-do-brasil-a-desigualdade-economica\/","title":{"rendered":"Pandemia agrava problema cr\u00f4nico do Brasil: a desigualdade econ\u00f4mica"},"content":{"rendered":"<p><strong>A pandemia ainda est\u00e1 em curso, mas j\u00e1 deixou muitas marcas na economia brasileira e agravou uma das mazelas cr\u00f4nicas do pa\u00eds: a desigualdade.<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s02.video.glbimg.com\/x240\/9254821.jpg\" alt=\"Pandemia agrava problema cr\u00f4nico do Brasil: a desigualdade econ\u00f4mica\" \/><\/figure>\n<p>Reportagem de Renata Ribeiro.<\/p>\n<p>A Pesquisa Nacional de Amostra por Domic\u00edlio mostra que, na m\u00e9dia, os 10% mais ricos perderam 3% da renda com a pandemia, e os 40% mais pobres viram a renda familiar que vem do trabalho, descontando o aux\u00edlio do governo, cair mais de 30%.<\/p>\n<p>Na leitura da economia, a pandemia escreve um conto das duas cidades: uma que v\u00ea do alto o saldo da crise; e outra que assiste \u00e0s consequ\u00eancias de baixo. A teoria de que o v\u00edrus aumentou a desigualdade social foi testada em cidades do mundo todo.<\/p>\n<p>No Brasil, onde o mal \u00e9 end\u00eamico, foi pior, levada ao extremo.<\/p>\n<p>\u201cNas nossas regi\u00f5es metropolitanas, j\u00e1 vinha numa tend\u00eancia de crescimento desde 2015, com a crise. E o que a pandemia fez foi jogar essa desigualdade para outro n\u00edvel. As pessoas est\u00e3o perdendo renda do trabalho e, ao mesmo tempo, essa renda est\u00e1 se tornando, est\u00e1 ficando menos, est\u00e1 distribuindo de uma forma menos igualit\u00e1ria. Ent\u00e3o, voc\u00ea tem uma piora da renda do trabalho e um aumento da desigualdade da renda do trabalho. O pior cen\u00e1rio que voc\u00ea pode ter\u201d, explicou Andr\u00e9 Salata, soci\u00f3logo e professor da Escola de Humanidades da PUC-RS.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, as diferen\u00e7as t\u00eam endere\u00e7o. Cada ponto de vista, uma hist\u00f3ria. O valor do metro quadrado das \u00e1reas nobres subiu como efeito colateral da quarentena, enquanto nas vielas estreitas as fam\u00edlias vulner\u00e1veis ficaram sem sa\u00edda.<\/p>\n<p>Posicionada no nicho da elite de compradores, a imobili\u00e1ria Boutique nunca cresceu tanto como em 2020. J\u00e1 h\u00e1 fila de compradores esperando por uma cobertura.<\/p>\n<p>\u201cA gente teve um crescimento de 42% e a gente n\u00e3o esperava isso. A gente brinca que falta produto e n\u00e3o falta cliente para esse nicho\u201d, revelou Rafael Guaran\u00e1 Menezes, s\u00f3cio da imobili\u00e1ria de luxo.<\/p>\n<p>As maquetes econ\u00f4micas projetam para al\u00e9m dessa crise o abismo entre classes.<\/p>\n<p>Para os economistas, uma \u201crecupera\u00e7\u00e3o em K\u201d. A grafia da letra desenha a queda na atividade com a pandemia, depois indica o caminho da sa\u00edda. N\u00e3o \u00e9 bom: ricos cada vez mais ricos, pobres descendo ainda mais na arquitetura social. E esse v\u00edrus da desigualdade deixa marcas para o futuro, tal como a pandemia.<\/p>\n<p>\u201cA pandemia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um problema que acontece enquanto ela dura; ela deixa marcas na educa\u00e7\u00e3o, no trabalho dos jovens de hoje. Esse efeito cicatriz que a gera\u00e7\u00e3o de estudantes e de jovens durante a pandemia devem sofrer depois da pandemia\u201d, alertou Marcelo Neri, diretor da FGV Social.<\/p>\n<p>Do alto, o impacto financeiro da pandemia foi sentido \u00e0 dist\u00e2ncia. Pessoas acomodadas no topo da pir\u00e2mide perderam pouco ou nada, e houve at\u00e9 quem ganhou no per\u00edodo de distanciamento social. \u00c9 o que indicam os dados recentes de emprego e renda. A Pesquisa Nacional de Amostra por Domic\u00edlio mostrou que, na m\u00e9dia, os 10% mais ricos perderam 3% da renda com a pandemia, e os 40% mais pobres perderam 30% da renda, descontando o aux\u00edlio do governo.<\/p>\n<p>\u00c9 na base da pir\u00e2mide social que a estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica como sintoma do v\u00edrus faz mais v\u00edtimas. Nesse estrato social que vive do emprego informal, dif\u00edcil \u00e9 encontrar algu\u00e9m que n\u00e3o tenha sido afetado.<\/p>\n<p>O aux\u00edlio emergencial do governo amorteceu o impacto e fez at\u00e9 subir a renda dos mais pobres e reduzir a desigualdade nos meses da pandemia. Mas quando os pesquisadores tiraram o aux\u00edlio emergencial da conta, o resultado foi uma queda dr\u00e1stica dos mais pobres, enquanto os mais ricos praticamente n\u00e3o t\u00eam mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cO que \u00e9 muito preocupante nesse momento, em que o aux\u00edlio emergencial teve fim no ano passado, mas infelizmente os sinais que a gente tem visto no mercado de trabalho n\u00e3o s\u00e3o de uma recupera\u00e7\u00e3o t\u00e3o forte e r\u00e1pida assim\u201d, lamentou Andr\u00e9 Salata.<\/p>\n<p>www.ctb.org.br \/ fonte: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pandemia ainda est\u00e1 em curso, mas j\u00e1 deixou muitas marcas na economia brasileira e agravou uma das mazelas cr\u00f4nicas do pa\u00eds: a desigualdade. Reportagem de Renata Ribeiro. 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