{"id":19052,"date":"2021-02-15T11:16:53","date_gmt":"2021-02-15T14:16:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=19052"},"modified":"2021-02-15T11:17:24","modified_gmt":"2021-02-15T14:17:24","slug":"sem-bancos-publicos-recursos-e-programas-sociais-nao-chegariam-a-populacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/02\/15\/sem-bancos-publicos-recursos-e-programas-sociais-nao-chegariam-a-populacao\/","title":{"rendered":"Sem bancos p\u00fablicos, recursos e programas sociais n\u00e3o chegariam \u00e0 popula\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Bancos privados n\u00e3o t\u00eam interesse em atender os mais pobres, que n\u00e3o teriam acesso a programas sociais se n\u00e3o fosse a Caixa e o BB, afirmam banc\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>O papel social dos bancos p\u00fablicos para o desenvolvimento econ\u00f4mico e social do pa\u00eds ficou bem claro com a pandemia do novo coronav\u00edrus. Sem os bancos p\u00fablicos, milhares de brasileiros teriam muito mais dificuldade de acessar programas sociais ou qualquer atendimento banc\u00e1rio, j\u00e1 que em muitos munic\u00edpios pequenos e distantes de grandes centros \u2013 s\u00e3o mais de mil em todo o pa\u00eds \u2013 s\u00f3 possuem uma ag\u00eancia banc\u00e1ria, que \u00e9 de um banco p\u00fablico.<\/p>\n<p>Foi a Caixa Econ\u00f4mica Federal e o Banco do Brasil que possibilitaram o acesso a programas como o aux\u00edlio emergencial para mais de 67 milh\u00f5es de brasileiros aut\u00f4nomos e desempregados, que ficaram sem renda, e o Pronampe, programa de aux\u00edlio \u00e0 pequena e m\u00e9dia empresa, setor que mais emprega no Brasil.<\/p>\n<p>Exemplos de pa\u00edses vizinhos comprovam que a hist\u00f3ria seria diferente se n\u00e3o houvesse bancos p\u00fablicos no Brasil. Chile e Col\u00f4mbia s\u00e3o dois casos de pa\u00edses em que o sistema financeiro \u00e9 controlado pela inciativa privada e por l\u00e1, o acesso da popula\u00e7\u00e3o \u00e0s medidas emergenciais n\u00e3o funcionaram.<\/p>\n<p>Na Col\u00f4mbia, o governo injetou um grande volume de recursos na economia, por meio dos bancos privados, para as empresas, de um modo geral, mas esses recursos n\u00e3o chegaram nas pequenas empresas, afirma o secret\u00e1rio de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Roberto Von der Osten.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>O banco privado prefere entregar o dinheiro para quem ele acha que tem condi\u00e7\u00e3o de devolver esse dinheiro<\/p>\n<footer>&#8211; Roberto Von de Osten<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>No Chile, os trabalhadores n\u00e3o tiveram nenhum aux\u00edlio e foram obrigados a usar os fundos de suas aposentadorias para poder sobreviver, complementa Von der Osten, que cita tamb\u00e9m o caso do Peru, onde os bancos pouco fizeram pela popula\u00e7\u00e3o na primeira onda da Covid-19 no pa\u00eds.<\/p>\n<p>De acordo com o dirigente, o movimento sindical foi \u00e0 luta e garantiu que o Banco de La Naci\u00f3n del Peru oferecesse empr\u00e9stimos para a popula\u00e7\u00e3o de lugares mais afastados, o que garantiu, inclusive, uma amplia\u00e7\u00e3o da chamada \u2018bancariza\u00e7\u00e3o\u2019, ou seja, o acesso da popula\u00e7\u00e3o desses locais aos bancos.<\/p>\n<p>Por isso, diz Von der Osten, o papel do Estado para garantir a sobreviv\u00eancia de trabalhadores e pequenas empresas, por meio dos bancos p\u00fablicos \u00e9 essencial.\u00a0 \u201cSe daqui para frente os pa\u00edses quiserem virar a p\u00e1gina e mudar o rumo do mundo, criar emprego e renda, v\u00e3o ter que escolher o caminho de mudan\u00e7a com investimentos em atividades n\u00e3o excludentes, no social, em sa\u00fade p\u00fablica, em habita\u00e7\u00e3o, em educa\u00e7\u00e3o e os bancos p\u00fablicos s\u00e3o essenciais para isso, porque ser\u00e1 necess\u00e1rio cr\u00e9dito e banco privado s\u00f3 quer lucro\u201d, diz .<\/p>\n<p><strong>Mas, afinal, por que os bancos privados n\u00e3o cumprem seu papel social?<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o v\u00e1rios os motivos, mas o principal fator que demonstra a falta de compromisso com o social pelos bancos privados \u00e9 o olhar voltado somente ao lucro. E na vis\u00e3o dos bancos, os mais pobres \u201cn\u00e3o d\u00e3o lucro\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 o que explica S\u00e9rgio Takemoto, presidente da Federa\u00e7\u00e3o Nacional das Associa\u00e7\u00f5es do Pessoal da Caixa Econ\u00f4mica Federal (Fenae). Ele afirma que se n\u00e3o houvesse a Caixa Federal no Brasil, dificilmente os recursos emergenciais chegariam \u00e0 popula\u00e7\u00e3o mais carente.<\/p>\n<p>\u201cOs bancos privados n\u00e3o est\u00e3o presentes nos pequenos munic\u00edpios porque n\u00e3o t\u00eam interesse em atuar onde n\u00e3o h\u00e1 lucro.\u00a0 A maior parte dos bancos privados est\u00e1 nas regi\u00f5es Sul e Sudeste ou somente nas grandes cidades das outras regi\u00f5es\u201d, diz o dirigente.<\/p>\n<p>Takemoto ainda afirma que o movimento sindical sempre reivindicou que a responsabilidade por programas sociais \u2013 em especial do aux\u00edlio emergencial \u2013 n\u00e3o ficasse somente com a Caixa. \u201cMas nunca houve interesse em atender quem n\u00e3o d\u00e1 lucro para eles. Os bancos privados n\u00e3o t\u00eam preocupa\u00e7\u00e3o com a sociedade\u201d.<\/p>\n<p>Isso refor\u00e7a a import\u00e2ncia do papel social dos bancos p\u00fablicos, j\u00e1 que sem eles, a popula\u00e7\u00e3o mais carente ficaria exclu\u00edda por completo. \u201cHoje, muita gente j\u00e1 n\u00e3o tem acesso a servi\u00e7os banc\u00e1rios por essa falta de interesse dos bancos privados em atender a popula\u00e7\u00e3o\u201d, diz Takemoto.<\/p>\n<p>Talemoto diz ainda que de todos os programas criados, de socorro \u00e0s empresas, quem atuou mais forte na concess\u00e3o de cr\u00e9dito foram os bancos p\u00fablicos. J\u00e1 os privados atenderam somente \u00e0s grandes empresas onde o risco financeiro \u00e9 menor. \u201cO banco privado tem horror a qualquer tipo de risco\u201d, pontua.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Fukunaga, coordenador da Comiss\u00e3o de empresa dos Funcion\u00e1rios do Banco do Brasil (CEBB) destaca que n\u00e3o basta ter bancos p\u00fablicos. \u00c9 necess\u00e1rio fortalec\u00ea-los, algo que o governo de Jair Bolsonaro n\u00e3o faz.<\/p>\n<p>De acordo com Fukunaga, em mar\u00e7o do ano passado, logo ap\u00f3s o in\u00edcio da pandemia, o governo injetou cerca de R$ 61 bilh\u00f5es nos bancos privados, que dificultaram o acesso a cr\u00e9ditos emergenciais para pequenas e m\u00e9dias empresas.<\/p>\n<p>\u201cOs bancos privados est\u00e3o retendo recursos, inclusive repassados pelo tesouro. Em mar\u00e7o do de 2020, R$ 61 bilh\u00f5es foram colocados nos bancos, que seguraram esses recursos. Agora, com o Pronampe, o governo liberou R$ 3.2 bilh\u00f5es pelos bancos p\u00fablicos e isso \u00e9 muito pouco para o caos que a economia vive. As pequenas e microempresas s\u00e3o respons\u00e1veis diretas pelo emprego no Brasil e por isso vemos qual \u00e9 o descaso do governo\u201d, diz.<\/p>\n<p>E a reter os recursos \u00e9 hist\u00f3ria antiga, segundo Fukunaga. \u201cJ\u00e1 em 2008, Banco do Brasil, Caixa, e BNDES foram fundamentais para evitar que a crise econ\u00f4mica chegasse ao pa\u00eds, oferecendo cr\u00e9dito mais barato enquanto os privados retinham recursos\u201d.<\/p>\n<p>Hoje, diz, \u00e9 a mesma coisa.\u00a0 \u201cDurante a crise causada pelo coronav\u00edrus, o Banco do Brasil concedeu R$ 6,6 bilh\u00f5es em cr\u00e9dito para 110 mil micro e pequenas empresas por meio do Pronampe. Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, por meio do mesmo programa, o Ita\u00fa concedeu R$ 3,9 bilh\u00f5es para 42 mil empresas\u201d.<\/p>\n<p>A presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, refor\u00e7a a cr\u00edtica ao governo pelo descaso tanto com os bancos p\u00fablicos como para outras estatais estrat\u00e9gicas como Petrobras, Eletrobras e Correios, amea\u00e7adas de serem privatizadas.<\/p>\n<p>\u201cO atual governo n\u00e3o leva em conta o papel fundamental das empresas estatais para o desenvolvimento do pa\u00eds e para o aquecimento da atividade econ\u00f4mica e gera\u00e7\u00e3o de emprego, principalmente em um momento de crise profunda como o que vivemos atualmente, onde solu\u00e7\u00f5es do mercado via setor privado servir\u00e3o apenas para aprofundar ainda mais a crise econ\u00f4mica e social que o Brasil se encontra\u201d, afirma Juvandia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>O papel social e econ\u00f4mico, ponto a ponto<\/strong><\/h4>\n<p>Para demonstrar a import\u00e2ncia dos bancos p\u00fablicos para o pa\u00eds, o economista S\u00e9rgio Mendon\u00e7a, do Reconta A\u00ed, enumerou os principais pontos da atua\u00e7\u00e3o dessas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Bancos privados t\u00eam horror a qualquer tipo de risco<\/strong>: enfrentamento da crise foi e est\u00e1 sendo um papel da Caixa e do Banco do Brasil, tanto em 2008 como agora em 2020 \u2013 com o Pronampe, pagamento do aux\u00edlio-emergencial e FGTS;<\/p>\n<p><strong>Corrigem falhas de mercado<\/strong>: s\u00e3o os bancos p\u00fablicos, e n\u00e3o os privados, que investem nas regi\u00f5es menos desenvolvidas e na popula\u00e7\u00e3o de renda m\u00e9dia e mais baixa;<\/p>\n<p><strong>Principais financiadores do longo prazo<\/strong>: 86% do cr\u00e9dito (acima de 5 anos) \u00e9 feito pelos bancos p\u00fablicos;<\/p>\n<p><strong>Operam as grandes pol\u00edticas sociais<\/strong>: Minha Casa, Minha Vida; agricultura familiar; apoio a infraestrutura, entre outras. Segundo Mendon\u00e7a, a cada R$ 1 captado pelos bancos p\u00fablicos, R$ 9 retornam para a sociedade;<\/p>\n<p><strong>Bancarizam a popula\u00e7\u00e3o de renda mais baixa<\/strong>: quase mil munic\u00edpios s\u00f3 possuem ag\u00eancias de bancos p\u00fablicos, e centenas n\u00e3o t\u00eam nenhuma;<\/p>\n<p><strong>Rent\u00e1veis e sociais<\/strong>: S\u00e3o capazes de ganhar nas linhas comerciais que mais d\u00e3o retorno, e aplicar nas pol\u00edticas sociais;<\/p>\n<p><strong>Compram t\u00edtulos do governo<\/strong>: financiam as pol\u00edticas macroecon\u00f4micas atrav\u00e9s do financiamento da d\u00edvida p\u00fablica;<\/p>\n<p><strong>Aceleram o crescimento econ\u00f4mico<\/strong>: t\u00eam a capacidade de subsidiar linhas de cr\u00e9dito;<\/p>\n<p><strong>Podem regular o mercado<\/strong>: como foi feito na crise financeira de 2008, os bancos p\u00fablicos t\u00eam a capacidade de puxar para baixo a taxa de juros.<\/p>\n<p><strong>Apresentam lucros alt\u00edssimos<\/strong>: e pagam dividendos \u00e0 sociedade.<\/p>\n<p>www.cut.org.br \/<strong> \u00a0Andre Accarini<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bancos privados n\u00e3o t\u00eam interesse em atender os mais pobres, que n\u00e3o teriam acesso a programas sociais se n\u00e3o fosse a Caixa e o BB, afirmam banc\u00e1rios O papel social dos bancos p\u00fablicos para o desenvolvimento econ\u00f4mico e social do pa\u00eds ficou bem claro com a pandemia do novo coronav\u00edrus. 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