{"id":19246,"date":"2021-03-01T14:46:04","date_gmt":"2021-03-01T17:46:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=19246"},"modified":"2021-03-01T14:46:04","modified_gmt":"2021-03-01T17:46:04","slug":"governo-insiste-no-trabalho-aos-domingos-flexibilizar-seguranca-e-terceirizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/03\/01\/governo-insiste-no-trabalho-aos-domingos-flexibilizar-seguranca-e-terceirizacao\/","title":{"rendered":"Governo insiste no trabalho aos domingos, flexibilizar seguran\u00e7a e terceiriza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Sem resolver o drama dos desempregados que esperam o aux\u00edlio emergencial, Bolsonaro d\u00e1 prioridade a consulta p\u00fablica de retirada de direitos trabalhistas. CUT, ju\u00edzes e fiscais do Trabalho criticam medida\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O Congresso adiou para esta semana a vota\u00e7\u00e3o de um novo aux\u00edlio emergencial para trabalhadores desempregados e informais, que deveria ter ocorrido no \u00faltimo dia 25 de fevereiro. Al\u00e9m de n\u00e3o pressionar pela aprova\u00e7\u00e3o da medida, o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL), investe em a\u00e7\u00f5es que visam tirar mais direitos trabalhistas.<\/p>\n<p>Em meio a briga dos senadores de oposi\u00e7\u00e3o e at\u00e9 da base aliada do governo para impedir que o aux\u00edlio s\u00f3 seja aprovado se junto a Casa aprovar o fim da obrigatoriedade de piso m\u00ednimo de gastos na sa\u00fade e na educa\u00e7\u00e3o,\u00a0 Bolsonaro e Paulo Guedes, ministro da Economia, prorrogaram at\u00e9 6 de mar\u00e7o de 2021, o prazo sobre uma consulta p\u00fablica de \u201c<em>disposi\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o trabalhista que institui o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.in.gov.br\/en\/web\/dou\/-\/despacho-de-18-de-fevereiro-de-2021-304418220\"><strong>Programa Permanente de Consolida\u00e7\u00e3o, Simplifica\u00e7\u00e3o e Desburocratiza\u00e7\u00e3o de Normas Trabalhistas e o Pr\u00eamio Nacional Trabalhista\u201d<\/strong><\/a><\/em><strong>.<\/strong><\/p>\n<p>O nome pomposo esconde a que veio: mais perdas de direitos trabalhistas, indo al\u00e9m dos mais de 100 itens da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), que j\u00e1 foram retirados com a reforma Trabalhista de Michel Temer (MDB-SP), em 2017.<\/p>\n<p>Entre os itens para consulta p\u00fablica (alguns ca\u00edram com a n\u00e3o aprova\u00e7\u00e3o da Medida Provis\u00f3ria n\u00ba 905), tr\u00eas deles chamam a aten\u00e7\u00e3o por serem extremamente prejudiciais aos trabalhadores: a amplia\u00e7\u00e3o do trabalho aos domingos e feriados; a flexibiliza\u00e7\u00e3o de normas de seguran\u00e7a e sa\u00fade do trabalho e a que dificulta a a\u00e7\u00e3o dos fiscais do trabalho em multar a \u201cempresa m\u00e3e\u201d em casos de terceiriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sobre o trabalho aos domingos e feriados, o secret\u00e1rio de Trabalho do Minist\u00e9rio da Economia, Bruno Dalcolmo, afirmou ao jornal O Estado de S\u00e3o Paulo, que o governo apenas est\u00e1 eliminando a \u201cetapa burocr\u00e1tica\u201d da negocia\u00e7\u00e3o coletiva para permitir a ades\u00e3o do setor<strong>.\u00a0<\/strong>Ou seja, o governo quer que o trabalhador aceite trabalhar aos domingos e feriados, sem que tenha a prote\u00e7\u00e3o do sindicato da categoria. Atualmente o trabalho aos domingos est\u00e1 liberado para algumas categorias. Esses trabalhadores t\u00eam direito somente a um descanso aos domingos a cada sete semanas.<\/p>\n<p>Para o secret\u00e1rio de Rela\u00e7\u00f5es de Trabalho da CUT, Ari Aloraldo do Nascimento, o pano de fundo da consulta p\u00fablica de regulamenta\u00e7\u00e3o dessas mat\u00e9rias nada mais \u00e9 do que tirar os sindicatos das negocia\u00e7\u00f5es para que os patr\u00f5es possam \u201cescravizar\u201d os trabalhadores e aprofundar a reforma Trabalhista.<\/p>\n<p>\u201cEles querem tirar os sindicatos de toda e quaisquer negocia\u00e7\u00f5es por que n\u00f3s atrapalhamos os planos do governo e dos empres\u00e1rios. A extin\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Trabalho, rebaixado a secretaria, j\u00e1 sinalizava que para este governo n\u00e3o existe trabalhador, existe colaborador\u201d, diz Ari.<\/p>\n<p>Outro ponto pol\u00eamico \u00e9 sobre mudan\u00e7as nas normas regulamentadoras (NRs). A Consulta P\u00fablica tem um trecho em que coloca \u201c<em>o livre exerc\u00edcio da atividade econ\u00f4mica e a busca do pleno emprego<\/em>\u201d como princ\u00edpios para a elabora\u00e7\u00e3o das normas regulamentadoras relacionadas \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 seguran\u00e7a do trabalhador. Mas, pela legisla\u00e7\u00e3o, as mudan\u00e7as s\u00f3 podem ser feitas a partir de um consenso num conselho tripartite envolvendo representantes dos trabalhadores, empres\u00e1rios e o governo federal.<\/p>\n<p>O desprezo com a sa\u00fade e os cuidados para evitar acidentes \u00e9 motivo de chacota pelo secret\u00e1rio de Trabalho do Minist\u00e9rio da Economia, que na entrevista ao Estad\u00e3o, disse que\u00a0<em>\u201ca \u00fanica maneira de ter risco zero \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 seguran\u00e7a do trabalhador \u00e9 n\u00e3o ter atividade produtiva nenhuma\u201d.<\/em><\/p>\n<p>\u201cO secret\u00e1rio do Trabalho n\u00e3o tem a menor no\u00e7\u00e3o do mundo do trabalho. Ele n\u00e3o v\u00ea a diferen\u00e7a entre quem trabalha em meio rural, nas minas, na energia, com risco \u00e0 sa\u00fade, com quem trabalha em outra atividade, dentro de um escrit\u00f3rio ou em home office.\u00a0 Ele n\u00e3o enxerga que as normas regulamentadoras s\u00e3o diferentes para cada setor\u201d, diz o dirigente cutista.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>Temos um presidente que n\u00e3o segue as orienta\u00e7\u00f5es de cuidados com a Covid, que o mundo inteiro segue, que faz live dizendo que crian\u00e7a n\u00e3o pode usar m\u00e1scara facial. Ele n\u00e3o vai mesmo se preocupar com a prote\u00e7\u00e3o do trabalhador<\/p>\n<footer>&#8211; Ari Aloraldo do Nascimento<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>Sobre o trecho que n\u00e3o responsabiliza as \u2018empresas m\u00e3es\u2019, que contratam terceirizadas, dizendo que n\u00e3o h\u00e1 v\u00ednculo empregat\u00edcio entre a empresa contratante e o prestador de servi\u00e7os, salvo em casos de fraude, o secret\u00e1rio de Rela\u00e7\u00f5es de Trabalho da CUT, lembra o caso emblem\u00e1tico do trabalhador Jo\u00e3o Alberto Silveira Freitas, assassinado por agentes de seguran\u00e7a terceirizados do supermercado Carrefour, em Porto Alegre (RS), em novembro do ano passado.<\/p>\n<p>\u201cEste \u00e9 um exemplo de como \u00e9 muito f\u00e1cil para uma empresa contratante n\u00e3o ter responsabilidade sobre os atos de outros funcion\u00e1rios, e das diretrizes recomendadas pela dire\u00e7\u00e3o de uma empresa terceirizada\u201d, diz Ari.<\/p>\n<p>Para ele, a terceiriza\u00e7\u00e3o permite a pejotiza\u00e7\u00e3o do trabalhador, que \u00e9 o contrato como Pessoa Jur\u00eddica (PJ), sem prote\u00e7\u00e3o sindical.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>Hoje somos todos PJs. PJ n\u00e3o come, n\u00e3o tem jornada definida, n\u00e3o faz greve e \u00e9 mais f\u00e1cil de demitir. Sem prote\u00e7\u00e3o dos sindicatos estamos nos igualando a trabalhadores an\u00e1logos \u00e0 escravid\u00e3o. Uma hora a popula\u00e7\u00e3o vai cobrar e vai para as ruas, assim como aconteceu no Chile<\/p>\n<footer>&#8211; Ari Aloraldo do Nascimento<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>Naquele pa\u00eds, a popula\u00e7\u00e3o foi \u00e0s ruas em protesto contra os baixos valores pagos nas aposentadorias, por estar descontente com o modelo socioecon\u00f4mico neoliberal, o aumento nas tarifas de transporte p\u00fablico, o aumento do custo de vida, a corrup\u00e7\u00e3o e abusos de autoridade, o conluio em medica\u00e7\u00f5es e bens de necessidade, o aumento na criminalidade e da desigualdade de renda e alto custo de vida, a mesma situa\u00e7\u00e3o que o Brasil vem passando.<\/p>\n<p><strong>Ju\u00edzes, advogados e auditores fiscais do Trabalho criticam Consulta P\u00fablica<\/strong><\/p>\n<p>A Consulta P\u00fablica foi criticada pela\u00a0<a href=\"https:\/\/admin.cut.org.br\/system\/uploads\/ck\/NOTA%20T%C3%89CNICA%20CONTR%C3%81RIA%20A%20EDI%C3%87%C3%83O%20DE%20DECRETO%20PARA%20A%20INSTITUI%C3%87%C3%83O%20DO%20PROGRAMA%20PERMANENTE%20DE%20CONSOLIDA%C3%87%C3%83O%20%281%29.pdf\"><strong>Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Magistrados da Justi\u00e7a do Trabalho (Anamatra)<\/strong><\/a>\u00a0em nota conjunta assinada pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT), Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Advogados (Abrat) e pelo Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais (Sinait). As entidades veem \u201cinova\u00e7\u00f5es e inconstitucionalidades no texto\u201d, j\u00e1 que a minuta de decreto presidencial \u201capresenta princ\u00edpios pr\u00f3prios e normas diferentes das previstas na Constitui\u00e7\u00e3o e nas leis, em viola\u00e7\u00e3o ao processo legislativo\u201d. Na vis\u00e3o da entidade, o texto promove \u201caltera\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica protetiva da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista\u201d.<\/p>\n<p>O F\u00f3rum Interinstitucional de Defesa do Direito do Trabalho e da Previd\u00eancia Social (FIDS), que re\u00fane entidades de representa\u00e7\u00e3o do mundo do trabalho e do campo social, endossou as cr\u00edticas \u00e0 Consulta P\u00fablica. Para a entidade, sem di\u00e1logo com a sociedade, a decis\u00e3o do governo \u00e9 um desrespeito \u00e0 democracia e a soberania, ou seja, ao Estado Democr\u00e1tico de Direito.<\/p>\n<p>Em nota, o FIDS diz que \u201csob o falso argumento da desburocratiza\u00e7\u00e3o e da simplifica\u00e7\u00e3o realizada em \u00e2mbito infralegal, preso a uma l\u00f3gica de rigoroso ajuste fiscal comprovadamente nefasta onde institu\u00edda, o decreto revoga decretos precedentes; revisa outros; consolida flexibiliza\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias editadas para a pandemia; incorpora proposi\u00e7\u00f5es legislativas rejeitadas pelo Congresso, como, por exemplo, aspectos da Lei da Liberdade Econ\u00f4mica; e suprime direitos, como \u00e9 o caso, entre outros, do direito ao repouso semanal, conquista dos trabalhadores que, remontando aos tempos de constitui\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio capitalismo, busca assegurar condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, higi\u00eanicas, sanit\u00e1rias e ps\u00edquicas adequadas ao conv\u00edvio social dos cidad\u00e3os e cidad\u00e3s\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/admin.cut.org.br\/system\/uploads\/ck\/NOTA%20FIDS.pdf\"><strong>Leia aqui a integra da nota do FIDS\u00a0<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Para Ari Arolaldo, os apoios dessas entidades s\u00e3o importantes pois alguns segmentos do Judici\u00e1rio e o pr\u00f3prio Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho ( MPT) j\u00e1 perceberam que sem regras trabalhistas n\u00e3o haver\u00e1 Justi\u00e7a do Trabalho, e para isso, \u00e9 preciso conter o autoritarismo do presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>O governo Bolsonaro n\u00e3o respeita as institui\u00e7\u00f5es, o Judici\u00e1rio ,o Parlamento, as organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores, da sociedade civil. Para ele, n\u00e3o \u00e9 preciso, nem cultura, nem vacina, por que sua vis\u00e3o de mundo \u00e9 autorit\u00e1ria. \u00c9 ele quem define as regras<\/p>\n<footer>&#8211; Ari Aloraldo do Nascimento<\/footer>\n<\/blockquote>\n<footer>www.cut.org.br\/Rosely Rocha<\/footer>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sem resolver o drama dos desempregados que esperam o aux\u00edlio emergencial, Bolsonaro d\u00e1 prioridade a consulta p\u00fablica de retirada de direitos trabalhistas. 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