{"id":19341,"date":"2021-03-08T10:26:01","date_gmt":"2021-03-08T13:26:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=19341"},"modified":"2021-03-08T10:26:01","modified_gmt":"2021-03-08T13:26:01","slug":"o-genero-feminino-na-linha-de-frente-sao-elas-que-combatem-diariamente-a-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/03\/08\/o-genero-feminino-na-linha-de-frente-sao-elas-que-combatem-diariamente-a-covid-19\/","title":{"rendered":"O g\u00eanero feminino na linha de frente: s\u00e3o elas que combatem diariamente a Covid-19"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u201cNingu\u00e9m sabia de nada, era tudo novo. Confesso que me desesperei. Tentei lidar, de todas as formas, com o medo, para continuar trabalhando\u201d. \u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O relato da t\u00e9cnica de enfermagem M\u00e1rcia de Assis, de 55 anos, retrata um sentimento compartilhado por milhares de profissionais de sa\u00fade que, de um dia para o outro, tornaram-se pe\u00e7as principais no combate a um v\u00edrus letal e, at\u00e9 ent\u00e3o, desconhecido.<\/p>\n<p>Cuidar de pacientes infectados por uma<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/01\/21\/manaus-esta-dizendo-para-o-brasil-cuidado-sou-voce-amanha-alerta-nicolelis\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00a0doen\u00e7a respirat\u00f3ria<\/a>\u00a0para a qual n\u00e3o havia protocolos criados, ministrar medicamentos em meio a um mar de incertezas, enfrentar colapsos do sistema de sa\u00fade, uma sobrecarga de trabalho com risco iminente de contamina\u00e7\u00e3o e notificar familiares sobre \u00f3bitos com uma frequ\u00eancia in\u00e9dita.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a rotina vivida h\u00e1 mais de um ano pela t\u00e3o citada linha de frente do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/minuto-a-minuto\/coronavirus-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">combate ao coronav\u00edrus<\/a>. Mas, ainda que a frase tenha sido muito falada e ouvida, n\u00e3o deixa claro um marcador social importante: a maioria dos profissionais que est\u00e3o em contato direto com os pacientes da covid-19 s\u00e3o do g\u00eanero feminino.<\/p>\n<p>A maior categoria da \u00e1rea da sa\u00fade, a enfermagem, \u00e9 composta por 85% de mulheres. Os dados do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cofen.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Conselho Federal de Enfermagem (Cofen)<\/a>\u00a0mostram que s\u00e3o elas, as enfermeiras, t\u00e9cnicas e auxiliares de enfermagem, principalmente, que protagonizam o enfrentamento ao v\u00edrus cara a cara.<\/p>\n<p>\u201cA maioria dos nossos pacientes est\u00e3o intubados. Damos banho, controle de 2h em 2h, medica\u00e7\u00e3o o tempo todo, mudan\u00e7a de dec\u00fabito porque ficam acamados. Esse contato que temos com o paciente \u00e9 direto, nas 12 horas de trabalho&#8221;, conta M\u00e1rcia de Assis, t\u00e9cnica de enfermagem da UTI-Covid do\u00a0<a href=\"https:\/\/hc.unicamp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Hospital das Cl\u00ednicas da Unicamp.<\/a><\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma sobrecarga absurda. Para entrar em um quarto, tem que se paramentar inteirinha como astronauta\u201d, completa.<\/p>\n<p>Para poder entrar em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ela leva de cinco a dez minutos com os preparativos de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cSe voc\u00ea sair do quarto e uma bomba ou outro aparelho apitar, tem que paramentar inteirinha de novo.\u00a0N\u00e3o est\u00e1vamos acostumados com toda aquela paramenta\u00e7\u00e3o, com a m\u00e1scara N95 que \u00e9 dif\u00edcil de respirar. \u00c9 realmente muito desgastante, fisicamente e emocionalmente\u201d.<\/p>\n<p>O sufoco vivido no in\u00edcio da pandemia se apaziguou conforme mais informa\u00e7\u00f5es sobre o v\u00edrus chegaram e consolidaram protocolos de preven\u00e7\u00e3o e atendimento.<\/p>\n<p>M\u00e3e de uma crian\u00e7a excepcional, Assis afirma que seu principal medo, sentido tamb\u00e9m pelas outras profissionais, \u00e9 o de levar a covid-19 para dentro de casa e contaminar familiares. Um contexto que nunca havia imaginado enfrentar ao longo de seus 27 anos na profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Se desdobrando para atender todas as demandas, em n\u00edvel profissional e pessoal, ela explica que a solidariedade \u00e9 essencial neste momento de crise sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o muitas mulheres que enfrentam o medo, deixam os filhos, a fam\u00edlia em casa, e cuidam de pacientes, de pessoas que elas nem conhecem&#8221;, conta.<\/p>\n<p>&#8220;O que o v\u00edrus me ensinou foi proteger tamb\u00e9m o meu colega de trabalho porque se eu n\u00e3o protegesse, poderia contaminar a mim e a minha fam\u00edlia. O cuidar do outro \u00e9 muito importante\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/2b89ff80c414f1a8aaa7fb41afe06ec7.jpeg\" \/><\/p>\n<p>A pandemia do novo coronav\u00edrus tamb\u00e9m marcou a trajet\u00f3ria de M\u00f4nica Calazans, a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/01\/17\/anvisa-autoriza-uso-emergencial-coronavac-e-vacina-de-oxford-ja-podem-ser-aplicadas?bdf=t\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">primeira pessoa vacinada contra a covid-19<\/a>\u00a0no Brasil.<\/p>\n<p>Enfermeira do<a href=\"https:\/\/www.emilioribas.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00a0Instituto de Infectologia Em\u00edlio Ribas<\/a>, ela recebeu a Coronavac, produzida pelo Instituto Butatan, em 17 de janeiro, assim que a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) liberou o uso emergencial do imunizante.<\/p>\n<p>Mulher, negra, diab\u00e9tica e hipertensa, a enfermeira com d\u00e9cadas de atua\u00e7\u00e3o se tornou manchete\u00a0dos principais jornais do pa\u00eds ao pedir que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tivesse medo de receber a vacina e confiasse na ci\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cMe sinto extremamente orgulhosa porque minha categoria foi reconhecida. \u00c9 uma representatividade, mas o mais importante \u00e9 que sou brasileira, luto pela ci\u00eancia e queria muito que isso\u00a0[a pandemia] acabasse. Essa \u00e9 a representatividade que fala mais alto nesse momento\u201d, declara M\u00f4nica, de 54 anos.<\/p>\n<p>A profissional exalta a batalha das mulheres da enfermagem. Muitas, assim como ela, que tamb\u00e9m trabalha na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de S\u00e3o Mateus, conciliam dois empregos e ainda lidam com as tarefas dom\u00e9sticas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma correria. Doze horas de plant\u00e3o nos dois lugares. Na linha de frente, a mulherada toca o terror, trabalhamos incessantemente&#8221;, diz a enfermeira.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos nos desdobrando. A maioria tem dois empregos. N\u00e3o \u00e9 nem jornada dupla, \u00e9 jornada tripla. Al\u00e9m dos dois empregos, tem a casa, marido, filho, cuida dos pais\u201d.<\/p>\n<p>Calazans afirma que a pandemia tamb\u00e9m lhe refor\u00e7ou ensinamentos e explicitou como a humaniza\u00e7\u00e3o do atendimento \u00e9 essencial em meio \u00e0 pandemia.<\/p>\n<p>\u201cA humaniza\u00e7\u00e3o, a solidariedade e o acolhimento. O paciente quando te procura com sintoma de covid ou com covid positivo, vem buscar apoio. O acolhimento. E \u00e9 isso que temos que dar. Essa humaniza\u00e7\u00e3o ficou mais agu\u00e7ada em mim.\u201d<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Alvo da contamina\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Os profissionais de sa\u00fade est\u00e3o no grupo priorit\u00e1rio para a imuniza\u00e7\u00e3o contra a covid-19, justamente por serem trabalhadores essencias e atuarem em ambientes de alto risco.<\/p>\n<p>De acordo com o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/media\/pdf\/2021\/janeiro\/07\/boletim_epidemiologico_covid_44.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">boletim epidemiol\u00f3gico n\u00ba44<\/a>, publicado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade\u00a0no fim de 2020, da primeira \u00e0 \u00faltima semana epidemiol\u00f3gica da pandemia no ano passado, 442.285 casos de s\u00edndrome gripal por covid-19 foram confirmados entre os profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Cerca de 148 mil dessas infec\u00e7\u00f5es se deram entre e t\u00e9cnicos e auxiliares de enfermagem, 33,5% do total.<\/p>\n<p>Mais de 67 mil enfermeiros foram contaminados (15,2%) e 48 mil diagn\u00f3sticos positivos entre m\u00e9dicos foram registrados (11%).<\/p>\n<p>Cerca de 22 mil agentes comunit\u00e1rios de sa\u00fade tamb\u00e9m testaram positivo (5,1%) e mais de 17 mil recepcionistas de unidades de sa\u00fade foram infectados.<\/p>\n<p>As t\u00e9cnicas e auxiliares de enfermagem tamb\u00e9m s\u00e3o maioria entre os pacientes que desenvolveram a S\u00edndrome Respirat\u00f3ria Aguda Grave (SRAG).<\/p>\n<p>A categoria se destaca, novamente, como a mais vitimada pelo v\u00edrus entre os 452 \u00f3bitos registrados entre os profissionais de sa\u00fade at\u00e9 a \u00faltima semana do ano passado, correspondendo a 33,3% das mortes.<\/p>\n<p>Mais da metade (53,8%) dos profissionais de sa\u00fade que faleceram em decorr\u00eancia da doen\u00e7a respirat\u00f3ria, considerando todas as categorias, eram do g\u00eanero feminino.<\/p>\n<p>Diante da subnotifica\u00e7\u00e3o dos casos de infec\u00e7\u00e3o do v\u00edrus em toda a popula\u00e7\u00e3o, o Cofen passou a receber e sistematizar as notifica\u00e7\u00f5es de \u00f3bitos e contamina\u00e7\u00f5es, disponibilizando os dados no\u00a0<a href=\"http:\/\/observatoriodaenfermagem.cofen.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Observat\u00f3rio da Enfermagem<\/a>.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es do Conselho apontam para 49.075\u00a0casos reportados apenas entre profissionais da categoria e um total de 648\u00a0\u00f3bitos.<\/p>\n<p>Vale destacar que a notifica\u00e7\u00e3o ao Cofen n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3ria, ou seja, \u00e9 poss\u00edvel que o n\u00famero seja ainda maior.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/377aaabe1e754853ec555d8be60664e4.jpeg\" \/><\/p>\n<p>Dessas 648\u00a0v\u00edtimas fatais, 434\u00a0eram mulheres, 66,9% do total. Entre as infec\u00e7\u00f5es, elas correspondem a 85% dos casos.<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro s\u00e3o as unidades da federa\u00e7\u00e3o onde os profissionais da enfermagem mais adoeceram, conforme monitoramento do Cofen.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Precariza\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Alguns elementos justificam o fato das auxiliares e t\u00e9cnicas de enfermagem serem as mais infectadas pela covid.<\/p>\n<p>Elas s\u00e3o maioria em n\u00famero e tamb\u00e9m ocupam os postos mais precarizados, com remunera\u00e7\u00e3o mais baixa.<\/p>\n<p>Somado a esses fatores, h\u00e1 ainda a defasagem na disponibiliza\u00e7\u00e3o dos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/04\/20\/profissionais-com-covid-19-denunciam-falta-de-epis-em-hospital-privado-de-sp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Equipamentos de Prote\u00e7\u00e3o Individual (EPIs)<\/a>, algo que se deu de forma ampla no in\u00edcio da pandemia, expondo tais trabalhadoras ainda mais.<\/p>\n<p>Segundo Alva Helena de Almeida, enfermeira aposentada, mestre em Sa\u00fade P\u00fablica e doutora em Ci\u00eancias, o coronav\u00edrus evidenciou uma precariza\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica que vitima os profissionais da enfermagem.<\/p>\n<p>Isso porque os servi\u00e7os de sa\u00fade operam com o quadro da enfermagem subdimensionado, com uma \u201csobrecarga naturalizada\u201d. Ela explica ainda que o setor de sa\u00fade vem mostrando uma feminiliza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o mulheres na recep\u00e7\u00e3o, nos laborat\u00f3rios, nos agentes de raio-x, agentes comunit\u00e1rias de sa\u00fade, enfermagem, maioria absoluta de mulheres. A estrutura de ocupa\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de sa\u00fade se apoia em uma certa l\u00f3gica de explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho feminina\u201d, detalha Almeida.<\/p>\n<p>\u201cSe n\u00e3o fosse o sal\u00e1rio insuficiente, a maioria absoluta das mulheres n\u00e3o seria levada a \u00a0buscar o segundo v\u00ednculo. Se as condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o fossem t\u00e3o ruins, n\u00e3o chegar\u00edamos a esse n\u00famero de afastamento, adoecimento e mortes dessas profissionais&#8221;, ressalta.<\/p>\n<p>&#8220;Veja que nesse processo da pandemia, pouca coisa mudou. Poucos s\u00e3o os locais, munic\u00edpios, que est\u00e3o contratando enfermeiras. O quadro j\u00e1 era deficit\u00e1rio, \u00e9 um momento sofrido, marca muito\u201d.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Racismo estrutural<\/strong><\/p>\n<p>Pesquisa realizada pelo Cofen em 2017 trouxe \u00e0 tona a urg\u00eancia do recorte racial quando se trata da an\u00e1lise de condi\u00e7\u00f5es do trabalho na enfermagem.<\/p>\n<p>Entre mais de 1,8 milh\u00e3o de profissionais consultados, cerca de 53% do total de profissionais eram negros.<\/p>\n<p>Quando o quantitativo \u00e9 confrontado tamb\u00e9m com a ra\u00e7a e escolaridade, encontra-se o seguinte cen\u00e1rio: 57,4% s\u00e3o trabalhadoras negras de n\u00edvel m\u00e9dio, ou seja, que atuam como auxiliar ou t\u00e9cnica de enfermagem, sob o comando de 57,9% de enfermeiras brancas, com ensino superior.<\/p>\n<p>Logo, se a maior parte das infec\u00e7\u00f5es pela covid-19 se d\u00e1 entre os cargos de n\u00edvel m\u00e9dio, s\u00e3o as mulheres negras, novamente, as mais atingidas.<\/p>\n<p>\u201cTemos uma divis\u00e3o hier\u00e1rquica, de classe, de ra\u00e7a e de fun\u00e7\u00f5es dentro da \u00e1rea da enfermagem. Essa racializa\u00e7\u00e3o se mant\u00e9m h\u00e1 quase 100 anos\u201d, critica Almeida, tamb\u00e9m integrante da Articula\u00e7\u00e3o Nacional de Enfermagem Negra (Anem).<\/p>\n<p>A especialista explica que, antes do processo de profissionaliza\u00e7\u00e3o da enfermagem, o cuidado \u00e0 sa\u00fade era desenvolvido exclusivamente por mulheres negras, escravizadas e ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Depois, quando foi criada a gradua\u00e7\u00e3o no in\u00edcio do s\u00e9culo, essas mulheres n\u00e3o tiveram acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ficando \u00e0 margem da profiss\u00e3o da qual foram pioneiras. Uma estratifica\u00e7\u00e3o que se reverbera at\u00e9 os dias atuais.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/17a99609a64e291e3822d5666a5218ce.jpeg\" \/><\/p>\n<p>\u201cEstamos falando de uma parcela de mulheres que mora na periferia, que usa o transporte p\u00fablico, que est\u00e1 em territ\u00f3rios com mais precariedade em termos de servi\u00e7o de sa\u00fade. O baixo sal\u00e1rio no setor da sa\u00fade \u00e9 um desrespeito&#8221;, destaca.<\/p>\n<p>&#8220;Precisamos mexer, transformar, mudar. Esse \u00e9 o momento. Seja pela dor ou pelos aplausos, o valor da nossa atua\u00e7\u00e3o profissional deve ser reconhecido\u201d.<\/p>\n<p>\u201cDo acolhimento ao cuidado do corpo p\u00f3s morte, tudo que voc\u00ea imaginar, passa pelas m\u00e3os da enfermagem. N\u00e3o existe aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade sem enfermagem\u201d, completa, enfaticamente.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Nos hospitais e nas ruas<\/p>\n<p>O g\u00eanero feminino n\u00e3o se faz presente no combate ao coronav\u00edrus somente nos corredores das unidades de sa\u00fade. Mesmo com a prolifera\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, milhares de agentes comunit\u00e1rias continuaram indo para as ruas auxiliar a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso de Ana Regina Barbosa, que atua como agente de promo\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o da sa\u00fade nos bairros da periferia de Fortaleza.<\/p>\n<p>Ana acompanhava grupos com comorbidades cr\u00f4nicas antes mesmo da pandemia. Agora, as visitas s\u00e3o feitas com 1,5 metro de dist\u00e2ncia do port\u00e3o da casa dos pacientes.<\/p>\n<p>Mas, ainda que haja restri\u00e7\u00f5es, ela sabe da import\u00e2ncia de manter esse contato pr\u00f3ximo, conversar e dar orienta\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o para popula\u00e7\u00f5es carentes.<\/p>\n<p>\u201cO nosso trabalho \u00e9 essencial nesse momento. O acompanhamento dessas mulheres nos territ\u00f3rios vai para al\u00e9m da a\u00e7\u00e3o enquanto educadora e profissional de sa\u00fade&#8221;, exemplifica Barbosa.<\/p>\n<p>&#8220;No territ\u00f3rio, encontramos mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia, por exemplo. Ent\u00e3o, tenho papel tamb\u00e9m de orientar, dizer a ela onde buscar ajuda agora na pandemia\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um trabalho que d\u00e1 dignidade para pessoas que vivem em situa\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil socioeconomicamente. Meu papel, enquanto profissional, ele \u00e9 fundamental. \u00c9 isso que me motiva\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/1f7486c171c9644d2a9be23ea7f978cc.jpeg\" \/><\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Reconhecimento\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Nas \u00faltimas semanas, o Brasil superou recordes consecutivos de n\u00fameros de \u00f3bitos di\u00e1rios e de novos casos,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/03\/06\/mais-mortes-coinfeccao-e-novas-variantes-o-combo-de-desafios-da-pandemia-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">chegando ao pior momento da pandemia<\/a>. Um contexto em que o trabalho das profissionais de sa\u00fade se faz ainda mais imprescind\u00edvel, assim como o reconhecimento ao seu trabalho e dedica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cQuando os pacientes saem de alta, as fam\u00edlias fazem cartas, levam bombom. Mas o importante pra mim \u00e9 o paciente sair e ficar bem em casa. De uma forma, ou de outra, estou sendo agraciada&#8221;, ressalta M\u00f4nica Calazans.<\/p>\n<p>Ela considera\u00a0que \u00e9 o amor \u00e0 profiss\u00e3o que fortalece as profissionais nesse momento, assim como os bons resultados do trabalho bem feito.\u00a0 &#8220;S\u00f3 de eu saber, quando chego no plant\u00e3o, que o paciente foi embora, dou gra\u00e7as a Deus. Isso \u00e9 a melhor resposta que eu tenho, de todo o trabalho e de todo o empenho durante a pandemia\u201d.<\/p>\n<p>A enfermeira deixa ainda um recado de esperan\u00e7a para as demais profissionais, ainda que os tempos sejam dif\u00edceis:<\/p>\n<p>\u201cTemos que continuar tendo f\u00e9, esperan\u00e7a, que essa avalanche vai passar. Sei que nossas companheiras est\u00e3o cansadas, mas n\u00e3o vamos abandonar o barco. Tudo isso vai passar uma hora\u201d, finaliza Calazans.<\/p>\n<p>www.cut.org.br \/ Lu Sudr\u00e9 \/Brasil de Fato<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cNingu\u00e9m sabia de nada, era tudo novo. Confesso que me desesperei. Tentei lidar, de todas as formas, com o medo, para continuar trabalhando\u201d. \u00a0\u00a0 O relato da t\u00e9cnica de enfermagem M\u00e1rcia de Assis, de 55 anos, retrata um sentimento compartilhado por milhares de profissionais de sa\u00fade que, de um dia para o outro, tornaram-se pe\u00e7as [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":19342,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[360],"class_list":["post-19341","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-8-de-marco-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19341","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19341"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19341\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19343,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19341\/revisions\/19343"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19342"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19341"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19341"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19341"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}