{"id":19409,"date":"2021-03-12T11:35:12","date_gmt":"2021-03-12T14:35:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=19409"},"modified":"2021-03-12T11:35:12","modified_gmt":"2021-03-12T14:35:12","slug":"taxa-de-desemprego-maior-entre-pessoas-pretas-e-racismo-estrutural-diz-economista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/03\/12\/taxa-de-desemprego-maior-entre-pessoas-pretas-e-racismo-estrutural-diz-economista\/","title":{"rendered":"Taxa de desemprego maior entre pessoas pretas \u00e9 racismo estrutural, diz economista"},"content":{"rendered":"<p><strong>Para professora da Unicamp, \u00edndice confirma racismo e sexismo estruturais no Brasil, em que mulheres e pessoas pretas s\u00e3o submetidas a empregos com menor sal\u00e1rio e menos \u201cintelectuais\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A taxa de desemprego maior entre os jovens, pessoas pretas e pardas, mulheres e nordestinos revelada na Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlio (PNAD Cont\u00ednua), confirma que o mercado de trabalho no Brasil \u00e9 desestrutural e desigual. Toda vez que h\u00e1 uma crise a popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel e em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias s\u00e3o as dispensadas dos seus empregos, afirma a professora de economia e pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), da Unicamp, Marilane Teixeira.<\/p>\n<p>\u201cO desemprego entre jovens, pessoas negras e mulheres n\u00e3o tem a ver com escolaridade, mas com racismo estrutural, a desconfian\u00e7a e pr\u00e1ticas racistas e sexistas. O padr\u00e3o da elite da sociedade brasileira, que \u00e9 quem emprega, \u00e9 de contratar brancos, por que ainda t\u00eam uma vis\u00e3o do negro indolente, pregui\u00e7oso e pela apar\u00eancia\u201d, acredita Marilane.<\/p>\n<p>De acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o recorde de desemprego atingiu 20 estados do pa\u00eds no ano passado, com destaques negativos para a regi\u00e3o Nordeste, onde a taxa m\u00e9dia chegou a 16,7%, acima da m\u00e9dia nacional de 13,5%, a maior da s\u00e9rie hist\u00f3rica da PNAD Cont\u00ednua, iniciada em 2012. Em todas as localidades quem mais perdeu emprego e teve menos oportunidades foram os jovens, as pessoas pretas e as mulheres.\u00a0<strong><em>Veja abaixo a evolu\u00e7\u00e3o do desemprego nos estados<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>O percentual de desemprego entre as pessoas pretas foi de 17,2%, enquanto a dos pardos foi de 15,8%, ambas acima da m\u00e9dia nacional (13,9%). J\u00e1 a taxa dos brancos de (11,5%), ficou abaixo da m\u00e9dia. Entre as mulheres foi de 16,4%\u00a0(tamb\u00e9m acima da m\u00e9dia) e a dos homens ficou em 11,9%.<\/p>\n<p>Em m\u00e9dia, a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o de 2020 cresceu 1,62 ponto percentual em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior<strong>,\u00a0<\/strong>mas entre pessoas pretas e pardas a alta foi maior, de 2,6 e 1,75 pontos percentuais, respectivamente.<\/p>\n<p>Entre a popula\u00e7\u00e3o com faixa et\u00e1ria entre 18 e 24 anos, a alta em rela\u00e7\u00e3o a 2019 foi de 2,85 pontos percentuais. Em 2020, 29,5% dessa parcela estavam desempregados, mais que o dobro da m\u00e9dia nacional.<\/p>\n<p>A economista Marilane Teixeira faz um paralelo com a crise econ\u00f4mica de 2015\/2016 que, segundo ela, atingiu mais os setores da ind\u00fastria e da constru\u00e7\u00e3o civil, at\u00e9 em decorr\u00eancia dos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/lava-jato-jogou-no-desemprego-4-4-milhoes-de-trabalhadores-afirma-cut-62c9\"><strong>desdobramentos da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato<\/strong><\/a>. Ao contr\u00e1rio da crise atual que atingiu mais o servi\u00e7os, o com\u00e9rcio e os setores de hospedagem e de alojamento, com a necessidade do isolamento social.<\/p>\n<p>\u201cEsta n\u00e3o \u00e9 uma crise de demanda semelhante a 2015, com queda de renda e interrup\u00e7\u00e3o de atividades. Nesta crise h\u00e1 setores produtivos que v\u00eam crescendo como a ind\u00fastria farmac\u00eautica, de alimentos e bebidas e o agroneg\u00f3cio. Hoje a crise atingiu setores mais heterog\u00eaneos, que n\u00e3o t\u00eam capacidade nem aporte financeiro para atravessar uma crise desta envergadura e , sem fluxo de caixa a primeira coisa que fizeram foi dispensar o trabalhador\u201d, explica a economista.<\/p>\n<p>Marilane identifica ainda que nesses setores que mais sofrem com a crise est\u00e3o empregadas, em sua maioria, pessoas pretas, jovens e mulheres. J\u00e1 nos estados do Nordeste em que houve recordes de desemprego s\u00e3o os setores de alojamento, hospitalidade e turismo, que s\u00e3o muito intensos na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNo Nordeste os empregos s\u00e3o mais prec\u00e1rios porque as grandes corpora\u00e7\u00f5es ainda est\u00e3o muito concentradas na regi\u00e3o Sudeste e o agroneg\u00f3cio est\u00e1 muito concentrado na regi\u00e3o Centro-Oeste\u201d.<\/p>\n<p>Para a economista, quem est\u00e1 em outras ocupa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o deve voltar t\u00e3o cedo ao mercado, como \u00e9 o caso de v\u00e1rios setores de com\u00e9rcio, de bares e pequenos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>Outro ponto fundamental para este aumento do desemprego foi o fim do aux\u00edlio emergencial de R$ 600, em dezembro passado. Sem renda, os mais pobres, as empregadas dom\u00e9sticas, os entregadores, o pedreiro por conta pr\u00f3pria, antes protegidos com uma renda m\u00ednima do aux\u00edlio, foram obrigados a procurar emprego, aumentando os \u00edndices do desemprego.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>Sem o aux\u00edlio essas pessoas engrossaram as estat\u00edsticas de desemprego. Em 2019, o pa\u00eds tinha 65 milh\u00f5es de pessoas fora da for\u00e7a de trabalho e no ano passado mais 11 milh\u00f5es se somaram a elas. Por isso, que pela primeira vez temos mais pessoas fora da for\u00e7a de trabalho do que ocupadas<\/p>\n<footer>&#8211; Marilane Teixeira<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Brancos empregados<\/strong><\/p>\n<p>Os brancos e classe m\u00e9dia, diz, est\u00e3o mais seguros, empregados no servi\u00e7o publico, e os do setor privado, em home office com sal\u00e1rios garantidos, analisa Marilane Teixeira.<\/p>\n<p>Segundo ela, nas d\u00e9cadas de 1970\/ 1980 era comum tentar justificar a forma de inser\u00e7\u00e3o em cargos e ocupa\u00e7\u00f5es mais prec\u00e1rias com a baixa escolaridade, e que essas distens\u00f5es salariais iriam se reduzir acentuadamente, mas a popula\u00e7\u00e3o jovem, especialmente a partir dos anos 2000, ampliou seu n\u00edvel de escolaridade, tanto entre os brancos, como os negros, com ensino m\u00e9dio e superior completos, mas para os negros pouca coisa mudou por causa do racismo.<\/p>\n<p>De acordo com a economista, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, \u00e9 comum a empregada dom\u00e9stica ter curso superior e ter trabalhado antes no com\u00e9rcio e servi\u00e7os, mas na fila do desemprego e nas crises, o empregador vai l\u00e1 e escolhe o homem branco, acreditando que ele \u00e9 mais eficiente do que elas.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 ainda os padr\u00f5es est\u00e9ticos de \u2018boa apar\u00eancia\u2019 e esses atributos que definem os cargos a serem ocupados. A pessoa negra \u00e9 a que est\u00e1 escondida atr\u00e1s de uma m\u00e1quina, repondo estoques e na limpeza, que \u00e9 feita ao final do expediente, assim ningu\u00e9m a v\u00ea\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Evolu\u00e7\u00e3o do desemprego nos estados<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o IBGE, houve recorde de desemprego em 10 estados e no Distrito Federal, com destaques negativos para Bahia (19,8%), Alagoas (18,6%), Sergipe (18,4%) e Rio de Janeiro (17,4%).<\/p>\n<p><span class=\"dd-label\"><i class=\"fa fa-camera\"><\/i>FONTE IBGE<\/span><a class=\"dd-lightbox\" href=\"https:\/\/admin.cut.org.br\/system\/uploads\/ck\/arte%20empregos%20nos%20estados%20IBGE.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cut.org.br\/images\/cache\/systemuploadsckarte20empregos20nos-620x795xfit-77426.jpg\" alt=\"fonte IBGE \" width=\"620\" height=\"795\" \/><\/a><\/p>\n<p>www.cut.org.br \/\u00a0Rosely Rocha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para professora da Unicamp, \u00edndice confirma racismo e sexismo estruturais no Brasil, em que mulheres e pessoas pretas s\u00e3o submetidas a empregos com menor sal\u00e1rio e menos \u201cintelectuais\u201d A taxa de desemprego maior entre os jovens, pessoas pretas e pardas, mulheres e nordestinos revelada na Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlio (PNAD Cont\u00ednua), confirma que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":19410,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[55,633],"class_list":["post-19409","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-desemprego","tag-racismo-estrutural"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19409","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19409"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19409\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19411,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19409\/revisions\/19411"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19410"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19409"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19409"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19409"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}