{"id":19433,"date":"2021-03-15T16:32:17","date_gmt":"2021-03-15T19:32:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=19433"},"modified":"2021-03-15T16:32:17","modified_gmt":"2021-03-15T19:32:17","slug":"alimentos-sobem-mais-do-que-a-inflacao-e-reajustes-salariais-tem-media-negativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/03\/15\/alimentos-sobem-mais-do-que-a-inflacao-e-reajustes-salariais-tem-media-negativa\/","title":{"rendered":"Alimentos sobem mais do que a infla\u00e7\u00e3o e reajustes salariais t\u00eam m\u00e9dia negativa"},"content":{"rendered":"<p><strong>Pre\u00e7os dos alimentos sobem tr\u00eas vezes mais que a infla\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos 12 meses, maior alta nos \u00faltimos 18 anos, mas os reajustes salariais m\u00e9dios ficaram negativos em m\u00e9dia 0,53%. Popula\u00e7\u00e3o corta o que pode<\/strong><\/p>\n<p>O prato preferencial da maioria dos brasileiros, que tamb\u00e9m \u00e9 recomendado por nutricionistas, composto por arroz, feij\u00e3o, carne, legumes e salada, est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil de ser colocado \u00e0 mesa da popula\u00e7\u00e3o por causa da disparada dos pre\u00e7os.\u00a0Nos \u00faltimos 12 meses, o custo da comida aumentou 19,4% &#8211; mais do que triplo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 infla\u00e7\u00e3o oficial do pa\u00eds (5,20%). \u00c9 a maior onda de alta dos alimentos nos \u00faltimos 18 anos.<\/p>\n<p>Em contrapartida os sal\u00e1rios dos trabalhadores e das trabalhadoras tiveram varia\u00e7\u00e3o real m\u00e9dia de menos 0,53%, j\u00e1 descontada a infla\u00e7\u00e3o do \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor (INPC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>Os dados dos reajustes salariais s\u00e3o do Departamento de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese) que tamb\u00e9m observou que reajustes iguais ao INPC ficaram em cerca de 29% das negocia\u00e7\u00f5es salariais analisadas, e apenas 10% das negocia\u00e7\u00f5es resultaram em ganhos reais.<\/p>\n<p>\u201cQuanto mais a infla\u00e7\u00e3o cresce, no contexto de crise econ\u00f4mica, maior \u00e9 a dificuldade das negocia\u00e7\u00f5es coletivas conseguirem repor a infla\u00e7\u00e3o, e esta crise econ\u00f4mica com infla\u00e7\u00e3o crescente \u00e9 o pior dos cen\u00e1rios para os trabalhadores\u201d, diz a t\u00e9cnica do Dieese Adriana Marcolino.\u00a0\u201cO resultado \u00e9 uma queda brutal no poder de compra dos brasileiros\u201d, completa.<\/p>\n<p>O levantamento do Dieese sobre os pre\u00e7os da cesta b\u00e1sica tamb\u00e9m mostra o quanto o poder de compra do trabalhador est\u00e1 corrompido. O rendimento m\u00e9dio de todos os trabalhos efetivamente recebidos pelas pessoas ocupadas de 14 anos ou mais, no 4\u00ba trimestre de 2020, foi de apenas R$ 2.482,00. Se levarmos em considera\u00e7\u00e3o que uma cesta b\u00e1sica para uma \u00fanica pessoa em S\u00e3o Paulo, em fevereiro deste ano, custou R$ 639,47 e que o sal\u00e1rio m\u00ednimo, segundo o Dieese, deveria ser de R$ 5.375,05, pode-se imaginar o tamanho do rombo nos or\u00e7amentos das fam\u00edlias que t\u00eam de pagar ainda aluguel, tarifas de \u00e1gua e luz e demais despesas.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>Em geral, com crise econ\u00f4mica e menor demanda, o pre\u00e7o cai, mas o que estamos vivendo \u00e9 a soma de crise econ\u00f4mica e infla\u00e7\u00e3o crescente, o que s\u00f3 demonstra o tamanho do desajuste da economia brasileira<\/p>\n<footer>&#8211; Adriana Marcolino<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p><strong>O drama de quem luta para p\u00f4r comida \u00e0 mesa<\/strong><\/p>\n<p>O resultado deste descompasso entre reajustes de pre\u00e7os e os sal\u00e1rios \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o dos produtos que o brasileiro compra e leva para a casa. A cuidadora de idosos, M\u00f4nica Santos, sabe bem como est\u00e1 dif\u00edcil ajudar na alimenta\u00e7\u00e3o de seis pessoas da sua fam\u00edlia: seus pais, dois sobrinhos, um irm\u00e3o especial e a sua filha.<\/p>\n<p>Ela conta que sua m\u00e3e aposentada ganha um sal\u00e1rio m\u00ednimo (R$ 1.100), mas com os empr\u00e9stimos consignados que fez sobram apenas R$ 600. O pai, tamb\u00e9m aposentado, ganha cerca de R$ 1.300, mas o que sobra,\u00a0 tamb\u00e9m por causa de cr\u00e9ditos consignados, \u00e9 em torno de R$ 800. Por isso, M\u00f4nica\u00a0 precisa levar carne para eles.<\/p>\n<p>\u201cMeus pais precisam de uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, e eles gostam de carne e o jeito \u00e9 comprar de segunda. A alcatra e o contra fil\u00e9 est\u00e3o com pre\u00e7os imposs\u00edveis e sou obrigada a levar um bife duro, que, ou eu cozinho, ou dou uma \u2018surra\u2019 nele at\u00e9 amolecer, antes de fritar\u201d, conta M\u00f4nica.<\/p>\n<p>A cuidadora de idosos faz a conta: no m\u00eas de janeiro gastou R$ 450,00, entre carnes e um pouco de g\u00eaneros de primeira necessidade. Em fevereiro foram R$ 560,00. Mas no in\u00edcio deste m\u00eas de mar\u00e7o gastou R$ 215,00 s\u00f3 em carnes e ainda, segundo ela, vieram apenas seis pacotinhos.<\/p>\n<p>\u201cA sorte \u00e9 que onde meu irm\u00e3o faz tratamento \u00e9 dada uma cesta de feira com muitos legumes, e meus pais conseguiram comprar uma casinha na zona leste de S\u00e3o Paulo, pelo CDHU e n\u00e3o precisamos pagar aluguel\u201d, diz M\u00f4nica.<\/p>\n<p>Apesar de se alimentar fora por morar na casa de uma idosa que cuida em fun\u00e7\u00e3o da pandemia, M\u00f4nica passa quatro dias por m\u00eas, durante suas folgas com a fam\u00edlia, e \u00e9 ela quem leva o que chama de \u201cpesado\u201d das compras.<\/p>\n<p>\u201cO arroz est\u00e1 t\u00e3o caro, e eu adoro, sou viciada, mas fui obrigada a reduzir o meu pr\u00f3prio consumo. Acabei fazendo dieta tirando o arroz do card\u00e1pio\u201d, conta indignada.<\/p>\n<p><strong>Produtos que mais subiram de pre\u00e7os\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Os produtos aliment\u00edcios que mais subiram, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), foram: o \u00f3leo de soja (87,89%), o arroz (69,80%), a batata (47,84%) e o leite longa vida (20,52%). J\u00e1 entre os grupos de alimentos pesquisados pelo IBGE, as maiores altas ocorreram em cereais, leguminosas e oleaginosas (57,83%), \u00f3leos e gorduras (55,98%), tub\u00e9rculos, ra\u00edzes e legumes (31,62%), carnes (29,51%) e frutas 27,09%.<\/p>\n<p>Os reajustes da gasolina tamb\u00e9m pressionam o IPCA que voltou a acelerar e fechou o m\u00eas de fevereiro em 0,86% contra 0,25% e janeiro \u2013 \u00e9 a maior taxa para o m\u00eas desde 2016, segundo o IBGE.<\/p>\n<p>www.cut.org.br \/ Rosely Rocha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pre\u00e7os dos alimentos sobem tr\u00eas vezes mais que a infla\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos 12 meses, maior alta nos \u00faltimos 18 anos, mas os reajustes salariais m\u00e9dios ficaram negativos em m\u00e9dia 0,53%. 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