{"id":19479,"date":"2021-03-17T12:01:59","date_gmt":"2021-03-17T15:01:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=19479"},"modified":"2021-03-17T12:03:27","modified_gmt":"2021-03-17T15:03:27","slug":"preco-da-gasolina-explode-e-litro-chega-a-custar-ate-r-820-em-algumas-regioes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/03\/17\/preco-da-gasolina-explode-e-litro-chega-a-custar-ate-r-820-em-algumas-regioes\/","title":{"rendered":"Pre\u00e7o da gasolina explode e litro chega a custar at\u00e9 R$ 8,20 em algumas regi\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><strong>Valor mais alto pago por litro encontrado no Acre \u00e9 superior \u00e0 m\u00e9dia nacional, de R$ 5,45 por litro. Especialista explica os motivos e reafirma que o governo poderia intervir para praticar pre\u00e7os justos a todos<\/strong><\/p>\n<p>Como na \u00e9poca da hiperinfla\u00e7\u00e3o no Brasil, na d\u00e9cada de 1980, quando a infla\u00e7\u00e3o chegou a 80%, atualmente, os brasileiros v\u00e3o dormir esperando um novo reajuste nos pre\u00e7os dos combust\u00edveis no dia seguinte. Em alguns estados, como o Acre, o susto no dia seguinte \u00e9 enorme. Tem cidades acreanas, como Marechal Taumaturgo, cidade pr\u00f3xima a fronteiro do Brasil com o Peru, onde o litro da gasolina est\u00e1 custando R$ 8,20.<\/p>\n<p>O valor mais alto encontrado pelos dirigentes da CUT, que ajudaram a fazer uma pesquisa nacional informal, n\u00e3o consta nem da pesquisa semanal de pre\u00e7os de combust\u00edveis da Ag\u00eancia Nacional de Petr\u00f3leo (ANP).<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa da ANP, o maior pre\u00e7o encontrado no pa\u00eds, na \u00faltima semana, foi em Cruzeiro do Sul, tamb\u00e9m no Acre, onde o litro do combust\u00edvel foi vendido a R$ 6,70.<\/p>\n<p>Esses pre\u00e7os s\u00e3o resultados dos aumentos peri\u00f3dicos determinados pela Petrobras. S\u00f3 este ano, a petroleira j\u00e1 aumentou a gasolina seis vezes e o diesel, cinco. O \u00faltimo an\u00fancio de reajuste dos combust\u00edveis na segunda-feira (8). A cada 15 dias, em m\u00e9dia, a Petrobras anuncia um novo aumento nos pre\u00e7os. S\u00f3 este ano,\u00a0 gasolina j\u00e1 acumulou um aumento de 54,3%. No mesmo per\u00edodo, o diesel subiu 41,5%.<\/p>\n<p>Mas, como n\u00e3o estamos em per\u00edodos de hiperinfla\u00e7\u00e3o, apesar da carestia que vem aumentando, os brasileiros j\u00e1 sabem que os pre\u00e7os dos combust\u00edveis est\u00e3o abusivos e impactam nos pre\u00e7os de todos os outros produtos. O resultado \u00e9 que o sal\u00e1rio consegue comprar cada vez menos e at\u00e9 o b\u00e1sico os trabalhadores e as trabalhadoras est\u00e3o sendo obrigados a cortar da lista de compras mensais.<\/p>\n<p>A m\u00e9dia de pre\u00e7os da gasolina em outras regi\u00f5es do pa\u00eds \u00e9 de R$ 5,45. Mas em algumas cidades como Juiz de Fora (MG), Formosa (GO), Alenquer (PA) e Bag\u00e9 (RS), o pre\u00e7o j\u00e1 bate a marca dos R$ 6,00. \u00c9 o caso tamb\u00e9m do Rio de Janeiro. Na capital do estado, o litro da gasolina chegou a custar R$ 6,19. Por\u00e9m, em Barra Mansa, de acordo coma ANP, o litro foi vendido a R$ 6,49.<\/p>\n<figure class=\"image\"><span class=\"dd-label\"><i class=\"fa fa-camera\"><\/i>DUDA QUIROGA\/CUT<\/span><a class=\"dd-lightbox\" href=\"https:\/\/admin.cut.org.br\/system\/uploads\/ck\/rio%20de%20janeiro.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cut.org.br\/images\/cache\/systemuploadsckrio20de20janeirojp-419x314xfit-a344c.jpg\" alt=\"Duda Quiroga\/CUT\" width=\"419\" height=\"314\" \/><\/a><figcaption class=\"dd-m-image__group__figcaption dd-m-text dd-m-text--smallest font-MerriWeather\">Rio de Janeiro<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure class=\"image\"><span class=\"dd-label\"><i class=\"fa fa-camera\"><\/i>EDMAR BATISTELLA\/CUT<\/span><a class=\"dd-lightbox\" href=\"https:\/\/admin.cut.org.br\/system\/uploads\/ck\/rio%20branco%20acre.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cut.org.br\/images\/cache\/systemuploadsckrio20branco20acrej-300x533xfit-bc35d.jpg\" alt=\"Edmar Batistella\/CUT\" width=\"300\" height=\"533\" \/><\/a><figcaption class=\"dd-m-image__group__figcaption dd-m-text dd-m-text--smallest font-MerriWeather\">Rio Branco-AC<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure class=\"image\"><span class=\"dd-label\"><i class=\"fa fa-camera\"><\/i>PLINIO PUGLIESE<\/span><a class=\"dd-lightbox\" href=\"https:\/\/admin.cut.org.br\/system\/uploads\/ck\/aracaju.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cut.org.br\/images\/cache\/systemuploadsckaracajujpg-500x382xfit-c76ff.jpg\" alt=\"Plinio Pugliese\" width=\"500\" height=\"382\" \/><\/a><figcaption class=\"dd-m-image__group__figcaption dd-m-text dd-m-text--smallest font-MerriWeather\">Aracaju-SE<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Por que ainda mais caro em algumas regi\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o para o pre\u00e7o ainda mais alto nesses locais, de acordo com Valnisio Hoffman, Coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Esp\u00edrito Santos (Sindipetro-ES), est\u00e1 em dois fatores, um deles a tributa\u00e7\u00e3o que varia de estado para estado. \u201cTem locais em que o ICMS \u00e9 maior, pode chegar at\u00e9 34% enquanto em outros, \u00e9 de 25% e isso interfere no pre\u00e7o\u201d, ele explica.<\/p>\n<p>Outro motivo \u00e9 a log\u00edstica empregada para que o combust\u00edvel chegue a essas localidades. \u201cA dist\u00e2ncia encarece os custos e ainda vai depender o tipo de transporte utilizado, se \u00e9 a balsa,\u00a0 caminh\u00e3o ou trem. Tudo entra no c\u00e1lculo\u201d.<\/p>\n<p>Mas, de acordo com ele, os pre\u00e7os podem ainda ser impactados pela forma\u00e7\u00e3o de carteis de postos de combust\u00edveis. H\u00e1 locais em que todos os postos pertencem a um mesmo dono e h\u00e1 locais onde eles se re\u00fanem para combinar um pre\u00e7o m\u00ednimo para impor \u00e0 sociedade.<\/p>\n<p>Sem ter para onde correr, consumidor ent\u00e3o \u00e9 obrigado a pagar pelo pre\u00e7o pedido.<\/p>\n<p>Os impactos para a popula\u00e7\u00e3o, em especial nessas regi\u00f5es, s\u00e3o maiores porque al\u00e9m de o pre\u00e7o dos combust\u00edveis estar acima da m\u00e9dia nacional, a m\u00e9dia salarial dos trabalhadores tamb\u00e9m \u00e9 menor.<\/p>\n<p>\u201cOnde os pre\u00e7os dos combust\u00edveis, geralmente, s\u00e3o mais caros, o PIB tamb\u00e9m \u00e9 menor. S\u00e3o locais onde o h\u00e1 poucas atividades produtivas, por isso os sal\u00e1rios s\u00e3o menores e no fim das contas, pagando mais caro pelos combust\u00edveis e pelos outros produtos que ficam tamb\u00e9m mais caros, o custo de vida fica maior\u201d, diz Valn\u00edsio.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica do Dieese, Adriana Marcolino, explica que toda vez que aumenta o pre\u00e7o dos combust\u00edveis, h\u00e1 impacto nos pre\u00e7os de outros produtos, principalmente os alimentos.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>Alta nos combust\u00edveis come parte da renda pessoas, reduz o poder aquisitivo e pressiona outros pre\u00e7os porque o transporte \u00e9 item presente em toda a cadeira de produ\u00e7\u00e3o. Tem impacto nos alimentos, nos rem\u00e9dios, vestu\u00e1rio, enfim, em tudo o que comp\u00f5e o or\u00e7amento familiar<\/p>\n<footer>&#8211; Adriana Marcolino<\/footer>\n<footer><\/footer>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Pre\u00e7o justo \u00e9 poss\u00edvel<\/strong><\/p>\n<p>Para Valnisio Hoffmann, o m\u00ednimo que um governo voltado para o social faria nestes casos seria subsidiar o pre\u00e7o dos combust\u00edveis para que fossem justos ou no mesmo patamar de outras regi\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cA Petrobras tem uma fun\u00e7\u00e3o social por ser uma estatal. Mas infelizmente os acionistas s\u00f3 pensam em lucros e atitudes assim n\u00e3o s\u00e3o pensadas. Eles, atualmente, rasgam o estatuto e a fun\u00e7\u00e3o social da empresa\u201d.<\/p>\n<p>Hoffman diz ainda que um caminho para viabilizar o subs\u00eddio para regi\u00f5es mais distantes dos centros produtores \u00e9 a mudan\u00e7a na pol\u00edtica de pre\u00e7os da Petrobras, que acompanha a varia\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar e do mercado internacional.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se justifica essa pol\u00edtica\u201d, ele diz. O dirigente explica que o custo de extra\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 relativamente baixo se comparado a outros pa\u00edses. E que o Brasil pode aumentar a capacidade de refino se ampliar seu parque. \u201cSe usarmos as refinarias de forma correta, n\u00e3o torn\u00e1-las ociosas, n\u00e3o vend\u00ea-las, poderemos ser autossuficientes em refino e n\u00e3o depender de importa\u00e7\u00e3o\u201d, diz Valnisio Hoffmann.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>Temos que parar o desmonte e a venda da Petrobras. Precisamos de investimentos e n\u00e3o de privatiza\u00e7\u00f5es. Veja o que aconteceu com a Liquig\u00e1s que foi privatizada com governo prometendo g\u00e1s mais barato e o que aconteceu foi o contr\u00e1rio<\/p>\n<footer>&#8211; Valnisio Hoffmann<\/footer>\n<footer><\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>De acordo com dados da ANP, levantados pelo Dieese, a produ\u00e7\u00e3o nacional de petr\u00f3leo cresceu 18% nos \u00faltimos cinco anos (2016 a 2020) e chegou a 3,7 milh\u00f5es de barris equivalentes por dia. Al\u00e9m disso, os custos de produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e refinados no pa\u00eds tem ca\u00eddo em raz\u00e3o dos ganhos de efici\u00eancia da empresa.<\/p>\n<p><strong>Desgoverno<\/strong><\/p>\n<p>Para Edmar Batistella, presidente da CUT Acre, estado onde s\u00e3o praticados os maiores pre\u00e7os do pa\u00eds, al\u00e9m da urgente mudan\u00e7a na pol\u00edtica de pre\u00e7os da Petrobras, para derrubar os pre\u00e7os dos combust\u00edveis, tem que cair tamb\u00e9m o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL)<\/p>\n<p>Para o dirigente, a popula\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 est\u00e1 perdendo o direito ao transporte de carro, est\u00e1 perdendo tamb\u00e9m o direito de cozinhar e comer j\u00e1 que o g\u00e1s de cozinha tamb\u00e9m aumentou e milh\u00e7oes de brasileiros est\u00e3o com dificuldades para comprar comida.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>Enquanto continuarmos com esse desgoverno, quem vai pagar, quem vai sofrer \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o, principalmente a mais carente que j\u00e1 n\u00e3o tem o que comer<\/p>\n<footer>&#8211; Edmar Batistella<\/footer>\n<footer><\/footer>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Diminuir imposto n\u00e3o resolve<\/strong><\/p>\n<p>Para corroborar a urg\u00eancia na revis\u00e3o da pol\u00edtica de pre\u00e7os da Petrobras, em<a href=\"https:\/\/www.dieese.org.br\/notatecnica\/2021\/notaTec251PrecosCombustiveis.html\">\u00a0nota t\u00e9cnica<\/a>, o \u00a0Dieese, afirma que uma redu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis por meio de diminui\u00e7\u00e3o de impostos implica, necessariamente, em ren\u00fancia fiscal e nas circunst\u00e2ncias atuais, em que o pa\u00eds precisa aumentar a arrecada\u00e7\u00e3o para fortalecer o sistema p\u00fablico de sa\u00fade, essa solu\u00e7\u00e3o compromete mais ainda a capacidade do Estado brasileiro.<\/p>\n<p>\u201cCortes na Cide (Contribui\u00e7\u00e3o de Interven\u00e7\u00e3o de Dom\u00ednio Econ\u00f4mico), no PIS\/Cofins ou no ICMS (Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os) s\u00e3o medidas paliativas, se n\u00e3o houver mudan\u00e7a na pol\u00edtica do setor de petr\u00f3leo no Brasil que transforme, de forma mais estrutural, a forma\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os. \u00c9 um custo que novamente ser\u00e1 pago pelo conjunto da popula\u00e7\u00e3o\u201d, diz trecho da nota.<\/p>\n<h4><strong>Pol\u00edtica de pre\u00e7os da Petrobras<\/strong><\/h4>\n<p>Logo ap\u00f3s o golpe de 2016, o governo de Michel Temer (MDB), adotou a PPI (Pre\u00e7o de Paridade de Importa\u00e7\u00e3o), pol\u00edtica mantida por Bolsonaro, que faz com que os combust\u00edveis sejam reajustados pela varia\u00e7\u00e3o do mercado global, o que favorece apenas os acionistas da Petrobras, encarecendo os combust\u00edveis e todos os produtos que dependem do transporte rodovi\u00e1rio.<\/p>\n<p>Diferente dos tempos dos governos Lula e Dilma, quando a varia\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis seguia um c\u00e1lculo baseado em v\u00e1rios fatores e que possibilitava um controle maior dos pre\u00e7os, a atual gest\u00e3o da Petrobras insiste em manter a PPI, que \u00e9 a pol\u00edtica respons\u00e1vel pelos constantes reajustes nos pre\u00e7os.<\/p>\n<p>A Petrobras, quando S\u00e9rgio Gabrielli presidiu a estatal, durante o governo Lula, considerava a organiza\u00e7\u00e3o do mercado, a distribui\u00e7\u00e3o, a demanda por importa\u00e7\u00e3o e as particularidades do mercado interno, como oferta e procura, e concorr\u00eancia entre distribuidoras. A varia\u00e7\u00e3o cambial e o pre\u00e7o internacional tamb\u00e9m eram considerados, mas n\u00e3o eram determinantes.<\/p>\n<p>www.cut.org.br \/ Andre Accarini<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Valor mais alto pago por litro encontrado no Acre \u00e9 superior \u00e0 m\u00e9dia nacional, de R$ 5,45 por litro. 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