{"id":19499,"date":"2021-03-19T13:16:02","date_gmt":"2021-03-19T16:16:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=19499"},"modified":"2021-03-19T13:17:24","modified_gmt":"2021-03-19T16:17:24","slug":"brasil-a-deriva-apos-1-ano-de-pandemia-por-que-o-pais-ainda-bate-recordes-de-mortes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/03\/19\/brasil-a-deriva-apos-1-ano-de-pandemia-por-que-o-pais-ainda-bate-recordes-de-mortes\/","title":{"rendered":"Brasil \u00e0 deriva: ap\u00f3s 1 ano de pandemia, por que o pa\u00eds ainda bate recordes de mortes?"},"content":{"rendered":"<div class=\"b-article__lead\">\n<p><strong>H\u00e1 um ano, a pandemia da COVID-19 era oficialmente declarada. Para explicar os motivos de o n\u00famero de mortes no Brasil continuar crescendo r\u00e1pido at\u00e9 hoje, a Sputnik Brasil ouviu microbiologistas e epidemiologistas, que apontaram que o pa\u00eds segue sem horizonte de controle da doen\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"b-article__text\">\n<p>A pandemia da COVID-19 foi declarada pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) em 11 de mar\u00e7o de 2020. No dia seguinte, a primeira v\u00edtima do SARS-CoV-2 morreria no Brasil. \u00c0quela altura, a previs\u00e3o mais pessimista do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade brasileiro apontava 180 mil mortes at\u00e9 o final do ano &#8211; o que\u00a0<a href=\"https:\/\/br.sputniknews.com\/brasil\/20210305\/17074075.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">foi visto no governo como exagero<\/a>. Ao final de 2020, cerca de 195 mil pessoas estavam mortas pela doen\u00e7a no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Apesar do in\u00edcio da vacina\u00e7\u00e3o em 2021, o ritmo vagaroso n\u00e3o mitigou a pandemia no Brasil. Diante do colapso dos hospitais, bastaram 68 dias para que mais de 75 mil brasileiros morressem de COVID-19 neste ano. Em 2020, essa marca levou 126 dias para ser alcan\u00e7ada.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s um ano de pandemia, o Brasil soma 270.917 mortos e \u00e9 o segundo pa\u00eds com mais mortes por COVID-19. Na quarta-feira (10),\u00a0<a href=\"https:\/\/br.sputniknews.com\/brasil\/20210310\/17103290.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">com 2.364 mortes em 24 horas<\/a>, o pior resultado at\u00e9 ent\u00e3o, o Brasil se tornou o pa\u00eds com a maior m\u00e9dia m\u00f3vel di\u00e1ria de \u00f3bitos no planeta \u2013 1.645.<\/p>\n<p>Diante dos fatores para explicar a trag\u00e9dia brasileira, a microbiologista Natalia Pasternak, presidente do Instituto Quest\u00e3o de Ci\u00eancia (IQC),\u00a0<a href=\"https:\/\/br.sputniknews.com\/brasil\/20200324\/15370794.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">atribui ao negacionismo do governo federal<\/a>\u00a0de Jair Bolsonaro (sem partido) a principal raz\u00e3o para o quadro devastador.<\/p>\n<blockquote class=\"marker-quote1\"><p>&#8220;Tudo isso \u00e9 resultado de uma pol\u00edtica negacionista que vem, infelizmente, do governo federal&#8221;, salienta Pasternak, em entrevista \u00e0 Sputnik Brasil, acrescentando que houve complac\u00eancia do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade para com essa postura. O atual ministro da Sa\u00fade, Eduardo Pazuello, \u00e9\u00a0<a href=\"https:\/\/br.sputniknews.com\/brasil\/20210125\/16841635.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">investigado por neglig\u00eancia no colapso<\/a>\u00a0de hospitais em Manaus.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pasternak lista uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es do governo Bolsonaro que exemplificam uma postura negacionista, como negar a gravidade da pandemia, a necessidade do isolamento, a necessidade do uso de m\u00e1scaras, incitar aglomera\u00e7\u00f5es, promover curas milagrosas sem comprova\u00e7\u00e3o e difamar as vacinas.<\/p>\n<blockquote class=\"marker-quote1\"><p>&#8220;O que mais contribuiu para o fracasso na conten\u00e7\u00e3o da pandemia no Brasil foi o negacionismo. O negacionismo que veio diretamente do governo federal, endossado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade&#8221;, afirma Pasternak.<\/p><\/blockquote>\n<div class=\"b-inject m-inject-free\">\n<div class=\"b-inject__media\">\n<div class=\"b-inject-foto\" data-src=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e4\/0b\/01\/16312349_0:0:3200:1937_1000x605_80_0_0_47578f96d4e3cd5a6f50d8dd87da1420.jpg.webp\" data-sub-html=\"Em Bras\u00edlia, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (\u00e0 esquerda), e o ministro da Sa\u00fade, Eduardo Pazuello (\u00e0 direita), participam de cerim\u00f4nia no sal\u00e3o nobre do Pal\u00e1cio do Planalto, em 14 de outubro de 2020. \u00a9 Folhapress \/ Edu Andrade\">\n<picture><source class=\"\" srcset=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e4\/0b\/01\/16312349_2:4:3200:1937_768x0_80_0_1_f6c3e4954192fbecb8bdb7a7f40a421b.jpg.webp\" media=\"(min-width: 480px)\" data-srcset=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e4\/0b\/01\/16312349_2:4:3200:1937_768x0_80_0_1_f6c3e4954192fbecb8bdb7a7f40a421b.jpg.webp\" \/><source class=\"\" srcset=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e4\/0b\/01\/16312349_2:4:3200:1937_480x0_80_0_1_d071b84305222fbeed62858964d52d8f.jpg.webp\" media=\"(min-width: 0px)\" data-srcset=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e4\/0b\/01\/16312349_2:4:3200:1937_480x0_80_0_1_d071b84305222fbeed62858964d52d8f.jpg.webp\" \/><\/picture>\n<figure style=\"width: 3198px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Em Bras\u00edlia, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (\u00e0 esquerda), e o ministro da Sa\u00fade, Eduardo Pazuello (\u00e0 direita), participam de cerim\u00f4nia no sal\u00e3o nobre do Pal\u00e1cio do Planalto, em 14 de outubro de 2020\" src=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e4\/0b\/01\/16312349_2:4:3200:1937_3198x1933_80_0_0_5e8b1b2008f7f1423ce24e0f51b15019.jpg.webp\" alt=\"Em Bras\u00edlia, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (\u00e0 esquerda), e o ministro da Sa\u00fade, Eduardo Pazuello (\u00e0 direita), participam de cerim\u00f4nia no sal\u00e3o nobre do Pal\u00e1cio do Planalto, em 14 de outubro de 2020\" width=\"3198\" height=\"1933\" data-src=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e4\/0b\/01\/16312349_2:4:3200:1937_3198x1933_80_0_0_5e8b1b2008f7f1423ce24e0f51b15019.jpg.webp\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">\u00a9 FOLHAPRESS \/ EDU ANDRADE<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"b-inject__copy\"><\/div>\n<div class=\"b-inject__content\">Em Bras\u00edlia, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (\u00e0 esquerda), e o ministro da Sa\u00fade, Eduardo Pazuello (\u00e0 direita), participam de cerim\u00f4nia no sal\u00e3o nobre do Pal\u00e1cio do Planalto, em 14 de outubro de 2020<\/div>\n<\/div>\n<p>Da mesma forma pensa a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (UFES), que aponta que as pol\u00edticas necess\u00e1rias para a conten\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a no pa\u00eds\u00a0<a href=\"https:\/\/br.sputniknews.com\/\/20210309\/17096236.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">foram totalmente negligenciadas<\/a>.<\/p>\n<blockquote class=\"marker-quote1\"><p>&#8220;Acredito que o negacionismo \u00e9 a causa, o eixo central de todos os erros que aconteceram &#8211; o negacionismo junto com a incompet\u00eancia. O pr\u00f3prio fato de negar a ci\u00eancia j\u00e1 demonstra a qualidade t\u00e9cnica das pessoas que est\u00e3o como as autoridades no pa\u00eds neste momento&#8221;, afirma a epidemiologista em entrevista \u00e0 Sputnik Brasil.<\/p><\/blockquote>\n<h2>&#8216;N\u00f3s somos hoje um pa\u00eds que \u00e9 visto com medo pelo resto do mundo&#8217;<\/h2>\n<p>Recentemente, ap\u00f3s a descoberta de variantes brasileiras do SARS-CoV-2, o pa\u00eds viu dezenas de na\u00e7\u00f5es proibindo viajantes que passassem pelo territ\u00f3rio brasileiro,\u00a0<a href=\"https:\/\/br.sputniknews.com\/europa\/20210129\/16865531.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">isolando o Brasil do mundo com medo<\/a>\u00a0da doen\u00e7a sem controle.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o ter o maior n\u00famero de mortes na pandemia, o Brasil\u00a0<a href=\"https:\/\/br.sputniknews.com\/brasil\/20210128\/16856591.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">foi considerado em janeiro deste ano<\/a>\u00a0como o pa\u00eds com a pior gest\u00e3o da crise sanit\u00e1ria mundial. Segundo\u00a0<a href=\"https:\/\/interactives.lowyinstitute.org\/features\/covid-performance\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">dados<\/a>\u00a0do Instituto Lowy, um think tank da Austr\u00e1lia, o Brasil teve o desempenho mais fraco dentre 100 pa\u00edses analisados, levando em conta crit\u00e9rios como mortes, casos confirmados e capacidade de detec\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n<blockquote class=\"marker-quote1\"><p>&#8220;O Brasil \u00e9 classificado hoje como o pior pa\u00eds do mundo em desempenho na conten\u00e7\u00e3o da pandemia. N\u00f3s somos hoje um pa\u00eds que \u00e9 visto com medo pelo resto do mundo&#8221;, afirma a microbiologista Nat\u00e1lia Pasternak.<\/p><\/blockquote>\n<p>A professora da UFES, Ethel Maciel, tamb\u00e9m cita a pesquisa para mostrar o desempenho ruim do Brasil no combate \u00e0 pandemia e lembra que, \u00e0 \u00e9poca do estudo,\u00a0<a href=\"https:\/\/br.sputniknews.com\/americas\/20210211\/16931404.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bolsonaro tinha companhia no continente<\/a>\u00a0em rela\u00e7\u00e3o ao negacionismo. Hoje, o brasileiro posa sozinho.<\/p>\n<blockquote class=\"marker-quote1\"><p>&#8220;A regi\u00e3o das Am\u00e9ricas \u00e9 uma das mais afetadas, mas n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que naquele momento os dois l\u00edderes negacionistas estavam no poder [Bolsonaro e o ex-presidente dos EUA, Donald Trump]&#8221;, aponta Maciel. Os EUA ficaram em 94\u00ba no ranking.<\/p><\/blockquote>\n<div class=\"b-inject m-inject-free\">\n<div class=\"b-inject__media\">\n<div class=\"b-inject-foto\" data-src=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e5\/03\/02\/17052729_0:0:3071:2048_1000x666_80_0_0_3a73933b90079571c602f6692e02295d.jpg.webp\" data-sub-html=\"Pacientes com COVID-19 desembarcaram do avi\u00e3o P\u00e9gasus 16, da Pol\u00edcia Militar de Minas Gerais, no aeroporto de Uberaba, no tri\u00e2ngulo mineiro, e s\u00e3o encaminhados para hospital regional. \u00a9 Folhapress \/ L.Adolfo\">\n<picture><source class=\"\" srcset=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e5\/03\/02\/17052729_0:0:3069:2046_768x0_80_0_1_886210d069079a8d94cb3842a48fe8ef.jpg.webp\" media=\"(min-width: 480px)\" data-srcset=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e5\/03\/02\/17052729_0:0:3069:2046_768x0_80_0_1_886210d069079a8d94cb3842a48fe8ef.jpg.webp\" \/><source class=\"\" srcset=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e5\/03\/02\/17052729_0:0:3069:2046_480x0_80_0_1_62ed6b97fd810ab9635ecbde304d808d.jpg.webp\" media=\"(min-width: 0px)\" data-srcset=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e5\/03\/02\/17052729_0:0:3069:2046_480x0_80_0_1_62ed6b97fd810ab9635ecbde304d808d.jpg.webp\" \/><\/picture>\n<figure style=\"width: 3069px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Pacientes com COVID-19 desembarcaram do avi\u00e3o P\u00e9gasus 16, da Pol\u00edcia Militar de Minas Gerais, no aeroporto de Uberaba, no tri\u00e2ngulo mineiro, e s\u00e3o encaminhados para hospital regional\" src=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e5\/03\/02\/17052729_0:0:3069:2046_3069x2046_80_0_0_de1eddf2dbdf29907ebcbe0c6f6ed7dc.jpg.webp\" alt=\"Pacientes com COVID-19 desembarcaram do avi\u00e3o P\u00e9gasus 16, da Pol\u00edcia Militar de Minas Gerais, no aeroporto de Uberaba, no tri\u00e2ngulo mineiro, e s\u00e3o encaminhados para hospital regional\" width=\"3069\" height=\"2046\" data-src=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e5\/03\/02\/17052729_0:0:3069:2046_3069x2046_80_0_0_de1eddf2dbdf29907ebcbe0c6f6ed7dc.jpg.webp\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">\u00a9 FOLHAPRESS \/ L.ADOLFO<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"b-inject__copy\"><\/div>\n<div class=\"b-inject__content\">Pacientes com COVID-19 desembarcaram do avi\u00e3o P\u00e9gasus 16, da Pol\u00edcia Militar de Minas Gerais, no aeroporto de Uberaba, no tri\u00e2ngulo mineiro, e s\u00e3o encaminhados para hospital regional<\/div>\n<\/div>\n<p>A cientista da UFES ressalta, por\u00e9m, que atualmente os EUA t\u00eam em curso uma campanha de vacina\u00e7\u00e3o e uma coordena\u00e7\u00e3o nacional cient\u00edfica para conter a pandemia e por isso t\u00eam visto o avan\u00e7o da doen\u00e7a perder f\u00f4lego, diferente do Brasil. \u00c9 o que lembra tamb\u00e9m a microbiologista Paula Martins, que refor\u00e7a a diferen\u00e7a que o planejamento da vacina\u00e7\u00e3o fez nos EUA, o pa\u00eds mais impactado pela pandemia at\u00e9 agora.<\/p>\n<blockquote class=\"marker-quote1\"><p>&#8220;A gente passou a m\u00e9dia m\u00f3vel de mortes dos EUA. E por que isso? Eles [os EUA] t\u00eam a popula\u00e7\u00e3o maior [cerca de 328 milh\u00f5es contra 211 milh\u00f5es no Brasil], estavam com um \u00edndice de morte di\u00e1ria de pessoas elevad\u00edssimo. E o que \u00e9 isso? \u00c9 a vacina. E a gente n\u00e3o se planejou para ter a vacina\u00e7\u00e3o em massa, para comprar a vacina, ter a vacina. O sistema de vacina\u00e7\u00e3o a gente tem e \u00e9 muito eficiente. O SUS \u00e9 bem estruturado para isso&#8221;, afirma Martins em entrevista \u00e0 Sputnik Brasil.<\/p><\/blockquote>\n<p>Conforme\u00a0<a href=\"https:\/\/ourworldindata.org\/covid-vaccinations\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">dados<\/a>\u00a0do site Our World in Data, os EUA, que t\u00eam 529 mil mortes por COVID-19, s\u00e3o hoje o pa\u00eds que mais vacinou em n\u00fameros absolutos, chegando a quase 94 milh\u00f5es de pessoas inoculadas com pelo menos uma dose de vacina contra o novo coronav\u00edrus.<\/p>\n<blockquote class=\"marker-quote1\"><p>&#8220;O Brasil conduziu muito mal e continua conduzindo muito mal, com a performance j\u00e1 analisada, inclusive, por institutos de pesquisa, como pior pa\u00eds. Porque agora n\u00f3s estamos sozinhos nesse negacionismo, o que vai isolar o pa\u00eds e vai colocar o Brasil em uma posi\u00e7\u00e3o pior ainda frente \u00e0 comunidade internacional&#8221;, avalia a epidemiologista Ethel Maciel.<\/p><\/blockquote>\n<h3>Sem governo federal, estados e munic\u00edpios ainda n\u00e3o fazem o necess\u00e1rio<\/h3>\n<p>Com a lacuna deixada na coordena\u00e7\u00e3o da pandemia, governos de estados e munic\u00edpios ganharam protagonismo no enfrentamento \u00e0 COVID-19 ao longo da crise sanit\u00e1ria. Foram os governadores os primeiros a fechar o com\u00e9rcio e as escolas, e foi tamb\u00e9m um governador quem garantiu as primeiras doses de vacinas contra o novo coronav\u00edrus no Brasil \u2013 no caso, Jo\u00e3o Doria (PSDB), de S\u00e3o Paulo,\u00a0<a href=\"https:\/\/br.sputniknews.com\/brasil\/20210304\/17065033.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">que negociou a vacina chinesa CoronaVac<\/a>\u00a0por meio do Instituto Butantan.<\/p>\n<div class=\"b-inject m-inject-free\">\n<div class=\"b-inject__media\">\n<div class=\"b-inject-foto\" data-src=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e5\/01\/11\/16794796_0:0:2776:2048_1000x737_80_0_0_05a650be941274a039c045bdb4cf2c22.jpg.webp\" data-sub-html=\"M\u00f4nica Calazans, enfermeira de 54 anos do Instituto Em\u00edlio Ribas, em S\u00e3o Paulo, \u00e9 a primeira vacinada contra a COVID-19 no Brasil. \u00a9 Folhapress \/ Aloisio Mauricio \/ Fotoarena\">\n<picture><source class=\"\" srcset=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e5\/01\/11\/16794796_3:2:2776:2046_768x0_80_0_1_3a8666be13c624348fe38c5d1be60ebe.jpg.webp\" media=\"(min-width: 480px)\" data-srcset=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e5\/01\/11\/16794796_3:2:2776:2046_768x0_80_0_1_3a8666be13c624348fe38c5d1be60ebe.jpg.webp\" \/><source class=\"\" srcset=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e5\/01\/11\/16794796_3:2:2776:2046_480x0_80_0_1_2de8a67b6ac198130d305e41bcf43afb.jpg.webp\" media=\"(min-width: 0px)\" data-srcset=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e5\/01\/11\/16794796_3:2:2776:2046_480x0_80_0_1_2de8a67b6ac198130d305e41bcf43afb.jpg.webp\" \/><\/picture>\n<figure style=\"width: 2773px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"M\u00f4nica Calazans, enfermeira de 54 anos do Instituto Em\u00edlio Ribas, em S\u00e3o Paulo, \u00e9 a primeira vacinada contra a COVID-19 no Brasil\" src=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e5\/01\/11\/16794796_3:2:2776:2046_2773x2044_80_0_0_a350db7fbc6f6aeb1701a7a4d176a1a2.jpg.webp\" alt=\"M\u00f4nica Calazans, enfermeira de 54 anos do Instituto Em\u00edlio Ribas, em S\u00e3o Paulo, \u00e9 a primeira vacinada contra a COVID-19 no Brasil\" width=\"2773\" height=\"2044\" data-src=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e5\/01\/11\/16794796_3:2:2776:2046_2773x2044_80_0_0_a350db7fbc6f6aeb1701a7a4d176a1a2.jpg.webp\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">\u00a9 FOLHAPRESS \/\u00a0ALOISIO MAURICIO \/ FOTOARENA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"b-inject__copy\"><\/div>\n<div class=\"b-inject__content\">M\u00f4nica Calazans, enfermeira de 54 anos do Instituto Em\u00edlio Ribas, em S\u00e3o Paulo, \u00e9 a primeira vacinada contra a COVID-19 no Brasil<\/div>\n<\/div>\n<p>Diante da cont\u00ednua oposi\u00e7\u00e3o do governo federal e das press\u00f5es pol\u00edticas, as\u00a0<a href=\"https:\/\/br.sputniknews.com\/\/20210305\/17074937.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">medidas restritivas foram afrouxadas<\/a>\u00a0ao longo da pandemia e s\u00f3 com a recente disparada do v\u00edrus voltaram a ser implementadas. Na quarta-feira (10), 21 governadores assinaram um pacto nacional pelo controle da pandemia, que pela primeira vez amea\u00e7a gerar um colapso de todo o sistema de sa\u00fade do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para Ethel Maciel, no Brasil, as atuais medidas adotadas em estados e munic\u00edpios n\u00e3o s\u00e3o suficientes para conter a pandemia. Ainda evitando o lockdown, nas \u00faltimas semanas diversos estados adotaram medidas tidas como de meio-termo, tais como toque de recolher e fechamento de atividades n\u00e3o essenciais, mas a doen\u00e7a segue avan\u00e7ando.<\/p>\n<blockquote class=\"marker-quote1\"><p>&#8220;[Essas medidas] s\u00e3o insuficientes porque estamos com uma vacina\u00e7\u00e3o muito lenta. As medidas de mitiga\u00e7\u00e3o, as medidas n\u00e3o farmacol\u00f3gicas, est\u00e3o sendo adotadas de forma ainda muito t\u00edmida&#8221;, avalia a professora Ethel Maciel.<\/p><\/blockquote>\n<p>A opini\u00e3o \u00e9 compartilhada tamb\u00e9m pela microbiologista Paula Martins, que ressalta que o Brasil n\u00e3o fez em nenhum momento um lockdown s\u00e9rio<\/p>\n<blockquote class=\"marker-quote1\"><p>&#8220;Talvez a gente devesse ter tomado medidas um pouco mais dr\u00e1sticas, no in\u00edcio da pandemia, para que n\u00e3o se chegasse a esse ponto, inclusive, de ter as novas variantes, porque o aparecimento das variantes \u00e9 uma coisa natural, esperada, mas quanto mais a pandemia evolui, maior a chance de a gente ter essas variantes perigosas&#8221;, afirma Martins.<\/p><\/blockquote>\n<p>J\u00e1 Ethel Maciel, al\u00e9m de criticar as medidas adotadas, tamb\u00e9m classifica a velocidade da vacina\u00e7\u00e3o no Brasil como &#8220;p\u00edfia&#8221;. Por ora, o Brasil n\u00e3o conseguiu vacinar sequer o grupo priorit\u00e1rio &#8211; cerca de 70 milh\u00f5es de pessoas, segundo Maciel. Desde o in\u00edcio da vacina\u00e7\u00e3o, em 17 de janeiro, apenas 8,3 milh\u00f5es de brasileiros receberam pelo menos a primeira dose de uma vacina, conforme apontam\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/bemestar\/coronavirus\/noticia\/2021\/03\/10\/brasil-registra-2349-mortes-em-24-horas-novo-recorde-desde-inicio-da-pandemia-media-movel-tambem-aumenta.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">dados<\/a>\u00a0do cons\u00f3rcio dos ve\u00edculos de imprensa.<\/p>\n<div class=\"b-inject m-inject-free\">\n<div class=\"b-inject__media\">\n<div class=\"b-inject-foto\" data-src=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e5\/03\/09\/17090977_0:0:3072:2048_1000x666_80_0_0_904d6b17597ce145899d6c4532519e66.jpg.webp\" data-sub-html=\"Mulheres seguram cruzes durante protesto contra a resposta do presidente Jair Bolsonaro \u00e0 pandemia de COVID-19, em S\u00e3o Paulo, 8 de mar\u00e7o de 2021. \u00a9 REUTERS \/ Amanda Perobelli\">\n<picture><source class=\"\" srcset=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e5\/03\/09\/17090977_18:14:3071:2047_768x0_80_0_1_096aef1ddfb0be7f5814c6b603499244.jpg.webp\" media=\"(min-width: 480px)\" data-srcset=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e5\/03\/09\/17090977_18:14:3071:2047_768x0_80_0_1_096aef1ddfb0be7f5814c6b603499244.jpg.webp\" \/><source class=\"\" srcset=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e5\/03\/09\/17090977_18:14:3071:2047_480x0_80_0_1_1e0c88cc491acba06c13990890390655.jpg.webp\" media=\"(min-width: 0px)\" data-srcset=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e5\/03\/09\/17090977_18:14:3071:2047_480x0_80_0_1_1e0c88cc491acba06c13990890390655.jpg.webp\" \/><\/picture>\n<figure style=\"width: 3053px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Mulheres seguram cruzes durante protesto contra a resposta do presidente Jair Bolsonaro \u00e0 pandemia de COVID-19, em S\u00e3o Paulo, 8 de mar\u00e7o de 2021\" src=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e5\/03\/09\/17090977_18:14:3071:2047_3053x2033_80_0_0_e91347060f893906634a8d4904c93673.jpg.webp\" alt=\"Mulheres seguram cruzes durante protesto contra a resposta do presidente Jair Bolsonaro \u00e0 pandemia de COVID-19, em S\u00e3o Paulo, 8 de mar\u00e7o de 2021\" width=\"3053\" height=\"2033\" data-src=\"https:\/\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/img\/07e5\/03\/09\/17090977_18:14:3071:2047_3053x2033_80_0_0_e91347060f893906634a8d4904c93673.jpg.webp\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">\u00a9 REUTERS \/ AMANDA PEROBELLI<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"b-inject__copy\"><\/div>\n<div class=\"b-inject__content\">Mulheres seguram cruzes durante protesto contra a resposta do presidente Jair Bolsonaro \u00e0 pandemia de COVID-19, em S\u00e3o Paulo, 8 de mar\u00e7o de 2021<\/div>\n<\/div>\n<p>Por outro lado, as medidas de restri\u00e7\u00f5es, mesmo quando adotadas, tamb\u00e9m enfrentam dificuldade na ades\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, o que Maciel atribui \u00e0 politiza\u00e7\u00e3o ao longo da pandemia. A situa\u00e7\u00e3o foi ainda refor\u00e7ada por esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o ligados \u00e0 compra de respiradores, como no Rio de Janeiro, onde o governador\u00a0<a href=\"https:\/\/br.sputniknews.com\/brasil\/20210211\/16940058.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Wilson Witzel (PSC) foi afastado do cargo<\/a>. Al\u00e9m disso, a desigualdade econ\u00f4mica no pa\u00eds dificulta ainda mais a realiza\u00e7\u00e3o plena das quarentenas, exigindo medidas como aux\u00edlios financeiros \u00e0s fam\u00edlias.<\/p>\n<blockquote class=\"marker-quote1\"><p>&#8220;No momento, nem n\u00f3s, internamente, temos confian\u00e7a no governo, nem a comunidade internacional. Estamos a\u00ed estampando as principais capas de jornais internacionais, nas quais o Brasil agora representa, de fato, a possibilidade de emerg\u00eancia de novas variantes. Uma amea\u00e7a global&#8221;, lamenta a epidemiologista Ethel Maciel.<\/p><\/blockquote>\n<h3>Brasil n\u00e3o tem horizonte de fim da pandemia<\/h3>\n<p>A microbiologista Natalia Pasternak ressalta que, com a aus\u00eancia do governo federal, resta depositar esperan\u00e7as de que estados e munic\u00edpios ajam em conjunto para impedir o avan\u00e7o das mortes. Para ela, ainda \u00e9 poss\u00edvel reverter o quadro.<\/p>\n<blockquote class=\"marker-quote1\"><p>&#8220;O Brasil \u00e9 visto hoje como, na sua incompet\u00eancia em conter a pandemia, um risco sanit\u00e1rio mundial. Vergonha maior do que essa, acho que a gente nunca passou, nem no 7&#215;1. Reverter esse quadro \u00e9 poss\u00edvel, mas depende de vontade pol\u00edtica que n\u00e3o parece existir nesse governo&#8221;, aponta a cientista<\/p><\/blockquote>\n<p>Segundo Pasternak, apenas depois que uma coordena\u00e7\u00e3o nacional tomar forma concreta e com medidas firmes de restri\u00e7\u00e3o &#8211; mesmo sem o apoio de Bras\u00edlia &#8211; \u00e9 que ser\u00e1 poss\u00edvel fazer previs\u00f5es sobre o fim da pandemia no Brasil.<\/p>\n<blockquote class=\"marker-quote1\"><p>&#8220;Ent\u00e3o, vai caber ao Congresso, ao STF, a governadores e prefeitos, que fa\u00e7am impor as medidas de restri\u00e7\u00e3o, que fa\u00e7am acordos para a compra de vacinas, para que o Brasil n\u00e3o se transforme em um p\u00e1ria do mundo&#8221;, afirma Pasternak.<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<blockquote><p>www.br.sputniknews.com\/sputnik_explica<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 um ano, a pandemia da COVID-19 era oficialmente declarada. Para explicar os motivos de o n\u00famero de mortes no Brasil continuar crescendo r\u00e1pido at\u00e9 hoje, a Sputnik Brasil ouviu microbiologistas e epidemiologistas, que apontaram que o pa\u00eds segue sem horizonte de controle da doen\u00e7a. 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