{"id":19513,"date":"2021-03-19T14:34:19","date_gmt":"2021-03-19T17:34:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=19513"},"modified":"2021-03-19T14:34:19","modified_gmt":"2021-03-19T17:34:19","slug":"com-bolsonaro-poder-de-compra-dos-pobres-e-dos-trabalhadores-despenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/03\/19\/com-bolsonaro-poder-de-compra-dos-pobres-e-dos-trabalhadores-despenca\/","title":{"rendered":"Com Bolsonaro poder de compra dos pobres e dos trabalhadores despenca"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nos dois primeiros anos do seu governo, Jair Bolsonaro (ex-PSL) n\u00e3o decepcionou os ricos que o elegeram: protegeu o patrim\u00f4nio e a renda de quem tem muito dinheiro e sufocou os mais pobres e os trabalhadores e trabalhadoras, que vivem de bicos e sal\u00e1rios.<\/strong><\/p>\n<p>Os dados econ\u00f4micos s\u00e3o a prova disso. Entre o in\u00edcio de 2021 e o mesmo per\u00edodo em 2019 , dois primeiros anos da gest\u00e3o Bolsonaro, o pre\u00e7o da cesta b\u00e1sica de alimentos subiu 32,56%, na capital de S\u00e3o Paulo.\u00a0 O presidente j\u00e1 disse v\u00e1rias vezes que n\u00e3o entenda e de economia, n\u00e3o deve entender nada tamb\u00e9m sobre as necessidades do povo brasileiro.<\/p>\n<p>Em 2003, apesar de ter encontrado o pa\u00eds endividado e com uma infla\u00e7\u00e3o de 12,53%, Lula conseguiu derrubar o \u00edndice para 7,60%\u00a0 e a cesta b\u00e1sica subiu em dois anos de seu governo 8,49% . Com Dilma, aconteceu o mesmo. Nos seus dois primeiros anos de mandato, a cesta subiu 18,02%, \u00edndices bem abaixo do atual governo.<\/p>\n<p>Mesmo\u00a0<strong>antes de Lula conseguir aprovar<\/strong><strong>\u00a0a pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, iniciada em 2004,\u00a0<\/strong>o trabalhador que ganhava o piso da \u00e9poca conseguia comprar uma cesta b\u00e1sica e meia (1,51). J\u00e1 com Dilma, com os reajustes do m\u00ednimo acima da infla\u00e7\u00e3o, o trabalhador levava para casa quase duas cestas e meia (2,41), apesar do \u00edndice inflacion\u00e1rio ter sido maior do que o mesmo per\u00edodo de Lula.<\/p>\n<p>Com Bolsonaro, que acabou com a pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o do m\u00ednimo, se compararmos os dois primeiros anos, quando o piso chegou a R$ 1.045,00, o trabalhador s\u00f3 conseguiu comprar pouco mais de uma cesta e meia (1,61).<\/p>\n<p>No \u00faltimo levantamento feito pelo UOL, j\u00e1 com o sal\u00e1rio atual de R$ 1.100, o brasileiro gasta em m\u00e9dia mais da metade (54,23%) do sal\u00e1rio m\u00ednimo l\u00edquido para comprar a cesta b\u00e1sica. Na cidade de S\u00e3o Paulo, que det\u00e9m o segundo maior pre\u00e7o pelo conjunto de produtos, o percentual de comprometimento da renda chega a 62,85%.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a causa da carestia<\/strong><\/p>\n<p>A carestia sentida pela popula\u00e7\u00e3o pobre n\u00e3o pode ser apenas creditada \u00e0 pandemia do novo coronav\u00edrus, explica a supervisora da \u00e1rea de pre\u00e7os do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), que analisa o \u00cdndice de Custo de Vida (IVC), Patr\u00edcia Costa. De acordo com ela, o desmonte das pol\u00edticas p\u00fablicas e os privil\u00e9gios concedidos ao agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Nos governos anteriores, diz, havia pol\u00edticas p\u00fablicas respons\u00e1veis pela abertura de vagas de trabalho e, consequentemente, aumentou o consumo da popula\u00e7\u00e3o e da infla\u00e7\u00e3o, mas ainda assim o poder de compra do trabalhador era preservado.<\/p>\n<p>\u201dO que chama a aten\u00e7\u00e3o no atual aumento de pre\u00e7os e na queda do poder de compra da popula\u00e7\u00e3o, \u00e9 que s\u00e3o resultados do desmonte expl\u00edcito de pol\u00edticas p\u00fablicas, que garantiam pre\u00e7os acess\u00edveis dos alimentos e reajustes salariais acima da infla\u00e7\u00e3o para o trabalhador. Hoje o interesse \u00e9 o lucro do agroneg\u00f3cio\u201d, diz Patr\u00edcia.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com a supervisora do Dieese, antes, pelo menos, havia esperan\u00e7a e a possibilidade do governo fazer a\u00e7\u00f5es de desenvolvimento e inclus\u00e3o, o que n\u00e3o ocorre agora.<\/p>\n<p>\u201cNuma situa\u00e7\u00e3o de desmonte, a crise recai sobre os ombros de quem ganha menos\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Infla\u00e7\u00e3o \u00e9 mais sentida pelos pobres<\/strong><\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da pandemia, em mar\u00e7o do ano passado at\u00e9 fevereiro deste ano, a infla\u00e7\u00e3o sentida pelas fam\u00edlias brasileiras mais pobres foi de 6,75%. Essa taxa representa o dobro do impacto para as fam\u00edlias mais ricas, de 3,43% no mesmo per\u00edodo, segundo os dados do indicador do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) de infla\u00e7\u00e3o por faixa de renda.<\/p>\n<p>O vil\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o maior para essas fam\u00edlias, que ganham menos do que R$ 1.650,50,\u00a0 s\u00e3o os pre\u00e7os dos alimentos que consomem em m\u00e9dia 25% do seu or\u00e7amento. J\u00e1 os mais ricos, com renda superior a R$ 16.509,66 gastam menos de 10% dos seus or\u00e7amentos na compra da alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Carne: exemplo da queda do poder de compra com Bolsonaro<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o Dieese, em uma reportagem de 2011, no portal G1, ao analisar a evolu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, por exemplo, em 1959, se todo o valor fosse destinado \u00e0 compra de carne, seriam adquiridos 85 kg do produto na capital de S\u00e3o Paulo; j\u00e1 em 1995, todo o m\u00ednimo conseguiria adquirir apenas 21 kg; e, em 2009, 37 kg, exemplificou \u00e0 \u00e9poca o instituto, demonstrando que a pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo j\u00e1 surtia efeito.<\/p>\n<p>Mas, se continuarmos a compara\u00e7\u00e3o do valor de hoje do m\u00ednimo (R$ 1.100) em rela\u00e7\u00e3o ao pre\u00e7o de R$ 40,00, de um quilo de carne de segunda, em um supermercado da zona oeste da capital paulista, o trabalhador levaria para a casa 27,5 kg \u2013 uma redu\u00e7\u00e3o de 10 kg, em rela\u00e7\u00e3o a 2009. Se compararmos pre\u00e7os da carne de primeira, que variam acima de R$ 50,00, a queda seria ainda maior.<\/p>\n<p><strong>Os altos e baixos da corre\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo<\/strong><\/p>\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o dos valores do m\u00ednimo \u00e9 dividida pelo Dieese em oito fases:\u00a0<strong>1940-1945<\/strong>, fixa\u00e7\u00e3o do m\u00ednimo;\u00a0<strong>1946-1951<\/strong>, rebaixamento do sal\u00e1rio;\u00a0<strong>1952-1959,<\/strong>\u00a0per\u00edodo com ganhos reais e significativos;\u00a0<strong>1960-1964<\/strong>, per\u00edodo razo\u00e1vel com infla\u00e7\u00e3o provocando efeito redutor dos ganhos;\u00a0<strong>1965-1975<\/strong>, arrocho em raz\u00e3o da ditadura\u00a0 militar com persegui\u00e7\u00e3o a a\u00e7\u00f5es sindicais;\u00a0<strong>1976-1982<\/strong>, leve rea\u00e7\u00e3o com reajustes semestrais;\u00a0<strong>1983-1994<\/strong>, nova corros\u00e3o com acelera\u00e7\u00e3o inflacion\u00e1ria e planos econ\u00f4micos fracassados; e 1995 em diante, com a retomada da valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>www.cut.org.br \/ Rosely Rocha \/com informa\u00e7\u00f5es do UOL e G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos dois primeiros anos do seu governo, Jair Bolsonaro (ex-PSL) n\u00e3o decepcionou os ricos que o elegeram: protegeu o patrim\u00f4nio e a renda de quem tem muito dinheiro e sufocou os mais pobres e os trabalhadores e trabalhadoras, que vivem de bicos e sal\u00e1rios. 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