{"id":19731,"date":"2021-04-04T13:22:04","date_gmt":"2021-04-04T16:22:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=19731"},"modified":"2021-04-04T13:22:04","modified_gmt":"2021-04-04T16:22:04","slug":"fome-e-pandemia-nas-favelas-meus-netos-comem-menos-para-eu-almocar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/04\/04\/fome-e-pandemia-nas-favelas-meus-netos-comem-menos-para-eu-almocar\/","title":{"rendered":"Fome e pandemia nas favelas: \u2018Meus netos comem menos para eu almo\u00e7ar\u2019"},"content":{"rendered":"<p><strong>Da periferia de Recife a Parais\u00f3polis, em SP, passando pelas ruas da cracol\u00e2ndia: o retrato da fome que contamina moradores de \u00e1reas pobres no Brasil enquanto a pandemia bate recordes<\/strong><\/p>\n<p>No \u00faltimo domingo, a empregada dom\u00e9stica Josinete Ant\u00f4nia da Silva, de 64 anos, abriu os arm\u00e1rios da casa onde mora na periferia de Recife, em Pernambuco. Destampou os potes de mantimentos e n\u00e3o encontrou nada. N\u00e3o havia nada nas panelas tamb\u00e9m. A filha, ao saber que a m\u00e3e n\u00e3o tinha o que almo\u00e7ar, pediu para que os filhos dela comessem menos para que sobrasse para a av\u00f3.<\/p>\n<p>\u201cEla falou: hoje, cada um de voc\u00eas come um pouquinho menos hoje para ter comida para a v\u00f3 tamb\u00e9m. E me mandou carne mo\u00edda, feij\u00e3o e arroz. Se n\u00e3o fosse ela, n\u00e3o sei o que eu teria feito\u201d, contou Josinete em entrevista por telefone \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<p>De acordo com ONGs, l\u00edderes comunit\u00e1rios e empresas especializadas em doa\u00e7\u00f5es ouvidas pela reportagem, o n\u00famero de contribui\u00e7\u00f5es caiu drasticamente ao longo da pandemia e hoje, no auge da crise sanit\u00e1ria, muitas fam\u00edlias que moram em comunidades n\u00e3o t\u00eam o que comer.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas 24 horas, o Brasil registrou 3.869 mortes por covid-19, superando o recorde registrado na v\u00e9spera, 3.780 vidas perdidas.<\/p>\n<p>Josinete recebe uma pens\u00e3o no valor de um sal\u00e1rio m\u00ednimo (R$ 1.100) e mora com as tr\u00eas filhas, que perderam o emprego na pandemia. Uma delas tem quatro filhos e est\u00e1 gr\u00e1vida. A outra tem dois.<\/p>\n<p>Ela conta que o dinheiro da pens\u00e3o \u00e9 insuficiente para comprar comida para o m\u00eas. O \u00fanico que trabalha na fam\u00edlia \u00e9 o filho dela, que mora de aluguel no mesmo bairro e faz trabalhos informais como pedreiro.<\/p>\n<p>\u201cEle me ajuda como pode. Est\u00e1 tudo muito caro. Vou ao mercado comprar feij\u00e3o, arroz, uns pedacinhos de galinha, macarr\u00e3o e salsicha e n\u00e3o gasto menos de R$ 100. O que pesa \u00e9 a carne, o arroz e o leite, ainda mais morando com uma crian\u00e7a de 3 anos e outra de 9 meses. Tem dia que d\u00e1 para comprar p\u00e3o, outros n\u00e3o\u201d, conta Josinete.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dela, na mesma casa moram tr\u00eas filhas e cinco netos. Ao todo, Josinete tem nove filhos (sete desempregados), 33 netos e sete bisnetos.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da pandemia, em 2020, ela recebeu cestas b\u00e1sicas e dinheiro para fazer a feira, mas no fim do ano essa ajuda diminuiu gradativamente at\u00e9 parar, conta ela.<\/p>\n<p>O Instituto Casa Amarela Social foi um dos que ajudaram a fam\u00edlia de Josinete na pandemia. O grupo faz diversas campanhas para arrecadar doa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cEu tenho vergonha de pedir para outras pessoas, mas n\u00e3o (quando \u00e9) para meus filhos. Eu s\u00f3 pe\u00e7o miseric\u00f3rdia para quem tem um pouco mais (de dinheiro) se unir com os outros e ajudar quem n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de sair dessa sozinho. O governo poderia ter mantido o aux\u00edlio emergencial em R$ 600, mas a gente n\u00e3o tem escolha\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O novo aux\u00edlio ter\u00e1 valor m\u00e9dio em R$ 250, mas as cotas devem variar entre R$ 150 e R$ 375.<\/p>\n<p>Uma pesquisa feita pelo Data Favela, uma parceria entre Instituto Locomotiva e a Central \u00danica das Favelas (Cufa), em fevereiro, apontou que, entre os 16 milh\u00f5es de brasileiros que moram em favelas, 67% tiveram de cortar itens b\u00e1sicos do or\u00e7amento com o fim do aux\u00edlio emergencial, como comida e material de limpeza.<\/p>\n<p>Outros 68% afirmaram que, nos 15 dias anteriores \u00e0 pesquisa, em ao menos um faltou dinheiro para comprar comida. Oito em cada 10 fam\u00edlias disseram que n\u00e3o teriam condi\u00e7\u00f5es de se alimentar, comprar produtos de higiene e limpeza ou pagar as contas b\u00e1sicas durante os meses de pandemia se n\u00e3o tivessem recebido doa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Um presidente por rua<\/strong><\/p>\n<p>O presidente da Uni\u00e3o dos Moradores e do Com\u00e9rcio de Parais\u00f3polis, Gilson Rodrigues, disse que a escassez de doa\u00e7\u00f5es ocorre em favelas por todo o Brasil. Em Parais\u00f3polis, a maior de S\u00e3o Paulo, um homem chegou a desmaiar na fila enquanto aguardava um prato de comida na \u00faltima semana.<\/p>\n<p>\u201cVejo um agravamento da situa\u00e7\u00e3o em que o Brasil fala de um novo normal, com fome e desemprego. A fila de moradores por um marmitex come\u00e7a \u00e0s 9h, mas a gente s\u00f3 come\u00e7a a entregar meio-dia. Eles fazem isso porque sentem medo de perder a \u00fanica refei\u00e7\u00e3o do dia\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Gilson conta que, no in\u00edcio da pandemia e auge das doa\u00e7\u00f5es, eles conseguiam entregar 10 mil marmitas por dia. Hoje, s\u00e3o 700.<\/p>\n<p>O G10 Favelas, grupo que re\u00fane as 10 maiores comunidades do pa\u00eds, criou uma central de arrecada\u00e7\u00e3o para ajudar fam\u00edlias de baixa renda de todo o pa\u00eds. H\u00e1 um endere\u00e7o espec\u00edfico para colaborar com moradores de Parais\u00f3polis e outras favelas.<\/p>\n<p>O l\u00edder comunit\u00e1rio afirmou que, na falta de poder p\u00fablico, a pr\u00f3pria favela elegeu presidentes de rua. Cada um cuida de 50 fam\u00edlias. Isso \u00e9 importante para descentralizar os pedidos, j\u00e1 que ele conta que chegou a receber 7 mil mensagens de ajuda num \u00fanico dia.<\/p>\n<p>Ele disse que fazer os vizinhos cuidarem uns dos outros gera resultados mais contundentes que muitas pol\u00edticas p\u00fablicas. Gilson explica o valor da proximidade e humaniza\u00e7\u00e3o com que eles enxergam os problemas de quem mora ao lado.<\/p>\n<p>\u201cNa falta de um presidente para o pa\u00eds, temos um a cada 50 casas. Organizamos a sociedade para que ela tenha um papel real de transforma\u00e7\u00e3o. Cada um desses presidentes acompanha de perto a situa\u00e7\u00e3o dessas pessoas, as defici\u00eancias na sa\u00fade, alimenta\u00e7\u00e3o. Damos protagonismo \u00e0s pessoas e reaproximamos vizinhos\u201d, afirmou o l\u00edder comunit\u00e1rio de Parais\u00f3polis.<\/p>\n<p>Gilson explica que dessa maneira as doa\u00e7\u00f5es s\u00e3o distribu\u00eddas de maneira mais justa e os presidentes de rua fazem o m\u00e1ximo para ver quem mora perto dele numa situa\u00e7\u00e3o melhor.<\/p>\n<p>\u201cFizemos isso em 300 favelas de 14 Estados. Nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 salvar vidas. Produzimos mais de 1,4 milh\u00e3o de m\u00e1scaras, contratamos ambul\u00e2ncias. Tudo gra\u00e7as ao protagonismo dos pr\u00f3prios moradores. O vizinho dos Jardins (\u00e1rea nobre de SP) tamb\u00e9m deve fazer isso. Conhecer quem mora na mans\u00e3o do lado, estender as m\u00e3os para um irm\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Ele explicou que a favela sempre teve a cultura do apoio e que agora o Brasil precisa ativar esse movimento em todos os bairros e inst\u00e2ncias. O G10 Favelas criou um site para explicar como levar o projeto de presidente de rua para a sua regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Marmitex na cracol\u00e2ndia<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 um m\u00eas, a universit\u00e1ria Alessandra Monteiro pensou em como poderia fazer a\u00e7\u00f5es sociais maiores e mais organizadas do que as doa\u00e7\u00f5es que ela j\u00e1 costumava fazer.<\/p>\n<p>\u201cEu disse isso para a minha amiga Viviane porque pensei que estava na hora de sair da minha zona de conforto. Eu tenho uma vida muito boa e precisava fazer alguma coisa para algu\u00e9m\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Ela ent\u00e3o mandou mensagem para uma professora que vende marmitas para as colegas e perguntou quanto ela cobrava para fazer 50 refei\u00e7\u00f5es. No dia seguinte, ela avisou aos amigos que faria uma a\u00e7\u00e3o e pediu uma colabora\u00e7\u00e3o de quem pudesse ajudar.<\/p>\n<p>\u201cComprei as 50 e fiz as primeiras entregas no dia 19 de mar\u00e7o na regi\u00e3o da cracol\u00e2ndia, no centro de S\u00e3o Paulo. No mesmo dia, um rapaz pediu uma lona para se cobrir com a mulher dele e o cachorro porque eles estavam dormindo embaixo de um peda\u00e7o de madeira. Consegui a doa\u00e7\u00e3o de uma barraca de quatro lugares para ele e vou agora comprar ra\u00e7\u00e3o para o cachorro\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O sucesso da primeira entrega foi t\u00e3o grande que os amigos criaram um grupo no WhatsApp com o nome \u201cFa\u00e7a o bem porque o mundo est\u00e1 mal\u201d. Na quinta-feira (1\u00ba\/04) eles v\u00e3o doar 100 marmitas e 100 garrafas d\u2019\u00e1gua. Alessandra j\u00e1 planeja dobrar esse n\u00famero.<\/p>\n<p>\u201cDaqui 15 dias, quero entregar 200. N\u00f3s somos pessoas comuns. N\u00e3o somos ricos, mas damos um pouco do que temos para quem n\u00e3o tem nada\u201d, disse \u00e0 reportagem.<\/p>\n<p><strong>\u2018Eu n\u00e3o tinha o que comer\u2019<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 em meio \u00e0 pandemia, em 2020, a sogra da comerciante Luciene Alves da Silva, de 60 anos, morreu e deixou dois filhos com defici\u00eancia intelectual, com 54 e 50 anos de idade.<\/p>\n<p>Imediatamente, Luciene se mudou para a casa da sogra para cuidar dos cunhados, no Itaim Paulista, no extremo leste de S\u00e3o Paulo. O marido dela parou de trabalhar para ajudar nos cuidados, pois um dos irm\u00e3os dele sofre ataques epil\u00e9pticos e precisa ser socorrido constantemente.<\/p>\n<p>A renda da fam\u00edlia chegou a praticamente zero e junto vieram o desespero e a fome.<\/p>\n<p>\u201cTem horas que eu penso o que eu vou fazer da minha vida. Eles comem muito e eu n\u00e3o tenho dinheiro nenhum. A geladeira s\u00f3 vive vazia. Eu estou num processo para que eles recebam pens\u00e3o, mas hoje minha \u00fanica renda \u00e9 um Bolsa Fam\u00edlia de R$ 89\u201d, contou, chorando, em entrevista \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<p>No momento de maior desespero nas \u00faltimas semanas, Luciene foi acolhida por uma igreja pr\u00f3xima da casa dela.<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o tinha o que comer. Faltou tudo mesmo. Fui na casa de uma irm\u00e3 minha da igreja e contei tudo. Ela falou para eu n\u00e3o me preocupar e ir para casa. Logo em seguida o pastor Radson Cavalcante trouxe duas cestas b\u00e1sicas para mim. S\u00f3 de contar eu choro. S\u00f3 vindo aqui para saber minha situa\u00e7\u00e3o de desespero\u201d, disse Luciene por telefone.<\/p>\n<p>O pastor Radson Cavalcante disse que as pessoas que quiserem fazer doa\u00e7\u00f5es podem entrar em contato com ele pelo telefone (11) 95118-7773.<\/p>\n<p><strong>De R$ 58 milh\u00f5es para R$ 800 mil<\/strong><\/p>\n<p>A diretora-presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis), Paula Fabiani, explica que houve cen\u00e1rios diferentes de doa\u00e7\u00e3o em cada momento da pandemia.<\/p>\n<p>\u201cPrimeiro, tivemos uma perspectiva que n\u00e3o duraria muito tempo. Se envolver em campanhas de doa\u00e7\u00e3o foi algo que deu esperan\u00e7a \u00e0 sociedade. Agora, temos um retrato diferente porque n\u00e3o sabemos quando vai acabar e isso gera cautela por parte das empresas. Elas, que foram o grande motor das doa\u00e7\u00f5es, est\u00e3o focadas hoje em proteger a sua pr\u00f3pria sa\u00fade financeira e seus funcion\u00e1rios\u201d, afirmou Paula.<\/p>\n<p>Como exemplo, ela cita o movimento Unidos pela Vacina, que junta v\u00e1rias empresas para buscar uma maneira de vacinar seus pr\u00f3prios funcion\u00e1rios. Elas est\u00e3o se engajando para doar m\u00e3o de obra, n\u00e3o recursos, pois n\u00e3o conseguem comprometer parte do or\u00e7amento com doa\u00e7\u00f5es enquanto n\u00e3o souberem quanto vai sobrar de dinheiro e at\u00e9 quando a pandemia vai durar.<\/p>\n<p>Paula conta que o auge das doa\u00e7\u00f5es ocorreu nos meses de abril, maio e junho de 2020. Segundo o monitor das doa\u00e7\u00f5es de covid-19, balan\u00e7o feito pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Captadores de Recursos, no per\u00edodo as empresas chegaram a doar em m\u00e9dia R$ 58 milh\u00f5es por dia.<\/p>\n<p>Esse valor caiu para R$ 6 milh\u00f5es de julho a setembro e para R$ 2 milh\u00f5es de outubro a dezembro. A m\u00e9dia de janeiro a mar\u00e7o de 2021 \u00e9 de cerca de R$ 800 mil.<\/p>\n<p>Segundo Paula, as pessoas tamb\u00e9m est\u00e3o num processo de cansa\u00e7o, depois de um ano com restri\u00e7\u00f5es de circula\u00e7\u00e3o e numa situa\u00e7\u00e3o constante de doa\u00e7\u00f5es. Ainda assim, ela diz que as empresas precisam se esfor\u00e7ar para incluir nas suas pr\u00e1ticas a\u00e7\u00f5es filantr\u00f3picas.<\/p>\n<p>Uma pesquisa do Idis apontou que 86% dos brasileiros dizem que as empresas devem apoiar as comunidades e 71% afirmam ser mais propensos a comprar um produto de uma empresa que se engaje em causas sociais.<\/p>\n<p>\u201cL\u00e1 atr\u00e1s, o governo demorou para agir e quem agiu foram as ONGs. A gente fez um fundo de arrecada\u00e7\u00e3o e mandou para empresas. Criamos um mecanismo para ajud\u00e1-las a apoiarem essas ONGs. Mas hoje as empresas est\u00e3o tentando organizar suas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es, na tentativa de ajudar o governo\u201d, afirmou a diretora-presidente do Idis.<\/p>\n<p><strong>\u201cVivo sem saber meu destino\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Luciene Silva, que cuida dos cunhados com defici\u00eancia, vendia cachorro quente antes do in\u00edcio da pandemia. Ela e o marido tinham uma independ\u00eancia financeira. Hoje, o casal est\u00e1 com duas contas de \u00e1gua vencidas e depende da ajuda principalmente de vizinhos para sobreviver.<\/p>\n<p>\u201cEu passo o dia cuidando dos meus cunhados. Um deles faz xixi na cama e at\u00e9 colocamos um pl\u00e1stico no colch\u00e3o porque no posto de sa\u00fade n\u00e3o tem fralda. Eu estou tomando antidepressivos. Calmante forte mesmo porque eu n\u00e3o durmo \u00e0 noite pensando o que ser\u00e1 o pr\u00f3ximo dia. Hoje eu n\u00e3o tenho um real no bolso\u201d, contou \u00e0 reportagem.<\/p>\n<p>Luciene tamb\u00e9m conta com a ajuda dos filhos, mas um deles ficou desempregado recentemente por conta da crise na pandemia.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito dif\u00edcil acordar e n\u00e3o ter mistura na geladeira. Hoje mesmo eu achei um pacote de flocos de milho no arm\u00e1rio e fiz um cuscuz para a gente. Quando vou \u00e0 feira, ganho uns tomares e cebola. Outro traz um pacote de arroz. E assim eu vivo sem saber meu destino\u201d.<\/p>\n<p>www.ctb.org.br\/ Por BBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da periferia de Recife a Parais\u00f3polis, em SP, passando pelas ruas da cracol\u00e2ndia: o retrato da fome que contamina moradores de \u00e1reas pobres no Brasil enquanto a pandemia bate recordes No \u00faltimo domingo, a empregada dom\u00e9stica Josinete Ant\u00f4nia da Silva, de 64 anos, abriu os arm\u00e1rios da casa onde mora na periferia de Recife, em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":19732,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[641,503],"class_list":["post-19731","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-pandemia-fome","tag-pandemia-coronavirus-injustica-social"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19731","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19731"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19731\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19733,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19731\/revisions\/19733"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19732"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19731"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19731"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19731"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}