{"id":20375,"date":"2021-05-05T14:42:20","date_gmt":"2021-05-05T17:42:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=20375"},"modified":"2021-05-05T14:42:20","modified_gmt":"2021-05-05T17:42:20","slug":"pais-pode-alcancar-1-milhao-de-obitos-pela-covid-preve-miguel-nicolelis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/05\/05\/pais-pode-alcancar-1-milhao-de-obitos-pela-covid-preve-miguel-nicolelis\/","title":{"rendered":"Pa\u00eds pode alcan\u00e7ar 1 milh\u00e3o de \u00f3bitos pela Covid, prev\u00ea Miguel Nicolelis"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u201cEssa variante indiana \u00e9 assustadora. Se as variantes entrarem aqui e passarem a competir com a P-1 (variante brasileira), e as vacinas que temos n\u00e3o derem conta, podemos ter um milh\u00e3o de \u00f3bitos at\u00e9 2022\u201d, adverte o cientista\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto Jair Bolsonaro estiver ocupando o Pal\u00e1cio do Planalto, o pesadelo brasileiro est\u00e1 longe do fim. Em meio ao cen\u00e1rio de guerra que resultou em 400 mil mortes, especialistas antecipam a possibilidade de uma terceira onda de Covid-19 varrer o pa\u00eds e aprofundar ainda mais a crise. Enquanto a vacina\u00e7\u00e3o engatinha, a popula\u00e7\u00e3o continua exposta a novas cepas do v\u00edrus, que aumentam o risco de infec\u00e7\u00e3o e morte. Pesquisadores temem que os dois fatores, associados ao relaxamento das regras de distanciamento social, possam ter um efeito devastador.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil est\u00e1 se especializando no m\u00e9todo sanfona de controle da pandemia\u201d, critica o neurocientista Miguel Nicolelis, em entrevista \u00e0 BBC. \u201cFecham quando est\u00e1 alt\u00edssimo por uma, talvez duas semanas, e a\u00ed, quando cai 4 pontos, abrem tudo de novo e volta (a subir)\u201d.<\/p>\n<p>Militante em favor da ado\u00e7\u00e3o urgente de um lockdown nacional, Nicolelis prev\u00ea meses dur\u00edssimos para o pa\u00eds, consequ\u00eancia da irresponsabilidade do governo federal ao atuar na crise. Ele antev\u00ea a marca de 500 mil v\u00edtimas fatais, a ser atingida em 40 dias. Pior: o pa\u00eds ruma para acumular mais de um milh\u00e3o de fatalidades at\u00e9 2022.<\/p>\n<p>\u201cNo ritmo atual, n\u00f3s n\u00e3o vamos nem conseguir vacinar as pessoas antes que alguma variante brasileira, ou da \u00c1frica do Sul, ou da \u00cdndia, ou da Inglaterra, escape \u00e0s vacinas\u201d, ressalta Nicolelis. \u201cEssa variante indiana \u00e9 assustadora. Se as variantes entrarem aqui e passarem a competir com a P-1 (variante brasileira), e as vacinas que temos n\u00e3o derem conta, podemos ter um milh\u00e3o de \u00f3bitos at\u00e9 2022\u201d, adverte.<\/p>\n<p><strong>Celeiro de variantes<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO Brasil virou celeiro de novas variantes. Com a atual pol\u00edtica adotada [em n\u00edvel nacional], n\u00e3o h\u00e1 perspectiva de a pandemia rescindir em menos de dois ou at\u00e9 tr\u00eas anos\u201d, observou o bi\u00f3logo, pesquisador e doutorando do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa), Lucas Ferrante, em entrevista ao Valor. Ferrante calcula que uma nova onda de infec\u00e7\u00f5es pode castigar o Brasil em at\u00e9 45 dias.<\/p>\n<p>\u201cA falta de coordena\u00e7\u00e3o nacional \u00e9 respons\u00e1vel por tr\u00eas de cada quatro mortes no Brasil\u201d, definiu o epidemiologista Pedro Hallal, ex-reitor da Universidade de Pelotas, em depoimento ao Portal IG. \u201cHoje saiu um coment\u00e1rio na (revista cient\u00edfica brit\u00e2nica) Nature falando em uma de cada duas. Acho que ainda \u00e9 conservador, acho que tr\u00eas de cada quatro, com os dados que eu vejo\u201d, considerou Hallal.<\/p>\n<p>\u201dN\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que muito mais gente morreu e seguir\u00e1 morrendo hoje no Brasil do que seria o naturalmente esperado pelo curso natural da pandemia\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>Lockdown + vacina<\/strong><\/p>\n<p>Hallal sustenta que o Brasil s\u00f3 ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de sair do ciclo de infec\u00e7\u00f5es e morte se adotar um lockdown s\u00e9rio por pelo menos tr\u00eas semanas e acelerar as vacina\u00e7\u00f5es para 1,5 milh\u00e3o de doses por dia. \u00c9 a combina\u00e7\u00e3o das duas medidas que poder\u00e1 dar um respiro aos sistemas de sa\u00fade, ainda sobrecarregados pelo elevado n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es, especialmente de doentes mais jovens.<\/p>\n<p>\u201cVamos precisar construir uma intelig\u00eancia epidemiol\u00f3gica para monitorar o n\u00famero de caso e o tipo de v\u00edrus que est\u00e1 circulando, porque no momento que se encontre novas cepas, \u00e9 fundamental tomar medidas para bloquear essas variantes\u201d avalia o pesquisador Adriano Massuda.<\/p>\n<p>\u201cO que aconteceu em Manaus, por exemplo, com a identifica\u00e7\u00e3o de uma nova cepa e a transfer\u00eancia de pacientes para outras regi\u00f5es do pa\u00eds, ajudou a disseminar a variante para todo o Brasil\u201d, criticou.<\/p>\n<p><strong>Relaxamento do distanciamento<\/strong><\/p>\n<p>\u201cSe flexibilizar geral, o risco \u00e9 muito grande\u201d, advertiu a professora titular de epidemiologia do Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) Gulnar Silva. Ela tamb\u00e9m defende um lockdown em todo o pa\u00eds para frear o v\u00edrus. \u201cQuando a curva baixar bastante podemos fazer testagem, rastrear os casos, isolar os doentes e os suspeitos, fazer quarentena dos contatos, o que deveria ter sido feito desde o in\u00edcio\u201d, recomendou.<\/p>\n<p>www.vermelho.org.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEssa variante indiana \u00e9 assustadora. Se as variantes entrarem aqui e passarem a competir com a P-1 (variante brasileira), e as vacinas que temos n\u00e3o derem conta, podemos ter um milh\u00e3o de \u00f3bitos at\u00e9 2022\u201d, adverte o cientista\u00a0 Enquanto Jair Bolsonaro estiver ocupando o Pal\u00e1cio do Planalto, o pesadelo brasileiro est\u00e1 longe do fim. 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