{"id":20633,"date":"2021-05-19T11:52:22","date_gmt":"2021-05-19T14:52:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=20633"},"modified":"2021-05-19T11:52:41","modified_gmt":"2021-05-19T14:52:41","slug":"descaso-com-pandemia-escancara-perda-na-renda-das-familias-e-mortes-de-trabalhadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/05\/19\/descaso-com-pandemia-escancara-perda-na-renda-das-familias-e-mortes-de-trabalhadores\/","title":{"rendered":"Descaso com pandemia escancara perda na renda das fam\u00edlias e mortes de trabalhadores"},"content":{"rendered":"<p><strong>Pesquisas revelam que desligamento por mortes de trabalhadores celetistas cresce 71,6%; mortes desamparam fam\u00edlias e deixam Brasil R$ 165,8 bi mais pobre. Idosos respondem por R$ 3,8 bi da economia perdida<\/strong><\/p>\n<p>A\u00a0<strong>pandemia<\/strong>\u00a0do novo coronav\u00edrus (Covid-19), que ja matou mais de 437 mil pessoas no Brasil e ainda est\u00e1 descontrolada, segue tirando vidas de milhares de\u00a0<strong>trabalhadores<\/strong>\u00a0e trabalhadoras, enquanto as a\u00e7\u00f5es e o\u00a0<strong>descaso<\/strong>\u00a0do governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) no enfrentamento \u00e0 maior crise sanit\u00e1ria do s\u00e9culo permanecem intactas. Sem medidas restritivas nacionais e sem vacinas, as mortes se multiplicam e, al\u00e9m do abalo emocional, deixam no seio das fam\u00edlias brasileiras um rastro de destrui\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>renda<\/strong>, o aumento da mis\u00e9ria e o desamparo.<\/p>\n<p>Por detr\u00e1s dos n\u00fameros frios h\u00e1 muitos dramas. Um levantamento da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV) revela que o pa\u00eds ficou mais pobre em R$ 165,8 bilh\u00f5es devido as 398 mil mortes, entre mar\u00e7o de 2020 a abril deste ano.<\/p>\n<p>J\u00e1 uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica e Aplicada (IPEA) acompanhou o impacto econ\u00f4mico das mortes de 301 mil idosos, acima de 60 anos, que muitas vezes s\u00e3o os \u00fanicos provedores de suas fam\u00edlias. Em 13 meses de pandemia essas mortes resultaram em R$ 3,8 bilh\u00f5es retirados de circula\u00e7\u00e3o da economia.<\/p>\n<p>A pesquisadora do Ipea, Ana Am\u00e9lia Camarano, especialista na terceira idade, vem acompanhando o impacto da pandemia nas fam\u00edlias que perderam seus idosos para a doen\u00e7a. Um estudo divulgado em agosto do ano passado j\u00e1 mostrava a trag\u00e9dia econ\u00f4mica e social que se abateria nessas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>E por \u00faltimo, o recente\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.dieese.org.br\/boletimempregoempauta\/2021\/boletimEmpregoEmPauta18.html\">Boletim Emprego em Pauta 18,<\/a><\/strong>\u00a0do Departamento Intersindical de Estudos e Estat\u00edsticas Socioecon\u00f4micas (Dieese) mostra um aumento em m\u00e9dia de 71,6%, no n\u00famero de desligamentos por mortes de trabalhadores celetistas, passando de 13,2 mil para 22,6 mil, entre os primeiros trimestres de 2020 e 2021.<\/p>\n<h2><strong>Categorias mais afetadas<\/strong><\/h2>\n<p>O levantamento do Dieese mostra ainda que as categorias de trabalhadores mais afetadas pelos desligamentos por mortes foram os caminhoneiros de cargas n\u00e3o t\u00f3xicas. Das 1.188 atividades celetistas, a de transportes de cargas e p\u00fablico aumentou em 110%.<\/p>\n<p>\u201cEmbora n\u00e3o seja o maior percentual de mortes em uma profiss\u00e3o, em compara\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de trabalhadores envolvidos na atividade, se percebe que os caminhoneiros foram os mais afetados. No primeiro trimestre de 2020 foram desligados por morte 418 profissionais do setor e 880, em 2021\u201d, explica a economista e t\u00e9cnica do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), Ros\u00e2ngela Vieira, uma das coordenadoras da pesquisa.<\/p>\n<p>Nas atividades de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade humana que envolvem m\u00e9dicos, enfermeiros e at\u00e9 outros profissionais que trabalhem em consult\u00f3rios, cl\u00ednicas e\/ou hospitais seja a recepcionista, o faxineiro ou o advogado, o crescimento no n\u00famero de desligamentos por mortes foi de 75,9%. Entre enfermeiros e m\u00e9dicos, a amplia\u00e7\u00e3o chegou a 116% e 204% respectivamente.<\/p>\n<p>Na educa\u00e7\u00e3o, o crescimento foi de 106,7% e em transporte, armazenagem e correio, de 95,2%. O aumento no n\u00famero de profissionais de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o desligados por mortes tamb\u00e9m \u00e9 bastante expressivo: 124,2%, mas a categoria n\u00e3o \u00e9 uma das maiores numericamente.<\/p>\n<p>Para a secret\u00e1ria de Sa\u00fade do Trabalhador da CUT, Madalena Margarida da Silva, esses n\u00fameros revelam que \u00e9 inaceit\u00e1vel a condu\u00e7\u00e3o do governo frente \u00e0 pandemia, que tem levado o Brasil ao aprofundamento das desigualdades sociais , com mais de 27 milh\u00f5es de brasileiros e brasileiras para a linha da pobreza, com o aumento da forme e da desemprego.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o podemos aceitar que a classe trabalhadora siga morrendo por falta de a\u00e7\u00f5es de enfretamento a devido \u00e0 pandemia. \u00c9 preciso que o governo federal articulado com estados e munic\u00edpios, atue de forma mais eficiente no combate ao v\u00edrus e que invista na compras das vacinas \u00a0para imunizar a popula\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n<h2><strong>Desligamentos por mortes por estados<\/strong><\/h2>\n<p>O Amazonas foi o estado com o maior crescimento percentual de desligamentos por morte: 437,7% ( tr\u00eas vezes maior do que o registrado no Brasil). Foram 114, no primeiro trimestre de 2020, e 613, no mesmo per\u00edodo de 2021.<\/p>\n<p>Em seguida, v\u00eam outros tr\u00eas estados do Norte: Roraima, Rond\u00f4nia e Acre. No estado de S\u00e3o Paulo, o mais populoso do pa\u00eds, os desligamentos por morte cresceram 76,4%, passando de 4,5 mil para 7,9 mil.<\/p>\n<p>\u201cPercebe-se claramente que a evolu\u00e7\u00e3o de mortes por Covid quando houve a segunda onda da pandemia no Amazonas \u00e9 quase a mesma curva de desligamentos por mortes de trabalhadores regidos pela CLT, o que nos leva a crer que esses n\u00fameros est\u00e3o interligados\u201d, conclui a economista do Dieese.<\/p>\n<h2><strong>A metodologia das pesquisas<\/strong><\/h2>\n<p>A economista do Dieese ressalta que os n\u00fameros de desligamentos por mortes, no per\u00edodo pesquisado, n\u00e3o necessariamente foram por Covid-19, mas se percebe que este aumento est\u00e1 diretamente ligado ao per\u00edodo da pandemia, como mostra o quadro abaixo.<\/p>\n<figure class=\"image align-center\"><span class=\"dd-label\"><i class=\"fa fa-camera\"><\/i>DIEESE<\/span><a class=\"dd-lightbox\" href=\"https:\/\/admin.cut.org.br\/system\/uploads\/ck\/desligamentos%20por%20mortes%20dieese.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cut.org.br\/images\/cache\/systemuploadsckdesligamentos20por2-487x291xfit-7de94.jpg\" alt=\"Dieese\" width=\"487\" height=\"291\" \/><\/a><figcaption class=\"dd-m-image__group__figcaption dd-m-text dd-m-text--smallest font-MerriWeather\">Fonte: Novo Caged, SEPRT-ME. Elabora\u00e7\u00e3o: DIEESE<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cComo a metodologia do Caged mudou n\u00e3o temos como comparar o n\u00famero de desligamentos com os per\u00edodos anteriores. Mas, utilizamos dados de janeiro de 2020 a mar\u00e7o de 2021 e comparamos trimestralmente, o que j\u00e1 surte efeito significativo por que estamos comparando um per\u00edodo sem pandemia [ janeiro a mar\u00e7o de 2020], com os trimestres restantes j\u00e1 com mortes por covid. A segunda onda pode-se ser percebida claramente no m\u00eas de mar\u00e7o de 2021que teve um pico absurdo de 88% em rela\u00e7\u00e3o a fevereiro\u201d, diz Ros\u00e2ngela.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o ter como afirmar categoricamente que os motivos dos desligamentos por mortes foram por covid, segundo a economista, os dados s\u00e3o importantes para tra\u00e7ar medidas de prote\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a ao trabalhador.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 poss\u00edvel mitigar os efeitos da pandemia e tomar as medidas sanit\u00e1rias necess\u00e1rias de cada categoria. Trazer esses dados pode ajudar a ter informa\u00e7\u00f5es mais precisas sobre o numero de contaminados\u201d, conclui a economista do Dieese.<\/p>\n<p>A pesquisa da FGV, com base em informa\u00e7\u00f5es do Portal de Transpar\u00eancia do Registro Civil, estimou a contribui\u00e7\u00e3o que seria dada pelos 398 mil brasileiros que morreram de Covid de 13 de mar\u00e7o de 2020, quando foi notificada a primeira morte, at\u00e9 30 de abril deste ano. Do total, 197,5 mil pessoas tinham de 20 a 69 anos e 200,5 mil tinham 70 anos ou mais.<\/p>\n<p>www.cut.org.br \/ Rosely Rocha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisas revelam que desligamento por mortes de trabalhadores celetistas cresce 71,6%; mortes desamparam fam\u00edlias e deixam Brasil R$ 165,8 bi mais pobre. 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